Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Rinite e pets: primeiro descubra qual é o gatilho
Muita gente tem cachorro ou gato em casa, e quem também tem rinite alérgica costuma levar ao consultório a mesma dúvida, se pode manter o bichinho. Conviver com o pet não significa, automaticamente, que ele seja a causa das crises. A rinite alérgica é uma inflamação específica. Algumas pessoas reagem aos ácaros da poeira doméstica, outras ao epitélio do cão ou do gato, e outras a barata, pólen ou outros alérgenos.
O primeiro passo é entender qual exposição realmente desencadeia os sintomas. Essa distinção evita culpar o pet por uma crise que vem de outro alérgeno e mostra quais cuidados da casa fazem diferença.

Se a alergia ao cão ou ao gato já foi identificada, o cenário ideal é evitar a exposição ao alérgeno. Quando a família decide manter o pet no convívio, algumas medidas podem reduzir o contato, mas não eliminam completamente a exposição.
Por que identificar o alérgeno faz diferença?
A rinite alérgica surge quando um alérgeno específico desencadeia inflamação no nariz. Quem tem alergia aos ácaros tende a apresentar sintomas quando entra em contato com poeira doméstica. Quem tem alergia ao epitélio do cão ou do gato reage à exposição ao respectivo animal. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), o ácaro da poeira é o gatilho mais comum das alergias respiratórias, e só cerca de 10 a 15 em cada 100 pessoas com asma e rinite têm alergia a animais.
Essa relação pode ser investigada com teste cutâneo, chamado prick test, ou exame de sangue. O resultado pode apontar sensibilização ao epitélio do cão, ao epitélio do gato ou a outro alérgeno, e é sempre lido junto com a história dos sintomas.
Conhecer o gatilho ajuda a definir se o foco deve estar no controle de ácaros, no contato com o pet ou em outra fonte. Na OtoCare, a consulta com o otorrino junta a história, o exame do nariz e o resultado do teste alérgico para definir esse foco. Para entender melhor essa inflamação, veja também o que é rinite e quais são seus principais sintomas.
Quando a alergia é ao cão ou ao gato
Quando o animal é o gatilho confirmado, a forma mais direta de reduzir o problema é diminuir a exposição. Em uma casa com quintal, o ideal é que o pet permaneça fora da área interna sempre que isso for possível. Em apartamentos ou situações nas quais ele continua dentro de casa, o quarto deve receber atenção especial.
As medidas abaixo reduzem o contato em pontos importantes da rotina, principalmente durante o sono, e ajudam a amenizar os sintomas, sem garantir que as crises desapareçam.
Três cuidados para quem mantém o pet em casa
1. Não permita que o pet entre no quarto
Mantenha o cachorro ou o gato fora do quarto e não permita que suba na cama. A pessoa passa muitas horas ali, num ambiente em geral mais fechado durante a noite. Por isso, reduzir ali a quantidade de alérgenos é uma prioridade.
Deixar o animal entrar apenas em alguns momentos ainda leva alérgenos para o colchão, o travesseiro, a roupa de cama e outras superfícies. A regra precisa ser constante para que o quarto permaneça como uma área de menor exposição.
2. Dê banho no pet uma vez por semana
O segundo cuidado são os banhos regulares, e o ideal é dar banho no pet uma vez por semana. O banho precisa continuar toda semana enquanto o animal viver com a pessoa alérgica.
3. Mantenha o pelo o mais curto possível
O terceiro cuidado é manter o pelo do cachorro ou do gato sempre o mais curto possível. Os três cuidados funcionam juntos e precisam fazer parte da rotina da casa.
Por que o quarto é a área mais importante?
No quarto a pessoa passa muitas horas, com o rosto perto da cama, do travesseiro e da roupa de cama. Mesmo quando não dá para manter o pet fora de toda a casa, deixar o quarto livre dele, com a porta fechada e a cama sem acesso, já reduz boa parte do contato diário.
E se a alergia for aos ácaros, e não ao pet?
Animais com pelo também podem transportar ácaros. Por isso, uma pessoa que não tenha alergia específica ao cão ou ao gato, mas seja alérgica aos ácaros, pode piorar com o convívio com o pet.
Nessa situação, mantenha os mesmos três cuidados: animal fora do quarto, banho semanal e pelo curto. Também é importante cuidar das outras fontes de poeira doméstica. Veja as dez medidas para reduzir a exposição aos ácaros em colchões, roupas de cama, tecidos e objetos.
Vídeo: alergia a cães e gatos e rinite alérgica
O vídeo abaixo mostra por que é importante identificar o alérgeno e apresenta os três cuidados para quem tem rinite alérgica e decide manter um cachorro ou gato no convívio.
Perguntas frequentes
Um teste positivo confirma que o pet é a causa dos sintomas?
Não necessariamente. Um teste positivo mostra sensibilização, mas o resultado precisa combinar com a história dos sintomas e com a exposição. A relação fica mais consistente quando as crises surgem ou pioram perto do animal e melhoram quando o contato diminui.
Cães considerados hipoalergênicos produzem menos alérgenos?
Não há evidência de que as raças anunciadas como hipoalergênicas mantenham níveis menores do principal alérgeno canino dentro das casas. A quantidade pode variar muito entre animais, mas a escolha de uma raça não garante um ambiente livre de alérgenos.
A alergia vem apenas do pelo do cachorro ou do gato?
Não. Os alérgenos dos animais são proteínas encontradas em materiais como partículas da pele, saliva e urina. O pelo pode ajudar a espalhar esse material e também transportar outros alérgenos presentes no ambiente.
Os alérgenos do gato desaparecem logo depois que ele sai do ambiente?
Não. Eles podem permanecer na poeira e nas superfícies por semanas ou meses. Em um estudo domiciliar, apenas parte das casas atingiu níveis comparáveis aos de locais sem gato após cerca de 20 a 24 semanas; em outras, a redução foi ainda mais lenta.
Quem tem rinite alérgica pode ter cachorro em casa?
Pode, com cuidados. Quando a alergia ao animal está confirmada, o ideal seria evitar o contato, mas muitas famílias não querem abrir mão do pet, e os três cuidados descritos acima ajudam a reduzir a exposição. A ASBAI também considera possível a convivência e descreve que, com a alergia controlada pelo tratamento, um contato mais próximo pode ser liberado. É uma possibilidade avaliada caso a caso, na consulta.
Alergia a gato ou a cachorro tem cura?
Na maioria das pessoas, o tratamento controla bem os sintomas, com lavagem nasal, sprays e antialérgicos. Nos casos graves que não melhoram com isso, existe a imunoterapia para rinite alérgica, que pode ser feita para a alergia ao epitélio do gato ou do cachorro. Ela busca diminuir a sensibilidade ao alérgeno ao longo de um a vários anos de tratamento, e a resposta varia de pessoa para pessoa. A pergunta sobre cura é tratada em detalhe na orientação rinite alérgica tem cura.
Loratadina serve para alergia a gato ou a cachorro?
Pode ajudar. A loratadina é um antialérgico que alivia espirros, coceira e coriza da rinite alérgica, seja qual for o alérgeno. Para o nariz entupido, a diretriz americana de rinite alérgica coloca o spray nasal de corticoide como primeira escolha. O remédio não substitui a redução do contato com o animal, e a escolha do tratamento é feita na consulta.
Qual remédio tomar para alergia a gato ou cachorro?
O tratamento é o mesmo da rinite alérgica causada por outros alérgenos, e o remédio muda conforme o sintoma que mais incomoda. Para o nariz, entram a lavagem com soro fisiológico, o spray nasal de corticoide e os antialérgicos tomados pela boca, como a fexofenadina (Allegra®) e a loratadina. Alguns desses antialérgicos também existem em versão líquida, e nas crianças a dose depende da idade e é definida na consulta. A escolha do remédio e da dose é feita na consulta, e as opções estão explicadas em detalhe na orientação sobre o tratamento da rinite alérgica.
Criança ou bebê pode ter alergia a cachorro ou gato?
Pode. Segundo o Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia (ACAAI), as alergias são mais comuns na infância e costumam ser hereditárias, então a chance é maior quando o pai ou a mãe também têm alergia. A criança pode entrar em contato com os alérgenos do cão e do gato na escola ou na creche, mesmo sem animal em casa. Para a criança que ainda não tem alergia, o convívio com o animal nos primeiros anos é tratado na orientação sobre a vitamina S. Como espirros e nariz entupido também são muito comuns nos resfriados, a suspeita de alergia na criança e no bebê é investigada na consulta.
Quais são os sintomas da alergia a cachorro e a gato?
Os mais comuns são os da rinite alérgica, com espirros, coriza, nariz entupido e coceira no nariz, e às vezes dor no rosto por causa do nariz entupido. Eles aparecem durante ou logo depois do contato com o animal, e quem é muito sensível pode ter sintomas em poucos minutos, só de entrar numa casa com gato. Quem convive com o pet todos os dias pode ter o nariz entupido o tempo todo, sem crises fortes, o que dá a impressão de que o animal não é a causa. Olhos, pele e respiração também podem reagir, como mostram as respostas a seguir.
Alergia a gato ou cachorro dá sintomas na pele?
Pode dar. Segundo o ACAAI, algumas pessoas têm vermelhidão, coceira ou urticária, as placas vermelhas e elevadas na pele, depois de serem arranhadas ou lambidas pelo animal. Evitar abraçar e beijar o pet e lavar as mãos com água e sabão depois de mexer nele ajuda a diminuir esse contato. Quando a reação na pele se repete, a causa é investigada na consulta.
Alergia a gato pode inchar o olho?
Pode. Olhos vermelhos, lacrimejando e coçando estão entre os sintomas da alergia a cães e gatos, e o ACAAI cita as pálpebras inchadas entre os sintomas da rinite alérgica. Depois de mexer no animal, lavar as mãos antes de tocar no rosto ajuda. Para os olhos existem colírios antialérgicos, indicados na consulta. Inchaço que atinge também os lábios, a língua ou a garganta é outra situação, explicada na pergunta sobre alergia grave.
Alergia a gato ou cachorro pode dar falta de ar ou tosse?
Pode. Tosse, chiado, aperto no peito e falta de ar estão entre os sintomas da alergia a cães e gatos descritos pelo ACAAI, e o contato com o animal pode desencadear crises em quem tem asma. A rinite e a asma muitas vezes andam juntas, e a relação entre as duas e por que tratar o nariz está explicada em asma e rinite alérgica. Falta de ar intensa precisa de avaliação médica sem demora.
Dá para desenvolver alergia a gato ou cachorro depois de adulto?
Dá. Segundo o ACAAI, as alergias são mais comuns na infância, mas podem aparecer em qualquer idade. Por isso, ter convivido anos com animais sem problema não descarta que o pet seja a causa de sintomas novos. O teste alérgico, lido junto com a história dos sintomas, mostra se o gatilho é o animal, o ácaro ou outro alérgeno.
Alergia a gato ou cachorro pode ser grave e fechar a garganta?
Em geral, não. Na maioria das pessoas, a alergia a pets fica no nariz e nos olhos, com sintomas que vão de leves a intensos. Segundo o NHS, serviço de saúde do Reino Unido, uma reação alérgica pode ser muito séria em algumas pessoas. Em quem tem asma, o contato com o animal também pode desencadear crises, segundo a AAAAI. Inchaço repentino dos lábios, da língua ou da garganta, sensação de garganta apertada e dificuldade para engolir ou para respirar precisam de avaliação médica sem demora.
Quanto tempo dura a alergia a gato? Melhora com o tempo?
Os sintomas acompanham a exposição. Enquanto o contato com o animal continua, eles tendem a continuar, e podem durar ainda um bom tempo depois que o pet sai, porque o alérgeno continua no ambiente, segundo a Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia (AAAAI). Não dá para contar com uma melhora espontânea, porque, segundo o ACAAI, a alergia às vezes some e volta anos depois. Com os cuidados com o pet e o tratamento, os sintomas costumam ficar bem controlados.
Referências
- VILELA, Larissa. Alergia a pets (cães e gatos): como aliviar os sintomas da rinite alérgica? YouTube, 28 set. 2023. 1 vídeo (4 min 32 s). Disponível em: https://youtu.be/kpEZGPARDxs. Acesso em: 1 out. 2026.
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Quando procurar avaliação
Procure atendimento quando os sintomas forem frequentes, atrapalharem o sono, persistirem apesar da redução de exposição ou quando não estiver claro se o gatilho é o pet, o ácaro ou outro alérgeno. A consulta com otorrino em Brasília permite avaliar o nariz e organizar a investigação e o tratamento.
Conforme a orientação recebida, também pode ser útil revisar a lavagem nasal para rinite e aprender como usar spray nasal corretamente.
Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479
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