Audiometria em crianças e adolescentes: quando fazer e sinais de perda auditiva

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Audiometria em crianças: só quando há suspeita?

Muitos pais nunca levaram o filho para fazer uma audiometria, o exame que avalia a audição. É comum pensar que o exame só é necessário quando já existe uma suspeita de perda auditiva. Existe, porém, uma recomendação de quando fazer a audiometria nas crianças e nos adolescentes, mesmo quando nada chama a atenção.

A perda auditiva é relativamente frequente na infância. Estima-se que cerca de 3 em cada 1.000 crianças já tenham alguma perda auditiva. Além disso, muitas crianças vão desenvolver algum grau de perda auditiva ao longo da infância, mesmo que passageira.

Menino com fones de audiometria verdes, calendário com uma data marcada e a Dra. Larissa Vilela de jaleco branco usando fones de ouvido

O impacto na criança é grande. A perda auditiva altera o desenvolvimento da fala e da linguagem, a comunicação, o aprendizado e até a vida social. Ela afeta a criança de muitas formas, principalmente quando não é diagnosticada nem tratada.

Um consenso americano sobre a audição infantil mostra que a proporção de crianças com perda auditiva aumenta com a idade, de cerca de 1,2 em cada 1.000 recém-nascidos para 3 em cada 1.000 no início da idade escolar. Por isso a audição continua sendo acompanhada depois do nascimento.

Quando fazer audiometria em criança

Sabendo do impacto e da frequência da perda auditiva na infância, e percebendo que muitos casos passam sem diagnóstico, a Academia Americana de Pediatria propôs orientações de quando levar as crianças para uma avaliação auditiva, mesmo sem nenhum sinal claro de perda auditiva.

A recomendação é que as crianças façam uma avaliação auditiva, de preferência com audiometria, nas idades de 4, 5, 6, 8 e 10 anos, tenham ou não alguma queixa de audição.

IdadeAvaliação da audição
4, 5, 6, 8 e 10 anosavaliação auditiva, de preferência com audiometria, mesmo sem queixa
11 a 14 anosuma audiometria nessa faixa
15 a 17 anosuma audiometria nessa faixa
18 a 21 anosuma audiometria nessa faixa
qualquer idade, com sinais de perda auditivaconsulta com otorrino e audiometria, sem esperar

Essas idades fazem parte do calendário de consultas preventivas da academia, que é revisto todos os anos. A versão de 2025 mantém a triagem da audição nessas idades. Nos anos entre elas, o calendário prevê que o pediatra investigue os fatores de risco para perda auditiva, e o exame é pedido quando algum deles aparece.

Em 2023, a academia publicou também um relatório específico sobre a avaliação da audição depois da triagem do recém-nascido. O documento reforça que o acompanhamento deve juntar a observação dos sinais de perda auditiva com exames de triagem nas idades do calendário.

Audiometria na adolescência

Os adolescentes também devem ter a audição monitorada. A recomendação é fazer três audiometrias ao longo da adolescência: uma entre 11 e 14 anos, outra entre 15 e 17 anos e uma terceira entre 18 e 21 anos.

Nessa fase, o calendário americano pede que a audiometria inclua as frequências agudas de 6.000 e 8.000 Hz. Cerca de 1 em cada 6 adolescentes americanos tem perda auditiva nos sons agudos, muitas vezes ligada ao ruído. Um estudo de 2016 mostrou que incluir essas frequências faz a triagem detectar bem mais casos.

O barulho é uma preocupação real nessa idade. A Organização Mundial da Saúde estima que mais de 1 bilhão de jovens de 12 a 35 anos estão em risco de perda auditiva pela exposição a sons altos no lazer, inclusive pelos fones de ouvido. Depois dos 21 anos, o acompanhamento segue o calendário da audiometria em adultos.

Sinais de perda auditiva no bebê

Se a criança apresenta sinais de perda auditiva, a avaliação com o otorrinolaringologista e a audiometria devem ser feitas em qualquer idade, sem esperar as idades do calendário.

No bebê e na criança pequena, merecem atenção os seguintes sinais:

  • o bebê não se assusta com um barulho muito forte;
  • a partir dos 6 meses, não procura o som, ou seja, não vira o rosto na direção de quem fala ao lado dele;
  • com 1 ano, não fala nenhuma palavra ou não responde quando é chamado pelo nome.

A partir de 1 ano, espera-se que a criança já olhe e responda quando é chamada pelo nome. O CDC, centro de controle de doenças dos Estados Unidos, lembra que esses sinais valem mesmo para a criança que já passou por uma triagem auditiva antes.

Sinais de perda auditiva em crianças maiores

Nas crianças maiores, os sinais são outros.

  • fala pouco, ou menos do que os colegas da mesma idade, com alteração no desenvolvimento da fala e da linguagem;
  • coloca celular, tablet e televisão num volume muito alto, a ponto de incomodar os adultos por perto;
  • não entende um comando um pouco mais complexo, com mais palavras.

Um exemplo de comando mais complexo é pedir “Pedrinho, vai até a cozinha e pega uma colher para a mamãe”. Se a criança já maiorzinha fica perdida quando ouve uma frase com mais palavras, isso também pode ser sinal de perda auditiva. Muitas vezes esse comportamento é confundido com falta de atenção ou desobediência.

E o recém-nascido?

As idades do calendário valem para crianças maiores e adolescentes. Para o recém-nascido, já existe uma triagem auditiva neonatal bem estabelecida, o teste da orelhinha. A Lei nº 12.303, de 2010, garante o exame de graça ao bebê que nasce em hospitais e maternidades.

Passar no teste da orelhinha é um ótimo começo, mas não encerra o acompanhamento. O consenso americano sobre a audição infantil lembra que perdas leves podem passar pela triagem neonatal e que algumas perdas aparecem ou pioram depois do nascimento.

Por que o diagnóstico precoce é tão importante

A criança está numa fase muito importante de desenvolvimento da fala e da aprendizagem. A audição é essencial para que ela possa escutar, aprender e se desenvolver. Uma perda auditiva que passa despercebida pode trazer grandes dificuldades de aprendizagem. Por isso o diagnóstico precoce e o tratamento o mais rápido possível são tão importantes em qualquer caso de perda auditiva na criança.

A criança precisa receber os melhores estímulos auditivos possíveis para ter um desenvolvimento pleno e não perder nenhuma das fases importantes. Por isso a perda de audição na criança é algo muito sério, que merece um olhar cuidadoso.

Até a perda em um ouvido só faz diferença. Um estudo com crianças de 6 a 12 anos mostrou que as que tinham perda auditiva de um lado tiveram resultados piores de linguagem do que os irmãos com audição normal e precisaram mais vezes de apoio escolar e de fonoterapia.

Como é a audiometria na criança

A audiometria infantil é um exame indolor. Na criança, a forma de fazer o exame muda conforme a idade e a capacidade de participação, e o fonoaudiólogo adapta a técnica a cada fase. A OtoCare faz a audiometria em crianças a partir dos 6 meses de idade, no Noroeste de Brasília.

Vídeo: audiometria em crianças, quando fazer

O vídeo abaixo explica as idades recomendadas para a audiometria na infância e na adolescência e os sinais de perda auditiva em cada fase.

Perguntas frequentes

Com quantos anos a criança pode fazer audiometria?

A avaliação auditiva pode ser feita desde bebê, com técnicas próprias para cada idade. Na OtoCare, a audiometria é feita a partir dos 6 meses. No recém-nascido, o exame usado é o teste da orelhinha.

Criança precisa fazer audiometria todo ano?

Não há recomendação de exame anual para todas as crianças. A Academia Americana de Pediatria indica idades específicas, 4, 5, 6, 8 e 10 anos, e o exame fora delas sempre que houver sinais ou fatores de risco para perda auditiva.

Quem passou no teste da orelhinha ainda precisa de audiometria?

Precisa, nas idades do calendário. A triagem do recém-nascido pode não pegar perdas leves, e algumas perdas surgem só depois, ao longo da infância.

Otite pode afetar a audição da criança?

Pode. As infecções de ouvido são muito comuns na infância. Segundo o NIDCD, instituto de saúde dos Estados Unidos, 5 em cada 6 crianças têm pelo menos uma otite até os 3 anos. Se a criança continua ouvindo mal depois da otite, a audição precisa ser avaliada.

Fone de ouvido pode prejudicar a audição do adolescente?

Pode, quando o volume é alto e o uso é longo. A Organização Mundial da Saúde alerta para o risco de perda auditiva pela exposição a sons altos no lazer, que pode ser evitada. A orientação da OMS é manter o volume abaixo de 60% do máximo do aparelho e fazer pausas longe dos fones.

Criança que não obedece pode ter perda auditiva?

Pode. A criança que parece distraída, não segue instruções ou pede para repetir com frequência pode não estar ouvindo bem. Antes de atribuir o comportamento à falta de atenção, é importante avaliar a audição.

Qual médico avalia a audição da criança?

O otorrinolaringologista, que examina os ouvidos e indica os exames de audição. A audiometria é feita pelo fonoaudiólogo, em cabina acústica.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Audiometria em crianças e adolescentes: quando devo levar meus filhos para fazer o exame? YouTube, 15 jan. 2025. 1 vídeo (7 min 10 s). Disponível em: https://youtu.be/Klpd_o9oIbY. Acesso em: 30 set. 2026.
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Avaliação da audição da criança em Brasília

Se a criança chegou a uma das idades do calendário ou mostra algum sinal de perda auditiva, a OtoCare, no Noroeste de Brasília, faz a consulta com otorrino e a audiometria para crianças a partir dos 6 meses e para adolescentes.

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