Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Vacina da gripe: vale a pena tomar?
Sempre que chega a época da vacina da gripe, aparecem as mesmas três dúvidas. Vale a pena tomar? Quais são os efeitos colaterais? Com que frequência a dose precisa ser repetida?

A vacina da gripe vale a pena para todos. Ela protege das complicações graves da gripe, os efeitos colaterais costumam ser leves e passar em dois a três dias, e a dose precisa ser repetida todo ano.
A gripe vem do vírus influenza, do tipo A ou do tipo B. O principal objetivo da vacina é evitar as complicações dessa infecção, e a mais importante delas é a pneumonia. Muitas vezes é uma pneumonia grave, que exige internação, às vezes em UTI, e que pode levar à morte.
Na prática médica, a importância da vacina é bem conhecida. A recomendação é que todos se vacinem, e não só quem tem direito à vacina gratuita no SUS. A resposta da vacina é excelente, o risco de efeitos colaterais é baixo, sem nada grave, e o impacto na saúde pública é grande.
Como a vacina da gripe funciona
A vacina da gripe é feita com vírus inativado, ou seja, sem vírus vivo, e por isso é incapaz de provocar a gripe. O vírus inativado induz o corpo a produzir anticorpos contra o influenza. Assim, quando a pessoa tiver contato com alguém doente, a defesa já está pronta.
Com essa defesa pronta, o corpo consegue combater o vírus rapidamente, muitas vezes sem deixar que ele cause a doença, e a chance de uma forma grave da gripe e das suas complicações fica bem menor. Segundo o NHS, o serviço público de saúde do Reino Unido, a vacina costuma levar até 14 dias para fazer efeito.
A vacina da gripe é bem estabelecida no Programa Nacional de Imunizações. Para o Ministério da Saúde, a vacinação é a estratégia mais eficaz de prevenção contra a influenza, porque reduz o agravamento da doença, as internações e as mortes.
A vacina da gripe pode dar gripe?
Não pode. Como o vírus da vacina é inativado, ela não tem como causar a doença. Mesmo assim, muita gente conta que tomou a vacina e ficou gripada logo depois, e isso tem explicação.
A campanha acontece justamente na época em que os vírus respiratórios mais circulam. Quem pega um vírus nos dias seguintes à aplicação pode adoecer antes de a proteção ficar pronta. Além disso, a vacina protege contra o influenza, e não contra os muitos outros vírus que causam o resfriado comum. Um resfriado nessa época não é sinal de falha da vacina.
Os efeitos colaterais da vacina, como a febre e a dor no corpo, também são confundidos com gripe. A diferença está no tempo, porque a reação começa poucas horas depois da aplicação e passa em poucos dias. E, quando a pessoa vacinada pega a gripe de fato, segundo o NHS, o quadro tende a ser mais leve e mais curto.
O que separa a gripe do resfriado comum aparece em como curar gripes e resfriados. O vírus sincicial respiratório, outro vírus que causa casos graves, não é coberto pela vacina da gripe e tem vacina própria, explicada na orientação sobre a vacina Arexvy® contra o VSR.
Efeitos colaterais da vacina da gripe
A vacina da gripe pode ter alguns efeitos colaterais, e em geral eles são leves, como febre, dor no corpo e mal-estar, às vezes com um pouco de sintoma respiratório. Esses sintomas costumam começar entre 6 e 12 horas depois da aplicação e durar de dois a três dias.
No local da injeção, também podem aparecer dor, vermelhidão e endurecimento. Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), essa reação no braço é a mais frequente e costuma desaparecer em até dois dias.
Um analgésico comum costuma bastar para aliviar a febre e a dor no corpo, e em dois a três dias a pessoa já está bem. Os benefícios da vacina, que previne as formas graves da gripe, superam muito esses efeitos.
A SBIm descreve a febre, o mal-estar e a dor muscular como pouco frequentes e mais curtos, de um a dois dias, e mais comuns na primeira vez em que a pessoa toma a vacina. A duração varia de uma pessoa para outra.
Reações alérgicas graves, como a anafilaxia, são extremamente raras, segundo a SBIm. Inchaço no rosto ou nos lábios, falta de ar e vômitos repetidos logo depois da vacina são sinais de anafilaxia descritos pelo Ministério da Saúde e pedem avaliação médica sem demora.
Sintomas que passam de três dias, ou sintomas respiratórios que pioram em vez de melhorar, não combinam com a reação da vacina. Segundo a SBIm, os sintomas que se prolongam por mais de 72 horas devem ser investigados para descartar outras causas, como uma infecção. Os sinais de que uma gripe está complicando estão em quando procurar o médico na gripe.
Quando tomar a vacina da gripe
A vacina da gripe é aplicada antes do pico de circulação do vírus influenza, para que a proteção esteja pronta quando ele chegar. Em 2024, por exemplo, a campanha começou por volta de março, um pouco antecipada, porque já se previa que o pico do influenza também viria mais cedo.
Em 2026, segundo o Ministério da Saúde, a campanha nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste foi de 28 de março a 30 de maio. Na região Norte, segundo a SBIm, a vacinação é intensificada em outubro e novembro, antes do chamado inverno amazônico. Para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais, a vacina faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e fica disponível na rede pública durante todo o ano. Essas informações são de outubro de 2026 e podem mudar com o tempo.
O melhor momento para tomar é no período da campanha, assim que a vacina do ano chega. Quem perdeu esse período ainda deve se vacinar, porque a gripe também pode circular fora da época habitual, como mostra a orientação sobre os vírus mais fortes.
Por que a vacina da gripe precisa ser tomada todo ano
Depois da primeira vez, a vacina da gripe é de uma dose por ano. Repetir todo ano é muito importante, por dois motivos.
O primeiro é que a proteção cai com o tempo. Os níveis de anticorpos contra o influenza diminuem ao longo dos meses, e o reforço anual devolve a imunidade a um bom nível, para que a pessoa fique de fato protegida do vírus.
O segundo é que o vírus da gripe sofre mutações. Por isso a vacina é atualizada a cada ano, com os tipos de vírus que mais circularam e que têm mais chance de causar as gripes dos meses seguintes. A composição segue a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Hemisfério Sul.
A vacina de 2026, segundo a Anvisa e o Ministério da Saúde, tem um vírus influenza A H1N1, um influenza A H3N2 e um influenza B da linhagem Victoria. Essa composição é de outubro de 2026 e pode mudar com o tempo.
Vacina da gripe em crianças, gestantes e idosos
Crianças podem tomar a vacina da gripe a partir dos 6 meses. Na primeira vez, a vacina é feita em duas doses, com um reforço 30 dias depois. Segundo o Ministério da Saúde, as duas doses valem para a criança de 6 meses a menores de 9 anos que nunca tomou a vacina, e nos anos seguintes a dose é única, como nos adultos.
Bebês com menos de 6 meses não podem tomar a vacina. A proteção deles começa ainda na gravidez, porque a gestante vacinada passa anticorpos para o bebê, segundo a SBIm.
Gestantes têm mais risco de gripe grave e de complicações e podem ser vacinadas em qualquer fase da gestação, segundo o Ministério da Saúde. Quem não se vacinou na gravidez pode receber a vacina até 45 dias depois do parto.
Pessoas com 60 anos ou mais tomam uma dose a cada ano. Nessa idade, a resposta do corpo à vacina costuma ser um pouco menor, e mesmo assim a vacina deixa a doença menos grave e reduz a chance de complicações e de morte, segundo a OMS.
Quem tem direito à vacina da gripe no SUS em 2026
Alguns grupos têm direito a tomar a vacina de graça nos postos de saúde, pelo SUS. A lista é grande, e muita gente não sabe que faz parte dela. Em 2026, segundo o Ministério da Saúde, os grupos são estes.
- crianças de 6 meses a menores de 6 anos;
- gestantes e puérperas, até 45 dias depois do parto;
- pessoas com 60 anos ou mais;
- povos indígenas, a partir dos 6 meses, e quilombolas;
- pessoas em situação de rua;
- trabalhadores da saúde dos serviços públicos e privados;
- professores do ensino básico e superior;
- profissionais das forças de segurança e salvamento e das Forças Armadas;
- pessoas com deficiência permanente;
- caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo rodoviário de passageiros, urbano e de longo curso, trabalhadores portuários e trabalhadores dos Correios;
- população privada de liberdade, funcionários do sistema de privação de liberdade e adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas;
- pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, em qualquer idade.
Nesse último grupo entram, por exemplo, o diabetes em uso de remédio, a asma moderada ou grave em uso de corticoide, a DPOC, as doenças crônicas do coração, dos rins, do fígado e as neurológicas, a imunossupressão, a obesidade grau III, os transplantados e a síndrome de Down. A hipertensão entra na lista quando vem junto com outra doença. Para várias categorias profissionais, é preciso levar um documento que comprove a função. Essas informações são de outubro de 2026 e podem mudar com o tempo.
Estar fora da lista não quer dizer que a vacina seja dispensável. Mesmo adultos sem nenhuma doença podem ter uma gripe grave. O ideal é que todas as pessoas se vacinem, e quem não tem direito no posto pode tomar a vacina na rede particular. Em 2024, o valor médio ficava entre R$ 100 e R$ 150, e o preço varia conforme a cidade e o local. Para quem pode, a vacina da gripe vale muito a pena.
A baixa adesão à vacina, mesmo nos grupos de risco, está entre as causas da gripe mais grave de 2026. A queda na vacinação, com os números, aparece na orientação sobre os vírus estarem mais fortes.
Vacina do posto ou da rede particular: trivalente ou quadrivalente?
Uma dúvida comum é se a vacina do SUS e a vendida na rede particular são a mesma coisa, e se vale a pena pagar pela particular mesmo tendo direito no posto. Existe uma pequena diferença entre elas.
A vacina do posto de saúde é trivalente. Ela tem três tipos de vírus influenza, o H1N1, o H3N2 e um tipo de influenza B. A quadrivalente, vendida na rede particular, tem quatro tipos, os mesmos dois de influenza A e dois tipos de influenza B.
No Brasil, essa diferença pesa pouco. A vacina oferecida pelo Ministério da Saúde traz os vírus que mais circulam e que têm maior impacto na população, e o tipo a mais da quadrivalente não é tão frequente. Por isso, tomar a vacina do posto ou a da rede particular não faz grande diferença, e a escolha fica a critério de cada um.
| Posto de saúde (SUS) | Rede particular | |
|---|---|---|
| Composição em 2026 | Trivalente | Trivalente ou quadrivalente |
| Influenza A | H1N1 e H3N2 | H1N1 e H3N2 |
| Influenza B | Linhagem Victoria | Linhagem Victoria e, na quadrivalente, também a Yamagata |
| Quem pode tomar | Grupos com direito à vacina gratuita | Qualquer pessoa a partir de 6 meses |
| Proteção contra os vírus que mais circulam | Sem grande diferença | Sem grande diferença |
Esse tipo a mais nem tem circulado. Ele pertence à linhagem Yamagata do influenza B, sem circulação natural confirmada no mundo desde 2020, segundo a Anvisa. A OMS considera que ele não precisa mais fazer parte da vacina, e a recomendação dela para o Hemisfério Sul em 2027 já traz só três tipos de vírus. A OMS prevê a saída das vacinas quadrivalentes a partir de 2027, com um período de transição em cada país, e a Anvisa manteve a quadrivalente no Brasil ao longo de 2026 para não faltar vacina. Na rede particular, segundo a SBIm, as versões trivalente e quadrivalente estão disponíveis em 2026. Essas informações são de outubro de 2026 e podem mudar com o tempo.
Quem não pode tomar a vacina da gripe e quem precisa de cuidado
A vacina da gripe é segura e serve para quase todo mundo a partir dos 6 meses. Segundo o Ministério da Saúde, existem só duas contraindicações. A primeira é a idade abaixo de 6 meses. A segunda é ter tido anafilaxia grave, a reação alérgica mais intensa, depois de uma dose anterior. Nesse caso, a decisão sobre uma nova dose é tomada caso a caso pelo médico.
Algumas situações pedem cuidado, sem impedir a vacina. Quem está com uma doença com febre, moderada ou grave, ou com covid confirmada, deve adiar a vacina até melhorar. Assim, a reação da vacina não se mistura com os sintomas da doença.
A alergia a ovo não impede a vacina. Pela estratégia de vacinação do Ministério da Saúde de 2026, quem teve só urticária depois de comer ovo pode se vacinar sem nenhum cuidado especial. Quem já teve sinais mais graves de anafilaxia com ovo recebe a vacina em local preparado para tratar reações alérgicas graves e, de preferência, com supervisão médica.
A SBIm e, desde 2023, o comitê de vacinação dos Estados Unidos não consideram a alergia a ovo, nem mesmo a grave, um motivo para cuidado especial na vacina da gripe. Essa diferença entre as recomendações pode ser avaliada caso a caso, na consulta.
Quem teve síndrome de Guillain-Barré, uma inflamação dos nervos que causa fraqueza muscular, nas semanas seguintes a uma dose anterior da vacina, só deve tomar uma nova dose depois de uma avaliação médica cuidadosa do risco e do benefício.
Vacina da gripe e vacina da covid podem ser tomadas juntas?
Podem. Muita gente pergunta se quem já tomou a vacina da gripe ainda precisa da vacina da covid. Precisa, porque são vacinas diferentes contra vírus diferentes. A recomendação do Ministério da Saúde é tomar as duas, sem deixar de tomar uma por já ter tomado a outra.
As duas podem ser aplicadas no mesmo dia, e nos postos de saúde é comum fazer a vacina da gripe e a da covid juntas. Tomadas no mesmo momento, elas não trazem problema. Pelas regras do Ministério da Saúde, cada vacina vai num local diferente do corpo, de preferência em braços ou pernas diferentes.
Alguns estudos sugerem que a vacina da gripe poderia dar alguma proteção contra a covid, mas isso não substitui a vacina da covid. Segundo a SBIm, cada uma previne só a doença causada pelo vírus contra o qual foi feita.
Em 2026, segundo o Calendário Nacional de Vacinação, a vacina da covid faz parte da rotina das crianças de 6 meses a menores de 5 anos, das gestantes, a cada gestação, e das pessoas com 60 anos ou mais, que recebem uma dose a cada seis meses. Pessoas com comorbidades, imunocomprometidos e outros grupos especiais também têm doses periódicas, e o Ministério recomenda aproveitar a campanha da gripe para colocar a vacina da covid em dia. Essas informações são de outubro de 2026 e podem mudar com o tempo.
Para quem está com sintomas e não sabe se é gripe, covid ou outra doença, as diferenças estão na orientação sobre como diferenciar dengue, gripe e covid.
Vacina da gripe para quem tem rinite, sinusite e otite de repetição
Para quem vive com rinite e sinusites de repetição, a prevenção contra o influenza com a vacina é muito efetiva, inclusive para evitar outras complicações da área do otorrino, como as sinusites e as otites.
A explicação está no caminho dessas infecções. A sinusite bacteriana e a otite média aguda costumam aparecer depois de uma virose, que inflama a mucosa do nariz e atrapalha a drenagem dos seios da face e da tuba auditiva, que comunica o ouvido com a parte de trás do nariz. Com menos gripes, essas complicações têm menos oportunidade de aparecer.
Uma revisão da Cochrane com crianças de 6 meses a 6 anos encontrou uma redução pequena das otites médias agudas nas vacinadas e um uso menor de antibióticos, com evidência de qualidade baixa a moderada, e os autores pedem mais estudos sobre esse efeito. A vacina funciona como uma camada a mais de prevenção, e não como tratamento para a otite ou a sinusite de repetição.
Quando as infecções continuam se repetindo, é preciso investigar o que está por trás delas, como alergia, alterações do nariz ou adenoide. As causas e a investigação estão na orientação sobre sinusite de repetição. No dia a dia, a lavagem nasal, feita com a boca aberta para respirar durante toda a lavagem, ajuda a cuidar do nariz, como explica a orientação sobre lavagem nasal para sinusite. As medidas para crianças em idade escolar estão em prevenir gripes e resfriados em crianças na escola.
O influenza também pode afetar a audição. Na maioria das vezes, a alteração é passageira, pela tuba auditiva entupida ou pela otite. Raramente, a gripe causa uma perda de audição súbita, que depende de tratamento precoce. Não existe prevenção específica para ela, e diminuir a chance de ter gripe ajuda. Os sinais de cada situação estão na orientação sobre gripe e perda de audição.
Quando procurar avaliação médica
A consulta com otorrino é indicada quando houve reação importante a uma dose anterior, para decidir como fazer na temporada seguinte, quando há dúvida sobre o momento da vacina numa doença crônica, na imunossupressão ou na gestação, e quando as sinusites, as otites ou o nariz entupido continuam se repetindo mesmo com a vacina em dia.
Na consulta na OtoCare, o exame inclui ouvidos, nariz e garganta, e o otorrino pode fazer a nasofibrolaringoscopia, que usa uma microcâmera flexível para ver nariz e garganta por dentro. Quando há suspeita de gripe ou de covid, o otorrino pode fazer na consulta um teste rápido que identifica, de uma vez, covid-19, influenza A e influenza B.
Vídeo: vacina da gripe, efeitos colaterais e quando tomar
O vídeo responde às três dúvidas mais comuns sobre a vacina da gripe, se vale a pena, quais são os efeitos colaterais e quando tomar, e explica a diferença entre a vacina do SUS e a da rede privada e a relação com a vacina da covid.
Perguntas frequentes
Quem está gripado pode tomar a vacina da gripe?
Um resfriado leve, sem febre, não adia a vacina pelas regras do Ministério da Saúde. Só a doença com febre, moderada ou grave, e a covid confirmada pedem para esperar a melhora.
Depois da vacina da gripe pode tomar dipirona ou ibuprofeno?
Pode. Um analgésico comum alivia a febre e a dor no corpo da reação. Dipirona e paracetamol são as primeiras escolhas, e o ibuprofeno vem depois, com a dose da bula ou da orientação médica para a idade e o peso. Pelas regras do Ministério da Saúde, quem toma outros remédios pode receber a vacina normalmente.
Quem amamenta pode tomar a vacina da gripe?
Pode. Segundo o NHS, é seguro amamentar tendo tomado a vacina durante a gravidez ou durante a amamentação. A vacina tomada na gravidez também ajuda a proteger o recém-nascido até ele ter idade para receber a própria vacina.
Gestante pode tomar a vacina da gripe em qualquer semana e junto com a dTpa?
Pode. Pelas regras do Ministério da Saúde, a gestante é vacinada em qualquer semana da gravidez, inclusive no primeiro trimestre, e basta informar que está grávida, sem precisar de documento. A vacina da gripe também pode ser aplicada no mesmo dia da dTpa, a vacina contra difteria, tétano e coqueluche indicada na gestação, em locais diferentes do corpo.
A vacina da gripe serve para rinite?
Ela não trata a rinite, porque age só contra o vírus influenza. Para quem tem rinite, a vacina é uma forma de prevenção, porque diminui a chance de uma gripe trazer complicações como a sinusite e a otite. O tratamento da rinite em si é definido na consulta.
A vacina da gripe pode ser tomada junto com outras vacinas?
Pode. O Ministério da Saúde permite aplicar a vacina da gripe no mesmo dia das outras vacinas do Calendário Nacional de Vacinação, como a da febre amarela, com seringas e agulhas diferentes e em locais diferentes do corpo.
Pode tomar a vacina da gripe duas vezes no mesmo ano?
Em geral, não há motivo. A rotina é uma dose por temporada, e as duas doses com intervalo de 30 dias valem só para a criança que toma a vacina pela primeira vez. Segundo a SBIm, em surtos ou quando a gripe aumenta fora da época, uma segunda dose no mesmo ano pode ser considerada para idosos, pessoas com imunidade baixa e pessoas com doenças crônicas, três meses depois da dose anual, por decisão médica.
Qual a vacina da gripe de alta concentração para idosos?
Na rede particular existe uma vacina da gripe de alta concentração, a Efluelda®, com quatro vezes mais antígeno que a vacina comum e indicada a partir dos 60 anos. Segundo a SBIm, num estudo publicado no New England Journal of Medicine, ela foi 24% mais eficaz que a vacina de dose padrão na prevenção da gripe em pessoas com 65 anos ou mais. Quando ela não está disponível, qualquer outra vacina da gripe indicada para a idade pode ser usada. Essa informação é de outubro de 2026 e pode mudar com o tempo.
A vacina da gripe dá reação em bebê?
Pode dar, em geral leve. Na revisão da Cochrane com crianças de 6 meses a 6 anos, as vacinadas tiveram um pouco mais de febre e de nariz escorrendo do que as não vacinadas, sem eventos adversos graves registrados. Segundo a SBIm, a febre e o mal-estar são mais comuns na primeira vez em que a criança toma a vacina. Febre muito alta, irritação intensa ou recusa em mamar ou comer não são esperadas depois da vacina e pedem avaliação médica sem demora.
Compressa quente ou fria depois da vacina da gripe?
Compressa fria. Segundo a SBIm, compressas frias aliviam a dor, a vermelhidão e o endurecimento no local da aplicação.
A vacina da gripe é intramuscular ou subcutânea?
Pode ser das duas formas. Pelas regras do Ministério da Saúde, a do SUS pode ser aplicada no músculo ou embaixo da pele. Nas crianças menores de 2 anos, a preferência é a coxa, e a partir dessa idade ela também pode ser aplicada no braço, conforme a musculatura.
Do que é feita a vacina da gripe?
A do SUS, pela descrição do Ministério da Saúde, é feita com partes de vírus influenza inativados, fragmentados e purificados, cultivados em ovos de galinha. O frasco com várias doses tem timerosal como conservante, e cada dose pode ter traços de formaldeído, do antibiótico neomicina e de proteína do ovo.
Referências
- VILELA, Larissa. Vacina da gripe: vale a pena tomar, quais são os efeitos colaterais, quando tomar? YouTube, 2 maio 2024. 1 vídeo (9 min 11 s). Disponível em: https://youtu.be/ibV4wOXsKfI. Acesso em: 18 out. 2026.
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