Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Quando suspeitar de atraso na fala
Quando suspeitar de atraso na fala do filho? Existe uma idade limite para a criança começar a falar? É uma dúvida muito comum dos pais, porque as crianças se desenvolvem em tempos diferentes. Fica difícil saber se o filho está de fato atrasado ou se basta dar mais um tempo para ele alcançar os colegas da mesma idade.
Para responder a essa pergunta, o CDC, centro de controle e prevenção de doenças dos Estados Unidos, e a Academia Americana de Pediatria fizeram uma grande revisão para definir quais marcos do desenvolvimento são de fato importantes para mostrar aos médicos e às famílias se uma criança está atrasada ou não. O trabalho foi publicado em março de 2022 e reuniu uma equipe multidisciplinar, com pediatras, psicólogos, professores e especialistas em neurodesenvolvimento infantil.
A revisão trouxe marcos de quatro áreas do desenvolvimento: linguagem e comunicação, movimento, desenvolvimento socioemocional e cognição. Esta orientação trata dos marcos da linguagem, de 2 meses a 3 anos de idade. A Sociedade Brasileira de Pediatria traduziu essa lista para o português em uma cartilha para as famílias.

O que são os marcos do desenvolvimento da linguagem
Os marcos do desenvolvimento da linguagem nada mais são do que sinais, habilidades que a criança desenvolve até uma determinada idade. Dito de forma simples, com tal idade a criança deve ser capaz de fazer tal coisa. Cada marco foi escolhido porque a maioria das crianças, 75% ou mais, já tem aquela habilidade na idade correspondente.
Esse critério é uma das grandes mudanças de 2022. As listas antigas usavam a idade mediana, em que só metade das crianças já tinha alcançado o marco. Com isso, uma criança atrasada podia parecer dentro do normal, e a família podia ser aconselhada a esperar. Na revisão, foram criadas listas novas para os 15 e os 30 meses, e a maioria dos marcos que mudaram de idade passou para uma idade mais velha.
Por isso, é comum encontrar na internet números que não batem com a lista atual, como 50 a 200 palavras aos 2 anos. Pela lista do CDC, o marco dos 2 anos é juntar duas palavras, e falar cerca de 50 palavras é marco dos 30 meses. Como os marcos mostram o que a grande maioria das crianças, três em cada quatro ou mais, já faz, a criança que não atingiu um deles merece atenção.
Fala e linguagem não são a mesma coisa. A fala é a produção dos sons. A linguagem é mais ampla e inclui entender o que os outros dizem e usar palavras, gestos e frases para se comunicar. Por isso, a lista inclui marcos de compreensão e gestos, e não só de palavras.
Marcos da linguagem por idade, de 2 meses a 3 anos
Os marcos abaixo seguem a lista do CDC e da Academia Americana de Pediatria, na tradução da Sociedade Brasileira de Pediatria. Em cada idade, aparecem as habilidades que a maioria das crianças já desenvolveu.
Até 2 meses
O bebê deve reagir a sons intensos, com volume alto. A reação pode ser se virar, fazer uma careta, chorar ou mostrar algum desconforto. O importante é que ele mostre alguma reação ao barulho forte.
Além disso, o bebê já deve emitir sons além do choro.
Até 4 meses
O bebê vira a cabeça em direção à voz humana. Se ele está deitado no berço e a mãe chega conversando, é esperado que ele se vire para ela, e o mesmo vale para as outras pessoas próximas.
Ele também faz sons quando alguém conversa com ele. Na troca de fralda ou na amamentação, por exemplo, o bebê responde do jeito dele, emitindo sons. É o começo do diálogo. Outro marco dessa idade são os arrulhos, sons bem característicos dos bebês, parecidos com “aaah” e “uuuh”.
Até 6 meses
Começa a troca de turnos. A mãe fala, o bebê responde, a mãe fala de novo e ele responde mais uma vez, como se já existisse um diálogo entre os dois.
Nessa idade aparece também um movimento de língua muito característico, em que o bebê coloca a língua para fora e fica soprando. E ele emite sons estridentes, aqueles gritinhos agudos, com muita frequência.
Até 9 meses
Os sons ficam mais elaborados e surgem os balbucios, com sílabas repetidas como “mamama” e “bababa”. A criança também levanta os braços em direção às outras pessoas para ser pega no colo. Esse gesto entra na lista da linguagem porque já é uma forma de comunicar o que ela quer.
Até 12 meses (1 ano)
Surgem as primeiras palavrinhas. A criança chama a mãe e o pai de “mamá” e “papá”, ou de outro nome especial, já se referindo a eles. Ela também dá tchau, e esse aceno é um marco do primeiro ano.
Outro marco é entender o não. Quando os pais dizem não, a criança para, olha e mostra algum entendimento.
Até 15 meses
A criança tenta dizer uma ou duas palavras além de mamá e papá, como “bo” para bola. O vocabulário começa a se expandir. Nessa idade, a criança também:
- entende ordens simples, como pegue a bola, quando o pedido vem com um gesto;
- olha para objetos conhecidos quando alguém fala deles, por exemplo quando os pais dizem olha a bola;
- aponta para pedir alguma coisa ou para pedir ajuda, como apontar o copo quando quer água.
Até 18 meses (1 ano e meio)
A criança já fala três ou mais palavras além de papai e mamãe. Ela também começa a entender e a obedecer ordens sem gestos. Quando os pais dizem traga a bola, sem apontar e sem dar outras pistas, a criança de 1 ano e meio entende e cumpre o pedido.
Até 2 anos
Aos 2 anos, a criança usa mais gestos do que o tchau e o apontar. Ela manda beijo e diz sim ou não com a cabeça. Ao ler uma historinha, consegue apontar figuras no livro quando alguém pergunta onde está o ursinho.
Ela também junta duas palavras, como mais leite, e aponta pelo menos duas partes do corpo quando os pais perguntam onde está a mãozinha ou a orelhinha.
Até 30 meses (2 anos e meio)
Esta é uma das idades incluídas na revisão de 2022. Aos 30 meses, a maioria das crianças fala cerca de 50 palavras, dá nome às coisas de um livro quando alguém aponta e pergunta o que é isso e começa a usar pronomes ao falar de si e dos outros, como nós.
Até 3 anos
A criança de 3 anos deve conversar de um jeito que uma pessoa de fora da família consiga entender com facilidade. É normal os pais entenderem muito bem o filho e uma visita não entender quase nada, mas aos 3 anos, com um bom desenvolvimento, a linguagem já deve ser clara o bastante para quem está fora do círculo familiar.
Aos 3 anos, a criança fala pelo menos o primeiro nome quando alguém pergunta e começa a fazer perguntas com o quê, onde e por quê, como cadê a mamãe e cadê o papai. Ela também conversa com pelo menos duas trocas de fala e resposta.
É nessa fase que a criança passa a usar verbos, como correr, nadar, pular, comer e beber, sinal de que a compreensão da linguagem cresceu. Antes dos 3 anos, o uso de verbos ainda não é muito habitual. A lista do CDC inclui, aos 30 meses, as primeiras combinações com uma palavra de ação, como corre cachorro, e o ritmo de cada criança nessa passagem pode ser avaliado caso a caso, na consulta.
Sinais de atraso na fala que pedem avaliação
Na hora de decidir quando se preocupar, não existe uma única idade limite para a criança começar a falar. Cada idade tem os seus marcos, e o sinal de atraso é a criança não ter desenvolvido a habilidade esperada para a idade dela. Nesse caso, é importante procurar uma avaliação da linguagem e do desenvolvimento.
Alguns exemplos que pedem avaliação:
- o bebê não reage a barulhos fortes;
- aos 4 meses, não vira a cabeça para a voz de quem fala com ele;
- aos 9 meses, ainda não balbucia;
- com 1 ano, não chama os pais de mamá ou papá e não dá tchau;
- aos 18 meses, fala menos de três palavras além de papai e mamãe;
- aos 2 anos, a criança não fala ou não junta duas palavras;
- aos 3 anos, pessoas de fora da família não entendem o que ela diz;
- em qualquer idade, a criança perde palavras ou habilidades que já tinha.
A cartilha da Sociedade Brasileira de Pediatria lembra que os pais conhecem melhor o próprio filho. Se a criança não está alcançando um ou mais marcos, se perdeu habilidades que já tinha ou se existe outra preocupação, a orientação é não esperar.
Esperar não é a melhor conduta
Um ponto muito importante dessa revisão é que muitas crianças recebem diagnósticos sérios com atraso, e o tratamento começa tarde, porque se deixou a criança alcançar os colegas de forma espontânea. É a ideia de que basta esperar, que no fim tudo dá certo. Essa conduta não é a melhor quando a criança não atingiu os marcos da idade, porque diagnósticos importantes podem deixar de ser feitos e tratamentos importantes podem deixar de começar.
O próprio estudo de 2022 conta que pais de crianças com deficiência relataram demora na identificação do problema porque ouviram que cada criança se desenvolve de um jeito e que era melhor esperar. A Sociedade Brasileira de Pediatria vai na mesma linha. A frase cada criança tem seu tempo deve ser usada com muito critério, porque pelo menos metade dos problemas de linguagem persiste.
Também existem crianças que não atingiram um marco e que, em alguns meses, se desenvolvem normalmente e ficam iguais aos colegas. Pode não ser nada. Mas pode existir alguma coisa em que a criança precisa de ajuda, e a avaliação ajuda a separar uma situação da outra. Hoje se sabe com muita certeza que, quanto antes o problema for diagnosticado e tratado, melhor.
O que pode causar o atraso na fala
O atraso na fala pode ser causado por questões sérias, como perda auditiva, autismo e transtorno do desenvolvimento da linguagem, entre outros problemas do desenvolvimento da criança.
Perda auditiva
A criança aprende a falar ouvindo. Quando ela não ouve bem, a linguagem atrasa, e por isso a audição é sempre uma das primeiras coisas a investigar. No Brasil, o teste da orelhinha, o exame de emissões otoacústicas, é obrigatório e gratuito para os recém-nascidos nos hospitais e maternidades. Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico e o tratamento iniciados antes dos 6 meses de vida dão, em geral, resultados melhores.
O teste da orelhinha normal, porém, não garante a audição pelo resto da infância. A perda auditiva pode surgir depois do nascimento. Uma causa comum é a otite média secretora, o acúmulo de líquido atrás do tímpano, que diminui a audição muitas vezes sem dor e sem febre. Mesmo uma perda auditiva temporária pode atrasar ainda mais a linguagem. Os sinais de perda auditiva em cada idade estão na orientação sobre audiometria em crianças.
Autismo
O transtorno do espectro autista é uma das causas importantes de atraso na fala, mas não a única. Os sinais que ajudam a pensar nele são explicados na seção seguinte.
Transtorno do desenvolvimento da linguagem
Algumas crianças têm uma dificuldade persistente para aprender e usar a linguagem, sem perda auditiva, autismo ou outra causa que explique o quadro. É o transtorno do desenvolvimento da linguagem (TDL), que começa muitas vezes como um atraso de fala e precisa de fonoterapia.
Outras causas e fatores de risco
Entre as outras causas estão a deficiência intelectual, a paralisia cerebral, a apraxia de fala na infância, a disartria e o mutismo seletivo. Em muitas crianças, o atraso aparece sozinho, sem outro problema associado.
Algumas crianças têm mais risco de atraso na linguagem, como os meninos, as crianças com casos na família e as que nasceram prematuras ou com baixo peso.
Atraso na fala é autismo?
Nem todo atraso na fala é autismo. A perda auditiva, o transtorno do desenvolvimento da linguagem e as outras causas acima também deixam a criança sem falar na idade esperada. Por outro lado, o autismo é uma das causas que precisam ser pensadas quando a criança não fala.
O que ajuda a diferenciar é a forma como a criança se comunica além das palavras. A lista do CDC também traz marcos socioemocionais, como olhar quando é chamada pelo nome, aos 9 meses, apontar para mostrar algo interessante, aos 18 meses, e olhar para o rosto dos pais para saber como reagir numa situação nova, aos 2 anos. Quando a criança não fala e também não atinge esses marcos sociais, a avaliação precisa olhar o desenvolvimento como um todo.
Uma criança que não ouve bem também não responde quando é chamada pelo nome. Por isso, antes de pensar em autismo, a audição precisa ser avaliada, como explica a orientação sobre BERA na suspeita de autismo.
Menino demora mais para falar? E o bebê prematuro e a criança bilíngue
Em média, as meninas ficam um pouco à frente dos meninos nos primeiros gestos, no vocabulário e na hora de juntar palavras. A diferença é pequena. Os marcos da linguagem do CDC são os mesmos para meninos e meninas, e a ideia de que menino fala mais tarde não justifica esperar quando ele não atingiu o marco da idade.
No bebê prematuro, os marcos são conferidos pela idade corrigida durante os dois primeiros anos. Para calcular, desconta-se da idade de vida o tempo que faltou para completar as 40 semanas de gestação. Um bebê que nasceu com 32 semanas nasceu 8 semanas antes. Aos 4 meses de vida, ele tem 2 meses de idade corrigida e deve ser comparado com os marcos dos 2 meses.
Falar duas línguas com a criança não causa atraso na fala. As crianças bilíngues não têm mais atraso nem mais transtornos de linguagem do que as que falam uma só língua. Elas podem saber menos palavras em cada idioma, mas, somando as duas línguas, o vocabulário é parecido. Misturar os dois idiomas na mesma frase também faz parte do desenvolvimento normal. A criança bilíngue é avaliada pelos mesmos marcos das outras.
Telas e atraso na fala
A criança aprende a falar conversando, brincando e interagindo com as pessoas. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar telas antes dos 2 anos, mesmo de forma passiva, como a televisão ligada no ambiente. Dos 2 aos 5 anos, o limite é de 1 hora por dia, sempre com a supervisão de um adulto.
Em um estudo com 893 crianças de 18 meses, cada 30 minutos a mais por dia no celular ou no tablet mais que dobrava a chance de atraso na fala, segundo o relato dos pais. Uma revisão de 42 estudos, com quase 19 mil crianças, encontrou linguagem pior nas crianças com mais tempo de tela e com a televisão ligada como som de fundo. Já os programas educativos e assistir junto com um adulto, conversando sobre o que aparece na tela, se associaram a uma linguagem melhor.
São estudos que mostram uma associação, e não provam que a tela sozinha cause o atraso. Mesmo assim, trocar o tempo de tela por conversa e brincadeira é uma das mudanças mais simples para ajudar a linguagem da criança.
Quem avalia a criança com atraso na fala
O especialista em desenvolvimento da linguagem é o foniatra. A foniatria é uma área de atuação da otorrinolaringologia, e a avaliação é feita com cuidado para entender o desenvolvimento da criança. Ela inclui a conversa com os pais sobre os marcos já alcançados, o exame físico completo, com os ouvidos, o nariz e a boca, e a investigação da audição.
A audição é examinada de acordo com a idade. A audiometria de tronco encefálico, o BERA, mede a resposta do nervo auditivo enquanto a criança dorme e não depende da colaboração dela. A audiometria em cabina pode ser feita a partir dos 6 meses, e a impedanciometria mostra se há líquido atrás do tímpano. O fonoaudiólogo avalia a linguagem em detalhes e conduz a fonoterapia quando ela é necessária.
Na OtoCare, no Noroeste de Brasília, a avaliação começa pela consulta com otorrino, que examina a criança, investiga a audição com os exames necessários e indica o tratamento. A clínica também oferece fonoterapia na própria sede.
Tratamento do atraso na fala
O tratamento depende da causa encontrada na investigação. Quando ela é a otite média secretora, tratar o líquido atrás do tímpano costuma melhorar a audição e ajuda a linguagem a voltar a se desenvolver. A perda auditiva permanente pode precisar de aparelho auditivo ou de implante coclear, conforme o grau.
A base do tratamento da linguagem é a fonoterapia, feita pelo fonoaudiólogo. Os pais participam de forma ativa, porque é em casa que a criança passa a maior parte do tempo. Uma revisão de 18 estudos mostrou que as técnicas de linguagem aplicadas pelos próprios pais, depois de treinadas com o terapeuta, melhoram tanto a compreensão quanto a fala das crianças de 1 ano e meio a 5 anos.
Começar cedo faz diferença. A Sociedade Brasileira de Pediatria lembra que a intervenção precoce dá resultados melhores do que a tardia. Quando, além do atraso, a criança gagueja, a fonoterapia também cuida disso, como mostra a orientação sobre gagueira.
Como estimular a fala da criança em casa
A linguagem cresce na conversa do dia a dia. A troca de fralda, o banho e as refeições são bons momentos para falar com o bebê, olhar para ele e esperar a resposta, do jeito dele. Algumas atitudes ajudam em todas as idades:
- conversar e contar o que está sendo feito, com frases curtas e claras;
- respeitar a vez da criança, esperando o som, o gesto ou a palavra dela antes de falar de novo;
- dar nome às coisas que ela olha ou aponta;
- ler livros juntos desde bebê, apontando as figuras e perguntando onde está cada uma;
- cantar, brincar de esconde-achou e de imitar sons;
- trocar o tempo de tela por brincadeira com um adulto.
A Academia Americana de Pediatria recomenda ler em voz alta para a criança desde os primeiros meses, porque a leitura frequente ajuda a construir a linguagem e o vínculo com os pais. Quando a criança fala uma palavra errada, a melhor resposta é repetir a forma certa, sem repreender, como mostra a orientação sobre criança que fala errado.
Estimular em casa ajuda muito, mas não substitui a avaliação. A criança que não atingiu um marco da idade precisa ser examinada, mesmo quando a família já conversa e lê com ela todos os dias.
Vídeo: marcos da linguagem e atraso na fala
O vídeo apresenta os marcos da linguagem de 2 meses a 3 anos, com exemplos dos sons típicos de cada idade, e explica por que a criança que não atingiu um marco precisa de avaliação.
Perguntas frequentes
Com quantos meses o bebê começa a falar?
Os sons começam bem antes das palavras. Até os 2 meses o bebê já faz sons além do choro, até os 9 meses balbucia sílabas como mamama, e até os 12 meses chama os pais de mamá e papá. Até os 15 meses, ele tenta dizer uma ou duas palavras a mais.
Criança de 2 anos que não fala é normal?
Não. Aos 18 meses, a maioria das crianças já fala pelo menos três palavras além de papai e mamãe, e aos 2 anos já junta duas palavras. A criança de 2 anos que não fala precisa de avaliação, começando pela audição.
Quantas palavras uma criança de 2 anos deve falar?
A lista do CDC não fixa um número de palavras aos 2 anos. O marco dessa idade é juntar duas palavras, como mais leite. Falar cerca de 50 palavras é marco dos 30 meses, ou 2 anos e meio.
Até que idade o atraso na fala é normal?
Nenhum atraso deve ser tratado como normal sem avaliação. Os marcos mostram o que 75% ou mais das crianças já fazem em cada idade, e não atingir um deles é motivo para examinar a criança. Algumas recuperam o atraso sozinhas, e a avaliação é o caminho para entender cada caso.
Criança que entende tudo, mas não fala, tem atraso na fala?
Pode ter um atraso só na expressão, quando a compreensão está boa e a fala não acompanha. Esse quadro costuma ter evolução melhor. Uma revisão citada pela força-tarefa de prevenção dos Estados Unidos estimou que cerca de 60% das crianças com atraso só na fala melhoraram sem tratamento, contra 25% das que tinham atraso também na compreensão. Mesmo assim, a criança precisa ser avaliada.
Atraso na fala tem cura?
Depende da causa. Muitas crianças que falam tarde chegam aos 5, 6 ou 7 anos com a linguagem dentro da média, embora, como grupo, mantenham resultados um pouco mais baixos até a adolescência. Quando existe uma causa, como perda auditiva ou transtorno da linguagem, o tratamento dela e a fonoterapia fazem a diferença.
Atraso na fala é genético?
Ter casos de atraso na fala ou de dificuldade de linguagem na família aumenta o risco. Em um estudo australiano com 1.766 crianças de 2 anos, a história familiar e o sexo masculino estiveram entre os principais fatores ligados ao atraso, e a escolaridade e a renda dos pais não tiveram relação com ele.
Qual é o CID do atraso na fala?
O CID-10 tem o código R62.0, retardo de maturação, que inclui a fala tardia. Quando a avaliação define o tipo de transtorno, entram os códigos F80.1, transtorno expressivo de linguagem, F80.2, transtorno receptivo da linguagem, ou F80.9, transtorno não especificado do desenvolvimento da fala ou da linguagem. O código certo é definido pelo médico depois da avaliação.
Criança que só aponta e não fala tem atraso na fala?
Apontar para pedir alguma coisa é um bom sinal de comunicação e é marco dos 15 meses. Mas, aos 15 meses, a criança também tenta dizer uma ou duas palavras, e aos 18 meses fala três ou mais. Se ela só aponta e não fala depois dessa idade, precisa de avaliação.
Teste da orelhinha normal descarta problema de audição?
Não. O teste da orelhinha é feito logo depois do nascimento e mostra como estava a audição naquele momento. Uma perda auditiva pode aparecer depois, por exemplo com a otite média secretora. A criança com atraso na fala precisa de avaliação da audição mesmo com o teste da orelhinha normal.
Atraso na fala e no andar ao mesmo tempo é preocupante?
Sim, merece avaliação. A revisão do CDC trouxe marcos de movimento ao lado dos de linguagem, e o atraso em mais de uma área pede uma avaliação do desenvolvimento como um todo, e não só da fala.
Referências
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Avaliação do atraso na fala em Brasília
Se a criança não atingiu algum marco da linguagem para a idade, perdeu palavras que já falava ou deixa a família preocupada, o primeiro passo é uma avaliação completa. Na consulta com otorrino na OtoCare, no Noroeste de Brasília, a criança é examinada, a audição é investigada com os exames adequados à idade e o tratamento é indicado, com fonoterapia na própria clínica quando necessário. Outras orientações estão na página de orientações aos pacientes.