Sinusite aguda: como saber se é viral, prolongada ou bacteriana?

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Sinusite aguda: como saber se é viral, prolongada ou bacteriana?

Pela forma como os sintomas evoluem no tempo, e não pela intensidade nem pela cor da secreção. Essa é a resposta curta, e ela contraria o que a maioria das pessoas acredita. Sentir-se muito mal nos primeiros dias não indica bactéria; secreção esverdeada não indica bactéria; e sinusite que dura três semanas não indica bactéria. O que levanta a suspeita de infecção bacteriana é um padrão específico de curva: piorar depois de já ter melhorado, ou não melhorar nada passados catorze dias.

A proporção explica por que isso importa tanto. Estima-se que apenas 0,5% a 2% dos adultos com rinossinusite aguda evoluam para um quadro bacteriano — em crianças, de 5% a 13%. Todo o resto, que é a quase totalidade, é vírus. E vírus não responde a antibiótico.

Dra. Larissa Vilela explicando os três tipos de rinossinusite aguda e quando há indicação de antibiótico

Esta página apresenta os três tipos de rinossinusite aguda reconhecidos pela classificação brasileira mais recente — viral, viral prolongada e bacteriana —, mostra os cinco critérios que um médico usa para fechar o diagnóstico bacteriano, explica por que o limiar de tempo mudou de dez para catorze dias e traz, com número, o que o antibiótico faz e o que ele custa. Ela não substitui a avaliação médica, que é o que examina o nariz e decide.

O que é sinusite, e por que o nome correto é rinossinusite

Os seios da face, ou sinus, são cavidades cheias de ar dentro dos ossos do crânio, revestidas pela mesma mucosa que forra o nariz e conectadas a ele por pequenas aberturas. O sufixo -ite significa inflamação. Sinusite, portanto, é a inflamação dessa mucosa.

O termo médico correto, porém, é rinossinusite, e a razão é anatômica: não existe inflamação dos seios da face sem inflamação do nariz antes. A mucosa é contínua, e o processo começa no nariz. Chamar de rinossinusite não é preciosismo — é o que deixa claro que se trata de um único processo inflamatório, e não de duas doenças diferentes.

O diagnóstico é clínico e exige dois ou mais destes sintomas, com pelo menos um dos dois primeiros presente:

  • Obstrução nasal, o nariz entupido.
  • Secreção nasal, que escorre para a frente ou para a garganta.
  • Dor ou pressão na face, tipicamente na testa, nas maçãs do rosto ou entre os olhos.
  • Redução ou perda do olfato — em crianças, tosse no lugar desse item.

Não é necessário exame de imagem nem endoscopia para diagnosticar rinossinusite aguda. Tomografia e raio X dos seios da face não são exigidos e, na avaliação inicial de rotina, não mudam a conduta. O diagnóstico se faz pela história e pelo exame.

A palavra aguda refere-se ao tempo: o quadro dura menos de 12 semanas, ou seja, menos de três meses. Passando disso, e desde que os sintomas se mantenham, o quadro passa a ser chamado de rinossinusite crônica, que é outra doença, com outra investigação e outro tratamento, e não é o assunto desta página.

Essa outra doença agora tem página própria. Ela não é uma infecção que não acabou: é uma inflamação persistente da mucosa, que em parte dos casos incha a ponto de formar pólipos dentro do nariz, e cujo tratamento é anti-inflamatório contínuo em vez de tratamento de infecção. Os sintomas que a caracterizam, o que a endoscopia mostra e os degraus do tratamento estão na orientação sobre polipose nasal e rinossinusite crônica.

É uma condição comum: a prevalência anual de rinossinusite aguda gira em torno de 6% a 15% da população. Um adulto costuma ter de dois a cinco episódios por ano; uma criança em idade escolar, de sete a dez.

Sinusite aguda e gripe são a mesma coisa?

Na prática, sim. Isso costuma surpreender, porque as duas palavras circulam como se fossem doenças distintas — a gripe seria o mal-estar geral, e a sinusite, algo mais sério que veio depois. Não é assim.

Gripe e resfriado são infecções virais das vias aéreas superiores. Esses vírus inflamam a mucosa do nariz, e essa inflamação se estende aos seios da face porque a mucosa é a mesma. O resultado é exatamente o quadro descrito acima: nariz entupido, secreção, pressão no rosto, olfato reduzido. Rinossinusite aguda viral é o nome técnico do que se chama popularmente de gripe ou resfriado.

A consequência dessa equivalência é prática. Se a maior parte das sinusites é a própria virose, então o tratamento da maior parte das sinusites é o tratamento da virose — o que está detalhado na orientação sobre como curar gripes e resfriados. E a diferença entre gripe e resfriado, que existe e importa para outras decisões, também está lá.

Os três tipos de rinossinusite aguda

A classificação da Academia Brasileira de Rinologia, publicada em 2025, separa a rinossinusite aguda em três tipos. Eles não se distinguem pela gravidade dos sintomas, e sim pela forma como o quadro evolui no tempo:

TipoComo evoluiFrequênciaAntibiótico?
ViralPico em 2 a 3 dias e melhora progressiva, resolvendo em até 7 a 10 diasA grande maioriaNão
Viral prolongadaMesma curva, mas a melhora é lenta e os sintomas passam de 7 a 10 dias, podendo chegar a 3 ou 4 semanasFrequenteNão
BacterianaPiora depois de uma melhora inicial, ou sintomas intensos sem melhora alguma após 14 dias0,5% a 2% dos adultosSó com critérios preenchidos

Repare no que a segunda linha faz. Ela é a novidade da classificação e é a razão de esta página existir: existe uma categoria inteira, comum, de quadro demorado que continua sendo viral. Sem ela, restam duas caixas, e quem está no décimo quinto dia de sintomas se coloca sozinho na caixa errada.

Rinossinusite aguda viral: a curva clássica

É de longe a mais comum, e sua evolução é tão característica que serve de régua para todas as outras. Começa com dor de garganta, espirros e coriza. Por volta do segundo ou terceiro dia chega ao pico: aí aparecem o mal-estar, a prostração, às vezes a febre e a dor de cabeça, o nariz entope de vez e a secreção engrossa, enquanto a garganta, que doía no início, já está melhorando.

Desse pico em diante, a tendência é de melhora contínua. E há uma armadilha bem no fim: a tosse costuma aparecer justamente quando o resto já está melhorando, o que dá a impressão de piora e leva muita gente ao pronto-socorro. Não é piora — é o roteiro. A curva completa, sintoma por sintoma, está em quanto tempo dura uma gripe ou um resfriado.

Vale saber por que essa tosse chega atrasada e demora a sair. Ela não vem do peito: vem da secreção que drena dos seios da face, escorre por trás do nariz e alcança a laringe, que é onde o reflexo é disparado. Isso explica tanto a tosse cheia, com catarro, quanto a piora característica ao deitar. E explica por que ela pode continuar depois que o nariz já melhorou: os receptores ficam sensibilizados e levam semanas para voltar ao normal. O mecanismo, o que alivia e a régua de tempo estão na orientação sobre a tosse causada pela sinusite.

Um ponto que a diretriz brasileira faz questão de registrar: a intensidade dos sintomas nos primeiros dias não indica infecção bacteriana e não deve ser usada como critério para prescrever antibiótico. Passar muito mal no terceiro dia é o comportamento normal do vírus, não um sinal de complicação.

Viral prolongada: o tipo que explica a sinusite arrastada

É o quadro que começa idêntico ao viral comum — garganta, espirros, coriza, pico no segundo ou terceiro dia — e depois melhora, porém devagar. Os sintomas ultrapassam os sete a dez dias e podem se estender por três ou quatro semanas, muitas vezes com uma tosse residual que insiste em não ir embora.

A Academia Brasileira de Rinologia deu nome a isso: rinossinusite aguda viral prolongada. E nomear tem uma finalidade clínica direta, declarada no próprio documento — reforçar que mesmo os episódios prolongados costumam ser de origem viral.

O que define este tipo não é a duração isolada: é a duração acompanhada de melhora lenta e progressiva. Enquanto a direção for de melhora, o tempo sozinho não é motivo para antibiótico. Duração longa com melhora é viral prolongada; duração longa sem melhora nenhuma é outra conversa.

Esse é o tipo que a busca na internet não conhece e que resolve a angústia mais frequente do consultório. A pessoa está no décimo oitavo dia, ainda assoando o nariz, e conclui que aquilo virou infecção. Na maior parte das vezes, virou apenas uma virose forte que inflamou muito e está demorando a resolver.

Bacteriana: os dois padrões que levantam a suspeita

A suspeita de rinossinusite aguda bacteriana nasce de um de dois padrões temporais, e apenas deles:

  • Dupla piora. O quadro chegou ao pico nos primeiros dias, começou a melhorar e então, depois do quinto dia, voltou a piorar — com aumento da intensidade, muitas vezes com sinais que se concentram em um lado só do rosto. É o padrão mais sugestivo de todos.
  • Persistência sem melhora. O quadro atingiu o pico e simplesmente não cedeu: sintomas intensos, sem melhora gradual nenhuma, passados catorze dias.

Note o que não está nessa lista. Não está a secreção esverdeada, não está a duração longa com melhora, não está a intensidade dos primeiros dias e não está o número de episódios por ano. A cor da secreção, em particular, muda ao longo de qualquer resfriado viral e não distingue vírus de bactéria.

Quando um desses dois padrões aparece, a avaliação médica passa a fazer sentido — e é ela que vai aplicar a régua da seção seguinte.

Os cinco critérios: três deles fecham o diagnóstico

A evolução temporal levanta a suspeita, mas não fecha o diagnóstico sozinha. O padrão adotado pela diretriz brasileira, seguindo o consenso europeu, exige pelo menos três dos cinco achados abaixo:

CritérioO que significa na prática
Secreção com predomínio unilateralSecreção espessa e amarelada saindo sobretudo de uma narina, e não das duas igualmente
Dor local intensaDor forte na face, em geral também de um lado só, e não uma pressão difusa
Febre acima de 38 °CFebre aferida, e não apenas sensação de estar quente
PCR ou VHS elevadosMarcadores de inflamação no sangue, pedidos pelo médico quando há dúvida
Dupla pioraA melhora que existiu e foi seguida de nova piora, descrita na seção anterior

Duas observações que mudam a leitura da tabela. A primeira é a unilateralidade: ela aparece em dois dos cinco itens, e é o traço que mais distingue o quadro bacteriano do viral. Virose inflama o nariz inteiro; a infecção bacteriana costuma se concentrar em um seio da face, de um lado.

A segunda é que exigir três de cinco é uma régua deliberadamente exigente, e ela explica o número. Quando os critérios são de fato aplicados, muito poucos pacientes os preenchem — é exatamente daí que sai a estatística de 0,5% a 2%.

Dez dias ou catorze dias? O que mudou

Quem pesquisa sobre sinusite encontra em quase todo lugar a regra dos dez dias: sintomas que passam de dez dias sem melhora sugerem infecção bacteriana. A classificação brasileira trabalha com catorze dias. Vale entender a diferença, porque ela não é um detalhe de tradução.

Os dois números respondem a perguntas diferentes:

LimiarPara que serveConduta que dispara
10 diasMarco a partir do qual o quadro sai do curso mais comumProcurar avaliação médica, se ainda não houve melhora
14 diasLimiar da classificação brasileira para suspeitar de quadro bacterianoAplicar os cinco critérios e considerar antibiótico

O motivo do deslocamento é o reconhecimento da rinossinusite viral prolongada. Ao aceitar que existe um grupo grande de pacientes com quadro viral de melhora lenta que passa dos dez dias, a diretriz precisou afastar o limiar da suspeita bacteriana — porque manter a régua em dez dias jogava esses pacientes, todos eles, dentro da indicação de antibiótico.

Na prática, a leitura útil é esta: dez dias sem melhora nenhuma é hora de ser avaliado; catorze dias sem melhora nenhuma é o que o médico usa para suspeitar de bactéria. Em nenhum dos dois casos a decisão é do calendário sozinho.

O paradoxo do antibiótico

Existe um descompasso grande, e bem documentado, entre a frequência real da rinossinusite bacteriana e a frequência com que ela é tratada como se fosse. De um lado, 0,5% a 2% dos adultos. Do outro, uma taxa de prescrição de antibiótico para quadros de rinossinusite aguda que é ordens de grandeza maior.

Boa parte disso não vem de descuido, e sim de uma sequência de raciocínio que parece razoável: o quadro está durando muito, a secreção está esverdeada, o desconforto é grande — logo, deve ser bactéria. Cada um desses três argumentos foi desfeito nas seções anteriores, e é essa desmontagem que evita a receita.

A Academia Brasileira de Rinologia recomenda contra o uso de antibiótico na rinossinusite aguda viral e na viral prolongada. O antibiótico fica reservado ao quadro bacteriano inequívoco e, mesmo nele, às apresentações mais graves — nos casos moderados, a conduta indicada é a espera vigilante, com prescrição postergada.

Espera vigilante não significa não fazer nada. Significa tratar os sintomas, reavaliar em alguns dias e deixar o antibiótico como plano de contingência, a ser usado apenas se o quadro não melhorar. É uma conduta ativa, com data marcada para revisão.

O que a evidência mostra sobre o antibiótico

Vale ver os dois lados do mesmo estudo, porque quase todo texto sobre sinusite mostra só um. A revisão sistemática que reuniu 15 ensaios clínicos e 3.057 adultos com rinossinusite aguda encontrou o seguinte:

DesfechoNúmero
Curados em uma semana sem antibiótico46%
Curados em catorze dias sem antibiótico64%
Pessoas tratadas para uma se curar mais rápido19
Pessoas tratadas para uma ter efeito adverso8

As duas últimas linhas são a informação decisiva, e é raro vê-las juntas. Para que uma pessoa se cure mais rápido graças ao antibiótico, é preciso tratar dezenove. Para que uma tenha efeito adverso — em geral diarreia, náusea, dor abdominal ou reação cutânea —, basta tratar oito. O dano é mais frequente que o benefício, e a conclusão dos autores é direta: não há lugar para antibiótico na rinossinusite aguda não complicada.

Isso não vale para o quadro bacteriano confirmado com critérios e com apresentação grave, que é justamente o cenário em que o antibiótico tem indicação. Vale para o uso amplo, que é o que acontece na prática.

O que ajuda enquanto o quadro se resolve

A pergunta que sobra é legítima: se não é antibiótico, o que se faz? Existe conduta, e ela tem evidência própria.

  • Corticoide nasal em spray. É a medida com melhor sustentação. A revisão sistemática que reuniu 4 estudos e 1.943 participantes encontrou resolução ou melhora dos sintomas em 73% com o corticoide nasal contra 66,4% com placebo, com efeito maior nas doses mais altas. A diretriz brasileira chega a colocar o corticoide nasal em dose dobrada como alternativa ao antibiótico nos casos bacterianos leves, e como associação nos graves. A técnica correta de aplicação está em como usar spray nasal, e importa: spray aplicado errado escorre e não trata.
  • Lavagem nasal com solução salina. A diretriz a considera opcional — pode beneficiar, desde que bem orientada quanto ao dispositivo e à tonicidade. A escolha para este cenário está em a melhor lavagem nasal para sinusite.
  • Analgésico e antitérmico, para dor e febre, na dose usual.
  • Hidratação e repouso, que não encurtam o quadro, mas tornam a semana tolerável.
  • Descongestionante, oral ou nasal, apenas com parcimônia e por períodos curtos. O descongestionante nasal usado por vários dias seguidos produz efeito rebote e piora a obstrução que se queria resolver.

Do lado do que não ajuda, dois itens aparecem em quase toda automedicação: antialérgico, que não atua na virose porque ela não é mediada por histamina — o raciocínio completo está em antialérgico para gripes e resfriados —, e vitamina C iniciada depois que os sintomas começaram, cujo efeito sobre a duração do quadro está detalhado em vitamina C para gripe e resfriado.

Sinusite em crianças

A criança em idade escolar tem de sete a dez episódios de virose respiratória por ano, o que faz parecer que ela vive doente — e, em boa parte dos casos, ela está apenas emendando quadros virais normais. A orientação sobre como prevenir gripes e resfriados em crianças na escola trata dessa frequência e do que efetivamente a reduz.

Duas diferenças importam nessa faixa. A primeira é a proporção: a evolução para quadro bacteriano é estimada em 5% a 13% nas crianças, contra 0,5% a 2% nos adultos — maior, mas ainda assim minoria. A segunda é o quadro clínico: em criança, a tosse entra no lugar da alteração do olfato entre os sintomas que definem o diagnóstico, e a queixa de dor facial é bem menos confiável do que no adulto.

Vale lembrar também que a mesma inflamação que fecha os seios da face fecha a tuba auditiva, e é por isso que otite média é uma consequência frequente da virose em crianças. As repercussões da gripe sobre o ouvido, incluindo a que é urgência, estão em gripe pode causar surdez súbita?.

Sinais de alarme e quando procurar avaliação

Procure avaliação imediata, no mesmo dia, se surgir qualquer um destes sinais, que sugerem complicação da rinossinusite para estruturas vizinhas:

  • Inchaço, vermelhidão ou dor ao redor de um dos olhos, ou pálpebra fechando.
  • Visão dupla, visão borrada ou dificuldade de mover o olho.
  • Dor de cabeça intensa e diferente do habitual, sobretudo com vômitos.
  • Rigidez de nuca, confusão mental ou sonolência excessiva.
  • Inchaço na testa ou na região do rosto.

Procure avaliação nos próximos dias se houver dupla piora, dez dias sem nenhuma melhora, febre alta persistente, dor facial forte concentrada de um lado, episódios repetidos ao longo do ano ou obstrução nasal que não passa mesmo fora dos quadros infecciosos — este último costuma indicar um componente alérgico ou anatômico de base, que é o que a consulta investiga.

Fora desses cenários, a conduta é a espera ativa: tratar os sintomas, cuidar do nariz e acompanhar a direção da curva. A pergunta certa não é há quantos dias começou, e sim se está melhorando.

Vídeo: os tipos de sinusite aguda

O vídeo percorre a definição de rinossinusite, explica os três tipos da classificação atual com a evolução característica de cada um, detalha os critérios do quadro bacteriano e trata do descompasso entre a frequência real da sinusite bacteriana e o uso de antibiótico.

Perguntas frequentes

Como saber se a sinusite é viral ou bacteriana?

Pela forma como os sintomas evoluem, não pela intensidade nem pela cor da secreção. A suspeita de quadro bacteriano surge em duas situações: quando há dupla piora, ou seja, o quadro melhorou e voltou a piorar depois do quinto dia; ou quando os sintomas intensos persistem sem nenhuma melhora após catorze dias. Fora esses dois padrões, o quadro é quase sempre viral.

Toda sinusite precisa de antibiótico?

Não. Estima-se que apenas 0,5% a 2% dos adultos com rinossinusite aguda tenham quadro bacteriano, e a diretriz brasileira recomenda contra o uso de antibiótico nos quadros virais e virais prolongados. Mesmo no quadro bacteriano, o antibiótico é reservado às apresentações mais graves — nos casos moderados a conduta indicada é a espera vigilante, com reavaliação em poucos dias.

Secreção amarela ou esverdeada significa infecção bacteriana?

Não. A cor da secreção muda ao longo da evolução natural de qualquer resfriado viral e, sozinha, não distingue vírus de bactéria. O que tem valor no critério diagnóstico não é a cor isolada, e sim a secreção espessa com predomínio de um lado só, somada a outros achados. Cor de secreção não é motivo para antibiótico.

Quanto tempo dura uma sinusite aguda?

A forma viral costuma se resolver em sete a dez dias. A forma viral prolongada mantém sintomas além desse período, com melhora lenta e progressiva, e pode chegar a três ou quatro semanas — continuando viral. O quadro só é chamado de crônico quando passa de doze semanas, e aí a investigação é outra. O que define a normalidade é a direção da curva, não o número de dias.

O que é rinossinusite aguda viral prolongada?

É o quadro viral que dura mais de sete a dez dias com melhora lenta e progressiva. A Academia Brasileira de Rinologia criou essa categoria justamente para reforçar que episódios prolongados costumam continuar sendo virais, e não representam complicação bacteriana. Reconhecê-la é o que evita a prescrição de antibiótico ao paciente que está apenas demorando mais para melhorar.

O que é dupla piora?

É o padrão em que o quadro atinge o pico nos primeiros dias, começa a melhorar e depois volta a piorar, geralmente após o quinto dia, com aumento da intensidade e sinais que podem se concentrar em um lado do rosto. É o achado mais sugestivo de rinossinusite aguda bacteriana e é um dos cinco critérios usados para fechar esse diagnóstico.

Sinusite e gripe são a mesma coisa?

Na prática, sim. Rinossinusite aguda viral é o nome técnico do que se chama popularmente de gripe ou resfriado: o vírus inflama a mucosa do nariz, e como essa mucosa é contínua com a dos seios da face, a inflamação se estende para eles. Por isso o tratamento da maior parte das sinusites é o mesmo tratamento de uma virose respiratória.

Preciso fazer tomografia para diagnosticar sinusite?

Não na avaliação inicial. O diagnóstico de rinossinusite aguda é clínico e depende de dois ou mais sintomas característicos, entre eles obstrução nasal e secreção. Exame de imagem e endoscopia não são necessários para firmar esse diagnóstico e não mudam a conduta de rotina. A investigação por imagem entra em suspeita de complicação, em quadro crônico ou em avaliação pré-operatória.

O que funciona para aliviar a sinusite sem antibiótico?

O corticoide nasal em spray é a medida com melhor evidência, com resolução ou melhora dos sintomas em 73% dos pacientes contra 66,4% com placebo, e efeito maior em doses mais altas. A lavagem nasal com solução salina é considerada opcional e pode beneficiar quando bem orientada. Analgésico, hidratação e repouso completam. Descongestionante, se usado, deve ser por poucos dias.

Quando a sinusite é uma emergência?

Quando aparecem sinais de que a inflamação passou dos seios da face para estruturas vizinhas: inchaço, vermelhidão ou dor ao redor do olho, visão dupla ou borrada, dificuldade de mover o olho, dor de cabeça intensa e diferente do habitual, rigidez de nuca, confusão mental ou sonolência excessiva. Qualquer um desses sinais pede avaliação no mesmo dia.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Sinusite aguda (prolongada e bacteriana – gripes e resfriados): o que é, sintomas e como tratar. YouTube, 18 jul. 2026. 1 vídeo (14 min 15 s). Disponível em: https://youtu.be/i6QWUYtcNaY. Acesso em: 6 set. 2026.
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  3. ROMANO, Fabrizio Ricci et al. Rhinosinusitis: Evidence and experience – 2024 (registro). PubMed, Bethesda, PMID 40398368, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40398368/. Acesso em: 6 set. 2026.
  4. ACADEMIA BRASILEIRA DE RINOLOGIA; ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL. Rinossinusites: evidências e experiências. São Paulo: ABORL-CCF, 2024. Disponível em: https://aborlccf.org.br/wp-content/uploads/2024/11/ABORL-CCF-Consenso-Rinossinusite-2024-4.pdf. Acesso em: 6 set. 2026.
  5. FOKKENS, Wytske J.; LUND, Valerie J.; HOPKINS, Claire et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020. Rhinology, Amsterdã, v. 58, supl. 29, p. 1-464, 2020. Disponível em: https://www.rhinologyjournal.com/Documents/Supplements/supplement_29.pdf. Acesso em: 6 set. 2026.
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  9. ZALMANOVICI TRESTIOREANU, Anca; YAPHE, John. Intranasal steroids for acute sinusitis (registro). PubMed, Bethesda, PMID 24293353, 2013. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24293353/. Acesso em: 6 set. 2026.
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  11. MANUAL MSD. Sinusite (edição para profissionais). Rahway: Merck, 2025. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-do-ouvido,-nariz-e-garganta/dist%C3%BArbios-de-nariz-e-seios-paranasais/sinusite. Acesso em: 6 set. 2026.
  12. MEDLINEPLUS. Sinusitis. Bethesda: National Library of Medicine, 2025. Disponível em: https://medlineplus.gov/sinusitis.html. Acesso em: 6 set. 2026.

Avaliação com otorrino em Brasília

Quadros de rinossinusite que se repetem ao longo do ano, obstrução nasal que persiste fora das infecções, dupla piora, dor facial concentrada de um lado ou sintomas que ultrapassam catorze dias sem melhora merecem exame das vias aéreas superiores. É essa avaliação que separa o quadro viral do bacteriano, identifica o componente alérgico ou anatômico por trás dos episódios repetidos e evita tanto o antibiótico desnecessário quanto o tratamento adiado. Ela é feita em consulta com otorrino em Brasília. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste.

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