Câncer de boca: sintomas, causas, como identificar e se tem cura

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Ferida na boca que não cicatriza: quando se preocupar

Uma ferida na boca que já dura mais de duas semanas pode não ser uma simples afta. Em alguns casos, uma ferida que não cicatriza é câncer de boca. Esta orientação serve como um alerta de quando se preocupar com uma ferida que surge na cavidade oral.

Toda ferida na boca que não cicatriza em duas semanas precisa ser avaliada por um médico, de preferência um otorrinolaringologista ou um cirurgião de cabeça e pescoço, e em geral precisa de uma biópsia. Não é para esperar a ferida sumir sozinha.

Dra. Larissa Vilela, médica otorrino, aponta para a língua em um modelo anatômico da boca e da garganta, ao lado de uma ilustração de boca aberta

O que é o câncer de boca

O câncer de boca é uma lesão maligna que surge na cavidade oral. Pode aparecer nos lábios, na mucosa que reveste a parte de dentro das bochechas, na gengiva, na língua, no assoalho da boca, que é a região embaixo da língua, e no céu da boca. São regiões vistas com facilidade pelo próprio paciente e pelo médico, o que em tese tornaria o diagnóstico simples.

Mais de 90% desses tumores são do tipo carcinoma espinocelular, que nasce nas células que revestem a boca. A língua é o local mais atingido. O câncer da garganta, da amígdala e da base da língua, chamado de câncer de orofaringe, é um tumor vizinho, com causas um pouco diferentes, e aparece mais adiante nesta página.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 17.190 casos novos de câncer de boca e orofaringe por ano entre 2026 e 2028, sendo 12.260 em homens e 4.930 em mulheres. Entre os homens, é o quinto câncer mais comum do país. No Distrito Federal, a estimativa é de 180 casos novos por ano. Em 2024, a doença causou 7.156 mortes no país.

Por que a maioria dos casos é descoberta tarde

Apesar de a boca ser um lugar fácil de examinar, a maioria dos casos de câncer de boca, aproximadamente 75%, é diagnosticada apenas em estágio avançado. Nesse ponto já existe invasão da língua ou da mandíbula, e muitas vezes o paciente tem dificuldade para engolir ou até para respirar.

Esse número não é impressão. Um estudo do INCA com os registros hospitalares de câncer do país, de 2000 a 2017, encontrou 75,1% dos tumores da cavidade oral em estágio III ou IV no momento do diagnóstico. O diagnóstico tardio foi mais frequente em pessoas com menos de 50 anos, com baixa escolaridade e que fumavam e bebiam.

O motivo é o jeito como a doença começa. O câncer de boca surge como uma lesão de aparência inocente, que não dói. A pessoa deixa para lá, pensando que uma hora aquilo melhora. A lesão vai crescendo devagar, e quando a dor aparece o tumor já está grande. A demora na avaliação médica atrasa o tratamento, torna a lesão invasiva e reduz as chances de sobreviver à doença.

Sintomas do câncer de boca: como começa e como evolui

No início, o câncer de boca costuma ser silencioso. A lesão típica da fase inicial é uma ferida que não cicatriza e não dói. Em outros casos, o primeiro sinal é uma mancha ou placa esbranquiçada, ou uma área mais avermelhada na mucosa, que não some com o passar das semanas.

Com o tempo, a lesão aumenta de tamanho e os sintomas aparecem. Começa a doer, pode sangrar e surge um endurecimento de uma região da língua ou da boca. Pode aparecer também um caroço no pescoço, que são os gânglios aumentados. Quando isso acontece, o nódulo no pescoço já é a manifestação de uma metástase do câncer.

Segundo o INCA, os sinais que merecem atenção são estes.

  • Ferida ou úlcera na boca que não cicatriza em 15 dias, que pode sangrar e crescer.
  • Manchas ou placas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, na gengiva, no céu da boca ou na bochecha.
  • Nódulos ou caroços nos lábios, dentro da boca ou no pescoço.
  • Sangramento sem causa conhecida.
  • Rouquidão que não passa.

Nos casos mais avançados aparecem dificuldade para mastigar, engolir ou falar, sensação de algo preso na garganta, dificuldade para mover a língua, dor de ouvido do mesmo lado e perda de peso. A rouquidão persistente é também o principal sinal do câncer de laringe, assunto da orientação sobre como cuidar da voz.

Afta ou câncer de boca? Como diferenciar

A dúvida é comum, e a diferença está no tempo e na dor. A afta comum dói bastante desde o primeiro dia, tem menos de um centímetro e cicatriza sozinha em até duas semanas, sem deixar marca. Ela também costuma se repetir em quem tem tendência a aftas, sempre do mesmo jeito.

O câncer de boca faz o contrário. No começo, em geral não dói, e a ferida não cicatriza, por mais tempo que passe. Com as semanas ela cresce, pode ficar endurecida nas bordas e passa a sangrar. Qualquer ferida ou mancha na boca que complete duas semanas sem melhorar deixa de ser tratada como afta e precisa ser examinada, com biópsia quando o médico julgar necessário.

Nas crianças, feridinhas parecidas com aftas aparecem em infecções comuns, como a doença mão-pé-boca, e cicatrizam em poucos dias. Já as massinhas brancas que saem das amígdalas são caseum, restos de alimento, e não têm relação com câncer.

Causas e fatores de risco do câncer de boca

O câncer de boca tem fatores de risco muito bem estabelecidos. Os dois principais são o cigarro e o álcool, e eles explicam a maior parte dos casos.

Cigarro e outras formas de tabaco

O tabagismo é um dos grandes fatores de risco para câncer em geral, e também para o câncer de boca. Segundo o INCA, o risco de quem fuma é quase cinco vezes maior do que o de quem não fuma. Não é só o cigarro. Charuto, cachimbo, fumo de rolo, rapé e narguilé trazem os mesmos riscos. Mascar o tabaco também é um grande risco para câncer de boca, porque o produto fica em contato direto com a mucosa.

Sobre o cigarro eletrônico, o INCA informa que ainda não há evidência científica de associação direta com o câncer de boca, embora o vapor contenha substâncias reconhecidamente cancerígenas. É um produto novo, e os estudos de longo prazo ainda não existem. Os efeitos do cigarro sobre a laringe, inclusive o edema das pregas vocais, estão na orientação sobre edema de Reinke.

Álcool, e por que a soma com o cigarro é pior

O consumo de álcool é o outro grande fator de risco para o surgimento desse tipo de lesão. E quando cigarro e álcool estão juntos, um potencializa o efeito do outro. O risco não é só somado, é multiplicado. Um estudo internacional com mais de 11 mil pacientes mostrou que o efeito combinado dos dois é maior do que a multiplicação dos riscos isolados, e que cerca de 64% dos cânceres da cavidade oral podem ser atribuídos ao tabaco, ao álcool ou aos dois juntos. Em quem fuma e bebe, o risco é muito maior do que em quem só faz uma das duas coisas.

HPV e o câncer de boca

Além do álcool e do cigarro, o HPV surge nos tempos atuais como outro grande fator de risco para esse tipo de lesão. O papilomavírus humano, principalmente o tipo 16, é transmitido por contato íntimo, inclusive no sexo oral, e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) o classifica como causa estabelecida de câncer da cavidade oral.

As referências associam o HPV sobretudo aos tumores da orofaringe, isto é, da amígdala e da base da língua, onde ele responde por uma parcela bem maior dos casos do que na boca propriamente dita. Em um grande estudo internacional com 3.680 pacientes, o vírus foi responsável por cerca de 22% dos cânceres de orofaringe e por cerca de 4% dos cânceres da cavidade oral. Os tumores ligados ao HPV atingem pessoas mais jovens e que muitas vezes nunca fumaram, e a avaliação da garganta, com a nasofibrolaringoscopia quando necessária, faz parte da consulta.

Homens, idade e outros fatores

O câncer de boca é muito mais comum em homens, principalmente a partir dos 40 anos. Os números do INCA mostram cerca de duas vezes e meia mais casos em homens do que em mulheres, 12.260 contra 4.930 por ano, e o perfil mais frequente no país, segundo o INCA, é o homem acima dos 40 anos, fumante, de baixa escolaridade e baixa renda.

Outros fatores contam menos, mas existem. A exposição ao sol sem proteção aumenta o risco de câncer de lábio, principalmente do lábio inferior. A alimentação pobre em frutas e verduras, o excesso de peso e a queda da imunidade também aparecem nas listas do INCA. A prótese dentária mal adaptada, que machuca sempre o mesmo lugar, é apontada como fator possível em estudos de menor força, e por isso toda prótese que fere a mucosa deve ser ajustada.

Leucoplasia e eritroplasia: as lesões que vêm antes do câncer

Nem toda lesão suspeita já é câncer. Existem lesões chamadas pré-malignas, ou potencialmente malignas, que ainda não são câncer, mas podem evoluir para ele se não forem tratadas. As duas mais importantes são a leucoplasia e a eritroplasia.

A leucoplasia é uma placa branca na mucosa da boca que não sai quando se raspa. Boa parte delas nunca vira câncer, mas uma minoria apresenta displasia, que é a alteração das células vista na biópsia, e essa minoria pode progredir para um câncer se a lesão não for retirada. As revisões de estudos encontram transformação em câncer em cerca de 3,5% a 9,5% das leucoplasias, mais frequente nas lesões grandes, de aspecto irregular e com displasia moderada ou grave.

A eritroplasia é a lesão avermelhada, aveludada, e é a mais perigosa das duas. É menos comum do que a leucoplasia, mas tem um risco de transformação maligna bem maior, em torno de um terço dos casos. Existe ainda a forma mista, com áreas vermelhas e placas brancas ao mesmo tempo, chamada eritroleucoplasia, que também tem alto risco.

Um exemplo real ajuda a entender. Uma lesão ulcerada na mucosa da bochecha era um câncer, e ao lado dela havia pequenas áreas vermelhas de eritroplasia. Em outro paciente, uma placa branca na mucosa já tinha displasia na biópsia. Ela poderia evoluir para um câncer se não fosse retirada, foi retirada, e o paciente ficou bem. O diagnóstico precoce serve para encontrar a lesão nessa fase.

Como é feito o diagnóstico do câncer de boca

O câncer de boca não é diagnosticado por exame de sangue. Ele é diagnosticado pelo exame físico da boca. O médico examina com boa iluminação os lábios, a língua por cima, por baixo e pelas laterais, o assoalho da boca, as bochechas, a gengiva e o céu da boca, e apalpa o pescoço à procura de gânglios.

Diante de uma lesão suspeita, ou de qualquer lesão que persista por duas semanas ou mais sem causa definida, a confirmação vem da biópsia. É a retirada de um pequeno fragmento da lesão para análise ao microscópio, feita em geral no consultório, com anestesia local. Só a biópsia diz se a lesão é benigna, se é pré-maligna e com que grau de displasia, ou se já é câncer.

Quando o câncer é confirmado, exames de imagem, como tomografia e ressonância, servem para medir a extensão do tumor e ver se há comprometimento dos gânglios do pescoço ou de outras regiões. Esse estadiamento define o tratamento. O raio-x comum não serve para descobrir o câncer de boca, e exame de rotina nenhum substitui o olhar direto na boca.

Câncer de boca tem cura? As chances em cada estágio

Tem cura, e a chance depende sobretudo do momento do diagnóstico. Quando é diagnosticado no começo, o câncer de boca pode ser resolvido de forma simples, com uma cirurgia local que retira a lesão por completo, e com a cura. Nesse cenário, a sobrevida em cinco anos passa de 80%.

Quando o diagnóstico demora, a sobrevida em cinco anos cai para cerca de 30% a 40%. A diferença é muito significativa. Os registros americanos mostram o mesmo padrão: 88,7% de sobrevida em cinco anos quando o tumor está localizado, cerca de 70% quando já atingiu os gânglios do pescoço e 36% quando há metástase a distância. Os números também variam conforme o local do tumor e, principalmente, conforme já existem gânglios comprometidos no pescoço, que é o fator de pior prognóstico.

Esses percentuais são médias de grandes grupos, não uma previsão para uma pessoa. O que está ao alcance de cada paciente é mudar o estágio em que a doença é encontrada, e isso depende de olhar para a boca e não adiar a avaliação.

Tratamento do câncer de boca

Na grande maioria das vezes, o tratamento é cirúrgico. No tumor inicial, a cirurgia é pequena, retira a lesão com margem de segurança e costuma resolver o problema, com pouco impacto na fala e na alimentação.

Quando o diagnóstico se atrasa, muitas vezes são necessárias cirurgias grandes, que precisam retirar muito tecido, parte da língua ou da mandíbula, e esvaziar os gânglios do pescoço. São cirurgias que trazem grande impacto na qualidade de vida do paciente, mesmo com as técnicas atuais de reconstrução. Nos estágios avançados, além da cirurgia, é frequente a necessidade de radioterapia e quimioterapia complementares, chamadas adjuvantes, para conseguir de fato curar o câncer.

Depois do tratamento, o acompanhamento é regular e prolongado, porque quem já teve um câncer de boca tem risco maior de desenvolver um segundo tumor na região da cabeça e do pescoço. Parar de fumar e de beber faz parte do tratamento e melhora o resultado.

Como prevenir o câncer de boca

Existe, sim, o que fazer para evitar o câncer de boca. O primeiro ponto é evitar o álcool; o segundo, o cigarro. Essas duas medidas são, de longe, as mais importantes para reduzir o número de casos. Quem fuma e quer parar pode conversar sobre isso na consulta.

O terceiro ponto é a vacina contra o HPV, que tem ganhado importância justamente porque o vírus passou a ser uma causa relevante desses tumores. A vacina está disponível no SUS para todas as crianças do país. Em 2026, o esquema é de dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos, e os jovens de 15 a 19 anos que ainda não se vacinaram podem tomar a dose pelo SUS até 31 de dezembro de 2026. Pessoas com imunidade baixa seguem esquemas próprios. Um estudo americano com jovens adultos encontrou 88% menos infecção oral pelos tipos de HPV da vacina entre os vacinados, o que é a base da proteção esperada contra esses cânceres.

Para o câncer de lábio, vale o protetor labial com filtro solar e o chapéu em quem trabalha ao sol. Uma alimentação com frutas e verduras e a boa higiene da boca, com dentes e próteses em ordem, completam a lista.

Por fim, existe a chamada prevenção secundária, que é o diagnóstico precoce. Encontrar uma lesão pré-maligna, que ainda não é câncer, ou um câncer em estágio inicial permite um tratamento muito conservador e resolutivo. É a forma de prevenção que depende de olhar para a boca.

Quem tem mais risco: existe exame de rotina?

A pergunta aparece sempre que um homem com mais de 40 anos, que fuma e bebe, quer saber o que fazer para se cuidar. Não existe exame de sangue nem exame de rotina que descubra o câncer de boca. O que existe é o exame da própria boca, e ele começa em casa.

O primeiro passo continua sendo reduzir o cigarro e o álcool. O segundo é ter mais atenção com a própria boca. Na hora da escovação, olhar no espelho se está tudo bem, se não há alguma região mais endurecida, uma ferida, uma mancha branca ou vermelha, alguma região diferente. Ao menor sinal de lesão, procurar avaliação com otorrinolaringologista ou com cirurgião de cabeça e pescoço. O autoexame não substitui o exame feito pelo médico, mas é ele que faz a pessoa chegar cedo.

Para quem está no grupo de maior risco, a orientação habitual é passar uma vez por ano em consulta para uma avaliação detalhada da cavidade oral, com atenção aos pontos onde o câncer de boca é mais frequente. É uma abordagem simples, e para quem tem essa possibilidade é o ideal. Esse exame da boca faz parte da consulta com otorrino na OtoCare. As diretrizes de rastreamento populacional, como a da força-tarefa americana de prevenção, consideram que ainda faltam estudos para recomendar o exame de rotina em adultos sem sintomas. No grupo que fuma ou bebe, o maior ensaio clínico feito até hoje, na Índia, encontrou redução de cerca de um terço na mortalidade por câncer de boca com o exame periódico, e é nesse grupo que a avaliação anual faz mais sentido, decidida caso a caso na consulta.

Vídeo: câncer de boca, o que é, causas, sintomas e tratamento

No vídeo, a explicação sobre a ferida que não cicatriza, os fatores de risco, as chances de cura e o que fazer em quem tem mais risco, com imagens de lesões pré-malignas e de câncer de boca.

Perguntas frequentes

Câncer de boca dói?

No início, em geral não. A lesão típica é uma ferida ou uma mancha que não dói, e é por isso que tantas pessoas demoram a procurar avaliação. A dor aparece quando o tumor já cresceu, junto com sangramento e endurecimento da região.

Como começa o câncer de boca?

Como uma ferida que não cicatriza, uma placa esbranquiçada ou uma área avermelhada na mucosa, sem dor, que não some com o passar das semanas e vai aumentando de tamanho. Qualquer uma dessas lesões com mais de duas semanas precisa de avaliação.

Afta pode ser câncer de boca?

A afta em si não vira câncer. O problema é confundir as duas coisas. A afta dói desde o começo e cicatriza em até duas semanas. Uma ferida que não dói e não cicatriza em duas semanas não deve ser tratada como afta e precisa de exame, em geral com biópsia.

Quantos dias esperar uma ferida na boca antes de procurar avaliação?

Duas semanas. Esse é o prazo adotado pelo INCA, que fala em 15 dias, e também o usado para indicar a biópsia de uma lesão persistente sem causa definida. Ferida que já sangra, endurece ou cresce não precisa esperar completar o prazo.

Mancha branca na boca é perigosa?

Pode ser. A placa branca que não sai ao raspar é a leucoplasia, uma lesão potencialmente maligna. A maioria não vira câncer, mas uma parte tem displasia e pode progredir, e só a biópsia diferencia. Toda mancha branca persistente precisa ser examinada.

O que é leucoplasia e o que é eritroplasia?

São as duas lesões pré-malignas mais importantes da boca. A leucoplasia é a placa branca; a eritroplasia é a lesão vermelha e aveludada. A eritroplasia é mais rara e mais perigosa, com transformação em câncer em cerca de um terço dos casos, contra uma minoria das leucoplasias.

HPV causa câncer de boca?

Sim, o HPV é um fator de risco reconhecido, principalmente o tipo 16. Ele está ligado sobretudo aos tumores da orofaringe, da amígdala e da base da língua, e responde por uma parcela menor dos tumores da boca propriamente dita. A vacina contra o HPV é a forma de prevenção.

Quem nunca fumou pode ter câncer de boca?

Pode. O cigarro e o álcool explicam cerca de dois terços dos casos, e o restante aparece em quem nunca fumou nem bebeu. Nesses casos, o HPV, o sol no lábio e outros fatores entram em cena. Por isso a regra da ferida de duas semanas vale para todo mundo.

Narguilé e cigarro eletrônico aumentam o risco?

O narguilé sim. O INCA o coloca junto com o charuto, o cachimbo e o fumo de rolo, com os mesmos riscos do cigarro. Para o cigarro eletrônico ainda não há evidência de associação direta com o câncer de boca, mas o vapor contém substâncias cancerígenas e o produto é recente demais para que os estudos de longo prazo existam.

Câncer de boca aparece em exame de sangue ou no raio-x?

Não. Não existe exame de sangue que descubra o câncer de boca, e o raio-x comum não mostra a lesão. O diagnóstico é feito pelo exame físico da boca e confirmado pela biópsia. Tomografia e ressonância entram depois, para medir a extensão do tumor.

Câncer de boca descoberto no começo tem cura?

Tem. Diagnosticado no começo, o câncer de boca é tratado com uma cirurgia pequena, que retira a lesão por completo, e a sobrevida em cinco anos passa de 80%. É o cenário em que a ferida de duas semanas foi examinada sem demora, e é por isso que o estágio no diagnóstico é o que mais pesa.

Câncer de boca em estágio avançado tem cura?

Ainda pode ter, mas é mais difícil. O tratamento combina cirurgia grande, radioterapia e quimioterapia, e a sobrevida em cinco anos fica em torno de 30% a 40%, com variação conforme o local do tumor e a extensão da doença. Cada caso é avaliado pela equipe que trata.

Câncer de boca pode se espalhar?

Pode. O primeiro lugar para onde ele se espalha são os gânglios do pescoço, e o caroço no pescoço já é uma metástase. Com o tempo, pode atingir órgãos distantes, como os pulmões. Quanto mais cedo o diagnóstico, menor a chance de isso acontecer.

Câncer de boca e câncer de garganta são a mesma coisa?

Não. O câncer de boca fica na cavidade oral, na língua, na gengiva, nas bochechas e nos lábios. O câncer de garganta, ou de orofaringe, atinge a amígdala e a base da língua e tem ligação forte com o HPV. Mais atrás ainda fica o câncer de laringe, cujo principal sinal é a rouquidão persistente.

Câncer de língua é comum?

A língua é o local mais atingido pelo câncer de boca no Brasil. A lesão costuma aparecer nas bordas laterais e embaixo da língua, e por isso essas regiões merecem atenção especial no autoexame.

Quem trata o câncer de boca?

A primeira avaliação e a biópsia são feitas pelo otorrinolaringologista ou pelo cirurgião de cabeça e pescoço. Confirmado o câncer, o tratamento é conduzido pela equipe de cabeça e pescoço e, nos casos avançados, pela oncologia, com radioterapia e quimioterapia.

Fumante com mais de 40 anos deve ir ao otorrino todo ano?

Não há exame de laboratório para isso. Homens acima de 40 anos que fumam e bebem são o grupo de maior risco, e para eles a orientação habitual é uma consulta por ano para o exame detalhado da boca, além da atenção diária no espelho na hora da escovação.

Referências

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Avaliação de feridas e manchas na boca na OtoCare, em Brasília

Uma ferida, uma mancha branca ou vermelha ou um caroço na boca que já dura mais de duas semanas precisa ser examinado. Na consulta com otorrino na OtoCare, em Brasília, a boca, a língua, a garganta e o pescoço são examinados com calma, e a lesão suspeita recebe a indicação de biópsia e o encaminhamento adequados para cada caso. Quem fuma, bebe e tem mais de 40 anos pode fazer dessa avaliação uma rotina anual. Outras orientações estão na página de orientações aos pacientes.