Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Gripe pode causar surdez súbita?
Pode, mas essa é a menos provável das três coisas que a gripe faz com a audição — e é a única que é emergência. Vale começar pela proporção, porque ela é o que separa o susto do risco real: a grande maioria das alterações auditivas durante uma gripe é disfunção da tuba auditiva, o ouvido tampado que incomoda, não faz perder audição de verdade e se resolve sozinho quando o nariz desinflama.
Uma parte menor evolui para otite média, com dor e secreção, que também é reversível com tratamento. E uma parcela pequena desenvolve surdez súbita, que é inflamação da orelha interna, é do tipo neurossensorial e tem prazo: quanto mais cedo for tratada, maior a chance de a audição voltar. A surdez súbita atinge cerca de 1 em cada 5.000 a 1 em cada 10.000 pessoas por ano, considerando todas as causas — não só a gripe.

Esta página descreve as três causas na ordem de frequência, entrega o critério que o leitor pode aplicar em casa para saber em qual delas provavelmente está, explica por que o relógio das primeiras horas decide o resultado, nomeia o erro de diagnóstico que mais atrasa o tratamento e diz qual exame fecha a questão. Ela não substitui a avaliação médica, que é o que examina o ouvido e mede a audição.
As três causas de alteração da audição na gripe
Elas não são variações do mesmo problema. São três lugares diferentes do ouvido, com três gravidades diferentes e três condutas diferentes. A tabela abaixo é o mapa da página inteira:
| Causa | Onde acontece | Como o paciente percebe | Reversível? | Urgência |
|---|---|---|---|---|
| Disfunção da tuba auditiva | No canal que liga o nariz ao ouvido médio | Ouvido tampado, som abafado, sensação de pressão, às vezes estalos | Sim, espontaneamente | Nenhuma; melhora com o nariz |
| Otite média | Na orelha média, atrás do tímpano | Dor de ouvido, abafamento maior, às vezes febre e secreção | Sim, com tratamento | Avaliação em alguns dias |
| Surdez súbita | Na orelha interna: cóclea e nervo auditivo | Perda abrupta, quase sempre de um lado só, com zumbido novo e às vezes tontura | Nem sempre | Emergência: mesmo dia |
Repare na última coluna. As duas primeiras linhas descrevem quase todos os casos e não exigem pressa. A terceira descreve poucos casos e é a que muda de figura se demorar. Toda a utilidade prática desta página está em conseguir separar a terceira das duas primeiras — e isso é possível, com sinais que o próprio paciente reconhece.
Disfunção da tuba auditiva: o ouvido tampado que passa
É de longe a causa mais comum, e é a que traz a maior parte das pessoas até esta pergunta. O vírus produz uma inflamação intensa no nariz, e essa inflamação se estende para a tuba auditiva, o canal estreito que conecta a parte de trás do nariz ao ouvido médio e cuja função é ventilar o ouvido e equalizar a pressão.
Quando a tuba incha e fecha, o ar do ouvido médio deixa de ser renovado e vai sendo absorvido. Forma-se então uma pressão negativa atrás do tímpano, que passa a vibrar menos. O resultado é a sensação clássica: ouvido tampado, voz própria ressoando dentro da cabeça, som abafado, aquele efeito de estar dentro de um túnel. Em muitos casos não há perda de audição mensurável, só o abafamento; quando há, é uma perda leve, do tipo condutiva, e transitória.
O sinal mais tranquilizador dessa causa é a variabilidade. O ouvido destampa por um instante quando a pessoa engole, boceja ou assoa o nariz, e volta a tampar em seguida. Esse vai e vem é típico da tuba e não acontece na surdez súbita, em que a perda é fixa.
A conduta aqui é o oposto de pressa: cuidar do nariz. Lavagem nasal com soro fisiológico, hidratação e tempo. À medida que a inflamação do nariz cede, a tuba volta a abrir e o ouvido normaliza sozinho, sem sequela. As medidas gerais do quadro viral estão reunidas na orientação sobre como curar gripes e resfriados, e a curva esperada de melhora está em quanto tempo dura uma gripe ou resfriado.
Otite média: quando a inflamação vira secreção e dor
É o passo seguinte da mesma história. Com a tuba fechada e o ouvido médio sem ventilação, acumula-se líquido atrás do tímpano. Esse líquido pode permanecer estéril, e aí o quadro é de otite média serosa, com abafamento persistente e pouca ou nenhuma dor; ou pode infectar, e aí é otite média aguda, com dor de ouvido, febre e piora do abafamento.
Não é um desfecho incomum na gripe, e é especialmente frequente em crianças, cuja tuba auditiva é mais curta e mais horizontal. A perda auditiva associada é maior do que a da disfunção tubária isolada, mas continua sendo do tipo condutiva — ou seja, o som está sendo barrado no caminho, e não há lesão do nervo. Tratado o quadro, a secreção se reabsorve e a audição volta ao que era.
Vale registrar que a vacinação contra influenza está entre as medidas que reduzem o risco de otite média aguda na infância, junto com as vacinas pneumocócica e contra Haemophilus influenzae tipo b. Isso está detalhado na orientação sobre a vacina da gripe. A relação entre lavagem nasal e ouvido, que gera dúvida frequente, está em lavagem nasal causa otite?.
Surdez súbita: rara, e a única que é emergência
Aqui a lógica muda por completo. Não se trata mais de som barrado no caminho: trata-se de inflamação da orelha interna — cóclea e nervo auditivo — provocada pela ação do vírus. A perda é do tipo neurossensorial, e é isso que a torna potencialmente definitiva.
A definição usada em todo o mundo é objetiva: perda de 30 decibéis ou mais em três frequências consecutivas, instalada em até 72 horas. Na prática, o paciente relata que perdeu a audição de uma hora para outra, muitas vezes ao acordar, quase sempre em um ouvido só. É comum vir acompanhada de zumbido que apareceu junto e, em parte dos casos, de tontura ou vertigem.
A surdez súbita não é uma complicação frequente da gripe — o texto que circula por aí afirmando que a maioria dos casos de surdez súbita vem de gripe inverte a proporção real. Na maior parte das pessoas, aliás, nenhuma causa chega a ser identificada. As viroses estão entre as causas possíveis, e é por isso que uma perda abrupta durante ou logo depois de um quadro gripal merece ser levada a sério em vez de atribuída ao “ouvido entupido da gripe”.
É a única das três situações em que esperar para ver se melhora é a conduta errada. Nas outras duas, esperar é razoável. É exatamente por isso que separar uma da outra importa tanto.
Como diferenciar as três em casa
Nenhum critério caseiro fecha diagnóstico — quem fecha é a audiometria. Mas existe um conjunto de sinais que separa bem o quadro banal do quadro que não pode esperar, e ele é aplicável por qualquer pessoa:
| Sinal | Disfunção da tuba | Otite média | Surdez súbita |
|---|---|---|---|
| Como começou | Aos poucos, junto com o nariz entupido | Aos poucos, depois piora com dor | De repente, em minutos ou horas |
| Um ouvido ou os dois | Costuma ser nos dois, alternando | Geralmente um | Quase sempre só um |
| Muda quando engole ou assoa? | Sim, destampa e volta a tampar | Pouco | Não muda nada |
| Dor de ouvido | Pressão, raramente dor | Sim, e costuma ser o sintoma principal | Em geral ausente |
| Zumbido | Discreto, se houver | Pode haver | Zumbido novo e marcante, surgido junto |
| Tontura ou vertigem | Não | Incomum | Presente em parte dos casos |
| Entende no telefone nesse ouvido? | Sim, abafado | Sim, abafado | Muitas vezes não entende nada |
| O que fazer | Cuidar do nariz e aguardar | Avaliação nos próximos dias | Atendimento no mesmo dia |
Se for para guardar uma frase, que seja esta: perda de audição em um ouvido só, que não muda quando se engole ou se assoa o nariz e que veio acompanhada de zumbido novo, deve ser avaliada no mesmo dia. O teste do telefone é o mais prático de todos: encostar o aparelho no ouvido suspeito e comparar com o outro. Uma diferença grande e súbita entre os dois lados não é abafamento de gripe.
Por que o prazo das primeiras horas decide o resultado
A surdez súbita é tratada com corticoide, cujo papel é desinflamar a orelha interna afetada. E o corticoide não tem o mesmo valor em qualquer momento: ele age enquanto ainda há inflamação a controlar e estrutura a preservar. Depois de algumas semanas, o que houve de dano já se consolidou.
Os prazos que orientam a conduta são estes:
- Primeiras 24 a 72 horas: é a janela ideal para iniciar o tratamento, e é o objetivo que se persegue no consultório.
- Até 2 semanas do início: é o intervalo dentro do qual a diretriz de referência trata o corticoide como terapia inicial.
- De 2 a 6 semanas: é a fase em que se considera terapia de resgate para quem não recuperou de forma satisfatória.
- Depois de 4 a 6 semanas: há pouco ganho adicional a esperar, e o quadro tende a se estabilizar como ficou.
Há também recuperação espontânea, e ela não é desprezível: parte relevante dos pacientes melhora sem tratamento, e a maior parte dessa melhora espontânea acontece nas duas primeiras semanas. Isso tem duas leituras, e as duas importam. A primeira é que nem toda perda súbita termina mal. A segunda é que quem melhora pouco nas duas primeiras semanas dificilmente melhora muito depois — o que é mais um motivo para não gastar esse tempo esperando.
A conta prática é simples: quem procura atendimento no primeiro dia tem à disposição todas as opções de tratamento. Quem procura na terceira semana já perdeu a melhor parte da janela, e o que restou é uma chance menor.
O erro que custa uma semana: surdez súbita tratada como otite
Essa é a troca de diagnóstico mais comum nesse cenário, e ela tem uma explicação honesta. O paciente está gripado, com o nariz inflamado e o ouvido incomodado, e chega relatando que não escuta de um lado. É um contexto em que otite média aguda é a hipótese mais provável — e, na maior parte das vezes, é mesmo. O problema é que, quando não é, o tempo perdido não volta.
O caso relatado no vídeo é exatamente esse. Um músico com influenza percebeu, na terceira noite de sintomas, que havia parado de escutar de um ouvido. Foi atendido, recebeu o diagnóstico de otite média aguda e só teve o diagnóstico correto uma semana depois do início do quadro — já fora da janela ideal, ainda que dentro do intervalo em que vale tratar.
É justamente por isso que a diretriz internacional de referência tem uma recomendação dedicada a distinguir perda neurossensorial de perda condutiva em todo paciente com perda auditiva súbita. Não é uma sutileza acadêmica: é a diferença entre uma condição que espera e uma que não espera. E a distinção não se faz pela história nem pela otoscopia isolada — se faz medindo.
O exame que fecha a questão, e os que não são necessários
O exame que resolve é a audiometria. Ela não apenas mostra que há perda: mostra de que tipo é a perda. Na disfunção tubária e na otite média, o padrão é condutivo, com uma diferença característica entre a condução aérea e a óssea. Na surdez súbita, o padrão é neurossensorial, sem essa diferença. São dois desenhos distintos no mesmo gráfico, e é isso que separa o caso que aguarda do caso que corre.
Junto com ela costuma-se fazer a imitanciometria, que avalia a mobilidade do tímpano e a pressão no ouvido médio, e é o que confirma objetivamente a tuba fechada ou o líquido acumulado. A audiometria está disponível em audiometria em Brasília, no Setor Noroeste, e há também a audiometria de altas frequências para situações específicas.
Igualmente útil é saber o que não costuma ser necessário. A diretriz desaconselha, na avaliação inicial de rotina, a tomografia de crânio e a bateria ampla de exames laboratoriais, porque não alteram a conduta e atrasam o que importa. A ressonância entra depois, para investigar causa retrococlear, e não deve ser motivo para adiar o início do tratamento.
| Conduta | Papel na surdez súbita |
|---|---|
| Audiometria | Essencial. É o que separa perda neurossensorial de condutiva |
| Imitanciometria | Complementa: confirma tuba fechada ou líquido no ouvido médio |
| Tomografia de crânio de rotina | Não recomendada na avaliação inicial |
| Exames laboratoriais amplos de rotina | Não recomendados |
| Ressonância magnética | Investigação posterior; não deve atrasar o tratamento |
O tratamento, e o que a evidência realmente diz sobre ele
O tratamento inicial é o corticoide sistêmico, por via oral, iniciado o quanto antes. Quando a recuperação é incompleta, considera-se o corticoide intratimpânico, aplicado por injeção através do tímpano, como terapia de resgate entre a segunda e a sexta semana. Em alguns serviços as duas vias são combinadas desde o início.
Aqui cabe uma honestidade que raramente aparece em texto de paciente: a evidência que sustenta esse tratamento é de certeza baixa. A revisão sistemática que reuniu 30 estudos e 2.133 participantes sobre o corticoide intratimpânico concluiu que os achados são de certeza baixa ou muito baixa, com estudos pequenos e resultados conflitantes. Como terapia de resgate, ela encontrou uma proporção maior de pacientes com melhora em comparação com não tratar, mas com a mesma ressalva sobre a confiança no resultado.
Isso não transforma a conduta em inútil, e o motivo é uma característica da situação, não do remédio. A decisão é tomada sob incerteza e sob prazo: existe uma intervenção com risco baixo e benefício possível, e existe uma janela que se fecha em semanas. Adiar não gera informação melhor — apenas gasta a janela. Por isso a diretriz mantém a recomendação de oferecer o corticoide, e por isso a orientação ao paciente continua sendo procurar avaliação no mesmo dia.
Do lado dos riscos, a injeção intratimpânica pode causar perfuração do tímpano, dor e tontura durante o procedimento, e o corticoide por via oral tem os efeitos conhecidos, entre eles a elevação da glicemia, que exige atenção em quem tem diabetes.
Quando procurar atendimento, e o que não fazer enquanto isso
Procure avaliação no mesmo dia se qualquer um destes estiver presente:
- Perda de audição que se instalou de forma abrupta, em minutos ou horas.
- Perda em um ouvido só, com diferença clara em relação ao outro no telefone.
- Zumbido novo e marcante que apareceu junto com a alteração da audição.
- Tontura ou vertigem associadas à perda auditiva.
- Audição que não muda ao engolir, bocejar ou assoar o nariz.
Procure avaliação nos próximos dias se houver dor de ouvido persistente, febre associada ao ouvido, secreção saindo pelo conduto, ouvido tampado que passou de duas a três semanas mesmo com o nariz já melhor, ou episódios de otite de repetição em criança.
E, enquanto isso, algumas condutas atrapalham mais do que ajudam:
- Esperar para ver se melhora quando os sinais de surdez súbita estão presentes. É o único cenário desta página em que aguardar tem custo.
- Iniciar antibiótico por conta própria. Quadro viral não tem indicação de antibiótico, e ele não trata surdez súbita.
- Tomar antialérgico esperando desentupir o ouvido. A virose não é mediada por histamina, como está detalhado na orientação sobre antialérgico em gripes e resfriados.
- Usar descongestionante nasal por vários dias seguidos, que produz efeito rebote e piora a obstrução que se queria resolver.
- Introduzir objetos, cotonete ou líquidos no ouvido para tentar destampar. O problema está atrás do tímpano, e nada que entre pelo conduto o alcança.
Quando a dúvida for se o quadro é gripe, dengue ou covid, a diferenciação está em como saber se é dengue, gripe ou covid. Em qualquer virose respiratória, a regra sobre o ouvido é a mesma desta página.
Vídeo: gripe e alterações da audição
O vídeo percorre as três causas de alteração auditiva na influenza, explica por que a disfunção tubária e a otite média são reversíveis, detalha o que caracteriza a surdez súbita e relata o caso do paciente que teve o diagnóstico feito com uma semana de atraso.
Perguntas frequentes
Gripe pode causar surdez permanente?
Pode, embora seja raro. As duas alterações auditivas mais comuns na gripe, a disfunção da tuba auditiva e a otite média, são reversíveis e não deixam sequela. A exceção é a surdez súbita, que é uma inflamação da orelha interna e do nervo auditivo e pode deixar perda permanente quando o tratamento demora a começar. É por isso que a perda abrupta de audição durante uma gripe é considerada emergência.
Ouvido tampado por causa da gripe é grave?
Na imensa maioria das vezes, não. Trata-se de disfunção da tuba auditiva: a inflamação do nariz fecha o canal que ventila o ouvido, gera pressão negativa atrás do tímpano e produz a sensação de abafamento. O sinal característico é que o ouvido destampa por um instante ao engolir, bocejar ou assoar o nariz. Isso se resolve sozinho conforme o nariz desinflama, sem deixar sequela.
Quanto tempo o ouvido fica tampado depois da gripe?
Costuma acompanhar o nariz e melhorar junto com ele, ao longo de alguns dias a duas semanas. Quando o líquido permanece atrás do tímpano, o abafamento pode se estender por mais tempo, e aí o quadro é de otite média serosa. Ouvido tampado que passa de duas a três semanas, mesmo com o nariz já normalizado, merece avaliação e audiometria.
Como saber se é só ouvido entupido ou surdez súbita?
O separador mais útil tem três partes: a perda da surdez súbita se instala de repente, costuma ser em um ouvido só e não muda quando se engole ou se assoa o nariz. Costuma vir com zumbido novo e marcante, às vezes com tontura, e é comum a pessoa não conseguir entender ao telefone naquele ouvido. Ouvido entupido de gripe é flutuante, geralmente nos dois lados e permite escutar, ainda que abafado.
Qual o prazo para tratar surdez súbita?
O ideal é iniciar o tratamento nas primeiras 24 a 72 horas. A diretriz de referência trata o corticoide como terapia inicial quando iniciado em até duas semanas do início dos sintomas, e considera terapia de resgate entre a segunda e a sexta semana para quem não recuperou de forma satisfatória. Depois de quatro a seis semanas há pouco ganho adicional a esperar.
O que é surdez súbita, exatamente?
É a perda de audição do tipo neurossensorial que se instala em até 72 horas, definida como queda de 30 decibéis ou mais em três frequências consecutivas na audiometria. Ela afeta a orelha interna, quase sempre de um lado só, e atinge cerca de 1 em cada 5.000 a 1 em cada 10.000 pessoas por ano. Na maioria dos casos nenhuma causa é identificada, e as infecções virais estão entre as causas possíveis.
Surdez súbita tem cura?
Parte dos pacientes recupera a audição, com ou sem tratamento, e a maior parte dessa recuperação acontece nas duas primeiras semanas. Quem melhora pouco nesse período dificilmente melhora muito depois. O tratamento com corticoide busca aumentar a chance de recuperação, e a evidência que o sustenta é de certeza baixa, mas a janela de tempo é curta e adiar não melhora as opções disponíveis.
Criança pode ter perda de audição por gripe?
Pode, e o mecanismo mais frequente é a otite média, porque a tuba auditiva da criança é mais curta e mais horizontal. Essa perda é condutiva e reverte com o tratamento do quadro. Sinais que pedem avaliação incluem dor de ouvido, febre, secreção pelo conduto, criança pedindo para aumentar o volume ou deixando de responder quando chamada. A vacinação contra influenza está entre as medidas que reduzem o risco de otite média aguda.
Qual exame diagnostica a perda auditiva da gripe?
A audiometria, complementada pela imitanciometria. A audiometria mostra não só o quanto se perdeu, mas de que tipo é a perda: condutiva na disfunção tubária e na otite média, neurossensorial na surdez súbita. Essa distinção é o que define se o caso pode aguardar ou precisa de tratamento imediato. Tomografia de crânio e bateria ampla de exames de sangue não são recomendadas na avaliação inicial de rotina.
Dá para prevenir a perda de audição causada pela gripe?
Não existe medida que previna especificamente a surdez súbita. O que reduz o risco é reduzir a chance de ter influenza e de evoluir com complicação, e nisso a vacinação anual tem papel estabelecido, inclusive na redução da otite média aguda em crianças. Cuidar bem do nariz durante o quadro viral, com lavagem nasal e hidratação, ajuda a tuba auditiva a voltar a funcionar mais rápido.
Referências
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Avaliação com otorrino em Brasília
Perda de audição de instalação súbita é urgência otorrinolaringológica e deve ser avaliada no mesmo dia. Ouvido tampado que não passa, otites de repetição, zumbido novo e alteração de audição depois de quadro viral merecem exame das vias aéreas superiores e audiometria. Essa avaliação é feita em consulta com otorrino em Brasília. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste.
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