Sinupret para sinusite: para que serve, o que os estudos mostram e quando ele não substitui o antibiótico

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Sinupret para sinusite: para que serve, o que os estudos mostram e quando ele não substitui o antibiótico

O Sinupret é um medicamento fitoterápico de cinco plantas com evidência real, porém modesta, para encurtar e aliviar a rinossinusite aguda em seu começo — e a evidência mais forte que se cita a seu respeito foi produzida com uma formulação concentrada, que não é a que chegou às farmácias brasileiras. Essa distinção não é detalhe de bula: ela muda quais estudos podem ser aplicados à caixa que está na prateleira.

Quem procura por esse nome quase sempre está decidindo se compra, se toma, ou se aquilo pode poupar um antibiótico. Esta página responde às três com o que o produto é, quanto ele mudou os sintomas nos ensaios, o que aconteceu quando o testaram na doença crônica, quem financiou essa pesquisa e onde ele não entra.

Dra. Larissa Vilela explicando o que o fitoterápico Sinupret trata na rinossinusite e o que ele não substitui

Esta página não prescreve. Ela reúne o que os ensaios clínicos, as revisões independentes e a bula registrada publicaram sobre este produto, para que a conversa com quem prescreve seja melhor. A posologia citada é a que consta em bula, reproduzida como informação de produto, e não como orientação de uso.

O que é e do que é feito

É um medicamento fitoterápico oral, de origem alemã, usado há décadas na Europa em quadros de nariz entupido com secreção espessa. A fórmula combina cinco drogas vegetais, sempre as mesmas, nas proporções que a bula brasileira registra por comprimido revestido.

  • Verbena (Verbena officinalis) — 18 mg
  • Genciana (Gentiana lutea), raiz — 6 mg
  • Língua de vaca (Rumex crispus) — 18 mg
  • Prímula (Primula veris), flor — 18 mg
  • Sabugueiro (Sambucus nigra), flor — 18 mg

São 78 mg de droga vegetal por comprimido. A posologia registrada para o adulto é de dois comprimidos três vezes ao dia, sem ultrapassar seis por dia, por sete a catorze dias. O registro brasileiro é MS-1.2342.0002, e o produto entrou no país pela Herbarium com indicação de uso adulto.

Nenhuma dessas plantas é exótica, e nenhuma delas isolada tem, na rinossinusite, evidência própria comparável à da combinação. O que foi estudado foi sempre o conjunto.

A distinção que muda a leitura de todos os estudos

Existem duas apresentações diferentes com o mesmo nome comercial e as mesmas cinco plantas, e a literatura as trata como produtos distintos, com códigos distintos.

ApresentaçãoComo o princípio ativo é apresentadoQuanto por dia no adultoO que foi testado com ela
Fórmula clássica, comprimido revestido
(a que foi lançada no Brasil)
Droga vegetal moída, 78 mg por comprimidoSeis comprimidos, 468 mg de droga vegetalEnsaios mais antigos, quase sempre como tratamento associado a outro
Extrato, comprimido revestido
(a que sustenta a evidência recente)
Extrato seco nativo, 160 mg por comprimidoTrês comprimidos, 480 mg de extrato secoOs ensaios contra placebo dos últimos quinze anos e a recomendação da diretriz europeia

Os dois números finais parecem próximos, mas medem coisas diferentes: um é peso de planta moída, o outro é peso de extrato seco, obtido por concentração da planta. Na prática, a apresentação de extrato entrega em torno de quatro vezes mais princípio ativo por dia do que a clássica, e é por isso que a literatura as separa em vez de somar seus resultados.

Quando um texto diz que “estudos comprovam” e cita a diretriz europeia, ele quase sempre está falando da apresentação de extrato. Isso não significa que a fórmula clássica não funcione — ela tem estudos próprios, mais antigos e de desenho mais frágil. Significa que os dois conjuntos de evidência não são intercambiáveis.

Vale registrar o outro lado: as duas apresentações partem das mesmas cinco plantas, do mesmo fabricante, e os estudos de laboratório sobre mecanismo foram feitos com a fórmula clássica. Não há motivo para supor que uma funcione e a outra não. Há motivo para não transferir automaticamente números de uma para a outra.

O que o ensaio contra placebo encontrou, em números

A pergunta foi testada do jeito certo: dois ensaios randomizados, duplo-cegos, contra placebo, na rinossinusite aguda viral, com a apresentação de extrato. A análise conjunta dos dois reuniu 589 pacientes, 294 no grupo do fitoterápico e 295 no placebo, tratados por quinze dias. O desfecho foi o escore de sintomas maiores, que soma cinco queixas em uma escala de 0 a 20.

Escore de sintomas maioresFitoterápicoPlacebo
No início do tratamento10,029,87
No fim, no décimo quarto dia2,473,63
Quanto o grupo melhorou7,55 pontos6,24 pontos
Diferença entre os grupos no fim1,16 ponto, com p menor que 0,0001

A linha mais informativa da tabela é a terceira, e ela raramente aparece traduzida: o grupo que tomou placebo melhorou mais de seis pontos sozinho. A rinossinusite aguda se resolve por conta própria na maioria esmagadora dos casos, e é sobre esse pano de fundo que o efeito do medicamento precisa ser lido.

O que o fitoterápico acrescentou a isso foi consistente e pequeno: pouco mais de um ponto de vantagem no fim do tratamento, alívio dos sintomas cerca de dois dias antes do que com placebo, e melhor qualidade de vida medida por questionário. Um dos ensaios calculou quantos pacientes precisariam ser tratados para que um a mais ficasse curado: oito.

Uma reanálise posterior, que reuniu 676 pacientes dos mesmos dois ensaios, encontrou redução de 1,9 ponto no escore de sintomas e de 3,5 pontos no questionário de qualidade de vida, com efeito maior no subgrupo de sintomas moderados a graves: 2,3 e 4,9 pontos. É o mesmo material, recortado de outro modo, e aponta na mesma direção.

Quem entrou nesses ensaios, e por que isso importa

Um resultado só vale para quem se parece com quem foi estudado. Os critérios de entrada dos ensaios foram estreitos, e vale conhecê-los:

  • sintomas com até três dias de duração;
  • dor facial de leve a moderada;
  • escore de sintomas entre 8 e 12, ou seja, quadro nem leve demais nem grave;
  • rinossinusite aguda de origem viral, confirmada por ultrassonografia dos seios da face no início e no fim.

Isto é: o benefício foi demonstrado em quem começou a tomar nos primeiros dias do resfriado. Não em quem já está na segunda semana, não em quem já tem quadro grave, e não em quem já recebeu antibiótico. O produto foi testado como intervenção precoce, e é assim que os números devem ser lidos.

Sinusite crônica: o que o maior ensaio realmente mostrou

Aqui está o ponto em que a divulgação e o dado se afastam. Existe um ensaio randomizado contra placebo na sinusite crônica, com 929 pacientes e doze semanas de tratamento, testando duas doses da apresentação de extrato. É o maior estudo já feito com o produto.

AnáliseO que foi medidoResultado
Desfecho principal, definido antes de começarEscore de sintomas nas semanas 8 e 12 contra placeboNão superior ao placebo
Desfechos secundáriosParâmetros derivados do escore e taxas de respostaTendência favorável, sem confirmar o principal
Análise feita depois, não planejadaSubgrupo com escore inicial acima de 9 e mais de um ano de doença, diagnosticado por otorrinolaringologistaBenefício significativo neste recorte
SegurançaEventos adversos ao longo de doze semanasBoa tolerância em todos os pacientes

A leitura honesta é essa: o ensaio não demonstrou benefício na sinusite crônica em geral. A análise favorável foi feita depois de o resultado principal ser conhecido, em um subgrupo escolhido depois — é o que se chama de análise post-hoc, e ela serve para levantar hipótese, não para sustentar indicação.

Isso não a torna desprezível. O recorte é clinicamente plausível: doentes mais sintomáticos e de longa data, avaliados por especialista. Mas uma hipótese levantada assim precisa de um ensaio novo, desenhado para testá-la, e esse ensaio ainda não existe.

Convém lembrar também que “sinusite crônica” não é uma coisa só. Uma parte importante dos casos tem pólipos nasais, com mecanismo inflamatório próprio e tratamento próprio, descrito na orientação sobre polipose nasal e sinusite crônica.

Onde ele entra na diretriz europeia

O documento europeu de referência em rinossinusite reconhece que alguns fitoterápicos, entre eles a apresentação de extrato deste produto, têm impacto significativo sobre os sintomas da rinossinusite aguda pós-viral, sem eventos adversos relevantes. O nível de evidência atribuído é o de ensaios randomizados.

Vale ler exatamente o que essa frase diz e o que ela não diz. Ela diz que existe efeito sintomático demonstrado em ensaio e que o perfil de segurança é bom. Ela não diz que o produto cure a infecção, que previna complicação, que substitua tratamento em quadro estabelecido ou que seja obrigatório. Fitoterápico, nesse contexto, aparece ao lado do tratamento sintomático — não no lugar do tratamento da doença.

Uma revisão publicada em 2025, que avaliou trinta e três estudos clínicos de onze preparações fitoterápicas diferentes, chegou à mesma conclusão restrita: entre todas, a apresentação de extrato deste produto é a que reúne evidência significativa na doença aguda.

Ele reduz o uso de antibiótico? O que sustenta essa afirmação

Essa é a promessa mais repetida a respeito do produto, e ela tem base — de um tipo específico, que precisa ser nomeado.

A base é um estudo de coorte retrospectivo com 203.382 pacientes, que comparou desfechos de quem usou o fitoterápico com os de quem usou antibiótico e outras terapias na rinossinusite aguda. Os desfechos avaliados foram prescrição posterior de antibiótico, afastamento do trabalho por sete dias ou mais e novas consultas pelo mesmo quadro. O fitoterápico saiu igual ou melhor, inclusive quando comparado ao antibiótico.

Duas ressalvas mudam o peso disso. A primeira é de método: coorte retrospectiva não é ensaio randomizado. Quem recebeu fitoterápico e quem recebeu antibiótico não foram sorteados; foram escolhidos por médicos que já tinham uma impressão sobre a gravidade de cada caso, e quadros mais leves tendem a ir para o tratamento mais leve e a evoluir melhor por conta própria. A segunda é de autoria, e vem a seguir.

Ainda assim, a direção é coerente com o resto: se o quadro é viral, o antibiótico não tem o que fazer, e qualquer coisa que ocupe o lugar dele sem causar dano reduz exposição desnecessária. A resistência bacteriana é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma das maiores ameaças à saúde pública, e o uso sem indicação é o principal motor dela.

Quem produziu a evidência

Este item não costuma aparecer em nenhum texto sobre o assunto, e ele é verificável em qualquer uma das publicações citadas aqui.

  • Os ensaios contra placebo na doença aguda foram patrocinados pelo fabricante.
  • O ensaio na doença crônica tem cinco dos oito autores identificados como funcionários do fabricante.
  • A reanálise dos ensaios agudos e a coorte de mais de duzentos mil pacientes foram assinadas quase inteiramente por funcionários do fabricante.

Isso não invalida nada. Praticamente toda a pesquisa de fase avançada de medicamentos é financiada por quem os fabrica, e os ensaios em questão foram registrados, randomizados e cegos. Mas é informação que pertence ao leitor, sobretudo quando o resultado é de magnitude pequena — situação em que decisões de análise pesam mais.

É por isso que as revisões independentes valem tanto aqui. Uma revisão sistemática britânica que avaliou dez ensaios de seis produtos fitoterápicos concluiu que a evidência de benefício é limitada, particularmente na doença crônica, com qualidade metodológica mediana de 3 em 5, e classificou o produto como possivelmente eficaz como tratamento associado na doença aguda. Uma revisão sistemática alemã de sete ensaios chegou a uma formulação parecida: as duas apresentações “podem ser úteis”, com risco de viés heterogêneo e necessidade de mais pesquisa.

Reunindo tudo: o efeito existe, é pequeno, é sintomático, e foi medido sobretudo por quem vende o produto — com revisores independentes concordando que existe, e sendo mais cautelosos quanto ao tamanho.

Os quatro efeitos atribuídos, e o que sustenta cada um

A comunicação do produto lista quatro ações. Elas não estão todas no mesmo patamar de comprovação, e separar isso é útil.

Efeito atribuídoOnde foi demonstradoO que isso permite afirmar
Anti-inflamatórioEstudos de laboratório e efeito clínico sobre sintomas em ensaioÉ o efeito com sustentação mais direta no que o paciente sente
Secretolítico, deixando a secreção mais fluidaEstudos em células e em modelo animal, com aumento do transporte de cloreto, do batimento ciliar e da camada líquida da mucosaMecanismo plausível e medido, mas em bancada, não no paciente
AntiviralEnsaios de laboratórioNão foi medido como desfecho clínico em paciente
BacteriostáticoEnsaios de laboratórioNão equivale a tratar infecção bacteriana instalada

A diferença entre as duas colunas da direita é a coisa mais importante desta seção. Ação demonstrada em bancada não é resultado demonstrado em paciente. Vários compostos alteram o transporte de cloreto ou inibem vírus em placa e nunca mudaram desfecho clínico nenhum. O que este produto tem de fato medido em gente é redução de sintoma na doença aguda precoce — o restante é mecanismo proposto para explicar esse achado.

O momento de virada, e o que os estudos cobrem dele

O vídeo desta página aponta como grande indicação o momento em que o resfriado começa a virar sinusite: nariz cada vez mais entupido, secreção mais espessa, peso e pressão no rosto começando. É um raciocínio clínico razoável, e é exatamente onde um anti-inflamatório com ação sobre a secreção faria sentido.

É preciso registrar, porém, que esse cenário não é idêntico ao que os ensaios recrutaram. Os ensaios entraram no terceiro dia de sintomas, antes da virada, e mediram sintoma — não mediram quantos pacientes deixaram de evoluir para quadro bacteriano. Nenhum ensaio randomizado testou o produto especificamente como forma de impedir essa transição.

Como se distingue um quadro que continua viral de um que virou bacteriano, e o que caracteriza cada um, é o assunto da orientação sobre sinusite aguda viral ou bacteriana. Essa distinção é o que decide a conduta, e nenhum fitoterápico a substitui.

O que ele não substitui

Quando o antibiótico está indicado, o fitoterápico não ocupa o lugar dele. Trocar um pelo outro em quadro bacteriano estabelecido é adiar o tratamento, não evitá-lo.

Três limites merecem estar explícitos:

  • Não substitui o antibiótico quando ele é necessário. Quando esse é o caso, qual esquema e por quanto tempo é assunto da orientação sobre antibiótico para sinusite.
  • Não substitui a lavagem nasal. A irrigação atua mecanicamente sobre a secreção e é o tratamento de suporte com melhor relação entre benefício e risco na rinossinusite; a escolha do formato está na orientação sobre lavagem nasal para sinusite.
  • Não substitui o corticoide nasal quando ele foi prescrito. São mecanismos diferentes, e o corticoide tópico tem indicação própria; a técnica correta de aplicação está na orientação sobre como usar spray nasal.

Um dos ensaios mais antigos, aliás, ajuda a situar o produto: ele testou a fórmula clássica somada a antibiótico e descongestionante em 160 pacientes com sinusite bacteriana aguda, e não no lugar deles. O desenho já dizia onde os autores esperavam que o produto atuasse.

Contraindicações e cuidados que a bula brasileira registra

Fitoterápico não é sinônimo de inofensivo. Ser de origem vegetal não isenta um produto de contraindicação, de interação nem de bula, e a lista abaixo tem itens que ninguém adivinha olhando a caixa.

Fitoterápico é medicamento, tem bula e tem contraindicação. A bula do produto registrado no Brasil traz um conjunto que vai além da gestação, e uma parte dele não vem das plantas — vem do revestimento adocicado do comprimido.

  • Alergia a qualquer componente da fórmula.
  • Intolerância hereditária à frutose, intolerância à galactose, deficiência total de lactase, má absorção de glicose-galactose ou insuficiência de sacarase-isomaltase — condições raras, ligadas aos açúcares do comprimido.
  • Cautela em pessoas com diabetes, pelo mesmo motivo.
  • Gestação e amamentação exigem orientação médica.
  • O registro brasileiro é de uso adulto. Fora do país existem apresentações pediátricas, mas a decisão sobre criança precisa considerar o que está registrado aqui.

Nos ensaios, a tolerância foi boa e não houve eventos adversos graves atribuídos ao produto, inclusive nas doze semanas de tratamento do estudo na doença crônica. Segurança boa, porém, não é o mesmo que ausência de contraindicação — e as listadas acima têm consequência prática real para quem se enquadra nelas.

O que fazer se não melhorar

Um tratamento sintomático precisa de um prazo e de um plano para quando o prazo passa. Alguns sinais indicam que o caso saiu do cenário em que este produto foi estudado:

  • o quadro piorou depois de ter começado a melhorar;
  • os sintomas seguem intensos além do tempo esperado para um resfriado;
  • a dor no rosto deixou de ser peso e passou a ser dor localizada e forte;
  • surgiu febre alta depois de vários dias de quadro arrastado.

Nenhum desses cenários se resolve estendendo o fitoterápico por conta própria. Todos pedem reavaliação, porque o que muda a conduta é o diagnóstico, e não a dose. E se o padrão for de episódios que voltam várias vezes ao ano, a pergunta deixa de ser qual remédio usar em cada crise: passa a ser o que está fazendo as crises voltarem, assunto da orientação sobre sinusite de repetição.

Como a decisão se organiza na prática

SituaçãoO que a evidência cobre
Resfriado nos primeiros dias, com nariz entupido e secreção espessaÉ o cenário estudado. Benefício sintomático pequeno e consistente, com boa tolerância
Quadro arrastado, já na segunda semana, sem sinal de piora novaFora do recrutamento dos ensaios. Plausível, não demonstrado
Quadro com critérios de infecção bacterianaNão é substituto de antibiótico. A decisão é clínica e não dispensa avaliação
Sinusite crônicaO maior ensaio não atingiu o desfecho principal. Benefício apenas sugerido em análise post-hoc
Sinusite crônica com póliposMecanismo e tratamento próprios, não cobertos por esses estudos
Episódios repetidos ao longo do anoO que muda o padrão é encontrar a causa, não trocar o alívio

Repare que nenhuma linha desta tabela é “olhar a cor da secreção” e nenhuma é “repetir exame de imagem para acompanhar”. A imagem tem indicação estreita nesse assunto, tratada na orientação sobre raio X de face para sinusite.

Quando procurar avaliação sem esperar o prazo acabar

Alguns sinais tiram o caso da rotina e pedem avaliação imediata, esteja o paciente tomando o que estiver: inchaço, vermelhidão ou dor ao redor do olho; alteração da visão ou dificuldade para mover o olho; dor de cabeça intensa e diferente do habitual; confusão mental; rigidez de nuca; febre alta que reaparece depois de ter cedido.

São sinais de possível extensão da infecção para fora dos seios da face. São raros, e por isso mesmo precisam ser reconhecidos quando aparecem. Sintoma respiratório persistente que não se explica pelo nariz, como tosse que não passa, também merece avaliação própria, descrita na orientação sobre tosse causada por sinusite.

Vídeo: o fitoterápico que chegou ao Brasil

O vídeo apresenta o produto, sua história na Europa, a composição de cinco plantas, os quatro efeitos atribuídos, a presença em consenso europeu, o cenário em que a indicação faz mais sentido e as restrições de uso no lançamento brasileiro.

Perguntas frequentes

Sinupret funciona mesmo para sinusite?

Funciona, com efeito pequeno e demonstrado em uma situação específica. Na análise conjunta de dois ensaios contra placebo com 589 pacientes, na rinossinusite aguda em seus primeiros dias, o escore de sintomas terminou em 2,47 com o fitoterápico e 3,63 com placebo, em uma escala de 0 a 20 — cerca de um ponto de diferença, com alívio dos sintomas dois dias antes. Vale registrar que o grupo placebo também melhorou mais de seis pontos, porque a doença se resolve sozinha na maioria dos casos.

O Sinupret vendido no Brasil é o mesmo dos estudos?

Não exatamente, e essa é a informação mais importante da página. O produto registrado aqui é a fórmula clássica, com droga vegetal moída, 78 mg por comprimido. Os ensaios contra placebo recentes e a recomendação da diretriz europeia se referem à apresentação de extrato seco, com 160 mg por comprimido, que entrega em torno de quatro vezes mais princípio ativo por dia. As duas partem das mesmas cinco plantas e do mesmo fabricante, mas os resultados de uma não se transferem automaticamente para a outra.

Sinupret substitui o antibiótico?

Não quando o antibiótico está indicado. O que os dados sustentam é diferente e mais modesto: em quadros que provavelmente não precisariam de antibiótico nenhum, ter uma opção sintomática segura ajuda a evitar prescrições desnecessárias. Isso é reduzir uso inadequado, e não tratar infecção bacteriana com fitoterápico.

Serve para sinusite crônica?

A evidência não sustenta essa indicação. O maior ensaio já feito com o produto, com 929 pacientes e doze semanas de tratamento na sinusite crônica, não foi superior ao placebo no desfecho principal. Um subgrupo de pacientes mais sintomáticos e de doença mais longa mostrou benefício, mas em análise feita depois do resultado, o que levanta hipótese sem confirmá-la.

Quanto tempo demora para fazer efeito?

Nos ensaios, o tratamento durou quinze dias, e a diferença em relação ao placebo apareceu ao longo dele, com o alívio chegando cerca de dois dias antes. Não é um medicamento de alívio imediato: a bula brasileira registra uso de sete a catorze dias, e o efeito é de encurtar e amenizar o quadro, não de cortá-lo.

Sinupret tem contraindicação?

Tem. Alergia a qualquer componente; intolerância hereditária à frutose, intolerância à galactose, deficiência total de lactase, má absorção de glicose-galactose e insuficiência de sacarase-isomaltase, ligadas aos açúcares do comprimido; cautela em pessoas com diabetes pelo mesmo motivo; e gestação e amamentação apenas com orientação médica. O registro brasileiro é de uso adulto.

Criança pode tomar Sinupret?

O produto registrado no Brasil é de uso adulto. Existem apresentações pediátricas em outros países, mas isso não estende automaticamente a indicação aqui. Qualquer uso em criança precisa passar pelo pediatra, considerando o que está registrado no país.

Grávida pode tomar Sinupret?

A bula brasileira coloca gestação e amamentação como situações que exigem orientação médica, e não como uso liberado. Como em qualquer medicamento nessa fase, a decisão pertence a quem acompanha a gestação.

Precisa de receita para comprar?

É um medicamento fitoterápico registrado, com bula e contraindicações. Independentemente da exigência de receita, a decisão de usar em um quadro que já passou dos primeiros dias, ou que piorou depois de melhorar, é uma decisão que precisa de avaliação — porque nesse ponto a pergunta deixou de ser qual alívio usar e passou a ser qual é o diagnóstico.

Posso tomar junto com lavagem nasal e corticoide nasal?

São medidas de mecanismos diferentes, e nos estudos o produto foi avaliado inclusive como tratamento associado a outros. A combinação em si não é o problema; o que precisa de critério é o que cada uma está tratando. Quem já usa corticoide nasal prescrito não deve trocá-lo por um fitoterápico por conta própria.

Ele previne que o resfriado vire sinusite bacteriana?

Não foi isso que os ensaios mediram. Eles recrutaram pacientes com até três dias de sintomas e mediram escore de sintomas ao longo do tratamento — nenhum deles teve como desfecho a proporção de pacientes que evoluíram para quadro bacteriano. O raciocínio é plausível pelos mecanismos descritos, mas continua sendo raciocínio, e não resultado.

Referências

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  17. MEDLINEPLUS. Sinusitis. Bethesda: National Library of Medicine, 2025. Disponível em: https://medlineplus.gov/sinusitis.html. Acesso em: 7 set. 2026.
  18. MEDLINEPLUS. Herbs and supplements. Bethesda: National Library of Medicine, 2025. Disponível em: https://medlineplus.gov/druginfo/natural/. Acesso em: 7 set. 2026.
  19. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Antimicrobial resistance. Genebra: OMS, 2025. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/antimicrobial-resistance. Acesso em: 7 set. 2026.

Avaliação com otorrino em Brasília

Quadro que passou dos primeiros dias sem ceder, piora depois de uma melhora, dor localizada no rosto, sintomas que voltam várias vezes ao ano ou dúvida sobre trocar um tratamento prescrito por uma opção de venda livre merecem exame das vias aéreas superiores. É essa avaliação que define se o quadro ainda é viral, se há indicação de tratamento específico e o que explica os episódios que se repetem — inclusive com exame endoscópico do nariz quando necessário. Ela é feita em consulta com otorrino em Brasília. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste.

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