Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
O que é presbiacusia?
Presbiacusia é a perda auditiva que aparece gradualmente com o envelhecimento. Com o passar dos anos, podem ocorrer mudanças no ouvido e também nas vias que levam e processam os sons no sistema nervoso. Por isso, a dificuldade nem sempre é percebida apenas como volume baixo.
Uma queixa muito característica é: “escuto, mas não entendo”. A pessoa percebe que alguém está falando, porém tem dificuldade para distinguir as palavras, principalmente em ambientes com outras vozes ou ruído ao fundo. Sons agudos também podem ficar menos nítidos.
O problema é frequente na população idosa. O vídeo apresenta uma estimativa de perda auditiva entre 40% e 66% a partir dos 75 anos, mostrando por que alterações na comunicação não devem ser tratadas como um detalhe sem importância.

A perda auditiva relacionada à idade costuma progredir aos poucos. Uma redução súbita da audição, especialmente em um ouvido, não deve ser atribuída ao envelhecimento e precisa de avaliação médica imediata.
Quais sinais podem aparecer?
Os primeiros sinais podem ser discretos e se misturar à rotina. É comum aumentar repetidamente o volume da televisão, pedir que as pessoas repitam frases, ter dificuldade para conversar ao telefone ou perceber que as palavras ficam menos claras.
- Dificuldade para compreender a fala: a voz é percebida, mas algumas palavras parecem embaralhadas.
- Menor percepção de sons agudos: vozes mais finas e detalhes da fala podem ficar mais difíceis de distinguir.
- Volume cada vez mais alto: televisão, celular e outros aparelhos passam a ser usados em intensidade maior.
- Dificuldade ao telefone: a ausência de pistas visuais pode tornar a conversa mais cansativa.
- Zumbido: pode aparecer junto com a perda auditiva e merece investigação quando persiste ou incomoda.
Quando houver zumbido associado, a avaliação pode indicar se é útil complementar a investigação com acufenometria em Brasília.
Por que parece que a pessoa escuta, mas não entende?
Ouvir uma voz não significa reconhecer todos os elementos que formam cada palavra. A presbiacusia pode comprometer primeiro frequências importantes para a clareza da fala. O resultado é a sensação de que os outros estão falando baixo, depressa ou sem articular bem.
O esforço costuma aumentar em restaurantes, reuniões de família, igrejas ou qualquer local com várias fontes de som. A pessoa tenta completar pelo contexto o que não conseguiu ouvir e pode se cansar rapidamente da conversa.
Esse padrão ajuda a explicar por que familiares percebem a mudança antes do próprio paciente. A dificuldade pode ser interpretada como distração ou falta de interesse, quando na verdade existe uma barreira auditiva.
Por que identificar e tratar a perda auditiva?
A comunicação participa da autonomia, da segurança e da convivência. Quando ouvir se torna difícil, algumas pessoas passam a evitar conversas, encontros e situações sociais por receio de responder errado ou não acompanhar o assunto.
Esse isolamento pode contribuir para depressão, piora do humor e redução da interação com familiares e amigos. A perda auditiva não reabilitada também está associada a maior risco de declínio cognitivo e demência, embora essa associação não signifique que toda pessoa com presbiacusia desenvolverá demência.
Reconhecer a perda permite medir sua intensidade, acompanhar a evolução e discutir formas de melhorar a comunicação antes que a dificuldade restrinja ainda mais a rotina.
O que pode acelerar a perda auditiva com a idade?
Existe uma influência genética: algumas pessoas apresentam piora mais rápida mesmo com histórias de vida semelhantes. Também existem fatores ambientais e condições de saúde que podem acrescentar dano ao processo natural do envelhecimento.
A exposição repetida a ruído intenso é um dos principais exemplos. Permanecer próximo a caixas de som, trabalhar em ambientes ruidosos sem proteção adequada ou usar televisão e fones em volume excessivo aumenta a carga sonora recebida pelo ouvido ao longo da vida.
Diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e alterações hormonais, como problemas da tireoide, também aparecem no vídeo entre os fatores que precisam de bom controle. Sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool completam essa lista.
Como cuidar da audição ao envelhecer?
O envelhecimento do sistema auditivo não pode ser interrompido, mas é possível reduzir exposições e cuidar de fatores que podem agravar a perda. As medidas apresentadas no vídeo incluem:
- Reduzir o ruído excessivo: use televisão, música e outros sons na menor intensidade confortável e evite permanecer perto de caixas de som.
- Manter alimentação equilibrada: organize uma dieta variada, com vitaminas e minerais, sem depender de suplementos como substitutos da alimentação.
- Controlar doenças crônicas: mantenha o acompanhamento de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e alterações da tireoide.
- Praticar atividade física: evite o sedentarismo e siga uma rotina compatível com sua condição de saúde.
- Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool: esses fatores estão associados a pior saúde geral e auditiva.
Esses cuidados não garantem que a presbiacusia não surgirá. O objetivo é diminuir fatores adicionais que podem acelerar ou agravar a dificuldade auditiva.
Como é o tratamento?
Não existe medicamento capaz de reverter a presbiacusia. Quando a perda alcança um grau em que o aparelho auditivo pode trazer benefício, a indicação é discutida de acordo com os exames e com as dificuldades vividas no dia a dia.
O aparelho não é escolhido apenas pela idade. O tipo e o grau da perda, a compreensão da fala, a rotina, a habilidade para manusear o dispositivo e as necessidades de comunicação participam da decisão.
Quando a perda ainda é pequena e não há indicação de aparelho, o vídeo orienta acompanhamento clínico e observação anual para verificar a evolução. Mudanças percebidas antes desse intervalo justificam uma nova avaliação.
Vídeo: surdez com a idade
O vídeo abaixo apresenta os sinais da presbiacusia, os fatores que podem agravar a perda auditiva, os cuidados ao longo da vida e as possibilidades de acompanhamento ou uso de aparelho auditivo.
Perguntas frequentes
Qual exame mede o grau da perda auditiva?
A audiometria é o exame usado para medir os menores sons percebidos em diferentes frequências e avaliar a compreensão da fala. O resultado ajuda a caracterizar o tipo e o grau da perda e deve ser interpretado junto com a história clínica e o exame dos ouvidos. Saiba como é feita a audiometria em Brasília.
Aparelho auditivo devolve uma audição igual à de antes?
Não. O aparelho auditivo amplia e processa sons para facilitar a comunicação, mas não restaura a audição natural. A adaptação costuma exigir regulagem, orientação e tempo de uso para que o cérebro se acostume novamente a perceber sons que estavam menos acessíveis.
Perda auditiva que apareceu de repente pode ser apenas envelhecimento?
Não. A presbiacusia é gradual. Uma perda que surge de forma súbita ou piora rapidamente, especialmente em um ouvido, deve ser tratada como uma urgência médica. Veja também por que a surdez súbita precisa de avaliação rápida.
Referências
- VILELA, Larissa. Surdez com a idade: causas, como evitar e como tratar. YouTube, 27 jul. 2023. 1 vídeo (5 min 8 s). Disponível em: https://youtu.be/vz8TH4Ks0RQ. Acesso em: 9 set. 2026.
- NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS. Age-related hearing loss (presbycusis). Bethesda: NIDCD, 2023. Disponível em: https://www.nidcd.nih.gov/health/age-related-hearing-loss. Acesso em: 9 set. 2026.
- NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS. Hearing aids. Bethesda: NIDCD, 2022. Disponível em: https://www.nidcd.nih.gov/health/hearing-aids. Acesso em: 9 set. 2026.
- NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS. Sudden sensorineural hearing loss. Bethesda: NIDCD, 2024. Disponível em: https://www.nidcd.nih.gov/health/sudden-deafness. Acesso em: 9 set. 2026.
- LIN, Frank R. et al. Hearing intervention versus health education control to reduce cognitive decline in older adults with hearing loss in the USA (ACHIEVE): a multicentre, randomised controlled trial. The Lancet, v. 402, n. 10404, p. 786-797, 2023. DOI: 10.1016/S0140-6736(23)01406-X. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37478886/. Acesso em: 9 set. 2026.
Quando procurar avaliação
Procure avaliação quando houver dificuldade para compreender conversas, necessidade frequente de aumentar o volume, zumbido persistente ou afastamento de situações sociais por não conseguir acompanhar a fala. A consulta com otorrino em Brasília permite examinar os ouvidos, afastar causas tratáveis e definir quais exames são necessários.
Se a mudança tiver surgido de repente, não espere a consulta de rotina nem o acompanhamento anual. Busque atendimento médico imediato.
Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479
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