Otite média secretora: sintomas, causas e tratamento

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Otite média secretora é líquido atrás do tímpano sem sinais de infecção aguda

Otite média secretora, otite média serosa e otite média com efusão são três nomes para o mesmo problema. Nos três casos, existe líquido parado na orelha média, o espaço que fica atrás do tímpano, sem os sinais de uma infecção aguda, como febre, dor de ouvido ou secreção saindo pelo ouvido.

Esse tipo de otite é muito comum, sobretudo nas crianças menores de 4 anos. Como quase não dói, ele costuma passar despercebido, mas o líquido abafa o som e pode atrapalhar a audição e o desenvolvimento da fala.

A boa notícia é que existe tratamento, e na maioria das vezes a resposta é boa. O cuidado começa pelo nariz e pela causa do acúmulo, e várias medidas simples do dia a dia ajudam a prevenir.

Médica examina um modelo anatômico do ouvido ao lado de criança com incômodo na orelha

Atenção à audição da criança: se ela começa a falar mais alto, pede para repetir frases ou aumenta o volume dos aparelhos, procure avaliação mesmo sem dor e sem febre.

Otite média secretora é comum?

Muito. Nos Estados Unidos, cerca de 2,2 milhões de casos são diagnosticados a cada ano, segundo a diretriz de 2016 da academia americana de otorrinolaringologia. Nas crianças, o problema é ainda mais frequente. Mais da metade tem pelo menos um episódio no primeiro ano de vida, mais de 60% até os 2 anos e cerca de 90% antes da idade escolar.

Adultos também podem ter otite média secretora, mas são a minoria dos casos. Já nas crianças com síndrome de Down ou com fissura no céu da boca, a fissura palatina, o líquido no ouvido é bem mais frequente. Nelas, a diretriz recomenda procurar o líquido ativamente, porque os sinais podem ser discretos ou nem aparecer.

Onde fica a orelha média?

O ouvido tem três partes. A orelha externa é o canal por onde o som entra. No fim desse canal fica o tímpano, uma membrana fina, e atrás dele está a orelha média, uma pequena cavidade que guarda os ossinhos da audição e vai do tímpano até a entrada da tuba auditiva.

Normalmente, essa cavidade é cheia de ar. A tuba auditiva, um canal fino entre a orelha média e o fundo do nariz, a rinofaringe, faz a ventilação desse espaço. Segundo o Manual MSD, quando a tuba fica obstruída, o ar da orelha média vai sendo absorvido, a pressão cai e o líquido passa a se juntar ali. Na otite média secretora, a cavidade que deveria ter ar fica com secreção.

Qual é a diferença entre otite média secretora e otite média aguda?

Na otite média aguda existe uma infecção ativa. O ouvido dói e tampa, muitas vezes vem febre e às vezes sai secreção pelo ouvido. Quando há pus atrás do tímpano, o quadro também é chamado de otite média supurada.

Na otite média secretora, o líquido está lá, mas sem esses sinais de agudização. Ela não costuma doer, não dá febre e não faz o ouvido escorrer. Por isso pode passar semanas sem ser notada, enquanto a audição fica abafada.

Os outros tipos de otite estão reunidos na orientação sobre otite. A orientação sobre antibiótico para otite mostra por que a decisão depende do diagnóstico e não apenas da presença de líquido.

Por que o líquido se acumula atrás do tímpano?

Em geral, a otite média secretora aparece depois de uma de duas situações. A primeira é uma otite média aguda. Depois que a fase da infecção passa, com a dor, a febre e o ouvido tampado, o líquido pode continuar dentro do ouvido. Segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo, isso acontece em cerca de metade das crianças com otite média secretora.

A segunda é uma gripe, um resfriado, uma crise forte de rinite alérgica ou uma sinusite bacteriana. O nariz fica muito congestionado, inflamado e com secreção, e essa congestão avança até a tuba auditiva. A tuba passa a funcionar mal, e a secreção se acumula dentro do ouvido. Essa congestão pode vir de vírus, de bactérias ou de uma alergia.

Quando a tuba não abre como deveria, o quadro recebe o nome de disfunção tubária. Uma adenoide grande também pode atrapalhar a ventilação do ouvido, tanto por ocupar a região onde a tuba se abre quanto pelo biofilme, a camada de bactérias que se forma sobre ela. A necessidade de tratar ou operar a adenoide depende do conjunto de sintomas, do exame e da resposta ao tratamento clínico.

Por que a otite média secretora é mais comum em crianças?

A explicação está na anatomia. Na criança, a tuba auditiva ainda é imatura, mais curta e mais horizontal, enquanto a do adulto é mais inclinada. Com essa posição, os micróbios e as secreções do fundo do nariz sobem com mais facilidade até o ouvido e favorecem a inflamação da orelha média.

Além disso, as crianças ficam gripadas e resfriadas mais vezes do que os adultos e, por isso, também têm mais otite média aguda. Somadas à tuba auditiva da infância, essas infecções explicam por que a otite média secretora é tão mais frequente nessa fase.

Outros fatores aumentam o risco, segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo, como frequentar creche ou escola, conviver com fumaça de cigarro, usar chupeta ou mamadeira, ter rinite alérgica e respirar pela boca. A posição completamente deitada na hora de mamar também pode favorecer a otite, como mostra a orientação sobre por que mamar deitado pode favorecer otite.

Quando a otite média secretora fica crônica?

Na maioria das vezes, o episódio é passageiro e o líquido some depois da otite ou do resfriado. Em alguns pacientes, porém, a secreção parada mantém inflamada a mucosa que forra a orelha média por dentro. Essa mucosa passa a liberar substâncias inflamatórias, bactérias formam um biofilme no local, e o processo se alimenta sozinho até cronificar.

A diretriz americana chama de crônica a otite média secretora que dura três meses ou mais. Ela também mostra que de 30% a 40% das crianças voltam a ter novos episódios e que de 5% a 10% dos episódios duram um ano ou mais.

O quadro que se arrasta pode trazer complicações. A inflamação e a pressão negativa dentro da orelha média puxam o tímpano para dentro, a chamada retração da membrana timpânica. Em alguns casos, a situação evolui para o colesteatoma, uma forma de otite média crônica em que pele se acumula dentro do ouvido e destrói aos poucos as estruturas ao redor.

Quais sintomas e sinais podem aparecer?

Os sintomas costumam ser sutis, e isso dificulta o diagnóstico. Os principais estão listados abaixo.

  • audição diminuída, com o som abafado;
  • zumbido;
  • sensação de ouvido tampado;
  • falta de equilíbrio;
  • estalos ou um som de crepitação no ouvido ao engolir.

A dor de ouvido é rara, segundo o Manual MSD, e não há febre nem secreção saindo pelo ouvido. Sem esses sinais, o quadro pode se arrastar por semanas, sobretudo em bebês e crianças pequenas, que ainda não conseguem dizer que o ouvido está abafado.

Muitas vezes, os pais percebem primeiro. A criança começa a falar mais alto, pede para aumentar o volume da televisão ou do tablet, diz que não escutou e pede para repetir. Parecem detalhes, mas são sinais de que ela talvez não esteja ouvindo bem. O NHS, o sistema público de saúde britânico, acrescenta a dificuldade de ouvir quem está longe, a distração enquanto alguém fala e o cansaço ou a irritação de quem precisa se esforçar para escutar. A Sociedade de Pediatria de São Paulo cita ainda dificuldade de concentração, agitação e tropeços e quedas frequentes. As quedas podem ter relação com o equilíbrio, que também depende do ouvido, e a otite está entre as causas de tontura em crianças.

A otite média secretora prejudica a audição e a fala?

Prejudica. Com líquido no lugar do ar, o som passa com dificuldade pela orelha média, e o ouvido fica abafado. Essa é a perda auditiva condutiva, que em geral vai de leve a moderada. Nas crianças com otite média secretora, a perda média fica em torno de 28 decibéis, segundo a diretriz americana.

Mesmo leve, essa perda pesa na infância, porque a criança está no período crítico de aprender a falar e a entender os sons. Quando o líquido se repete ou demora a sair, a fala e a linguagem podem atrasar, e alguns estudos mostram efeito no desempenho escolar e no desenvolvimento do processamento auditivo central. Por isso a audição é um dos primeiros pontos avaliados na criança com dificuldade de aprendizagem. Os marcos que ajudam a perceber esse atraso estão na orientação sobre atraso na fala. Quando a dificuldade de compreender continua mesmo com a audição normal, a investigação está na orientação sobre o transtorno do processamento auditivo central.

Nos países desenvolvidos, a otite média secretora é a principal causa de perda auditiva na infância. Por isso, o olhar precisa ser mais atento nas crianças que vivem com o nariz entupido, têm rinite alérgica ou pegam gripes de repetição.

No adulto, a perda de audição muitas vezes vira hábito, e a pessoa deixa de dar importância a ela, mas o abafamento atrapalha a comunicação do dia a dia. Sem tratamento, o adulto também fica sujeito à retração do tímpano e ao colesteatoma.

Como o diagnóstico é feito?

Muitas vezes, o diagnóstico sai no próprio consultório, com o exame do ouvido. O otoscópio, aparelho com luz e lente usado para olhar o canal, mostra o tímpano. Na otite média secretora, ele fica mais opaco, perde o brilho, mostra mais vasos e, às vezes, deixa ver o líquido ou bolhas atrás dele. A diretriz americana recomenda a otoscopia pneumática, em que um leve sopro de ar mostra se o tímpano se mexe, já que o tímpano com líquido atrás quase não se move.

O exame se completa com a audiometria, que mostra se existe perda auditiva e qual é a intensidade, e com a impedanciometria, que avalia a ventilação da orelha média e a presença de líquido. Na otite média secretora, o resultado típico é uma curva achatada, a curva tipo B.

O exame do nariz por dentro também é sempre feito. Com uma câmera fina, a nasofibrolaringoscopia chega até a região da tuba auditiva e procura rinite, sinusite, adenoide aumentada ou qualquer outra alteração que esteja obstruindo a tuba. O objetivo é entender não apenas o líquido no ouvido, mas o que está mantendo esse acúmulo.

Como é feito o tratamento?

O tratamento tem dois pontos de partida. O primeiro é tratar bem a otite média aguda, com o antibiótico e os remédios certos quando eles são necessários. Como a forma secretora muitas vezes nasce de uma otite aguda, esse cuidado inicial evita que uma vire a outra.

O segundo ponto, que é a base, é tratar o nariz. Rinite alérgica, sinusite bacteriana e adenoide aumentada que obstrui a tuba precisam ser controladas, para que o nariz funcione o melhor possível. Assim a tuba auditiva volta a drenar as secreções do ouvido e a ventilar a orelha média. Com o nariz e a otite tratados, a otite média secretora em geral se resolve sozinha.

Na criança sem fatores de risco, a diretriz americana recomenda acompanhar por três meses, contados desde o início do líquido ou, quando essa data não é conhecida, desde o diagnóstico. A mesma diretriz não recomenda corticoide, antialérgico ou descongestionante usados apenas para secar o líquido, e reconhece o corticoide nasal quando há rinite alérgica junto. A escolha de cada remédio é avaliada caso a caso na consulta, de acordo com a causa no nariz.

Enquanto o líquido continua, a diretriz orienta reavaliar a criança a cada três a seis meses, com exame do ouvido e da audição, até o líquido sumir ou aparecer um motivo para mudar o tratamento.

Quando é indicado o tubo de ventilação (carretel)?

Quando o tratamento não resolve e o líquido persiste por mais de três meses, existe a possibilidade de um procedimento cirúrgico. Um pequeno tubo de ventilação é colocado no tímpano para drenar a secreção e deixar o ar entrar na orelha média. Popularmente, esse tubo é conhecido como carretel. Só uma minoria dos casos tem essa evolução menos favorável e precisa de cirurgia. A cirurgia se chama timpanotomia com colocação do tubo de ventilação e faz parte das cirurgias realizadas pela equipe da OtoCare.

Em alguns pacientes, o tubo é colocado junto com a retirada da adenoide, porque muitas vezes a causa é uma adenoide grande que obstrui a ventilação do ouvido e não respondeu ao tratamento clínico. Pela diretriz americana, abaixo dos 4 anos a cirurgia indicada é o tubo, e a adenoide só é retirada se houver outro motivo, como o nariz entupido. A partir dos 4 anos, as opções são o tubo, a retirada da adenoide ou as duas juntas. Como é feita a cirurgia de adenoide e como é a recuperação estão na página do procedimento.

Segundo o Manual MSD, a colocação do tubo em geral exige anestesia geral ou sedação, e a criança costuma voltar para casa poucas horas depois. Os tubos de curta duração caem sozinhos, e o pequeno orifício no tímpano costuma fechar sem outra cirurgia, segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo. A indicação do tubo e da retirada da adenoide é avaliada na consulta, junto com a família.

O que ajuda a prevenir?

Muita coisa ajuda a prevenir a otite média secretora, principalmente nas crianças.

  • Amamentação: o leite materno passa anticorpos da mãe para o bebê e melhora a imunidade. A criança tem menos gripes, resfriados e otites e, em consequência, menos chance de evoluir para a forma secretora.
  • Casa sem cigarro: não permita que fumem perto da criança nem dentro de casa. Estudos mostram que a exposição ao tabaco aumenta bastante as otites médias na infância, e a diretriz americana liga o risco ao tempo de exposição.
  • Menos chupeta: evite a chupeta, principalmente antes de 1 ano e meio. Limitar o uso nessa idade diminui as otites agudas em cerca de 30%, segundo a diretriz americana.
  • Vacina pneumocócica: ela protege muito bem contra otites e já faz parte do calendário de vacinação das crianças. Mantenha o restante do calendário em dia.
  • Mãos limpas: as mãos são o grande veículo dos vírus respiratórios, e lavá-las com regularidade reduz as infecções que abrem caminho para a otite.
  • Lavagem nasal bem feita: o volume e a pressão precisam ser adequados à idade. A orientação sobre lavagem nasal em crianças explica como escolher o método.

A lavagem nasal faz muito bem ao nariz, mas, feita do jeito errado, com volume ou pressão inadequados, pode levar a solução e as secreções até o ouvido e causar otite média secretora. Por isso, a técnica e o volume são definidos com o otorrino, conforme a idade. Se o ouvido doer ou tampar durante a lavagem, a conduta aparece na orientação que responde se a lavagem nasal causa otite.

Avaliação da otite média secretora na OtoCare

Na consulta de otorrino da OtoCare, o tímpano e o nariz são examinados, e a audiometria, a impedanciometria e a nasofibrolaringoscopia são feitas na própria clínica. Nos pequenos, a audição é avaliada com o exame adequado para a idade, como mostra a orientação sobre audiometria em crianças.

Quando o líquido persiste, a consulta define o tratamento do nariz, o momento de reavaliar e a necessidade de tubo de ventilação ou de cirurgia da adenoide. Quando há indicação, a timpanotomia com colocação do tubo é feita pela própria equipe da clínica. A decisão é tomada junto com a família, levando em conta a audição, a fala e o tempo de duração do quadro.

Vídeo: otite média secretora, sintomas, tratamento e prevenção

No vídeo, um modelo anatômico mostra onde o líquido se acumula, por que as crianças são mais vulneráveis, quais sinais observar, como o diagnóstico é feito e quando o tubo de ventilação pode ser necessário.

Perguntas frequentes

Otite média secretora é grave?

Na maioria das vezes, não. O líquido costuma sumir com o tratamento da causa, e a audição volta ao normal. A atenção fica para os casos que se arrastam ou se repetem, porque a perda auditiva atrapalha a fala e o aprendizado da criança e o tímpano pode sofrer com o tempo. Nesses casos, a Sociedade de Pediatria de São Paulo considera a doença séria para o desenvolvimento infantil.

Quanto tempo dura a otite média secretora?

Depende de como ela começou. Depois de uma otite aguda, o líquido vai sumindo aos poucos. Segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo, 70% dos ouvidos ainda têm secreção duas semanas depois, 40% depois de um mês, 20% depois de dois meses e cerca de 10% depois de três meses. Quando o líquido já dura três meses ou mais nos dois ouvidos, a chance de ir embora sozinho fica bem menor, e o acompanhamento passa a ser mais próximo.

Otite média secretora tem cura?

Tem. A maior parte dos casos melhora com o cuidado do nariz e da otite aguda, sem cirurgia. Quando o líquido não sai, o tubo de ventilação em geral devolve a audição perdida por causa do líquido. O problema também fica bem menos comum com o crescimento, já que atinge principalmente crianças menores de 7 anos, segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Otite média secretora precisa de antibiótico?

Para tirar o líquido do ouvido, não. A diretriz americana desaconselha o antibiótico com esse objetivo, e o Manual MSD também afirma que ele não ajuda. O antibiótico entra quando existe uma infecção bacteriana junto, como uma otite média aguda ou uma sinusite bacteriana. Só o exame mostra quando é o caso.

Otite serosa pode dar febre ou dor?

Em geral, não. Febre e dor forte são sinais de otite média aguda. O ouvido com líquido, porém, fica mais sujeito a infecções, e a diretriz americana mostra que as crises agudas chegam a ser até cinco vezes mais frequentes nessa situação. Se a febre ou a dor aparecerem, uma otite aguda pode ter se instalado sobre a secretora, e o ouvido precisa ser examinado de novo.

Líquido persistente em apenas um ouvido do adulto precisa ser investigado?

Sim. No adulto, a otite média secretora é menos comum e costuma estar ligada a rinite, sinusite ou resfriado. Quando o líquido persiste de um lado só, o exame do nariz e da rinofaringe, onde a tuba auditiva se abre, faz parte da investigação. Segundo o Manual MSD, em adultos e adolescentes esse exame serve também para descartar um tumor, causa rara de obstrução da tuba.

É seguro viajar de avião com otite média secretora?

A mudança de pressão no voo pode causar dor e até lesão no ouvido com líquido, e o risco depende da quantidade de líquido, segundo a diretriz americana. O Manual MSD orienta evitar ou adiar voos e mergulhos enquanto o líquido estiver presente. Quando a viagem não pode esperar, mamar, beber ou mastigar durante o voo ajuda a criança pequena. Outras medidas para o ouvido que tampa no avião estão na orientação sobre ouvido tampado e disfunção tubária.

Quem tem otite serosa pode ir à piscina?

Pode. Segundo a diretriz americana, banho e natação estão liberados durante o acompanhamento do líquido. Com o tubo de ventilação, a Sociedade de Pediatria de São Paulo considera desnecessárias as precauções de rotina com a água, e algumas crianças usam protetor de ouvido apenas quando a água incomoda. Na perfuração do tímpano a conduta é diferente, como mostra a orientação sobre perfuração no tímpano.

Qual é o CID da otite média secretora?

Na CID-10, ela fica no grupo H65, das otites médias não supurativas. Os códigos mais usados são H65.0, otite média aguda serosa, H65.2, otite média serosa crônica, H65.3, otite média mucoide crônica, conhecida como ouvido de cola, e H65.9, otite média não supurativa sem especificação. A escolha do código depende do exame.

Existe otite serosa externa?

Não. A otite serosa é sempre uma otite média, com líquido atrás do tímpano. A inflamação do canal do ouvido, antes do tímpano, é a otite externa, um problema diferente, com sintomas e tratamento próprios, explicados na orientação sobre como identificar a otite externa.

Otite serosa tem tratamento natural?

Não existe remédio natural que comprovadamente tire o líquido do ouvido. A diretriz americana considera insuficientes as evidências sobre tratamentos complementares e alternativos. Sem remédio, o que ajuda é cuidar bem do nariz e afastar os fatores de risco, como a fumaça de cigarro e a chupeta, enquanto o ouvido é acompanhado na consulta.

Bebê pode ter otite serosa? E o teste da orelhinha?

Pode, e é comum. O líquido atrás do tímpano é uma causa frequente e passageira de falha no teste da orelhinha. Nesse caso, a diretriz americana recomenda repetir a avaliação da audição depois que o líquido sumir, para ter certeza de que não existe uma perda auditiva permanente escondida por trás dele.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Otite média secretora: o que é, como acontece, como tratar, como prevenir? YouTube, 26 jun. 2024. 1 vídeo (19 min 21 s). Disponível em: https://youtu.be/ukRC_RYzaTM. Acesso em: 6 out. 2026.
  2. ROSENFELD, Richard M. et al. Clinical Practice Guideline: Otitis Media with Effusion (Update). Otolaryngology–Head and Neck Surgery, v. 154, supl. 1, p. S1-S41, 2016. DOI: 10.1177/0194599815623467. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26832942/. Acesso em: 6 out. 2026.
  3. SOCIEDADE DE PEDIATRIA DE SÃO PAULO. Desafios frente à otite média secretora. Documento científico do Departamento de Otorrinolaringologia. São Paulo: SPSP, 9 dez. 2024. Disponível em: https://spsp.org.br/documento-cientifico-desafios-frente-a-otite-media-secretora/. Acesso em: 6 out. 2026.
  4. JAN, Taha A. Otite média (serosa). Manual MSD Versão Saúde para a Família. Rahway: Merck & Co., jan. 2024, atualizado em abr. 2025. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/distúrbios-do-ouvido-nariz-e-garganta/doenças-do-ouvido-médio/otite-média-serosa. Acesso em: 6 out. 2026.
  5. NATIONAL HEALTH SERVICE (NHS). Glue ear. Londres: NHS, 2023. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/glue-ear/. Acesso em: 6 out. 2026.
  6. BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. CID-10: doenças do ouvido médio e da mastoide (H65-H75). Brasília: DATASUS, 2008. Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/h65_h75.htm. Acesso em: 6 out. 2026.

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