Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
A vitamina C ajuda na gripe e no resfriado?
Muita gente toma vitamina C sempre que fica gripada ou resfriada, e a pergunta chega com frequência ao consultório de otorrino: ela funciona mesmo? Os estudos mostram uma relação positiva. A vitamina C participa da defesa do corpo contra vírus e bactérias, e manter um bom nível dela faz diferença nas gripes, nos resfriados e nas sinusites.

A vitamina C é essencial para a imunidade. Na gripe e no resfriado, suplementar durante a virose ajuda na recuperação, e quem vive gripado deve dosar a vitamina C no sangue.
Trata-se de um micronutriente essencial. O corpo humano não consegue produzi-la, e por isso ela precisa vir da alimentação ou da suplementação.
Com níveis adequados, a vitamina C pode reduzir os quadros de gripe, encurtar o tempo da virose e até ajudar a evitar complicações, como a sinusite bacteriana que às vezes aparece depois de um quadro viral. Diversos estudos já mostraram menos dias de virose e menos viroses em quem faz a suplementação.
Por que a vitamina C é importante para a imunidade
O sistema imunológico funciona como uma orquestra, com muitas partes que precisam tocar juntas. A vitamina C tem um papel fundamental nesse conjunto. Ela age em várias etapas da imunidade, tanto na defesa contra os vírus quanto na defesa contra as bactérias, e com níveis adequados o corpo fica mais preparado para enfrentar os micro-organismos.
Uma revisão publicada na revista Nutrients descreve parte desse trabalho. A vitamina C se acumula nas células de defesa que engolem os germes, como os neutrófilos, e ajuda essas células a chegar ao local da infecção e a destruir os micro-organismos. Ela também reforça a barreira da pele e das mucosas. Quando a vitamina falta, a imunidade fica prejudicada e as infecções aparecem com mais facilidade.
A relação funciona nos dois sentidos. Segundo a mesma revisão, as infecções baixam o nível de vitamina C no corpo, por causa da inflamação e do gasto maior do organismo durante a doença.
Tomar vitamina C quando está gripado ajuda?
Na gripe e no resfriado, suplementar a vitamina C durante o período da virose é uma orientação frequente no consultório de otorrino. Os estudos mostram que ela ajuda bastante na recuperação do paciente.
Existe um motivo a mais para suplementar nesses dias. Quando a pessoa está doente, o corpo precisa de mais vitamina C do que o habitual, por causa de todo o processo inflamatório da infecção. A quantidade de base, suficiente no dia a dia, deixa de bastar. O Manual MSD inclui as doenças com febre alta ou inflamação entre as situações que aumentam a necessidade de vitamina C do organismo.
A quantidade usada na suplementação varia de paciente para paciente e é definida pelo médico, na consulta. Não há uma dose única que sirva para todo mundo.
Uma revisão de 2023, que reuniu ensaios clínicos com placebo, mostrou que a vitamina C diminuiu a intensidade do resfriado. O efeito apareceu sobretudo nos sintomas mais fortes, aqueles que tiram a pessoa do trabalho ou da escola.
A revisão da Cochrane publicada em 2013 mediu um efeito mais discreto. Nela, o uso regular encurtou um pouco os resfriados, e os poucos ensaios em que a vitamina começou depois dos primeiros sintomas tiveram resultados pouco consistentes. Os próprios autores consideram razoável que cada paciente experimente se a vitamina C o ajuda, pelo custo baixo e pela segurança. Essa decisão pode ser ajustada caso a caso, na consulta.
As outras medidas que ajudam na recuperação estão na orientação sobre como curar gripes e resfriados, e os dias que cada sintoma costuma durar aparecem em quanto tempo dura uma gripe ou resfriado.
A vitamina C previne gripe?
A revisão da Nutrients conclui que a vitamina C parece ajudar tanto a prevenir quanto a tratar infecções respiratórias. Segundo os autores, a suplementação feita antes da doença também parece diminuir o risco de infecções mais sérias, como a pneumonia. A prevenção começa por manter o nível adequado, pela alimentação e, quando a dosagem no sangue mostra falta, pela suplementação.
Na revisão da Cochrane, o uso diário de vitamina C não mudou o número de resfriados na população em geral. Em pessoas expostas a esforço físico intenso, como maratonistas, esquiadores e soldados em treinamento no frio, o risco de resfriado caiu para cerca da metade. Por isso, o uso contínuo sem deficiência comprovada costuma ser decidido caso a caso, na consulta.
A vitamina C também não ocupa o lugar da vacina da gripe, que estimula a defesa de forma específica contra o vírus influenza.
Sintomas da falta de vitamina C e como saber se falta
A deficiência de vitamina C é mais comum do que parece. Segundo a revisão da Nutrients, ela é a quarta deficiência nutricional mais comum nos Estados Unidos, um país com alimentos enriquecidos, suplementos fáceis de comprar e muita informação sobre dieta.
No consultório de otorrino, a falta de vitamina C também não é rara. Ela aparece com alguma frequência nos exames de sangue de pacientes que têm muitas gripes, resfriados ou sinusites bacterianas e passam por uma avaliação mais detalhada. Com tanta oferta de alimentos e suplementos, pode parecer difícil de acreditar, mas acontece.
Quem come pouca fruta e pouca verdura fresca tem mais chance de ficar com a vitamina baixa, e o cozimento destrói parte da vitamina C dos alimentos. Segundo o Manual MSD, gravidez, amamentação, febre, inflamação, diarreia prolongada, cirurgia, queimaduras, hipertireoidismo e o cigarro aumentam a necessidade de vitamina C.
Com a vitamina baixa, a pessoa pode se sentir cansada, fraca e irritada, perder peso e ter dor nas articulações, de acordo com o Manual MSD. A enciclopédia MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, inclui a defesa mais fraca contra infecções entre os sinais da falta. A forma grave, o escorbuto, hoje é rara e causa gengiva inchada e sangrando, manchas roxas na pele, pele e cabelo secos e cicatrização lenta. Quando aparece, o escorbuto é mais comum em quem abusa do álcool e em idosos desnutridos.
Muitas vezes a falta não dá nenhum sintoma chamativo. A confirmação vem da dosagem no exame de sangue. Pela revisão da Nutrients, um nível abaixo de 11 µmol/L indica deficiência, e abaixo de 23 µmol/L indica vitamina C baixa, a chamada hipovitaminose C.
A recomendação habitual é fazer avaliações periódicas, dosando a vitamina C no sangue quando possível, e suplementar quando houver deficiência. O Manual MSD lembra que esse exame nem sempre está disponível. Na consulta na OtoCare, o otorrino avalia cada caso e pode pedir a dosagem.
Gripe atrás de gripe e sinusite de repetição
Em quem vive com uma virose atrás da outra, gripe atrás de gripe ou sinusites que voltam, a vitamina C precisa entrar na avaliação desses quadros recorrentes. A dosagem no sangue mostra se a falta da vitamina está contribuindo.
A vitamina C é um dos pontos dessa investigação, e não o único. Alterações dentro do nariz, alergia e até problemas nos dentes entram na mesma avaliação, como mostra a orientação sobre sinusite de repetição. Infecções por bactérias que se repetem muitas vezes e costumam ser graves levantam a suspeita de imunodeficiência primária. Remédios que estimulam a imunidade, como o lisado bacteriano, têm indicação própria.
Na criança que vive gripada na escola, as medidas que diminuem esses episódios estão em prevenir gripes e resfriados em crianças na escola. O equilíbrio entre deixar a criança explorar o ambiente e os cuidados com a limpeza é o tema da orientação sobre a vitamina S.
Vitamina C e sinusite
A sinusite aguda costuma começar como uma virose. Numa parte pequena dos casos, a inflamação causada pelo vírus abre caminho para uma bactéria, e surge a sinusite bacteriana. Ao fortalecer a defesa e encurtar a virose, a vitamina C pode ajudar a evitar essa complicação. Quando a sinusite bacteriana já se instalou, o tratamento é definido na consulta, e a vitamina C não ocupa o lugar dele.
A revisão da Cochrane de 2013 estudou o resfriado comum, e não a sinusite. Um protocolo publicado pela Cochrane em 2019 prevê uma revisão mais ampla, sobre as infecções agudas das vias aéreas superiores, com a rinossinusite entre as condições avaliadas.
Como diferenciar a sinusite causada por vírus da causada por bactéria está em sinusite aguda: viral ou bacteriana. No cuidado da sinusite, a lavagem do nariz com soro tem um papel importante, com a respiração pela boca do começo ao fim da aplicação, como mostra a orientação sobre lavagem nasal para sinusite.
Frutas com vitamina C
No dia a dia, a vitamina C necessária pode vir da alimentação, principalmente das frutas cítricas e de outras frutas ricas na vitamina, como laranja, limão, abacaxi, acerola e caju. O ideal é ter a orientação de um nutricionista para montar uma dieta balanceada, que cubra a vitamina C e todos os outros micronutrientes.
A quantidade que o corpo precisa por dia, pela alimentação, é pequena. A MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, recomenda ingerir 90 mg por dia para homens e 75 mg para mulheres, 85 mg na gravidez, 120 mg na amamentação e 35 mg a mais para quem fuma. São valores de ingestão pelos alimentos, e não doses de suplemento.
A quantidade muda bastante de uma fruta para outra. Os valores abaixo são da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), da Unicamp, por 100 g da parte que se come.
| Fruta | Vitamina C (mg por 100 g) |
|---|---|
| Acerola crua | 941,4 |
| Caju cru | 219,3 |
| Goiaba vermelha com casca | 80,6 |
| Kiwi cru | 70,8 |
| Laranja pêra crua | 53,7 |
| Abacaxi cru | 34,6 |
| Suco de limão galego | 34,5 |
A acerola tem muito mais vitamina C do que as outras frutas da lista, e o caju vem em seguida. O limão, famoso nas receitas caseiras para gripe, fica entre os que têm menos. Como o cozimento destrói parte da vitamina, a fruta crua preserva mais do que os preparos cozidos. Pela tabela, algumas frutas por dia costumam cobrir a necessidade de um adulto.
Qual a melhor vitamina C para gripe e como tomar
Para a gripe, a forma de apresentação importa menos do que a quantidade e o momento de tomar, que variam de pessoa para pessoa e são definidos na consulta.
Como tomar vitamina C para gripe depende do motivo. Na virose, a suplementação fica restrita ao período da doença. Na deficiência mostrada pelo exame de sangue, a reposição segue o tempo necessário para corrigir a falta, acompanhada pelas avaliações periódicas.
Fora dessas situações, a alimentação costuma dar conta da vitamina C de que o corpo precisa no dia a dia, com as frutas cítricas e as outras frutas da tabela.
Vitamina C em excesso faz mal?
Efeitos graves por excesso de vitamina C são raros, porque o corpo não armazena a vitamina, segundo a MedlinePlus. Doses muito altas de suplemento podem causar dor de estômago e diarreia e, mais raramente, cálculo renal.
Um estudo que acompanhou quase 200 mil pessoas nos Estados Unidos por cerca de 11 anos encontrou mais cálculo renal entre os homens que tomavam suplemento de vitamina C em dose alta, sem o mesmo aumento nas mulheres. A vitamina C dos alimentos não mostrou essa relação. Quem já teve pedra nos rins deve conversar sobre a suplementação na consulta antes de começar.
Megadoses tomadas por conta própria, sem orientação, aumentam a chance desses efeitos. A quantidade certa é a definida pelo médico.
Quando procurar avaliação
Gripes, resfriados ou sinusites que se repetem muitas vezes merecem uma consulta para investigar a causa, com a dosagem de vitamina C quando indicada. Também merece avaliação quem pensa em tomar suplemento por muito tempo, principalmente quem já teve cálculo renal.
Durante uma virose, alguns sinais pedem exame, mesmo em quem está tomando vitamina C. A piora depois do quinto dia, a melhora seguida de nova piora e os sintomas fortes, sem melhora nenhuma, por mais de duas semanas podem indicar uma sinusite bacteriana. Os detalhes de cada sinal estão em quando procurar o médico na gripe.
Quando a febre alta vem com dor atrás dos olhos, dor nas articulações e quase nada no nariz e na garganta, pode se tratar de outra doença, como a dengue. Como separar uma da outra está em como diferenciar dengue, gripe e covid.
Na consulta na OtoCare, o otorrino avalia ouvidos, nariz e garganta e pode fazer, quando necessário, a nasofibrolaringoscopia, um exame com uma câmera bem fina que mostra o nariz e a garganta por dentro. Os exames de sangue são pedidos conforme cada caso.
Vídeo: vitamina C nas gripes, nos resfriados e na sinusite
O vídeo começa pela pergunta de quem toma vitamina C a cada gripe e explica o papel da vitamina na imunidade, a frequência da deficiência no consultório, quando suplementar e como obter a vitamina pela alimentação.
Perguntas frequentes
Vitamina C para gripe é mito?
Não. A vitamina C é usada contra as infecções respiratórias desde que foi isolada, na década de 1930, e ficou muito popular nos anos 1970, quando o Nobel Linus Pauling defendeu que ela preveniria e aliviaria o resfriado, como conta o resumo da Cochrane. Desde então foram feitas dezenas de estudos, e hoje o papel dela na imunidade e na recuperação das viroses está bem descrito. O tamanho do efeito varia entre as pesquisas e de uma pessoa para outra.
Vitamina C cura a gripe?
Ela não mata o vírus. A vitamina C ajuda o sistema imunológico a combater a infecção e o corpo a se recuperar, e por isso a suplementação durante a virose faz parte do cuidado, ao lado do repouso e da hidratação.
É bom tomar vitamina C todos os dias?
Pela alimentação, sim. Frutas e verduras frescas todos os dias costumam suprir a vitamina C de que o corpo precisa. O suplemento diário é indicado quando o exame de sangue mostra deficiência ou em situações avaliadas na consulta, e não como hábito para todo mundo.
Vitamina C efervescente serve para gripe?
Serve. O comprimido efervescente, que se dissolve na água, é uma das formas de tomar a vitamina, ao lado do comprimido comum, das gotas e da versão mastigável. Em qualquer uma delas, o que conta é a quantidade adequada para cada pessoa, definida na consulta.
Criança com gripe pode tomar vitamina C?
Pode, com orientação. Na revisão da Cochrane, o uso regular de vitamina C encurtou os resfriados das crianças um pouco mais do que os dos adultos. A quantidade depende da idade e do peso e é definida na consulta. Na criança que vive gripada, a dosagem no sangue ajuda a mostrar se falta vitamina.
Grávida ou quem amamenta pode tomar vitamina C para gripe?
A gravidez e a amamentação aumentam a necessidade de vitamina C, segundo o Manual MSD, e as frutas ajudam a cobrir essa necessidade. O suplemento nessas fases, inclusive durante uma gripe, precisa de orientação médica, sem automedicação. Doses altas de suplemento não são recomendadas na gravidez, segundo a MedlinePlus, porque podem deixar o bebê com falta de vitamina C depois do nascimento.
A vitamina C alivia a tosse?
As revisões citadas aqui mediram a intensidade do resfriado como um todo, e não a tosse isoladamente. A tosse em geral demora mais que os outros sintomas para ir embora, como explica a orientação sobre quanto tempo dura uma gripe, e o mel pode aliviá-la, com os cuidados de idade descritos em mel para tosse.
Qual a melhor vitamina para gripe e resfriado?
A vitamina C é a vitamina mais estudada nas gripes e nos resfriados, com revisões sistemáticas como as da Cochrane. Uma alimentação variada cobre também as outras vitaminas e minerais que participam da imunidade. Para a proteção contra a gripe em si, a vacina continua sendo a principal medida, e ela não é substituída por nenhum suplemento.
Referências
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Avaliação com otorrino em Brasília
Gripes e resfriados que se repetem, sinusites de repetição, otites de repetição, nariz entupido que não passa e olfato que não voltou merecem exame do nariz, da garganta e dos ouvidos e a investigação da causa, com a dosagem de vitamina C quando indicada. Essa avaliação é feita na consulta com otorrino em Brasília. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste.
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