Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Como fazer a solução caseira hipertônica para lavagem nasal?
Numa crise forte de rinite, de sinusite ou mesmo de uma gripe, o nariz fica muito congestionado, cheio de secreção, e respirar vira um esforço. Nesses dias, a lavagem nasal com solução hipertônica ajuda muito a desinchar o nariz e traz um alívio mais rápido do que a lavagem comum.
Essa solução, conhecida também como soro hipertônico, é uma mistura de água com mais sal do que existe dentro do próprio nariz. Ela é vendida pronta, mas também pode ser feita em casa, na garrafinha de lavagem nasal de alto volume, com sal de cozinha e bicarbonato de sódio.

Na garrafinha de 240 mL, vão duas colheres de café rasas de sal para uma de bicarbonato. Só o sal dobra, e o uso fica em no máximo duas vezes ao dia, por até cinco dias.
A receita leva três ingredientes, na medida de uma garrafinha de adulto.
- Água filtrada até a marca de 240 mL, de preferência morna.
- Duas colheres de café rasas de sal de cozinha.
- Uma colher rasa de café de bicarbonato de sódio, se houver em casa.
Serve qualquer sal de cozinha, seja o comum, o grosso, o sal marinho ou a flor de sal. Feita na medida certa, a solução hipertônica é uma ótima opção na crise, mas precisa ser usada com cuidado, por poucos dias.
Qual é a diferença para a solução caseira comum?
Muda só o sal. A receita comum, a do dia a dia, leva uma colher rasa de café de sal na garrafinha, e a hipertônica leva duas. O bicarbonato continua em uma colher rasa de café nas duas receitas.
A receita comum forma uma solução isotônica, ou seja, com a mesma concentração de sal que existe dentro do nariz, igual à do soro fisiológico a 0,9%. Por isso ela pode ser usada todos os dias sem agredir a mucosa. Com o dobro de sal, a solução fica hipertônica, mais salgada do que o nariz, e ganha um efeito forte de desinchar, só que por poucos dias.
O bicarbonato de sódio deixa a solução mais alcalina, isto é, menos ácida. A água só com sal é levemente ácida, e o bicarbonato aproxima a solução do ponto em que o nariz funciona melhor. Ele não é obrigatório, e sem ele a receita leva só as duas colheres de sal. A água, o sal e o bicarbonato da receita comum estão explicados na orientação sobre como fazer a solução caseira para lavagem nasal.
Qual colher usar para medir o sal?
Na maioria das casas há três colheres pequenas, a de sobremesa, a de chá e a de café. A receita usa a de café, a menor de todas, sempre rasa, com o sal nivelado e sem montinho.
A troca mais comum é pela colher de chá, que é maior. Na receita hipertônica, esse engano pesa ainda mais, porque a dose de sal já vem dobrada. Duas colheres de chá deixam a solução bem mais forte do que deveria, e ela pode arder e machucar a mucosa.
Quem tem um medidor de cozinha pode trocar as colheres pelo peso. A receita comum fica com cerca de 2 g de sal, e a hipertônica com cerca de 4 g, sempre para os 240 mL da garrafinha.
Por que a solução hipertônica descongestiona mais rápido?
Na crise, a mucosa, a camada fina que forra o nariz por dentro, fica inchada e encharcada. O sal a mais da solução atrai parte dessa água para fora das células. Esse movimento da água, do lado com menos sal para o lado com mais sal, tem o nome de osmose.
Desinchada, a mucosa abre caminho para o ar, e a secreção sai com mais facilidade. Daí o alívio mais imediato do que o da solução comum, justamente no momento de maior congestão.
O mesmo efeito explica o limite de uso. Tirar água da mucosa por muitos dias, ou muitas vezes no mesmo dia, acaba ressecando o nariz.
Quando usar a solução caseira hipertônica?
A solução hipertônica é para a crise, quando o nariz está muito congestionado e com muita secreção, e não para a rotina. As situações em que ela mais ajuda são três.
- Crise de rinite, com o nariz entupido e difícil de respirar, mas ainda deixando passar ar.
- Sinusite, com muita secreção.
- Gripe ou resfriado, na fase de maior congestão.
Ela traz alívio, mas não resolve a causa do nariz entupido nem substitui os remédios prescritos. Quando a obstrução volta sempre, a origem precisa ser investigada, e as diferenças entre os quadros estão na orientação sobre rinite e sinusite.
Na época de seca, a recomendação muda. O ar seco já resseca o nariz, e a solução mais concentrada tende a ressecar ainda mais. Nesses meses, a lavagem de rotina usa o soro isotônico, de 0,9%, e os outros cuidados estão na orientação sobre o tempo seco.
E se o nariz estiver totalmente entupido?
Há um momento em que a garrafinha deve ficar de lado. Quando o nariz está totalmente fechado, a ponto de quase não passar ar, sobra pouquíssimo espaço lá dentro. Mesmo com a técnica certa e apertando devagar, o pouco de solução que entra já cria pressão e pode seguir para o ouvido, com dor, secreção e até otite.
Por isso, a receita caseira na garrafinha serve para o nariz congestionado que ainda deixa o ar passar. Com o nariz bloqueado, a lavagem continua com menos volume, no jato contínuo ou na seringa, e a garrafinha volta quando a congestão melhora.
O jato contínuo hipertônico, vendido pronto, é uma opção muito usada pelos otorrinos nesses dias. O spray hipertônico, que solta uma névoa, até ajuda a descongestionar, mas não lava o nariz, porque o volume é pequeno demais para levar a secreção embora.
Por quanto tempo e quantas vezes ao dia?
A solução hipertônica tem dois limites, e os dois valem ao mesmo tempo. O uso vai até duas vezes ao dia e por até cinco dias.
Usada além disso, por mais de cinco dias seguidos ou mais de duas vezes no mesmo dia, ela pode ressecar a mucosa e até causar feridas e machucados no nariz.
Quando há tanta secreção que o nariz precisa ser lavado mais vezes, as lavagens extras usam a solução comum, a isotônica a 0,9%. Passada a congestão maior, quando a respiração já melhorou, a hipertônica é deixada de lado e a lavagem segue só com a solução fisiológica comum.
Passo a passo do preparo
- Encha a garrafinha até 240 mL. A água é filtrada ou fervida por 5 minutos, até a marca do próprio frasco.
- Deixe a água morna. Aqueça por poucos segundos no micro-ondas, se o frasco puder ir ao aparelho, ou amorne a água no fogão antes de encher o frasco.
- Confira a temperatura no antebraço. Ela deve estar morninha, sem chegar a quente.
- Adicione a primeira colher de café rasa de sal. É a menor colher da casa, com o sal nivelado.
- Adicione a segunda colher de café rasa de sal. São duas medidas iguais, e só o sal é dobrado.
- Adicione uma colher rasa de café de bicarbonato. Se houver bicarbonato em casa, a quantidade é a mesma da receita comum.
- Feche e dissolva muito bem. Tampe o bico e agite até não restar nenhum grão no fundo.
Depois do preparo, a solução vai direto para a lavagem, ainda morna. O tempo de aquecimento varia com o aparelho, e os jeitos de acertar o ponto estão na orientação sobre a temperatura da água para a lavagem nasal.
Por que dissolver muito bem importa aqui?
Com o dobro de sal, há mais sal para dissolver. Se a mistura for feita às pressas, um restinho de sal assenta no fundo da garrafinha, e a primeira parte da lavagem sai muito mais salgada do que deveria. Essa solução forte faz o nariz arder logo no começo.
O cuidado é agitar com calma, com o bico tampado, até a água ficar transparente e sem nenhum cristal à vista.
Como usar a solução depois de pronta?
A técnica é a mesma do dispositivo de costume, e o passo a passo de cada um está nestas orientações.
Durante toda a lavagem, a respiração é feita pela boca. A garrafinha é apertada com suavidade, só com dois dedos, porque alto volume não quer dizer força. Se o ouvido tampar ou doer, a lavagem é interrompida na hora, e o que fazer depois está na orientação sobre dor de ouvido na lavagem nasal.
Existe solução hipertônica pronta para comprar?
Existe, vendida em spray ou em jato contínuo, já na concentração indicada no rótulo. Eles são práticos e dispensam preparo. Os produtos, as concentrações e as idades de uso estão reunidos na orientação sobre solução hipertônica para lavagem nasal.
Para a garrafinha de alto volume, a hipertônica sai da receita caseira ou de dois sachês de farmácia no lugar de um, dissolvidos nos mesmos 240 mL de água filtrada. Os dois caminhos dobram o sal e seguem os mesmos limites de dias e de vezes ao dia.
Cuidados e quando não usar
- Não coloque mais sal do que a receita pede. A solução fica forte demais, arde e resseca a mucosa.
- Não transforme a hipertônica em rotina. No dia a dia, a lavagem é feita com a solução comum.
- Interrompa a lavagem diante de ardência forte, sangramento, ressecamento que piora ou dor.
- Depois de cirurgia no nariz, a solução e o início das lavagens seguem a orientação do cirurgião, como explica a orientação sobre lavagem nasal no pós-operatório do nariz.
Os estudos que compararam as duas soluções também registram mais ardência e desconforto com a hipertônica do que com a isotônica. Esse é mais um motivo para deixá-la só para a crise.
Quando o nariz entupido precisa de avaliação?
A congestão que não melhora depois dos cinco dias de uso, as crises que se repetem com frequência, o sangramento, a dor forte no rosto, a febre que não passa e a secreção com mau cheiro ou de um lado só precisam de avaliação.
A solução hipertônica alivia o nariz entupido, mas a obstrução que sempre volta costuma vir de uma causa que tem tratamento, como rinite alérgica, septo desviado ou sinusite crônica. Na OtoCare, a consulta com otorrino em Brasília investiga essa causa e define o tratamento.
Vídeo: preparo da solução caseira hipertônica
O vídeo mostra a medida dobrada de sal, a diferença entre as colheres, a importância de dissolver bem e os limites de dias e de vezes ao dia. Ele é de janeiro de 2025. Vídeos mais recentes, de 2025 e de 2026, acrescentam que, com o nariz totalmente entupido, a garrafinha não deve ser usada.
Perguntas frequentes
O que pode substituir o soro fisiológico na lavagem nasal?
No dia a dia, a solução caseira comum, com água filtrada, sal e bicarbonato na medida certa, faz o papel do soro fisiológico, assim como os sachês da garrafinha. A receita hipertônica não serve de substituta para a rotina, porque tem o dobro de sal e fica restrita à crise. As medidas da receita comum estão em solução caseira para lavagem nasal.
Qual o melhor descongestionante nasal caseiro?
Na crise, a lavagem com a solução hipertônica caseira ajuda a desinchar o nariz, porque tira água da mucosa inchada. Ela leva só água, sal e bicarbonato, sem o remédio dos sprays descongestionantes de farmácia, que causam efeito rebote quando usados por muitos dias, como mostra a orientação sobre descongestionante nasal. O limite de cinco dias continua valendo.
Posso preparar a solução hipertônica em 500 mL ou 1 litro?
O melhor é preparar uma garrafinha de 240 mL por vez, na hora de usar, que é a medida do vídeo. Como a hipertônica entra no máximo duas vezes ao dia, não há necessidade de fazer grandes volumes, e as receitas para 500 mL ou 1 litro encontradas na internet costumam usar outras medidas. O jeito de preparar mais quantidade da solução comum, que é a da rotina, está na orientação sobre a receita caseira de soro para lavagem nasal.
Soro caseiro de sal e açúcar serve para lavar o nariz?
Não. O soro de sal e açúcar é o soro de reidratação, feito para beber em casos de diarreia e vômito. Na lavagem nasal entram só água, sal e, se houver, bicarbonato, tanto na receita comum quanto na hipertônica.
Dá para colocar xilitol na solução hipertônica caseira?
A receita com xilitol parte da solução caseira comum, com uma colher de sal, e não da hipertônica. Quando o xilitol tem indicação, as medidas estão em soro caseiro com xilitol.
Soro hipertônico caseiro faz mal?
Na medida certa e dentro dos limites de uso, não. Os problemas aparecem quando o sal passa da conta, quando a mistura fica mal dissolvida, quando o uso vai além de cinco dias ou de duas vezes ao dia e quando a água não é filtrada nem fervida. Os riscos da água da torneira estão na orientação sobre lavagem nasal com água.
Bebê ou criança pode usar a solução hipertônica caseira?
Esta receita foi pensada para a garrafinha de adulto, de 240 mL. No bebê e na criança, a lavagem do dia a dia é feita com soro fisiológico, em volume e dispositivo adequados à idade, e a solução hipertônica só entra quando o médico indica, com a medida definida na consulta. O jeito de lavar o nariz em cada idade está em lavagem nasal em crianças.
Referências
- VILELA, Larissa. Como fazer a solução caseira hipertônica para lavagem nasal? YouTube, 4 jan. 2025. 1 vídeo (8 min 2 s). Disponível em: https://youtu.be/F8VebegGtOc. Acesso em: 13 out. 2026.
- VILELA, Larissa. Solução hipertônica para lavagem nasal: o que é, para que serve, cuidados e como fazer em casa. YouTube, 7 set. 2023. 1 vídeo (4 min 38 s). Disponível em: https://youtu.be/5IQ_FrjsQqQ. Acesso em: 13 out. 2026.
- VILELA, Larissa. Solução caseira para garrafinha de alto volume. YouTube, 14 ago. 2023. 1 vídeo (3 min 43 s). Disponível em: https://youtu.be/CKJV3d-hyzI. Acesso em: 13 out. 2026.
- VILELA, Larissa. Lavagem nasal em crianças: qual é a melhor forma, qual idade, existe risco? YouTube, 21 set. 2023. 1 vídeo (8 min 54 s). Disponível em: https://youtu.be/bGvhU5J3N1w. Acesso em: 13 out. 2026.
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- VILELA, Larissa. NÃO use a GARRAFINHA de alto volume para LAVAGEM NASAL antes de ver este vídeo! YouTube, 2 jul. 2025. 1 vídeo (2 min 38 s). Disponível em: https://youtu.be/6kx4hq1XFVA. Acesso em: 13 out. 2026.
- VILELA, Larissa. Riscos da lavagem nasal com a garrafinha. YouTube, 1 jul. 2026. 1 vídeo (12 min 8 s). Disponível em: https://youtu.be/h5O6iS1vC04. Acesso em: 13 out. 2026.
- VILELA, Larissa. Melhor lavagem nasal para RINITE! YouTube, 15 ago. 2026. 1 vídeo (12 min 16 s). Disponível em: https://youtu.be/nmYTmzvi0sU. Acesso em: 13 out. 2026.
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL (ABORL-CCF). Manual de lavagem nasal na criança e no adulto. São Paulo: ABORL-CCF, 2022. Disponível em: https://aborlccf.org.br/wp-content/uploads/2022/11/1669816618_Manual_de_lavagem_nasal-v2.pdf. Acesso em: 13 out. 2026.
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- PARK, Do-Yang et al. Clinical practice guideline: nasal irrigation for chronic rhinosinusitis in adults. Clinical and Experimental Otorhinolaryngology, Seoul, v. 15, n. 1, p. 5–23, 2022. DOI: 10.21053/ceo.2021.00654. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8901942/. Acesso em: 13 out. 2026.
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