Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Criança pode ter tontura, mas tontura não é normal em nenhuma idade
É normal criança ter tontura? A dúvida aparece muito entre pais e mães, e a resposta tem duas partes. A criança pode, sim, sentir tontura, e isso acontece mais do que muita gente imagina. Mas poder acontecer não quer dizer que seja normal. Criança não deve sentir tontura.
Dois estudos de população, um na Finlândia e outro na Escócia, ajudam a medir o problema. Entre quase mil crianças finlandesas de 1 a 15 anos, 8% já tinham sentido tontura, e em quase um quarto delas a crise foi forte a ponto de interromper o que estavam fazendo. Na cidade escocesa de Aberdeen, cerca de 15% dos mais de 2 mil escolares pesquisados tiveram pelo menos uma crise de tontura no ano anterior.
Esses números chamaram a atenção para um fato que muitas famílias desconheciam, o de que a tontura também aparece na infância. Existem muitas causas, e a maioria é passageira e sem gravidade, mas algumas são mais sérias e trazem riscos.

Criança pode ter tontura, mas tontura nunca é normal. Do bebê ao adolescente, quando ela aparece, a causa precisa ser investigada.
Os números verdadeiros podem ser maiores. Segundo um texto de atualização da ABORL-CCF, até os 6 ou 7 anos a criança descreve o que sente de um jeito impreciso, e as crises costumam ser curtas, por isso muitas passam despercebidas pelos pais. Uma revisão de estudos italiana lembra ainda que, na criança, a tontura costuma vir de doenças diferentes das que aparecem no adulto, e a investigação leva isso em conta.
Como saber se a criança está com tontura?
Muitas vezes, a criança com tontura não consegue dizer aos pais que está tonta. Falta a palavra, e a sensação é difícil de explicar até para um adulto. A tontura então aparece no comportamento, e os sinais mudam com a idade.
No bebê
O bebê com tontura costuma preferir ficar deitado no berço. Quando alguém o pega no colo, ele chora e fica irritado, porque se sente instável e o movimento traz desconforto.
Outro sinal são os episódios em que a cabeça fica inclinada para um lado, às vezes com enjoo, vômito e palidez. Esse quadro se chama torcicolo paroxístico da infância e pode indicar uma alteração no sistema do equilíbrio. Pela descrição da ABORL-CCF, ele começa de repente no primeiro ano de vida, dura de minutos a horas e passa sozinho, e o bebê não mostra dor, a não ser quando alguém tenta endireitar a cabeça dele.
Na criança pequena, que ainda não sabe explicar
Antes da idade escolar, a criança raramente usa a palavra tontura. A ABORL-CCF descreve uma cena típica por volta dos 4 ou 5 anos. A criança está brincando bem e, de repente, fica pálida, às vezes chora e procura se segurar em quem estiver mais perto. Em poucos minutos ela volta ao normal, e a crise pode passar como um susto sem explicação.
Segundo a ABOPe, a academia brasileira de otorrinolaringologia pediátrica, a criança pequena também pode passar mal em lugares escuros, no carro ou quando é balançada no colo, e mostrar incômodo nos brinquedos que giram.
Na criança em idade escolar
Na idade escolar, dos 7 aos 11 anos mais ou menos, a criança maior começa a se isolar. Evita as brincadeiras típicas da idade, como andar de bicicleta, ir ao parquinho, brincar de roda ou de girar, porque elas pioram os sintomas. Pode também tropeçar, andar com insegurança e cair mais do que os colegas. Depois dos 6 ou 7 anos, a criança já consegue contar melhor o que sente, e ouvir o relato dela sobre a crise ajuda muito na consulta.
Até a dificuldade de aprendizagem pode ser uma forma de a tontura aparecer. Estudos mostram que a criança com transtorno de aprendizagem precisa de uma boa avaliação otorrinolaringológica, porque o problema pode estar no sistema vestibular, o sistema do equilíbrio. Alguns trabalhos apontam também crianças com atraso na fala em que um transtorno vestibular estava na base do quadro. A ABORL-CCF reforça que crianças com dificuldade na escola e comportamento diferente do esperado podem ter um distúrbio do equilíbrio. A investigação da dificuldade de aprendizagem e do atraso na fala tem orientações próprias.
No adolescente
Na adolescência, a partir dos 12 anos, o jovem já descreve a tontura com clareza, e a lista de causas começa a mudar. Segundo uma revisão de 2021, as doenças do ouvido e do labirinto tendem a ganhar peso à medida que a idade avança.
Nessa fase, o lado emocional também conta. Segundo uma revisão alemã, cerca de metade dos adolescentes com tontura tem ansiedade ou outro problema emocional associado, e nas meninas dessa idade a tontura de origem emocional é o diagnóstico mais frequente. A relação está explicada na orientação sobre tontura por ansiedade.
A tontura ao ficar em pé é outra queixa comum. Segundo a ABORL-CCF, um terço dos adolescentes saudáveis tem queda da pressão ao se levantar, principalmente depois do estirão de crescimento, e isso melhora sozinho com o tempo. As causas e os cuidados estão na orientação sobre tontura ao levantar. Os esportes trazem ainda o risco das pancadas na cabeça, assunto mais abaixo.
Em qualquer idade, a regra é observar. Se a criança saiu da rotina e passou a mostrar algum desses sinais, a tontura entra entre as suspeitas, e a avaliação com otorrino ajuda a esclarecer o quadro.
Quais são as causas de tontura em crianças?
As causas de tontura na infância são muitas. Algumas estão no próprio ouvido, outras se ligam à enxaqueca, e há também causas do corpo todo e do sistema nervoso.
Vertigem paroxística benigna da infância e enxaqueca
As crises ligadas à enxaqueca são a principal causa de tontura nas crianças, e as revisões de estudos com crianças mostram o mesmo. Entre as causas que vêm do próprio ouvido, a ABORL-CCF aponta a otite média como a mais comum. Os dois grupos estão entre as primeiras suspeitas quando uma criança tem tontura.
A vertigem paroxística benigna da infância, conhecida pela sigla VPBI, costuma aparecer entre os 3 e os 7 anos, mais ou menos. Muitas vezes é uma tontura que roda, com enjoo e vômito, dura minutos e deixa a criança muito incapacitada. As crises tendem a ser intensas, e a criança se isola e sai das atividades do dia a dia.
Hoje se entende que a VPBI é uma forma de manifestação da enxaqueca na infância. A enxaqueca não é só dor de cabeça. Ela também pode aparecer como crises de tontura, e na criança essa manifestação é frequente. No adulto, o quadro equivalente é a enxaqueca vestibular.
Muitas dessas crianças, quando eram bebês, tiveram o torcicolo paroxístico, que pertence à mesma família. Um estudo americano revisou os prontuários das crianças atendidas num serviço infantil de Boston e chamou essa sequência de marcha vestibular. Parte dos bebês com torcicolo passou a ter VPBI mais tarde, e parte das crianças com VPBI passou a ter enxaqueca vestibular.
O curso costuma ser bom. Segundo a ABORL-CCF, as crises que se repetem sem sinais de enxaqueca podem voltar por três ou quatro anos e depois desaparecem, mesmo sem tratamento específico, e a doença é benigna.
Otite média secretora
A otite média também causa tontura com frequência, em especial a otite média secretora, quando fica secreção atrás do tímpano. O líquido no ouvido altera a percepção do espaço e pode levar a desequilíbrio e tontura. Não é raro uma criança pequena com secreção no ouvido andar com dificuldade e perder o equilíbrio e, depois do tratamento, quando o líquido sai do ouvido, melhorar a postura e o equilíbrio.
Esse tipo de otite quase não dói e não dá febre, e os sintomas podem ser tão discretos que o quadro se arrasta sem ninguém perceber. A ABORL-CCF descreve duas explicações para a tontura. Substâncias da secreção podem chegar ao labirinto e inflamá-lo, ou o líquido pode pressionar as pequenas janelas que ligam a orelha média ao labirinto. Os sinais na audição e o tratamento estão na orientação sobre otite média secretora.
Cinetose, o enjoo de movimento
Na cinetose, a criança passa mal no carro, no ônibus, no barco ou no avião, com enjoo, palidez, suor frio e às vezes vômito. O problema é muito mais frequente na infância, pode ser uma das formas de a enxaqueca aparecer e tende a melhorar com o crescimento. Segundo a ABORL-CCF, antes dos 3 anos ele quase não aparece, porque o labirinto ainda está imaturo. Causas, prevenção e tratamento estão na orientação sobre cinetose.
Pancada na cabeça
Segundo a ABORL-CCF, os traumas na cabeça são frequentes antes dos 5 anos e diminuem com o crescimento. Numa revisão de estudos italiana, o trauma na cabeça ficou logo depois das crises ligadas à enxaqueca entre as causas de tontura mais comuns na criança. A pancada pode afetar o labirinto ou soltar os cristais que ficam dentro dele. Os cuidados depois de uma batida estão na orientação sobre tontura após traumatismo craniano.
Outras doenças do labirinto
Algumas doenças comuns no adulto são incomuns na criança. Segundo a ABORL-CCF, a neurite vestibular, inflamação do nervo do equilíbrio, não é frequente na infância, e a criança costuma se recuperar melhor do que o adulto. O quadro está na orientação sobre a neurite vestibular. A doença de Ménière também é rara, e a maior parte dos casos infantis aparece depois dos 10 anos. Os sintomas estão na orientação sobre a doença de Ménière.
Alterações metabólicas e hormonais
Alterações do metabolismo e dos hormônios também podem trazer tontura à criança, como as subidas da glicose no diabetes e os problemas de tireoide. Esse grupo de causas tem orientação própria, sobre a tontura metabólica ou hormonal.
Causas no sistema nervoso
Mais raramente, a tontura na criança vem de um tumor ou de outra lesão no sistema nervoso central. Segundo a ABORL-CCF, as doenças da parte de trás do crânio respondem por uma parcela pequena das tonturas infantis. Justamente por essa possibilidade, o sintoma precisa ser bem investigado e não deve ser tratado apenas com remédio para tontura.
Quando a tontura da criança precisa de avaliação sem demora?
Na maioria das vezes, a crise passa, a criança volta ao normal e a avaliação pode ser marcada com calma. Alguns sinais, porém, fazem pensar em causas mais sérias.
Segundo a ABORL-CCF, quando a tontura vem de uma lesão na parte de trás do crânio, onde ficam o cerebelo e o tronco cerebral, costumam aparecer antes dela outros sinais neurológicos, como andar cambaleante, fala enrolada e visão dupla. Depois de uma pancada na cabeça, a ABOPe chama a atenção para os casos em que a tontura chega com dor de cabeça forte, enjoo, vômitos, sonolência ou qualquer alteração neurológica. Esses sinais precisam de avaliação médica sem demora.
Fora dessas situações, crises que se repetem, quedas frequentes e uma criança que passou a evitar as brincadeiras também merecem consulta, mesmo que ela pareça bem entre uma crise e outra.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito pela história clínica e pelo exame físico. O otorrino examina os ouvidos para ver se há secreção ou outra alteração e observa como a criança se equilibra e como os olhos se movem. A família ajuda muito ao contar quando as crises começaram, quanto tempo duram, de quanto em quanto tempo voltam e o que a criança estava fazendo antes.
Em alguns casos, entram exames complementares, escolhidos conforme o quadro e a história da criança.
- Exames da audição, como a audiometria, feitos de forma adaptada à idade, assunto da orientação sobre audiometria em crianças.
- A impedanciometria, que mostra se existe secreção atrás do tímpano.
- Exames do labirinto. O vHIT, feito na OtoCare em crianças e adultos, registra a resposta dos olhos aos movimentos rápidos da cabeça e avalia cada canal do labirinto. Outros exames do equilíbrio entram quando a consulta indica.
- Exames de sangue, quando a suspeita é de causa metabólica ou hormonal.
- Exames de imagem, como ressonância magnética ou tomografia, a depender do caso.
Para as crises ligadas à enxaqueca, a Sociedade Bárány publicou em 2021, junto com a Sociedade Internacional de Cefaleia, critérios próprios para crianças e adolescentes. Eles descrevem um espectro. Quando as crises vêm com sinais de enxaqueca, o diagnóstico é de enxaqueca vestibular da infância, definida ou provável, conforme o número de crises e de sinais. Quando se repetem sem esses sinais, o nome é vertigem recorrente da infância, que, segundo a ABORL-CCF, substituiu o antigo nome de vertigem paroxística benigna. Nas crianças com torcicolo paroxístico ou VPBI, o estudo da marcha vestibular recomenda conferir também a audição, a presença de otite e o desenvolvimento motor.
Como é o tratamento da tontura em crianças?
O tratamento é individualizado. Não existe um remédio único para a tontura infantil, e cada causa tem um tratamento específico.
- Na otite média secretora, o tratamento é clínico e, quando o líquido continua no ouvido, pode ser feita a cirurgia de tubo de ventilação, às vezes junto com a cirurgia de adenoide.
- Na VPBI e nas crises ligadas à enxaqueca, o tratamento passa por mudanças no estilo de vida, com sono, alimentação e atividade física, por remédios quando o médico indica e pela reabilitação vestibular. Quando a prevenção com remédio é indicada, entram opções como a flunarizina, sempre conforme avaliação e prescrição.
- Nas alterações metabólicas ou hormonais, o foco é o controle da alteração de origem.
- Nas alterações do labirinto que persistem, a reabilitação vestibular usa exercícios para o labirinto.
- Nas causas do sistema nervoso, o tratamento é dirigido à lesão encontrada.
Nas crises que se repetem sem sinais de enxaqueca, a ABORL-CCF dá preferência aos ajustes de alimentação e à atividade física, sem remédio. A decisão entre um caminho e outro é tomada caso a caso, na consulta, conforme a frequência e a força das crises.
Dá para prevenir crises de tontura na infância?
Existe, sim, uma forma de prevenção, e ela se apoia em três pontos muito importantes, o sono, a alimentação e a atividade física. A privação de sono, o sedentarismo e os erros na alimentação podem ser causas e gatilhos das crises de tontura na criança.
Na prática, isso significa horários regulares para dormir, refeições equilibradas e movimento todos os dias. A ABOPe recomenda diminuir doces, bolachas e refrigerantes, principalmente os que têm cafeína, manter uma rotina de sono regular e controlar o tempo de telas. Para as crises que se repetem sem sinais de enxaqueca, a ABORL-CCF cita também o corte do excesso de açúcar e de cafeína e o estímulo às atividades físicas. O enjoo causado pela tela do celular tem orientação própria, sobre a cinetose do celular.
Esses cuidados não substituem o diagnóstico. Eles ajudam a evitar as crises na criança que já tem a tendência.
Vídeo: tontura em crianças, causas, sinais e tratamento
No vídeo, a explicação começa pela pergunta se é normal criança ter tontura e passa pelas causas, pelos sinais em cada idade, pela investigação, pelo tratamento e pela prevenção.
Perguntas frequentes
Tontura e dor de cabeça na criança: o que pode ser?
Quando a tontura vem junto com dor de cabeça, a primeira suspeita costuma ser a enxaqueca. Na criança, as crises ligadas à enxaqueca podem trazer tontura com dor latejante, incômodo com a luz e com o barulho, e é comum haver enxaqueca em outras pessoas da família. Num estudo escocês, a enxaqueca foi duas vezes mais comum nos pais e irmãos das crianças com crises de vertigem. Dor de cabeça intensa depois de uma pancada, ou que chega com alteração na fala, na visão ou no andar, precisa de avaliação médica sem demora.
Tontura com enjoo ou vômito na criança: o que pode ser?
O contexto ajuda a separar as causas. Enjoo e vômito que aparecem nas viagens apontam para a cinetose. Crises de minutos, com palidez, em que a criança para de brincar e depois volta ao normal, lembram a VPBI. Depois de um trauma na cabeça, a tontura com vômitos precisa de avaliação médica sem demora. Os cuidados depois da batida estão na orientação sobre tontura após traumatismo craniano. Quando nada disso explica, a consulta procura outras causas.
Tontura e dor de barriga na criança: o que pode ser?
A dor de barriga que vai e volta pode fazer parte do mesmo quadro da enxaqueca infantil. Num estudo escocês, as crianças com crises de vertigem tinham o mesmo padrão de queixas que se repetem das crianças com enxaqueca, como dor de cabeça, dor abdominal e crises de vômito. A ABORL-CCF descreve uma sequência em que cólicas e vômitos no bebê podem vir antes do torcicolo e das crises de tontura. Mesmo assim, dor de barriga tem muitas causas, e a avaliação olha a criança como um todo.
Tontura e febre na criança: o que pode ser?
Febre com tontura costuma apontar para uma infecção. Na criança, a mais lembrada é a otite média aguda. Segundo a ABOPe, a inflamação do ouvido, com líquido ou pus atrás do tímpano, pode chegar ao labirinto e causar tontura, e a ABORL-CCF observa que a tontura aparece na fase aguda da otite. A labirintite verdadeira é uma complicação rara da otite.
Tontura e fraqueza nas pernas na criança: o que pode ser?
A sensação de fraqueza com a vista escurecendo ao levantar costuma ser queda da pressão, comum na adolescência. O jejum muito prolongado também pode baixar a glicose e afetar o labirinto, assim como as alterações da glicose no diabetes. Outra coisa é a dificuldade real de mexer uma perna ou um braço. O Manual MSD coloca esse sinal entre os alertas da tontura, e ele precisa de avaliação médica sem demora.
Tontura e zumbido no ouvido na criança: o que pode ser?
Zumbido junto com tontura aponta para o ouvido. A otite com secreção dá sensação de ouvido tampado e pode tirar o equilíbrio. A doença de Ménière, rara na criança, junta crises de tontura com zumbido, sensação de ouvido tampado e piora da audição de um lado. Segundo a ABORL-CCF, a audiometria com perda nos sons graves de um ouvido só merece atenção mesmo quando a criança não fala do zumbido, e nesses casos um exame de imagem é recomendado.
O que é vertigem na criança?
Vertigem é a tontura em que tudo à volta parece girar, ou em que a própria pessoa sente que gira, mesmo parada. Segundo o Manual MSD, é uma sensação de movimento sem movimento real, parecida com a da brincadeira de girar muitas vezes e parar de repente, quando tudo continua rodando. Na criança, ela aparece nas crises de VPBI e em doenças do labirinto. A criança pequena raramente consegue contar que tudo está rodando, e muitas vezes só fica parada, pálida ou agarrada a alguém até a crise passar.
O que fazer quando a criança fica tonta?
Primeiro, evitar a queda e observar a crise. Anote quanto tempo durou, o que ela estava fazendo e o que sentiu, porque esses detalhes ajudam no diagnóstico. Enquanto isso, a criança fica sentada ou deitada num lugar seguro, onde não possa cair, com alguém por perto até a crise passar. Movimentos bruscos e levantar depressa pioram a tontura, então a volta às atividades deve ser devagar. Não dê remédio para tontura por conta própria. Outras medidas estão na orientação sobre o que fazer em uma crise de tontura.
Existe remédio bom para tontura infantil?
Não existe um remédio que sirva para todos os casos, porque o tratamento depende da causa. Na otite, o foco é o ouvido. Nas crises ligadas à enxaqueca, os hábitos vêm primeiro. Alguns remédios contra tontura e enjoo nem são liberados para crianças, segundo a ABORL-CCF, e o uso sem diagnóstico pode esconder o sintoma, como explica a orientação sobre remédio para tontura que pode piorar o quadro. Remédio para tontura na criança só com avaliação e prescrição.
Tontura na criança é labirintite?
Na maioria das vezes, não. Muita gente chama qualquer tontura de labirintite, mas a labirintite verdadeira, inflamação do labirinto, é rara também na criança. Ela costuma vir como uma crise muito forte, com vômitos, muitas vezes com perda de audição, e que leva dias para melhorar. Crises curtas que vão e voltam, com a criança bem nos intervalos, apontam para outras causas. Essa distinção aparece na orientação que responde se toda tontura é labirintite.
Criança pode ter VPPB?
Pode, mas é incomum. Na VPPB, os cristais do labirinto saem do lugar e provocam crises curtas quando a cabeça muda de posição. Segundo a ABORL-CCF, fora dos casos de trauma na cabeça ela é rara na criança, e como as crianças se mexem muito, os cristais muitas vezes voltam ao lugar sozinhos. O diagnóstico é feito com testes de posição na maca, e o tratamento é a manobra de reposicionamento. O mecanismo está na orientação sobre os cristais do labirinto fora do lugar.
Tontura em criança passa sozinha?
Muitas crises passam sozinhas, principalmente quando a causa é passageira. A crise passar, porém, não quer dizer que a causa foi embora. Tontura que se repete precisa ser investigada, porque algumas causas pedem tratamento e outras, mais raras, exigem diagnóstico cedo.
Com que idade a criança pode ser avaliada?
Em qualquer idade, inclusive no bebê. Boa parte da avaliação vem da história contada pela família e do exame dos ouvidos, e os exames de audição e do equilíbrio são adaptados à criança.
Referências
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Avaliação de tontura infantil em Brasília
Se o seu filho tem crises de tontura, desequilíbrio ou evita as brincadeiras que giram, a consulta com otorrino em Brasília organiza a investigação por idade e define o tratamento conforme a causa encontrada.
Na Clínica OtoCare, no Setor Noroeste, a consulta examina os ouvidos e pode incluir os exames de audição adequados à criança e o vHIT. Veja também por que nem toda tontura é labirintite e em que situações a tontura nunca deve ser considerada normal.
Veja todas as orientações aos pacientes da OtoCare.