Neurinoma vestibular (schwannoma): quando a perda de audição de um lado pede ressonância

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Perda de audição de um lado só pede investigação

Quando a audição piora em um ouvido só, ou fica bem pior de um lado do que do outro, o neurinoma vestibular precisa ser investigado, porque é a principal causa dessa assimetria. O mesmo vale para o zumbido em um ouvido só. Cerca de 96% das pessoas com neurinoma têm perda auditiva de um lado, e 83% têm zumbido de um lado.

O neurinoma vestibular, também chamado de schwannoma vestibular ou neurinoma do acústico, é um tumor benigno. Apesar de o nome assustar, não é câncer. E, quando descoberto cedo, o tratamento é bem mais simples.

Médica observa um modelo anatômico do ouvido, com a orelha interna e os nervos à mostra

Perda auditiva ou zumbido de um lado só pedem ressonância magnética. O neurinoma é benigno e costuma crescer devagar. Os pequenos geralmente são apenas acompanhados, e a cirurgia ou a radiocirurgia ficam para os maiores.

O que é o neurinoma vestibular

É um tumor benigno que nasce no nervo da audição e do equilíbrio, o nervo vestibulococlear, oitavo par craniano, mais especificamente no ramo vestibular inferior. Ele começa dentro do canal auditivo interno, o túnel ósseo por onde o nervo passa, e é a lesão mais comum na região chamada ângulo pontocerebelar. Os nomes neurinoma do acústico, schwannoma vestibular e neuroma vestibular se referem ao mesmo tumor.

O tumor se forma a partir das células de Schwann, que revestem o nervo como uma capa, a bainha de mielina. Na maioria das vezes, a causa é uma mutação no gene NF2, no cromossomo 22. Esse gene produz uma proteína supressora de tumor, um dos mecanismos que o corpo tem para impedir que tumores cresçam. Com a mutação, essas células passam a se multiplicar.

Sintomas do neurinoma do acústico

Mesmo benigno, o tumor causa sintomas porque cresce dentro de um canal ósseo estreito, sem espaço para se expandir, e comprime o que está ao redor. Pelo canal passam o nervo da audição e do equilíbrio e o nervo facial. Os sintomas mudam conforme o tamanho.

  • No início, perda auditiva e zumbido do lado do tumor.
  • Quando ele cresce, tontura e desequilíbrio, e paralisia facial pela compressão do nervo facial.
  • Quando sai do canal, pode comprimir o nervo trigêmeo, com alteração da sensibilidade do rosto, e o tronco encefálico, com dificuldade para engolir e alteração da voz.

Por isso, a perda de audição ou o zumbido de um lado só chamam tanta atenção. Diagnosticado no começo, o tumor é tratado com muito mais facilidade. As dificuldades do dia a dia de quem escuta só de um lado estão na orientação sobre surdez unilateral.

Quem tem neurinoma vestibular

Não é um tumor frequente. Estima-se entre 3 e 5 novos casos a cada 100 mil pessoas por ano, e que 1 em cada 500 pessoas terá um neurinoma ao longo da vida. Pode aparecer na idade adulta, mas fica bem mais comum com o envelhecimento, e é mais frequente em pessoas brancas do que em negras e hispânicas.

Como é o diagnóstico

Tudo começa na audiometria, que mostra a diferença entre os ouvidos. Diante de uma perda assimétrica, o diagnóstico é feito pela ressonância magnética das orelhas internas, com foco no canal auditivo interno. Os aparelhos atuais identificam tumores a partir de 2 mm, ainda muito pequenos.

Na OtoCare, a consulta com otorrino e a audiometria mostram se a perda de um lado precisa dessa investigação, e a ressonância é pedida quando indicada. A perda de audição de um lado também pode vir de repente, e a surdez súbita tem investigação e tratamento próprios, descritos na orientação sobre surdez súbita.

As três condutas

Existem três caminhos, e a escolha depende principalmente do tamanho do tumor e da velocidade com que ele cresce.

  • Observação com ressonâncias seriadas. É a primeira opção quando o tumor é pequeno, principalmente com 1 cm ou menos, e cresce muito devagar, em geral menos de 2 mm por ano. Como o neurinoma costuma crescer lentamente, muitos ficam estáveis e sem grandes consequências por toda a vida.
  • Cirurgia. Indicada desde o início quando o tumor já é grande, com mais de 3 cm, ou quando já saiu do canal auditivo interno e se aproxima do tronco encefálico. Nesses casos, ele precisa ser retirado antes de comprimir estruturas importantes.
  • Radiocirurgia. Funciona como uma radioterapia dirigida só para o tumor, que o faz diminuir de tamanho, sem retirá-lo. É a opção para quem não pode ser operado, por outras doenças ou pela idade.

Cirurgia e radiocirurgia mexem em uma região delicada, dentro do crânio e perto de vários nervos importantes. Por isso ficam para os tumores que crescem ou já são grandes, e a observação é, na maioria das vezes, a principal escolha. O que fazer com a audição perdida está na orientação sobre o tratamento da surdez unilateral.

A diretriz da Associação Europeia de Neuro-Oncologia também considera a radiocirurgia como alternativa ao acompanhamento em alguns tumores pequenos, quando o objetivo principal é preservar a audição e o nervo facial. É uma possibilidade que pode ser avaliada caso a caso.

Vídeo: neurinoma vestibular

O vídeo abaixo apresenta, em um modelo anatômico, onde o tumor se forma, os sintomas, o diagnóstico e os critérios de cada conduta.

Perguntas frequentes

Neurinoma do acústico é câncer?

Não. É um tumor benigno, que não se espalha pelo corpo. Tumor maligno nesse nervo é muito raro: a diretriz europeia estima um para cada mais de mil neurinomas benignos.

Neurinoma do acústico é grave? Pode matar?

Na maioria das vezes, não. O tumor cresce devagar, e muitos ficam estáveis a vida inteira. O risco aparece quando ele fica grande e comprime o tronco encefálico, e por isso o acompanhamento com ressonância é tão importante. Descoberto cedo, o tratamento é bem mais simples.

Neurinoma do acústico é hereditário?

Na grande maioria das vezes, não. O neurinoma costuma ser um tumor isolado, em um ouvido só. Cerca de 4% a 6% estão ligados à neurofibromatose tipo 2, uma doença genética que pode passar de pais para filhos e em geral causa neurinoma nos dois ouvidos. A diretriz europeia recomenda pensar nela quando o neurinoma aparece antes dos 30 anos.

Neurinoma do acústico tem cura?

A cirurgia retira o tumor. A radiocirurgia não o retira, mas faz com que ele diminua e controla o crescimento. Nos tumores pequenos acompanhados com ressonância, o objetivo é que eles continuem sem causar problemas.

Quais são os riscos da cirurgia de neurinoma?

Os principais riscos são a perda da audição do lado operado e a lesão do nervo facial, com paralisia de parte do rosto. Para reduzi-los, o nervo facial é monitorado durante a cirurgia. Segundo a diretriz europeia, a mortalidade da cirurgia é de cerca de 0,5% nas grandes séries, e quanto maior o tumor, maior o risco para o nervo facial e para a audição.

Radiocirurgia funciona para neurinoma?

Sim. Nos estudos reunidos pela diretriz europeia, a radiocirurgia controlou o tumor em 90% a 99% dos casos em cinco anos e preservou o nervo facial em 95% ou mais. A audição foi preservada em 41% a 79%, e o melhor resultado acontece em quem ainda ouve bem na hora do tratamento.

Existe remédio para neurinoma do acústico?

Não existe remédio que faça o neurinoma comum diminuir. A exceção é a neurofibromatose tipo 2, em que um medicamento chamado bevacizumabe pode ser usado em tumores que crescem.

Zumbido em um ouvido só pode ser neurinoma?

Pode, e por isso ele merece investigação. Nem todo zumbido de um lado vem de um neurinoma, e a audiometria, seguida da ressonância quando indicada, esclarece a causa. Os cuidados com o zumbido estão nas dicas para o zumbido no ouvido.

A audiometria mostra o neurinoma?

Não diretamente. A audiometria mostra que um ouvido escuta pior do que o outro, e é essa diferença que leva ao pedido da ressonância. Só a ressonância mostra o tumor.

Qual é o CID do neurinoma do acústico?

Na CID-10, o neurinoma do acústico entra no código D33.3, neoplasia benigna dos nervos cranianos.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Neurinoma vestibular (schwannoma): o que é, causas, diagnóstico, tratamento e surdez unilateral. YouTube, 20 dez. 2025. 1 vídeo (11 min 26 s). Disponível em: https://youtu.be/Tdz3iHsMoOM. Acesso em: 1 out. 2026.
  2. CARLSON, M. L.; LINK, M. J. Vestibular schwannomas. New England Journal of Medicine, v. 384, n. 14, p. 1335-1348, 2021. DOI: 10.1056/NEJMra2020394. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33826821/. Acesso em: 1 out. 2026.
  3. GOLDBRUNNER, R. et al. EANO guideline on the diagnosis and treatment of vestibular schwannoma. Neuro-Oncology, v. 22, n. 1, p. 31-45, 2020. DOI: 10.1093/neuonc/noz153. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31504802/. Acesso em: 1 out. 2026.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. CID-10: D10-D36, neoplasias benignas. Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/d10_d36.htm. Acesso em: 1 out. 2026.

Perda auditiva de um lado: avaliação em Brasília

Perda de audição ou zumbido em um ouvido só pedem investigação. A audição pode ser avaliada na consulta com otorrino em Brasília, com audiometria e o pedido da ressonância quando indicado. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste.

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