Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Antibiótico para sinusite: qual, por quantos dias e quando o prazo termina sem melhora
Não existe um número único de dias para o antibiótico da sinusite bacteriana, e quem afirma que existe está escolhendo uma diretriz e escondendo as outras. As recomendações publicadas variam de cinco a catorze dias, e essa variação não é descuido: ela reflete a quantidade de estudos que compararam tempos diretamente, que é pequena, e a diferença entre tratar um quadro leve e tratar um quadro que não cedeu.
Quem procura por esse assunto quase sempre está em uma de duas situações: com a receita na mão, tentando entender se o prazo faz sentido, ou no fim da caixa, ainda com sintoma, sem saber se para ou continua. Esta página responde às duas com o que as diretrizes recomendam, por que elas divergem, o que os ensaios encontraram quando testaram a pergunta e o que muda quando o prazo termina sem melhora.

Esta página não prescreve. Ela reúne o que as diretrizes e os estudos publicaram sobre escolha e duração, para que a conversa com quem prescreve seja melhor. As doses citadas são as dos estudos, registradas como resultado de pesquisa, e não como orientação de uso.
Antes do tempo, a pergunta anterior
Toda discussão sobre quantos dias pressupõe que o antibiótico esteja indicado — e, na rinossinusite aguda, ele quase nunca está. A maioria esmagadora dos episódios é viral, e vírus não responde a antibiótico nenhum, em nenhuma duração. A atualização de 2025 da diretriz americana de sinusite do adulto foi além nesse ponto: estendeu a espera vigilante, sem antibiótico, como estratégia inicial a todos os pacientes com quadro bacteriano agudo não complicado, independentemente da gravidade, e não apenas aos casos leves como na versão anterior.
Como se reconhece o episódio que realmente é bacteriano é assunto de uma página inteira, a orientação sobre sinusite aguda viral ou bacteriana. Vale lê-la antes desta, porque acertar o tempo de um tratamento que não precisava existir não melhora nada.
O que segue aqui vale para o cenário em que a indicação foi estabelecida por quem examinou o paciente.
Por que cada texto publica um número diferente de dias
Quem pesquisa “quantos dias de antibiótico para sinusite” encontra, na mesma página de resultados, quatro respostas incompatíveis. Elas não são invenção: cada uma sai de um documento real, e os documentos discordam.
| Documento | Ano | Duração recomendada no adulto | Lógica declarada |
|---|---|---|---|
| Diretriz americana de doenças infecciosas | 2012 | 5 a 7 dias | Reduzir exposição sem perder eficácia em quadro não complicado |
| Diretriz americana de otorrinolaringologia | 2015 e atualização de 2025 | 5 a 10 dias | Faixa ampla, ajustada à resposta clínica |
| Consenso brasileiro de rinossinusites | 2024 | 7 a 14 dias | Perfil local de resistência e gravidade dos casos atendidos |
| Prática clínica tradicional | anterior | 10 a 14 dias | Herdada de esquemas antigos, sem ensaio que a tenha estabelecido |
A última linha é a que explica as outras. A recomendação clássica de 10 a 14 dias nunca teve um ensaio clínico que a tivesse fixado: ela entrou nas diretrizes por costume, e os autores da metanálise que testou a questão registram exatamente isso, que o nível de evidência para o esquema longo é fraco. As diretrizes mais recentes encurtaram a faixa porque revisaram esse costume, e não porque surgiu uma prova nova de que o tempo curto é melhor.
A consequência prática é direta: nenhuma das faixas está errada, e nenhuma delas é uma regra que dispense a reavaliação. Um prazo é uma previsão, não uma promessa.
O que aconteceu quando compararam curto contra longo
A pergunta foi testada de forma direta. Uma metanálise reuniu apenas os ensaios randomizados que compararam o mesmo antibiótico, na mesma dose diária, em duração curta contra duração longa — o desenho que isola o tempo como variável. Doze ensaios, dez deles duplo-cegos, com adultos e sinusite bacteriana confirmada por imagem.
| Comparação | Ensaios e pacientes | Resultado | Leitura |
|---|---|---|---|
| Sucesso clínico, curto (3 a 7 dias) contra longo (6 a 10 dias) | 12 ensaios, 4.430 pacientes | Razão de chances 0,95, intervalo de confiança de 95% de 0,81 a 1,12 | Sem diferença; o intervalo cruza o valor neutro |
| Eventos adversos, mesma comparação | 10 ensaios, 4.172 pacientes | Razão de chances 0,88, intervalo de confiança de 95% de 0,71 a 1,09 | Sem diferença estatística |
| Eventos adversos, 5 dias contra 10 dias | 5 ensaios, 2.151 pacientes | Razão de chances 0,79, intervalo de confiança de 95% de 0,63 a 0,98 | Menos eventos com o esquema de 5 dias |
| Eficácia microbiológica e recaídas | Mesmos ensaios | Sem diferença | Encurtar não aumentou recaída |
A terceira linha é a informação que quase nunca aparece traduzida: quando a comparação foi especificamente 5 contra 10 dias, o esquema curto teve menos eventos adversos, com o intervalo de confiança inteiro abaixo do valor neutro, e sem perder eficácia. Foi o único desfecho em que os dois esquemas se separaram, e a separação foi a favor do mais curto.
Os próprios autores fazem a ressalva que impede transformar isso em regra automática, e ela é importante: o resultado vale para quadro não complicado, em paciente que está respondendo. Encurtar o tratamento de alguém que não melhorou não é aplicar a evidência — é ignorá-la.
Curso curto não é curso interrompido
Esta é a confusão mais cara do assunto, e ela explica os dois erros opostos que aparecem no consultório.
- Curso curto é uma decisão tomada no início, por quem prescreve: o prazo já nasce menor, o paciente sabe qual é, e a reavaliação está marcada. É isso que os ensaios testaram.
- Curso interrompido é o paciente parar sozinho quando se sente bem, no terceiro ou quarto dia, com o quadro em melhora mas não resolvido. Isso não foi testado por ensaio nenhum, e é justamente o cenário que o vídeo desta página descreve como causa de quadros que voltam depressa.
Melhorar não é o mesmo que estar tratado. A melhora costuma chegar bem antes do fim do prazo, e é exatamente por isso que o prazo existe: ele cobre a distância entre parar de sentir e terminar de resolver.
O erro simétrico também é comum e vem do outro lado do balcão: prescrever duas semanas por precaução, sem reavaliar, para não correr o risco de encurtar. A metanálise mostra que essa margem extra, em quadro não complicado, não compra eficácia — e, na comparação de 5 contra 10 dias, cobrou em efeito adverso.
A regra prática de contar a partir da melhora
Existe uma forma de raciocinar sobre o prazo que não depende de escolher entre as faixas, e é a que o vídeo apresenta: em vez de contar dias a partir do começo, contar alguns dias a mais a partir do momento em que o paciente fica sem sintoma nenhum — sem secreção, sem dor facial, sem tosse.
A lógica dessa regra é a mesma que as diretrizes usam quando publicam uma faixa em vez de um número: o alvo não é cumprir um calendário, é cobrir o período de resolução com alguma margem. Quem melhora no quinto ou sexto dia termina em cerca de dez; quem melhora mais tarde termina mais tarde. O prazo deixa de ser uma aposta feita na primeira consulta e passa a acompanhar o que o paciente apresenta.
Duas observações honestas sobre ela. Primeira: é uma regra de raciocínio clínico, e não um resultado de ensaio — nenhum estudo comparou “parar quatro dias depois de ficar bem” contra um prazo fixo. Segunda: ela só funciona se a contagem começar quando o paciente está realmente sem sintoma, e não quando está apenas melhor, o que é a mesma armadilha da seção anterior.
Na avaliação com otorrino, essa decisão não fica por conta da percepção do paciente: o exame do nariz por dentro, com endoscopia nasal, mostra se a mucosa e a drenagem voltaram ao normal no dia em que o prazo termina, o que é uma informação diferente de “estou me sentindo bem”.
Qual antibiótico: o que mudou em 2025
A escolha do antibiótico mudou de recomendação recentemente, e a maior parte dos textos em português ainda repete a versão anterior. Na diretriz americana de otorrinolaringologia de 2015, a primeira linha para o quadro bacteriano agudo era a amoxicilina isolada. Na atualização de 2025, a primeira linha passou a ser amoxicilina com ou sem clavulanato, colocando as duas opções no mesmo degrau.
| Aspecto | O que dizia até 2015 | O que diz a partir de 2025 |
|---|---|---|
| Primeira linha no adulto | Amoxicilina isolada | Amoxicilina com ou sem clavulanato |
| Espera vigilante sem antibiótico | Oferecida aos casos leves | Estendida a todo quadro agudo não complicado, qualquer gravidade |
| Base da mudança | — | Revisão de 14 diretrizes, 194 revisões sistemáticas e 133 ensaios |
O clavulanato não é um antibiótico mais forte: é um bloqueador da enzima com que algumas bactérias inativam a amoxicilina. Ele entra na conta quando a chance de encontrar essas bactérias é maior — situações que quem prescreve avalia caso a caso e que incluem uso recente de antibiótico, falha do tratamento inicial e quadros mais graves. A diretriz brasileira mantém a amoxicilina como opção inicial razoável no país e reserva a associação para quem não respondeu.
Fora dos betalactâmicos existem alternativas para alergia documentada, e elas não são equivalentes entre si: têm perfis de efeito adverso e de pressão sobre a resistência bacteriana bem diferentes, o que é o motivo de a classificação internacional de antimicrobianos separar os medicamentos em grupos de uso preferencial e de uso vigiado. Essa escolha é do médico que avalia o paciente, e é o tipo de decisão que uma página não deve tomar.
Essa pressão tem tamanho conhecido, e ela começa dentro de quem tomou. Numa meta-análise de vinte e quatro estudos de pacientes tratados na atenção primária, a chance de a bactéria respiratória daquele paciente estar resistente ao antibiótico que ele usou foi cerca de duas vezes e meia maior logo depois do tratamento, e continuava elevada doze meses depois. É o que torna a pergunta anterior a esta página — se o antibiótico é mesmo necessário — a mais importante das duas, e ela está na orientação sobre otite e sinusite precisam de antibiótico.
Dose alta acelera? O que o ensaio encontrou
Se o prazo é a primeira pergunta, a dose é a segunda. Um ensaio randomizado duplo-cego com 315 adultos com sinusite bacteriana aguda comparou a dose padrão de amoxicilina com clavulanato contra a dose alta, para ver se a dose maior traria melhora mais rápida.
| Formulação da dose alta | Melhora importante no terceiro dia | Diarreia grave no terceiro dia |
|---|---|---|
| Liberação prolongada | 38,8% contra 37,9% na dose padrão | 7,4% contra 5,7% |
| Liberação imediata | 52,4% contra 34,4% na dose padrão | 15,8% contra 4,8% |
| No décimo dia, qualquer formulação | Sem diferença significativa | — |
A leitura tem três partes e todas contam. A dose alta de liberação imediata trouxe melhora mais rápida no terceiro dia, com diferença de 18 pontos percentuais. Essa vantagem desapareceu no décimo dia, quando os dois grupos estavam iguais. E ela veio acompanhada de mais que o triplo de diarreia grave.
Ou seja: a dose maior comprou alguns dias de conforto no início, não mudou o resultado final e cobrou por isso. É um exemplo limpo de por que “mais remédio” não é sinônimo de “melhor tratamento” — e por que essa é uma decisão a ser tomada por quem pode pesar os dois lados no paciente concreto.
Em crianças, o antibiótico funciona — mas não em todas
O melhor estudo recente sobre o assunto é pediátrico e responde a uma pergunta diferente e mais útil: não se o antibiótico funciona, mas em quem. Um ensaio randomizado com 510 crianças de 2 a 11 anos, diagnosticadas por critérios clínicos, comparou amoxicilina com clavulanato por 10 dias contra placebo.
| Desfecho | Com antibiótico | Com placebo | Diferença |
|---|---|---|---|
| Escore médio de sintomas, escala de 0 a 40 | 9,04 | 10,60 | -1,69, intervalo de confiança de 95% de -2,07 a -1,31 |
| Tempo até a resolução dos sintomas | 7,0 dias | 9,0 dias | 2 dias a menos |
| Crianças com bactéria detectada na nasofaringe | Benefício maior | -1,95, de -2,40 a -1,51 | |
| Crianças sem bactéria detectada | Benefício pequeno | -0,88, de -1,63 a -0,12 | |
Duas conclusões saem daí. A primeira: o benefício médio do antibiótico é real e modesto — cerca de dois dias a menos de sintoma, em uma escala de quarenta pontos que se moveu menos de dois. A segunda, mais importante: quem não tinha bactéria detectável na nasofaringe praticamente não se beneficiou, o que significa que uma parte das crianças tratadas está recebendo o remédio sem ter o alvo dele.
E um achado que derruba um critério popular: a cor da secreção nasal não previu nada. O efeito do antibiótico foi o mesmo em crianças com secreção colorida e com secreção clara, com valor de p de 0,52 para a interação. Secreção amarela ou esverdeada continua não sendo motivo para prescrever.
O argumento contrário, reportado por inteiro
Se esta página só apresentasse o que apoia o tratamento mais curto, estaria fazendo o mesmo que critica. Existe um estudo grande que aponta na direção oposta e ele precisa aparecer.
Uma coorte de base populacional acompanhou 117.682 pessoas de 66 a 110 anos que receberam antibiótico em ambulatório, comparando cursos de 3 a 7 dias contra cursos de 8 a 14 dias, com um método estatístico desenhado para reduzir o viés típico desse tipo de comparação. O desfecho reunia reações adversas, infecção intestinal por bactéria oportunista e resistência.
O resultado: nenhuma diferença. Para a amoxicilina, razão de chances ajustada de 0,99, com intervalo de confiança de 95% de 0,84 a 1,15. Para os outros dois antibióticos avaliados, o mesmo padrão, com intervalos que também cruzam o valor neutro. Os cursos longos não se mostraram mais benéficos, mas também não se mostraram mais danosos.
Como conciliar isso com a metanálise? Os dois estudos respondem a perguntas diferentes. A metanálise mediu o que acontece dentro do tratamento da sinusite, comparando esquemas do mesmo remédio; a coorte mediu danos populacionais em idosos, com vários diagnósticos misturados, e não tinha poder para detectar o efeito modesto sobre eventos adversos que a metanálise encontrou. A honestidade aqui é dizer que o argumento contra o curso longo se sustenta melhor pela ausência de ganho do que pelo excesso de dano.
O prazo terminou e não melhorou. E agora?
Este é o cenário que traz mais gente a esta página, e ele tem uma sequência própria. O ponto de corte não é o fim da caixa: é o terceiro dia. As diretrizes recomendam reavaliar quando não há sinal de melhora em 72 horas de tratamento, ou quando o quadro piora antes disso — e não esperar o décimo dia para descobrir que não está funcionando.
Quando o prazo termina sem resolução, as possibilidades são poucas e se investigam em ordem:
- O quadro não era bacteriano. É a hipótese mais provável, estatisticamente, e nenhuma extensão de prazo resolve.
- A bactéria não é coberta pelo esquema escolhido. É a situação em que a associação com clavulanato ou outra classe entra na conversa — decisão de quem reavalia, não de quem tem sobra de remédio em casa.
- O tratamento estava certo e o tempo foi curto para este paciente. Acontece, e é a razão de as faixas terem um limite superior.
- Existe algo por trás do episódio. Obstrução, alergia mal controlada, um dente superior infectado, imunidade. É aqui que o assunto deixa de ser o antibiótico.
Sobra de antibiótico não é plano de contingência. Recomeçar por conta própria um esquema que já falhou, ou emendar uma caixa antiga, é a forma mais comum de transformar um episódio mal resolvido em um problema de resistência bacteriana.
Se a mesma cena se repete várias vezes por ano — trata, melhora, volta —, o problema mudou de natureza e está descrito na orientação sobre sinusite de repetição. Se os sintomas nunca desaparecem por completo entre as crises, o quadro é contínuo, e a discussão passa a ser outra, tratada na página sobre sinusite crônica e polipose nasal.
O que não muda o tempo de tratamento
Três coisas entram nessa conta com frequência e não deveriam entrar.
- A cor da secreção. Já apareceu acima, medida em ensaio: não previu resposta ao antibiótico. Secreção que continua colorida no oitavo dia não é motivo para estender o prazo.
- O exame de imagem de controle. Refazer imagem para decidir quando parar não é conduta recomendada — as alterações radiológicas persistem depois de o paciente estar bem, e o que o exame de imagem responde, e o que ele não responde, está na orientação sobre raio X de face para sinusite.
- A tosse isolada que sobra no fim. É comum, costuma se resolver sozinha e não indica infecção ativa por si só. O que ela significa está detalhado na página sobre tosse de sinusite.
O que se faz junto, e que não é opcional
O antibiótico age sobre a bactéria; ele não desobstrui, não reduz inflamação e não retira secreção. O tratamento de suporte não é acessório do esquema — é a parte que cuida do sintoma enquanto o resto acontece.
Desobstruir, reduzir inflamação e fluidificar secreção são justamente as ações atribuídas ao fitoterápico de cinco plantas que passou a ser vendido em farmácia no Brasil, e é aí que ele se propõe a entrar. O tamanho do efeito medido nos ensaios, o que aconteceu quando o testaram na doença crônica e por que ele não ocupa o lugar do antibiótico quando este está indicado estão na orientação sobre Sinupret para sinusite.
A lavagem nasal com solução salina mantém a via limpa e ajuda na drenagem, e o volume e a técnica importam mais do que o produto: a comparação entre as opções está na orientação sobre a melhor lavagem nasal para sinusite. O corticoide nasal em spray tem evidência própria na fase aguda, e sua eficácia depende da aplicação correta, porque spray aplicado no sentido errado escorre em vez de agir — a técnica está em como usar spray nasal.
Hidratação, analgesia e repouso completam o conjunto. Nada disso substitui o antibiótico quando ele está indicado, e nada disso é dispensável porque ele foi prescrito.
Como a decisão se organiza na prática
Reunindo tudo, a sequência tem cinco perguntas, e a ordem entre elas é o que evita os dois erros mais comuns — tratar quem não precisa e encurtar quem precisava.
| Momento | O que se pergunta | O que decide |
|---|---|---|
| Primeira avaliação | O quadro preenche os critérios de infecção bacteriana? | Se não, não há tempo de antibiótico a definir |
| Ainda na primeira avaliação | A gravidade justifica tratar agora ou cabe espera vigilante? | Sintomas, evolução e condições do paciente |
| Ao prescrever | Qual esquema e qual faixa de duração? | Exposição recente a antibiótico, gravidade, resposta esperada |
| Em 72 horas | Houve algum sinal de melhora? | Se não houve, reavaliar antes de completar o prazo |
| No fim do prazo | Os sintomas desapareceram por completo? | Se não, reavaliar; se sim, encerrar |
Repare que nenhuma linha desta tabela é “olhar a cor da secreção” e nenhuma é “repetir o exame de imagem”. A decisão se apoia em critérios clínicos e em reavaliação com data marcada.
Quando procurar avaliação sem esperar o prazo acabar
Alguns sinais tiram o caso da rotina e pedem avaliação imediata, independentemente de em que dia do tratamento o paciente esteja: inchaço, vermelhidão ou dor ao redor do olho; alteração da visão ou dificuldade para mover o olho; dor de cabeça intensa e diferente do habitual; confusão mental; rigidez de nuca; febre alta que reaparece depois de ter cedido.
Há um dado que sustenta a ressalva sobre o dia do tratamento: numa casuística de catorze anos com crianças internadas por complicação orbitária, cerca de um terço já vinha tomando antibiótico oral quando foi internada, e esse grupo teve mais recorrência, não menos. Estar em tratamento não suspende a vigilância desses sinais. O que diferencia a secreção ocular que é complicação daquela que vem do próprio nariz está na orientação sobre catarro saindo pelos olhos da criança.
São sinais de possível extensão da infecção para fora dos seios da face. São raros, e por isso mesmo precisam ser reconhecidos quando aparecem.
Vídeo: por quantos dias usar o antibiótico
O vídeo trata do tempo de uso do antibiótico na sinusite aguda bacteriana: o mínimo defendido, a faixa habitual, a reavaliação com exame do nariz no fim do prazo e a regra prática de contar alguns dias a mais a partir do momento em que o paciente fica sem nenhum sintoma.
Perguntas frequentes
Quantos dias de antibiótico para sinusite?
Depende de qual diretriz se consulta, e essa é a resposta honesta. A diretriz americana de doenças infecciosas recomenda de 5 a 7 dias no adulto, a de otorrinolaringologia trabalha com uma faixa de 5 a 10 dias e o consenso brasileiro, de 7 a 14 dias. A metanálise que comparou diretamente esquemas curtos e longos do mesmo antibiótico não encontrou diferença de eficácia entre eles. O prazo é definido por quem examina, dentro dessas faixas, e reavaliado conforme a resposta.
Posso parar o antibiótico se já estou bem no quinto dia?
Não por conta própria. Existe uma diferença entre um esquema curto, que é decidido no início por quem prescreve e vem com reavaliação marcada, e um tratamento interrompido, que é parar quando os sintomas cedem. O primeiro foi testado em ensaio clínico; o segundo não. Melhorar acontece antes de estar resolvido, e é essa distância que o prazo cobre.
Qual o melhor antibiótico para sinusite?
A primeira linha no adulto, segundo a atualização de 2025 da diretriz americana de otorrinolaringologia, é a amoxicilina com ou sem clavulanato — antes de 2025 a recomendação era a amoxicilina isolada. A escolha entre as duas leva em conta uso recente de antibiótico, gravidade e resposta ao tratamento inicial, e é feita por quem avalia o paciente. Não existe um antibiótico melhor em abstrato.
Dose mais alta faz a sinusite melhorar mais rápido?
Em um ensaio randomizado com 315 adultos, a dose alta de liberação imediata trouxe melhora importante no terceiro dia em 52,4% dos pacientes contra 34,4% na dose padrão. Essa vantagem havia desaparecido no décimo dia, quando os grupos estavam iguais, e veio com mais que o triplo de diarreia grave: 15,8% contra 4,8%. Ganhou-se conforto no início, não resultado final.
Tomei antibiótico e a sinusite não melhorou. O que fazer?
Procurar reavaliação, e antes do fim da caixa. A recomendação é reavaliar quando não há nenhum sinal de melhora em 72 horas de tratamento. As explicações possíveis são poucas: o quadro não era bacteriano, a bactéria não é coberta pelo esquema, o tempo foi curto para este paciente ou existe algo por trás do episódio. Nenhuma delas se resolve estendendo o remédio por conta própria.
Secreção verde ou amarela significa que preciso continuar o antibiótico?
Não. Em um ensaio randomizado com 510 crianças, o efeito do antibiótico foi o mesmo naquelas com secreção colorida e naquelas com secreção clara, com valor de p de 0,52 para essa comparação. A cor não previu quem responderia ao tratamento, e não serve para decidir nem o início nem o fim dele.
Criança com sinusite precisa de antibiótico?
Nem toda. No ensaio com 510 crianças de 2 a 11 anos, o benefício médio foi real e modesto: escore de sintomas de 9,04 com antibiótico contra 10,60 com placebo, em uma escala de 0 a 40, e resolução em 7 dias contra 9. As crianças sem bactéria detectável na nasofaringe praticamente não se beneficiaram. A decisão é feita com o pediatra, caso a caso.
Tomar antibiótico por menos dias cria resistência bacteriana?
É o contrário do que a intuição sugere. A pressão que seleciona bactérias resistentes vem do tempo de exposição, de modo que esquemas mais longos tendem a pressionar mais, não menos. O que de fato favorece a resistência é o uso sem indicação, o recomeço por conta própria com sobras de caixas anteriores e a troca de esquema sem reavaliação.
Sobrou antibiótico da última vez. Posso usar se a sinusite voltar?
Não. A sobra costuma ser insuficiente para completar qualquer esquema, o quadro novo pode não ser bacteriano e o esquema anterior pode ter sido justamente o que não funcionou. Usar sobra é a forma mais comum de tratar mal um episódio e de contribuir para a resistência ao mesmo tempo.
Se preciso de antibiótico várias vezes por ano, o problema é o antibiótico?
O problema é o que ninguém procurou. Tratar cada episódio corretamente é conduta certa, mas o antibiótico age sobre a bactéria daquela crise e não sobre o que faz as crises voltarem. Quatro ou mais episódios em doze meses com recuperação completa entre eles configuram um quadro próprio, com investigação própria, descrito na orientação sobre sinusite de repetição.
Referências
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- NATIONAL HEALTH SERVICE. Antibiotics. Londres: NHS, 2025. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/antibiotics/. Acesso em: 7 set. 2026.
Avaliação com otorrino em Brasília
Quadro que não melhorou nas primeiras 72 horas de tratamento, prazo terminado com sintomas ainda presentes, dúvida sobre continuar ou parar, episódios que exigem antibiótico várias vezes ao ano ou histórico de tratamentos sucessivos sem resolução merecem exame das vias aéreas superiores. É essa avaliação que confirma se o quadro é bacteriano, examina o nariz por dentro, define se o esquema precisa mudar e verifica, no fim do prazo, se a resolução foi de fato completa. Ela é feita em consulta com otorrino em Brasília. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste.
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