VEMP: o exame que avalia o labirinto por meio do som
O VEMP é um exame do labirinto feito com um estímulo sonoro. O som chega a uma parte específica do ouvido interno, e a resposta aparece como uma pequena contração de um músculo do pescoço, registrada por eletrodos colados na pele. O paciente não precisa responder a nada.
É um exame rápido, que não dói e não provoca tontura. Ele ajuda a esclarecer o diagnóstico de algumas doenças do labirinto e do nervo vestibular, como a doença de Ménière, a deiscência do canal semicircular superior, a neurite vestibular e o schwannoma vestibular. Na maioria dos casos, ele não é o primeiro exame pedido: entra como complemento da VENG e do vHIT, quando a dúvida é mais específica.
O VEMP não é realizado na Clínica OtoCare. Na consulta com a Dra. Larissa Vilela, otorrinolaringologista, no Setor Noroeste de Brasília, a tontura é avaliada, a indicação do exame é discutida e, com o laudo em mãos, o resultado é interpretado junto com os outros exames para definir o tratamento.
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O que é o VEMP
VEMP é a sigla em inglês de vestibular evoked myogenic potential. Em português, potencial evocado miogênico vestibular: um estímulo (evocado) que atua no labirinto (vestibular) e gera uma resposta em um músculo (miogênico). Essa resposta elétrica é o potencial que o exame registra.
A descoberta é de 1992. Os pesquisadores James Colebatch e Michael Halmagyi perceberam que um som muito forte conseguia estimular uma região específica do labirinto e que essa estimulação produzia uma resposta no músculo esternocleidomastóideo, o músculo grande que desce de trás da orelha até a base do pescoço, junto ao esterno e à clavícula. Desde então, o exame passou a fazer parte da avaliação do equilíbrio.
Como o som chega ao labirinto e gera a resposta
A parte do labirinto ligada ao equilíbrio fica colada à cóclea, o órgão da audição, e uma pequena parte dela, a mácula do sáculo, guarda células ciliadas do tipo I que ainda respondem ao som. Um som forte o bastante estimula essas células.
A partir daí, a resposta elétrica sai do sáculo pelo nervo vestibular, chega ao tronco cerebral e desce pelo nervo acessório até o músculo do pescoço, onde provoca uma variação muito rápida e pequena na contração. O equipamento capta essa reação. Por isso o VEMP mostra como está o funcionamento da mácula sacular, uma região que outros exames do labirinto não avaliam.
VEMP cervical e VEMP ocular
O exame pode ser feito de duas formas:
- VEMP cervical (cVEMP). É o mais clássico e o mais comum. A resposta é captada no músculo do pescoço e reflete principalmente o sáculo e o ramo inferior do nervo vestibular.
- VEMP ocular (oVEMP). É menos comum. A resposta é captada em músculos que movem os olhos, com eletrodos logo abaixo das pálpebras, e reflete principalmente o utrículo, outra parte do labirinto, e o ramo superior do nervo vestibular.
Como cada um avalia uma parte diferente do labirinto e um ramo diferente do nervo, os dois se completam. O pedido de VEMP cervical, ocular ou dos dois depende da suspeita clínica.
Como o exame VEMP é feito
O paciente fica sentado ou deitado. São colocados fones nos dois ouvidos, eletrodos sobre o músculo esternocleidomastóideo, dos dois lados do pescoço, e um eletrodo terra na região do esterno, no meio do peito. No VEMP ocular, os eletrodos ficam no rosto, abaixo dos olhos.
Pelos fones, o equipamento emite sons bem intensos, em torno de 90 a 95 dB, mas muito rápidos. No VEMP cervical, para que a resposta apareça, o músculo do pescoço precisa estar contraído durante o registro. Para isso, o paciente gira a cabeça para o lado ou levanta a cabeça do apoio, conforme a técnica usada. No VEMP ocular, o paciente mantém o olhar para cima. Fora isso, ele não precisa responder a nada: a reação do músculo acontece sozinha, como consequência do som.
- Não dói. Os eletrodos são apenas colados na pele.
- Não dá tontura. Diferente de outros exames do labirinto, o VEMP não provoca crise.
- É rápido. Cada orelha é testada separadamente, em sequências curtas de estímulos.
- É bem tolerado. Apesar de o som ser forte, os estímulos são muito curtos e não causam grande desconforto.
Não há preparo específico. Quem tem dor ou limitação para movimentar o pescoço deve avisar antes, porque o VEMP cervical depende dessa contração.
Para que serve e quando o VEMP é indicado
O VEMP mostra se a mácula do sáculo, e no caso do ocular a do utrículo, estão funcionando, e se o ramo do nervo vestibular ligado a elas conduz o sinal. Essa região pode se alterar em várias doenças do labirinto, e o exame ajuda no diagnóstico diferencial entre elas. As principais indicações são:
- Deiscência do canal semicircular superior. É uma das grandes indicações, porque o VEMP tem uma alteração bem característica nesse problema da orelha interna, em que falta parte do osso que cobre um dos canais do labirinto.
- Doença de Ménière. Muitas vezes, a primeira alteração da doença acontece justamente na mácula sacular.
- VPPB que volta muitas vezes. Nesses casos, o exame ajuda a avaliar se existe lesão no labirinto, já que ele avalia a região de onde se soltam os cristais da VPPB.
- Neurite vestibular. Mostra se o ramo inferior do nervo foi atingido.
- Schwannoma vestibular, o tumor benigno do nervo vestibular. O exame ajuda a localizar quais ramos do nervo o tumor está comprometendo.
A aplicação do VEMP é ampla, mas ele é um exame complementar. Provavelmente não será o primeiro exame pedido para avaliar o labirinto. Ele costuma entrar quando há suspeitas mais específicas, para ajudar a fechar o diagnóstico.
A diretriz de 2017 da Academia Americana de Neurologia considera que a evidência mais sólida para o VEMP está na deiscência do canal semicircular superior. Para a doença de Ménière e para a neurite vestibular, a diretriz ainda considera os estudos insuficientes, e não encontrou benefício demonstrado do VEMP para fazer o diagnóstico da VPPB. Na prática, o exame é interpretado junto com a história e os outros exames, e o peso que ele tem em cada diagnóstico é avaliado caso a caso, na consulta.
Como o resultado do VEMP é interpretado
No VEMP cervical, o equipamento registra uma onda com dois picos, chamados de P13 e N23 porque costumam aparecer cerca de 13 e 23 milissegundos depois do som. O laudo analisa principalmente:
- a presença da resposta: se a onda aparece em cada orelha;
- a latência: o tempo entre o som e a resposta. Um atraso pode indicar alteração na condução do nervo ou do tronco cerebral;
- a amplitude e o índice de assimetria: o tamanho da resposta de um lado comparado ao do outro. Como a força do músculo varia de pessoa para pessoa, o que mais pesa é a diferença entre os lados;
- o limiar: o som mais fraco que ainda gera resposta.
Um VEMP alterado não é um diagnóstico por si só. A resposta pode ficar reduzida ou ausente do lado afetado em parte dos pacientes com neurite vestibular ou schwannoma vestibular. Na doença de Ménière, o sáculo muitas vezes é atingido cedo, e com a evolução da doença a resposta pode ficar reduzida ou desaparecer. Na deiscência do canal semicircular superior acontece o contrário: a resposta fica maior que o normal e aparece com sons mais fracos.
Um cuidado importante é a perda auditiva condutiva, como a causada por otite com secreção ou por otosclerose. Ela atrapalha a passagem do som até o labirinto e pode fazer a resposta desaparecer mesmo com o labirinto normal. Nesses casos, alguns serviços usam vibração óssea em vez do som pelos fones. Por isso, os resultados da audiometria e da impedanciometria ajudam a ler o VEMP corretamente.
VEMP, VENG e vHIT: qual a diferença
Os exames mais tradicionais para avaliar o labirinto são a VENG e o vHIT. Eles avaliam principalmente os canais semicirculares, as estruturas que percebem o giro da cabeça. O VEMP avalia outra parte, as máculas do sáculo e do utrículo, que percebem a gravidade e os movimentos em linha reta.
Por isso o VEMP não substitui esses exames: ele completa a investigação quando a dúvida envolve essa região. Um ponto a favor dele é o conforto. Perto de exames que provocam tontura para testar o labirinto, como a prova calórica da VENG, o VEMP é bem mais tranquilo para o paciente.
Convênio, valor e Rol da ANS
No Rol de Procedimentos da ANS, a lista de cobertura mínima obrigatória dos planos de saúde, não há um item específico para o potencial evocado miogênico vestibular. A cobertura, por isso, depende do contrato de cada plano. Antes de agendar o exame, confirme a cobertura com a operadora, com o pedido médico em mãos. O valor particular varia conforme o serviço e conforme seja feito só o VEMP cervical, só o ocular ou os dois.
A consulta na OtoCare pode ser feita por convênio ou de forma particular. Consulte a lista de convênios e informações sobre reembolso.
Avaliação da tontura na OtoCare, em Brasília
Na consulta com otorrino na OtoCare, a Dra. Larissa ouve a história da tontura, examina os ouvidos e o equilíbrio e define quais exames respondem à dúvida de cada caso. Quando o VEMP está indicado, o resultado é interpretado na consulta, junto com os outros exames, e orienta o tratamento.
Na própria clínica são feitos o vHIT, a audiometria e a impedanciometria.
Clínica OtoCare
CLNW 08/09, Bloco C, Loja 02
Setor Noroeste – Brasília/DF
Telefone: (61) 99957-8479
Vídeo: exame VEMP, o que é e como é feito
No vídeo abaixo, o exame é apresentado desde a descoberta, com o caminho do som até o músculo do pescoço, as indicações e as vantagens em relação a outros exames do labirinto.
Perguntas frequentes sobre o exame VEMP
O exame VEMP dói?
Não. Os eletrodos são colados na pele, e o som chega pelos fones. O único esforço é manter o pescoço contraído, ou o olhar para cima no VEMP ocular, durante os registros.
O VEMP dá tontura?
Não. Diferente da prova calórica, o VEMP não provoca crise de tontura. É um dos exames do labirinto mais confortáveis para o paciente.
O som alto do exame faz mal ao ouvido?
O som é forte, mas cada estímulo dura uma fração de segundo, e as recomendações internacionais orientam usar intensidades abaixo dos limites considerados seguros. O exame costuma ser bem tolerado.
Precisa de algum preparo para o VEMP?
Não há preparo específico. Dor ou limitação para movimentar o pescoço deve ser informada antes do exame, porque o registro do VEMP cervical depende da contração desse músculo.
Quanto tempo dura o exame VEMP?
É um exame rápido. O tempo total depende de ser feito só o VEMP cervical ou também o ocular, e de quantas repetições são necessárias em cada orelha.
Preciso fazer o VEMP cervical e o ocular?
Nem sempre. O cervical é o mais usado. O ocular é acrescentado quando a suspeita envolve o utrículo ou o ramo superior do nervo vestibular, como em alguns casos de deiscência ou de neurite.
O que significa VEMP cervical alterado?
Que a resposta veio ausente, reduzida, atrasada ou desigual entre os lados, ou com limiar baixo. O significado depende do padrão e dos outros exames, e só a avaliação médica liga o achado a um diagnóstico.
O VEMP substitui a VENG ou o vHIT?
Não. Eles avaliam partes diferentes do labirinto e se completam. Muitas vezes, mais de um deles é pedido na mesma investigação da tontura.
O VEMP diagnostica a doença de Ménière?
Ele ajuda, mas não fecha o diagnóstico sozinho. O diagnóstico da doença de Ménière se baseia principalmente na história das crises e na audiometria, e o VEMP pode mostrar a alteração do sáculo, que muitas vezes aparece cedo.
Criança pode fazer o VEMP?
Pode, desde que consiga manter a contração do pescoço durante o registro. Há menos estudos e menos padronização dos valores em crianças, e a indicação é avaliada caso a caso.
Quem pede o exame VEMP?
Em geral, o otorrinolaringologista, durante a investigação de tontura ou de alterações do ouvido interno. Os planos de saúde costumam exigir o pedido médico.
O plano de saúde cobre o VEMP?
Depende do contrato. O VEMP não tem um item próprio no Rol de Procedimentos da ANS, então a cobertura precisa ser confirmada com a operadora, com o pedido médico em mãos.
A OtoCare realiza o exame VEMP?
Não. Na consulta, a Dra. Larissa avalia a indicação do exame e interpreta o resultado. O vHIT, a audiometria e a impedanciometria são feitos na clínica.
Agende sua avaliação na OtoCare
Se a tontura já foi investigada e a causa ainda não está clara, se houve pedido de VEMP ou se o laudo do exame precisa ser interpretado, agende uma consulta. A avaliação define os exames de cada caso e, depois, o tratamento.
Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479
Conheça também todos os exames otorrinolaringológicos e audiológicos da OtoCare.
Referências
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