Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
7 dicas simples que podem aliviar o zumbido
Quem procura como aliviar o zumbido no ouvido pode começar por mudanças simples no dia a dia, que servem para quase todos os tipos de zumbido. São sete dicas, que vão de reduzir a cafeína e evitar o excesso de açúcar e de sal até beber mais água, praticar atividade física, cuidar do sono e tirar a atenção do zumbido. Todos podem seguir essas dicas. Mal não fazem e podem ajudar muito a reduzir o zumbido.
Chama-se zumbido todo som que a pessoa escuta no ouvido, ou dentro da cabeça, sem nenhuma fonte no ambiente. Uns descrevem um grilo ou uma cigarra, outros um apito, um chiado ou o barulho de uma panela de pressão. Ele é um sintoma, e não uma doença. É o sistema auditivo avisando que alguma coisa não vai bem no organismo.
Por isso, mesmo quem adota todas as dicas precisa de uma consulta com otorrino para descobrir a causa e ter um tratamento próprio para o seu caso. O efeito das mudanças também varia. Um hábito que alivia muito o zumbido de um paciente pode não mudar nada no de outro, e as observações de algumas semanas ajudam bastante na consulta.

Alguns zumbidos precisam de avaliação médica sem demora. É o caso do zumbido que aparece de repente junto com perda de audição, do zumbido em um ouvido só com a audição caindo nesse lado, do zumbido pulsátil, que bate no ritmo do coração, e do zumbido acompanhado de tontura intensa, fraqueza ou alteração na fala. Nesses casos, as dicas desta página não bastam.
1. Reduza o consumo de cafeína
Muitos pacientes com zumbido têm o quadro agravado, e às vezes até desencadeado, pela cafeína. Ela não está só no café. Aparece também nos chás escuros, como o preto, o verde e o mate, no chocolate e nos refrigerantes do tipo cola. A cafeína estimula o sistema nervoso e as vias auditivas, e o excesso pode ter impacto direto na orelha interna de quem é sensível a ela.
A resposta, porém, muda de uma pessoa para outra. Uns pioram com o café, outros não sentem diferença nenhuma ao cortá-lo, e há até quem piore ao parar depois de anos de consumo alto. Em vez de proibir o café de todo mundo, o caminho mais confiável é ficar duas semanas sem cafeína de nenhuma fonte e depois comparar. Se o zumbido melhora, a cafeína sai da rotina ou fica no mínimo. Se nada muda, ela pode voltar, sem exageros. Veja se o café piora o zumbido e como é o teste.
2. Evite o excesso de açúcar e doces
Muitos quadros de zumbido vêm de alterações metabólicas, e o excesso de açúcar está entre as mais comuns. Entram na conta os doces e também os carboidratos simples, como pão, macarrão e bolo, que se transformam rápido em açúcar no sangue. Essas variações podem afetar a orelha interna, como explica a orientação sobre como cuidar da audição.
Reduzir o consumo exagerado de açúcar pode melhorar o zumbido em muitos pacientes, principalmente quando há alterações da glicose ou da insulina ainda não descobertas. A mesma relação aparece também na tontura depois de comer doce.
3. Evite o excesso de sal
O consumo exagerado de sal também pode ter relação com o zumbido em alguns pacientes. O sal escondido nos alimentos pesa tanto quanto o do saleiro. Embutidos, salgadinhos, temperos prontos, molhos industrializados e lanches de fast food concentram muito sódio.
Cozinhar em casa, provar a comida antes de salgar e ler o rótulo dos industrializados são formas simples de cortar o excesso sem deixar a comida sem graça.
4. Beba mais água
Aumentar a ingestão de água pode melhorar muito o zumbido em alguns pacientes. O mais fácil é espalhar os copos ao longo do dia, com uma garrafa sempre por perto, em vez de beber muito de uma vez. Quem tem doença do coração ou dos rins com restrição de líquidos segue a quantidade definida pelo próprio médico.
5. Pratique atividade física
A atividade física traz uma série de benefícios para o corpo, entre eles a redução do estresse e a melhora do quadro emocional. Isso também ajuda a reduzir o zumbido, porque as questões emocionais estão intimamente ligadas a ele. Com tensão e ansiedade, o zumbido incomoda mais, e quanto mais ele incomoda, mais tensão gera.
Serve qualquer atividade compatível com a saúde de cada um, começando leve e aumentando aos poucos. Caminhada, bicicleta, natação e ioga são boas opções. Técnicas de relaxamento, como a respiração lenta e profunda, também ajudam a baixar a tensão, e o NHS, sistema público de saúde britânico, inclui o relaxamento entre os cuidados com o zumbido.
6. Cuide do seu sono
Uma boa noite de sono também pode ajudar muito no zumbido. O cansaço deixa o zumbido mais evidente, e o zumbido, por sua vez, atrapalha o sono, o que cria um ciclo difícil de quebrar.
Horários regulares para dormir e acordar e nada de cafeína no fim do dia já fazem diferença. Um som de fundo baixo e agradável, como um ventilador, uma música tranquila ou sons da natureza, tira o silêncio total do quarto e facilita o adormecer. As outras medidas para um sono melhor estão em como dormir melhor.
7. Tire a atenção do zumbido
Quanto mais atenção se dá ao zumbido, maior a sensação de que ele aumentou de intensidade. Esse aumento, na verdade, é uma questão de percepção, e não do som. Ficar conferindo se o zumbido ainda está lá ou buscar o silêncio para escutá-lo tende a deixá-lo mais alto e mais presente.
Ao perceber o zumbido, o melhor é tirar o foco dele. Escutar uma música, conversar, ler ou fazer outra coisa que ocupe a cabeça já ajuda. Sem tanta atenção, a tendência é ele incomodar menos.
Os sons do ambiente ajudam nisso. Num lugar com televisão, rádio ou pessoas conversando, muita gente esquece o zumbido, porque esses sons o encobrem. É o chamado mascaramento sonoro, o mesmo princípio usado nas terapias sonoras para zumbido.
Outros cuidados que também ajudam
Proteger os ouvidos do barulho faz parte do cuidado com o zumbido. Um som muito alto, como um estouro, um grito perto do ouvido ou um show, pode lesar a orelha interna. É o trauma acústico, que pode deixar zumbido e perda auditiva. Quem trabalha com som alto, como músicos e equipes de eventos, muitas vezes tem zumbido por uma perda auditiva leve que ainda nem percebeu. Protetor auricular em ambientes ruidosos e volume moderado no fone fazem diferença, e as escolhas mais seguras estão em como escolher um fone mais seguro.
Cotonete e objetos dentro do ouvido também ficam de fora. Uma cera tampando o ouvido pode, sozinha, causar zumbido, e quando ela sai o paciente melhora. O cotonete costuma empurrar a cera para o fundo, e a retirada é feita pelo otorrino, com a lavagem de ouvido feita por otorrino ou outro método adequado. Os cuidados do dia a dia estão na orientação sobre cera de ouvido.
Alguns remédios podem causar ou piorar o zumbido, sobretudo em doses altas, segundo o NIDCD, o instituto americano de surdez e distúrbios da comunicação. Quem notou o zumbido depois de começar um remédio não deve suspendê-lo por conta própria. O certo é levar a lista de medicamentos para a consulta.
O que não tem comprovação para o zumbido
Quem convive com o zumbido encontra muitas promessas de cura rápida, principalmente na internet. Suplementos, vitaminas e cápsulas vendidos como solução para o zumbido não têm eficácia comprovada, segundo o NIDCD. A diretriz americana de zumbido, da AAO-HNSF, recomenda não usar ginkgo biloba, melatonina, zinco ou outros suplementos para tratar o zumbido persistente, e uma revisão Cochrane não encontrou benefício do ginkgo biloba nesses casos.
Também não existe um remédio específico que faça o zumbido sumir. A mesma diretriz desaconselha o uso de rotina de antidepressivos, anticonvulsivantes e ansiolíticos com esse fim. Isso não quer dizer que não haja tratamento. Quer dizer que o tratamento depende da causa, e a causa só aparece com a investigação.
As dicas não substituem a investigação da causa
Mesmo quem adota todas as dicas deve procurar o otorrinolaringologista para identificar a causa e traçar um plano de tratamento específico para o seu caso. A principal causa de zumbido é a perda auditiva. Muitas vezes o zumbido é só a consequência de uma audição que não está boa, e a pessoa nem percebeu que perdeu um pouco de audição. Isso vale também para a surdez relacionada à idade.
Outras causas são a cera tampando o ouvido, as doenças metabólicas e hormonais, os excessos na alimentação, como o de cafeína, as questões emocionais e os problemas na articulação da mandíbula. Alguns casos têm origem neurológica. A investigação começa pelo otorrino, que avalia todas essas causas.
Ela costuma incluir a audiometria, que avalia a audição, e a acufenometria, o exame que mede o zumbido, que registra o som do zumbido, o volume dele e o som mínimo capaz de encobri-lo. Os dois exames são feitos na OtoCare. O questionário THI mostra quanto o zumbido pesa na vida de cada um.
Quando a audição cai de repente, com ou sem zumbido, a avaliação não pode esperar. Os sinais estão na orientação sobre surdez súbita.
Como o zumbido é tratado depois da investigação
O tratamento segue a causa. Se o zumbido vem da cera, a retirada costuma trazer melhora. Se a causa é a perda auditiva, tratar a audição costuma melhorar o zumbido, porque o som volta a estimular as vias auditivas e o cérebro deixa o zumbido de lado. Dependendo do caso, a audição melhora com remédio, cirurgia ou aparelho auditivo, como explica a orientação sobre quando o aparelho auditivo ajuda no zumbido.
Existem várias cirurgias de ouvido que tratam a causa do zumbido e da perda auditiva. Na otosclerose, a cirurgia, chamada estapedotomia, resolve a maioria dos casos. Na perda auditiva profunda, o implante coclear permite que quem não escutava nada passe a ter uma audição que ajuda no dia a dia. Tudo depende da causa.
Quando o zumbido continua, há tratamentos para reduzir o incômodo. Na terapia sonora, um som agradável, como um ruído branco ou o barulho de uma cachoeira, ajuda o cérebro a se acostumar com o zumbido e a prestar menos atenção nele, e os números da acufenometria orientam esse tratamento. A consulta avalia e indica, caso a caso, o tratamento mais adequado.
Vídeos: 7 dicas para o zumbido e o apito que vem e vai
O primeiro vídeo, de 2023, resume as sete dicas desta página, dos cuidados com cafeína, açúcar e sal até a importância de tirar o foco do zumbido.
O segundo vídeo, de 2025, é um trecho de uma entrevista à Rádio Bandeirantes e responde a um ouvinte que, de vez em quando, escuta um apito rápido no ouvido, que surge do nada e vai sumindo aos poucos. Esse apito também é zumbido. Quando ele se repete, aparecendo volta e meia, merece avaliação com otorrino para descobrir o que está acontecendo, porque o zumbido persistente ou recorrente é sinal de alguma alteração no organismo.
Perguntas frequentes
Zumbido no ouvido tem cura?
Depende da causa, e por isso a investigação vem antes. Parte dos zumbidos desaparece quando a causa é tratada, como os ligados à cera, a efeito de remédio ou a um trauma acústico leve. Em outros, o zumbido continua, mas pode ficar bem menos incômodo com o cuidado da audição e as terapias para zumbido. Produtos vendidos como cura do zumbido não têm comprovação.
Zumbido no ouvido é normal ou é grave?
Ouvir um apito depois de um show com som alto é comum e costuma passar. Já o zumbido que se repete ou não vai embora não deve ser visto como normal. Na maior parte dos casos, a causa não é grave e está ligada à audição, mas só a avaliação mostra isso. Os tipos de zumbido que pedem pressa estão no quadro de alerta do início desta página.
Zumbido só no ouvido esquerdo ou só no direito é mais preocupante?
O lado não muda o significado, e os dois ouvidos são avaliados do mesmo jeito. O que pesa é o zumbido ficar só de um lado e não passar, principalmente se a audição desse ouvido também cai. Segundo a diretriz americana, esse quadro pede avaliação da audição sem atraso e, conforme o resultado, exame de imagem. Quase sempre a causa é benigna. Essa avaliação serve também para descartar o neurinoma do acústico, um tumor benigno e raro do nervo da audição.
Quanto tempo dura o zumbido no ouvido?
Depende da causa. Depois de um barulho forte, o zumbido costuma passar em alguns dias. Quando dura seis meses ou mais, a diretriz americana o chama de zumbido persistente, e o foco passa a ser o controle do incômodo. Zumbido que dura mais de alguns dias, ou que volta com frequência, já merece avaliação.
O que fazer quando o ouvido zumbe depois de uma festa ou show?
O primeiro cuidado é poupar os ouvidos de som alto nos dias seguintes. Quando o trauma acústico é leve ou moderado, o zumbido em geral passa, muitas vezes sem remédio e algumas vezes com medicação indicada pelo otorrino. Se ele não passar em poucos dias, ou se o ouvido continuar abafado, a audição precisa ser avaliada, porque um trauma mais forte pode deixar sequela. Os cuidados para as próximas festas estão em como evitar que a perda auditiva piore.
Tem como parar o zumbido na hora?
Não existe um jeito de desligar o zumbido na hora. O que traz alívio rápido é sair do silêncio, com um som agradável no ambiente, que encobre parte do zumbido enquanto toca. Aparelhos, cápsulas ou técnicas vendidos com promessa de alívio instantâneo merecem desconfiança.
Por que o zumbido piora à noite e no silêncio?
No silêncio, somem os sons do ambiente que encobriam o zumbido, e ele vai para o primeiro plano. À noite também sobra mais atenção para ele, e o cansaço do fim do dia aumenta o incômodo. Em geral o zumbido não aumentou, só ficou mais perceptível.
Zumbido no ouvido pode ser emocional ou de ansiedade?
Pode. As questões emocionais estão entre as causas do zumbido e também mudam muito a forma como ele é sentido. Estresse e ansiedade deixam o zumbido mais incômodo, e o zumbido aumenta a ansiedade. Mesmo quando o fator emocional é forte, a audição e as outras causas precisam ser avaliadas. Uma revisão Cochrane mostrou que a terapia cognitivo-comportamental pode diminuir o peso do zumbido na rotina.
Pressão alta, diabetes ou alterações hormonais podem dar zumbido?
Podem estar por trás dele. Doenças metabólicas, como o diabetes, e alterações hormonais estão entre as causas possíveis de zumbido. O NIDCD inclui os problemas de circulação, como a pressão alta, entre as condições que alteram o fluxo de sangue e podem provocar zumbido. O zumbido sozinho não diagnostica nenhuma delas, e a avaliação olha também para essas doenças.
Zumbido no ouvido pode causar tontura?
O zumbido em si não causa tontura, mas os dois podem ter a mesma origem, porque a audição e o equilíbrio ficam juntos na orelha interna. A doença de Ménière é o exemplo clássico, com crises de tontura, zumbido, perda de audição e ouvido tampado, em geral de um lado só, segundo o NIDCD. Zumbido com tontura sempre merece avaliação com otorrino, e as causas de tontura estão em toda tontura é labirintite?
Betaistina, flunarizina, cinarizina ou Dramin® servem para zumbido?
A flunarizina e a cinarizina são remédios muito importantes para tratar a tontura e também o zumbido. Elas agem no labirinto e podem melhorar os dois sintomas. São usadas sobretudo nas crises de tontura, e o uso prolongado sem acompanhamento pode trazer efeitos colaterais, como explica a orientação sobre cinarizina e flunarizina. A betaistina é um tratamento de manutenção para a doença de Ménière, que tem o zumbido entre os sintomas, e para alguns casos de labirinto com função reduzida. O dimenidrinato, princípio ativo do Dramin®, é usado nas crises de tontura com enjoo. Algumas referências, como uma revisão Cochrane, não encontraram benefício claro da betaistina no zumbido sem causa definida, e isso também é avaliado caso a caso. Nenhum deles deve ser tomado por conta própria. Quando há indicação, o remédio é escolhido na consulta, depois da investigação da causa.
Acupuntura ajuda no zumbido?
As pesquisas sobre acupuntura no zumbido ainda são poucas e de qualidade limitada. Por isso, a diretriz americana de zumbido não faz recomendação nem a favor nem contra. Seja qual for a escolha, ela não substitui a investigação da causa.
Fone de ouvido piora o zumbido?
O fone em volume alto e por muito tempo pode lesar a audição e piorar o zumbido. Em volume moderado, com pausas, ele pode ser usado e até ajudar, quando toca sons agradáveis que tiram a atenção do zumbido.
Criança pode ter zumbido no ouvido?
Pode. Segundo o NIDCD, crianças também têm zumbido, e ele pode melhorar ou até sumir com o tempo. Como o zumbido costuma estar ligado à audição, a investigação inclui a audiometria em crianças.
Qual médico procurar para zumbido no ouvido?
O otorrinolaringologista. A investigação do zumbido começa com o otorrino, especialidade que avalia todas as causas possíveis e pede os exames de audição. Se aparecer um quadro neurológico, o paciente é encaminhado ao neurologista, mas na maioria dos casos o próprio otorrino consegue tratar.
Referências
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- VILELA, Larissa. ADEUS ZUMBIDO? Como o aparelho auditivo pode TRANSFORMAR seu silêncio (e sua vida)! YouTube, 28 maio 2025. 1 vídeo (7 min 48 s). Disponível em: https://youtu.be/wvYYXoIn-FM. Acesso em: 4 out. 2026.
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Avaliação do zumbido em Brasília
Se o zumbido persiste ou atrapalha o sono, a concentração e o bem-estar, uma consulta com otorrino em Brasília permite investigar a causa, avaliar a audição e definir o tratamento adequado para o seu caso.
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