Surdez com a idade (presbiacusia): sintomas, prevenção e tratamento

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

O que é presbiacusia?

Existe uma perda auditiva que vem com o envelhecimento, chamada presbiacusia. Esse é o nome técnico da surdez que aparece com o passar dos anos.

Com o tempo, o ouvido envelhece como o resto do corpo. O desgaste atinge o ouvido interno e também as vias auditivas centrais, os caminhos que levam o som até o cérebro e onde ele é processado. Como todo o sistema auditivo sofre o efeito da idade, a consequência é a perda de audição.

A presbiacusia costuma se instalar devagar e nos dois ouvidos. Por ser gradual, muita gente demora a perceber. O corpo se adapta tão bem a uma perda que chega aos poucos que, muitas vezes, a pessoa só nota a diferença quando ela já está moderada e começa a atrapalhar as conversas e o convívio.

Homem idoso com dificuldade para ouvir acompanhado por profissional de saúde

Uma queda súbita da audição, principalmente em um ouvido só, não deve ser atribuída à idade e precisa de avaliação médica sem demora.

A partir de que idade a audição começa a cair?

A partir dos 65 anos, a perda auditiva já está entre as queixas mais comuns dos idosos. Depois dos 70, cerca de metade das pessoas tem algum grau de perda, e a proporção cresce com os anos. Nos Estados Unidos, com outro critério de medida, o NIDCD, instituto do governo americano dedicado à audição, estima que uma em cada três pessoas entre 65 e 74 anos tenha perda auditiva, e quase metade das que passaram dos 75.

A mudança começa antes de ser notada. Segundo o Manual MSD, a perda dos sons agudos costuma começar entre os 55 e os 65 anos, às vezes mais cedo.

Os idosos são o grupo mais atingido, mas a perda auditiva pode aparecer em qualquer fase da vida. Há bebês que já nascem com ela, por herança genética ou por infecções da mãe na gestação. Crianças podem perder audição com as otites, e adolescentes, com infecções de ouvido e com o uso exagerado de fones. Com o envelhecimento da população, a perda ligada à idade ganha cada vez mais peso na saúde pública.

No trecho de entrevista abaixo, a perda auditiva é apresentada do bebê ao idoso, com destaque para quem ela mais atinge.

Quais são os sintomas da presbiacusia?

Os primeiros sinais podem ser discretos e se misturar à rotina. A queixa mais típica cabe numa frase muito ouvida no consultório, “escuto, mas não entendo”. A pessoa percebe que alguém está falando, mas não consegue distinguir as palavras.

  • dificuldade para entender a fala, sobretudo quando várias pessoas falam ao mesmo tempo ou há barulho em volta;
  • pedidos frequentes para que os outros repitam o que disseram;
  • dificuldade com os sons agudos, como as vozes de mulheres e crianças;
  • volume da televisão cada vez mais alto;
  • dificuldade para conversar ao celular;
  • zumbido, que pode acompanhar a perda.

No idoso, um sinal importante aparece no comportamento. Ele vai se isolando e foge das conversas e dos encontros de família, às vezes para não ficar pedindo que repitam, às vezes porque não consegue acompanhar o assunto. Esse afastamento costuma indicar uma provável perda auditiva.

Quando há zumbido junto, a avaliação pode incluir a acufenometria em Brasília. No dia a dia, algumas dicas podem aliviar o zumbido no ouvido.

Escuto, mas não entendo: por que isso acontece?

A presbiacusia costuma tirar primeiro os sons agudos. Muitas consoantes, como o s, o t, o p e o k, são sons agudos, e elas permitem reconhecer cada palavra. As vogais são mais graves e continuam chegando. A pessoa ouve a voz, mas com as palavras incompletas, e tem a impressão de que os outros murmuram ou falam para dentro.

Por isso, falar mais alto ajuda pouco. O volume maior reforça as vogais, enquanto as consoantes continuam difíceis de captar. Ajuda mais falar de frente, com calma e articulando bem, como mostra a orientação sobre como se comunicar com quem tem perda auditiva.

O esforço aumenta em restaurantes, reuniões de família, igrejas ou qualquer lugar com várias vozes e barulho de fundo. A pessoa tenta completar pelo contexto o que não ouviu e se cansa rápido da conversa. Os familiares costumam perceber a mudança antes do próprio paciente, e a dificuldade às vezes é confundida com distração ou falta de interesse.

Por que a audição piora com a idade?

A presbiacusia tem um fator genético. Com o passar do tempo, algumas pessoas tendem a perder audição mais rápido do que outras. Existe também um fator ambiental, porque certos fatores de risco podem piorar o quadro.

Entre os fatores ambientais, o ruído tem o maior peso. Boa parte da perda que aparece com os anos vem de toda a exposição a barulho acumulada ao longo da vida, no trabalho e no lazer. O som excessivo desgasta a cóclea, a parte do ouvido que capta os sons, e esse desgaste vai se somando.

A orelha interna também é muito sensível às variações do metabolismo, dos hormônios e da circulação. Por isso o diabetes, o colesterol e as doenças dos vasos, quando mal controlados, também pesam sobre a audição ao longo dos anos.

O NIDCD acrescenta que a idade também muda a orelha média e os caminhos nervosos entre o ouvido e o cérebro, e que alguns remédios tóxicos para o ouvido, como certos quimioterápicos, podem causar perda auditiva.

O que pode acelerar a perda auditiva com a idade?

Os fatores que pioram a perda da idade são conhecidos, e vale a pena controlar cada um deles.

  • exposição a ruído excessivo, no trabalho, em festas, perto de caixas de som ou com televisão e fones em volume alto;
  • alimentação desequilibrada, pobre em vitaminas e minerais e com excesso de açúcar e de gordura;
  • doenças crônicas mal controladas, como diabetes, pressão alta, doenças cardiovasculares e doenças hormonais, entre elas as da tireoide;
  • sedentarismo;
  • cigarro e excesso de bebida alcoólica.

Quem usa fone todos os dias encontra os cuidados na orientação sobre como escolher e usar o fone de ouvido sem prejudicar a audição.

Dá para prevenir a perda auditiva da idade?

O envelhecimento do ouvido não pode ser evitado, mas a perda pode ser menor. Com os fatores de risco sob controle, a perda auditiva que talvez venha com a idade tende a ser mais leve.

Na prática, o primeiro cuidado é com o barulho. O som da televisão, da música e do celular fica no mínimo que ainda permite entender, e em shows e festas o melhor lugar é longe das caixas de som. Quem trabalha exposto a barulho deve usar o protetor auricular.

Os outros cuidados são os da saúde em geral. Uma alimentação equilibrada, com menos açúcar, menos carboidratos simples e menos frituras, protege a circulação do ouvido, e alguns alimentos, como os ricos em fitoesteróis, aparecem nos estudos como aliados da audição. A lista está em alimentos para melhorar a audição. A atividade física melhora a circulação do corpo todo, inclusive a do ouvido. O tratamento regular do diabetes, da pressão alta e do colesterol também protege a orelha interna. Deixar o cigarro e moderar o álcool completam a lista.

Esses cuidados valem também para quem já tem perda, porque ajudam a evitar que ela piore. O passo a passo de cada um está na orientação sobre como cuidar da audição e evitar que a perda piore. O NIDCD observa que ainda não se sabe como impedir a perda que vem só da idade e recomenda proteger os ouvidos do barulho para preservar a audição ao envelhecer.

A ideia de que a perda da idade vem de qualquer jeito e de que nada adianta está entre os mitos do otorrino.

Como é feito o diagnóstico?

Quem desconfia de perda auditiva deve começar pela consulta com o otorrino. O exame do ouvido mostra se há cera acumulada, a causa tratável de perda auditiva mais comum nos mais velhos, que o otorrino remove com facilidade, ou outra causa que possa ser resolvida.

A audiometria é o primeiro exame. Ela registra o som mais fraco que cada ouvido percebe em cada frequência e a capacidade de entender as palavras. Na presbiacusia, mostra em geral perda nos dois ouvidos, maior nos agudos. Junto com ela, a imitanciometria avalia o tímpano e a orelha média. Conforme o caso, podem entrar outros exames, como as emissões otoacústicas, o BERA, a tomografia ou a ressonância. A OtoCare faz a audiometria e a imitanciometria no Noroeste de Brasília.

A avaliação também separa a presbiacusia de outras causas, que pedem outro tratamento, como as otites, os remédios que agridem o ouvido e a surdez súbita, que pode aparecer até depois de uma gripe e precisa de avaliação rápida.

Quem não tem queixa também se beneficia de medir a audição de tempos em tempos, porque a perda leve costuma passar despercebida. O calendário está em de quanto em quanto tempo fazer audiometria. Os sinais descritos acima não esperam o prazo e pedem avaliação logo.

Para quem desconfia da própria audição, ou para a família responder junto, o NIDCD propõe um questionário curto. Cada pergunta é respondida com sim, às vezes ou não.

  • Um problema de audição atrapalha para assistir à televisão ou ouvir rádio?
  • Atrapalha numa festa?
  • Faz você se sentir frustrado ao conversar com a família?
  • Faz você se sentir deixado de lado quando está num grupo?
  • Atrapalha nas visitas a amigos, parentes ou vizinhos?
  • Você sente que a audição se tornou um desafio?
  • Você sente que a dificuldade para ouvir limita a sua vida pessoal ou social?
  • Faz você se sentir desconfortável ao conversar com amigos?
  • Faz você evitar grupos de pessoas?
  • Faz você visitar amigos, parentes ou vizinhos menos do que gostaria?

Duas ou mais respostas sim, ou três ou mais respostas às vezes, já justificam examinar a audição. O questionário ajuda a decidir, mas não substitui a audiometria.

Presbiacusia tem cura? Como é o tratamento?

Não existe remédio que recupere a audição que se perdeu com o envelhecimento. O tratamento é feito com o aparelho auditivo, a partir de um certo grau de perda.

No adulto, uma perda leve nos dois ouvidos já indica o aparelho, e as perdas maiores também. Quando a perda é menor do que isso, o caminho é o acompanhamento clínico, com uma nova avaliação por ano para ver como o quadro evolui. Mudanças percebidas antes desse prazo justificam voltar antes. Como cada grau é classificado está em graus de surdez.

Tratar cedo faz diferença. A perda da idade tende a piorar aos poucos, e o aparelho ajuda a frear essa piora, sobretudo no entendimento da fala. Quando o tratamento é adiado por muito tempo, a perda avança e a adaptação fica mais difícil. Muita gente usa óculos sem nenhum constrangimento, mas resiste ao aparelho auditivo. Esse tabu adia um tratamento que dá qualidade de vida.

Usado ao longo de todo o dia, o aparelho mantém o cérebro estimulado, como explica a orientação sobre usar o aparelho auditivo o dia todo. Depois de começar, alguns cuidados com a pele evitam a coceira no ouvido pelo aparelho auditivo. Quando há zumbido junto, o aparelho também costuma aliviá-lo, como mostra a orientação sobre como o aparelho auditivo ajuda no zumbido.

Em perdas leves a moderadas, o modo aparelho auditivo dos AirPods é uma alternativa de entrada, com limites que vale conhecer antes de contar com ela. O SUS também fornece o aparelho auditivo a quem tem indicação. Além do aparelho, existem recursos de apoio, como amplificadores para telefone e celular, aplicativos e sistemas de som instalados em teatros, auditórios e igrejas.

E quando o aparelho auditivo não resolve?

Quando a perda chega ao grau severo ou pior nos dois ouvidos e o aparelho já não traz um bom ganho no entendimento da fala, o implante coclear pode ser uma opção. Ele é um dispositivo eletrônico colocado por cirurgia dentro da cóclea, que estimula diretamente o nervo auditivo. A indicação vale para crianças e adultos, sem limite de idade, e o adulto que perdeu a audição dos dois ouvidos há pouco tempo costuma se beneficiar muito.

Enquanto o aparelho auditivo traz ganho, ele continua sendo a melhor escolha. O som do implante não é natural, soa meio robotizado, a cirurgia tem riscos, e a colocação dos eletrodos costuma acabar com a audição que ainda resta naquele ouvido. O implante também está disponível pelo SUS.

A consulta na OtoCare avalia se o implante está indicado e pode servir de segunda opinião antes da decisão. Quem pode receber, como é a cirurgia e como funciona a ativação estão na página sobre o implante coclear.

Quais são os riscos de não tratar a perda auditiva?

Sem tratamento, o idoso com perda auditiva tende a se isolar cada vez mais. As conversas ficam difíceis de acompanhar e, muitas vezes sem perceber, ele deixa de interagir. A comunicação e o convívio diminuem, e a chance de depressão aumenta.

A memória também entra nessa conta. Uma perda auditiva não tratada pode levar à demência, pela falta de estímulo sonoro ao cérebro, e por isso a audição dos idosos merece atenção especial. No relatório de 2024 da comissão da revista The Lancet sobre demência, a perda auditiva aparece entre os fatores de risco modificáveis de maior peso.

Nos estudos com o aparelho auditivo, o benefício para a memória apareceu nos idosos que já somavam mais fatores de risco para o declínio cognitivo. O efeito da perda no cérebro e o que dizem esses estudos estão na orientação sobre surdez e demência.

Vídeo: surdez com a idade

O vídeo mostra os sinais da presbiacusia, os fatores que agravam a perda, os cuidados que protegem a audição e o momento em que o aparelho auditivo entra no tratamento.

Perguntas frequentes

Qual é o CID da perda auditiva do idoso?

Quando a perda vem da idade, o código da CID-10 é H91.1, presbiacusia. Se a avaliação encontrar outra causa, como o ruído ou um remédio, o laudo traz o código dessa causa. O que mais um laudo precisa trazer além do código está na orientação sobre o laudo de surdez.

Presbiacusia é neurossensorial e bilateral?

Na maior parte dos casos, sim. Ela nasce no ouvido interno e nas vias nervosas da audição, o que a coloca entre as perdas neurossensoriais, e costuma atingir os dois ouvidos de forma parecida. A diferença entre os tipos está em tipos de perda auditiva. Quando um ouvido está bem pior que o outro, vale investigar outras causas, como o neurinoma do acústico.

Presbiacusia é uma doença?

Ela faz parte do envelhecimento do ouvido, mas é uma condição de saúde que merece tratamento. Está entre os problemas mais comuns dos adultos que envelhecem e, sem cuidado, pesa na comunicação, no humor e no convívio.

Qual a diferença entre presbiacusia e presbiopia?

As duas vêm do envelhecimento, mas em órgãos diferentes. A presbiopia é a vista cansada. Por volta dos 40 anos, o cristalino do olho endurece e fica difícil enxergar de perto, o que se corrige com óculos. A presbiacusia é a perda de audição da idade, que tira primeiro os sons agudos.

Qual a diferença entre presbiacusia e PAIR?

PAIR é a perda auditiva induzida por ruído, causada pela exposição a som alto, que pode acontecer em qualquer idade. A presbiacusia vem do envelhecimento, mas o barulho acumulado ao longo da vida faz parte dela, e por isso as duas muitas vezes se somam na mesma pessoa. Na CID, a perda por ruído tem um código próprio.

Pode ter presbiacusia jovem?

A perda do envelhecimento aparece, em geral, a partir da meia-idade. Nos jovens, o que preocupa é o excesso de som de celulares, fones de ouvido e televisões, que tem feito a perda auditiva começar cada vez mais cedo. Adolescentes que ouvem música muito alta correm risco de perda pelo ruído.

Homens perdem a audição antes das mulheres?

Em geral, sim. Segundo o Manual MSD, a presbiacusia costuma aparecer depois dos 55 anos nos homens e dos 65 nas mulheres. Um levantamento com a população dos Estados Unidos também encontrou mais perda auditiva entre os homens na maioria das idades.

A perda auditiva da idade pode levar à surdez total?

Raramente. Ela costuma avançar devagar, e as perdas leves e moderadas são bem mais comuns que as severas e as profundas. Com os anos, porém, o grau tende a aumentar, e depois dos 80 a perda moderada já é mais frequente que a leve.

Aparelho auditivo devolve uma audição igual à de antes?

Não. O aparelho auditivo amplia e processa sons para facilitar a comunicação, mas não restaura a audição natural. A adaptação costuma exigir regulagem, orientação e tempo de uso para que o cérebro se acostume novamente a perceber sons que estavam menos acessíveis. Quando a adaptação não acontece, as causas mais comuns estão na orientação sobre adaptação ao aparelho auditivo.

Qual médico procurar quando o idoso não escuta bem?

O otorrinolaringologista, que examina o ouvido, pede a audiometria e define se a perda vem da idade ou de outra causa. Na OtoCare, a consulta e a audiometria são feitas no mesmo lugar, no Noroeste de Brasília.

Como se diz presbiacusia em inglês?

Em inglês, o termo é presbycusis, e a condição também é chamada de age-related hearing loss, a perda auditiva relacionada à idade.

Referências

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Entre em contato com a OtoCare para avaliação quando houver dificuldade para compreender conversas, necessidade frequente de aumentar o volume, zumbido persistente ou afastamento de situações sociais por não conseguir acompanhar a fala. A consulta com otorrino em Brasília permite examinar os ouvidos, afastar causas tratáveis e definir quais exames são necessários.

Se a audição caiu de repente, agende pelo WhatsApp e informe o sintoma, para que o atendimento seja priorizado.

Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479

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