Tontura em crianças: causas, sinais, diagnóstico e tratamento

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Criança pode ter tontura, mas tontura não é normal em nenhuma idade

Sim, criança pode ter tontura, e isso é mais comum do que a maioria das famílias imagina. Um estudo populacional realizado na Finlândia com quase mil crianças de 1 a 15 anos encontrou que 8% já haviam sentido tontura, e em parte delas o sintoma chegou a interromper a atividade que estava sendo feita.

Poder acontecer, porém, não significa que seja esperado. Tontura em criança é sinal de que algo precisa ser investigado. A maior parte das causas é passageira e sem gravidade, mas algumas exigem diagnóstico rápido.

Médica observando criança com as mãos na cabeça durante crise de tontura, com espiral colorida ao fundo

Criança não deve sentir tontura. Episódios repetidos, ou um único episódio forte, merecem avaliação com otorrinolaringologista, mesmo que a criança pareça bem nos intervalos.

Quais são as causas de tontura em crianças?

1. Otite média secretora. É a presença de secreção atrás do tímpano, sem dor e muitas vezes sem febre. Talvez seja a causa mais frequente na infância. O líquido altera a percepção de espaço e leva a desequilíbrio, quedas e marcha insegura. É comum que crianças pequenas com secreção nos ouvidos melhorem a postura e o equilíbrio assim que o ouvido é tratado.

2. Vertigem paroxística benigna da infância. Conhecida pela sigla VPBI, aparece sobretudo na idade escolar, em torno dos 3 aos 7 anos. São crises de tontura rotatória que duram minutos, muitas vezes com enjoo, vômito e palidez, e que deixam a criança bastante incapacitada durante o episódio. Hoje é entendida como uma forma de manifestação da enxaqueca na infância, no mesmo espectro da enxaqueca vestibular do adulto.

3. Torcicolo paroxístico da infância. Em bebês, a mesma condição pode aparecer antes, na forma de episódios em que a cabeça fica inclinada para um dos lados, às vezes com náusea, vômito e palidez. Muitas crianças que tiveram torcicolo paroxístico quando bebês apresentam crises de vertigem anos depois.

4. Causas metabólicas e hormonais. Alterações de glicemia, diabetes e problemas de tireoide também podem se manifestar como tontura na criança.

5. Causas centrais. Com menos frequência, a tontura pode vir de uma lesão no sistema nervoso central, incluindo tumores. É justamente por isso que o sintoma não pode ser ignorado nem tratado apenas com remédio para tontura.

Como saber se a criança está com tontura?

A criança pequena não sabe nomear o que sente. Em vez de dizer que está tonta, ela muda o comportamento. Os sinais variam com a idade.

No bebê:

  • prefere ficar deitado no berço e reage mal quando é pego no colo;
  • chora ou fica irritado ao ser movimentado, por se sentir instável;
  • apresenta episódios com a cabeça inclinada para um lado.

Na criança maior:

  • evita brincadeiras que giram, como roda, balanço e gira-gira;
  • deixa de andar de bicicleta ou de ir ao parquinho;
  • cai com facilidade, tem marcha insegura ou se apoia nos móveis;
  • se isola e sai das atividades que antes gostava;
  • apresenta dificuldade de aprendizagem ou atraso na fala.

Os dois últimos itens costumam surpreender. Estudos mostram que crianças com transtorno de aprendizagem e crianças com atraso de fala se beneficiam de avaliação otorrinolaringológica, porque uma alteração do sistema vestibular pode estar por trás do quadro.

Em resumo: qualquer mudança de rotina sem explicação merece atenção. Se a criança saiu do padrão de sempre, vale investigar.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela história contada pela família e pelo exame físico, com atenção especial aos ouvidos. Descrever quando as crises começaram, quanto duram, com que frequência voltam e o que parece desencadear ajuda mais do que qualquer exame isolado.

Conforme o caso, podem ser solicitados:

  • audiometria e outros exames de audição adequados à idade;
  • impedanciometria, que mostra se existe secreção atrás do tímpano;
  • exames do labirinto, quando há suspeita de alteração vestibular;
  • exames de sangue, para avaliar causas metabólicas e hormonais;
  • exames de imagem, como ressonância magnética ou tomografia, quando há suspeita de causa central.

Para as crises ligadas à enxaqueca, existem critérios internacionais definidos pela Bárány Society em conjunto com a sociedade internacional de cefaleia. Eles pedem pelo menos cinco episódios de tontura de intensidade moderada ou forte, com duração entre 5 minutos e 72 horas, história de enxaqueca atual ou passada e, em pelo menos metade das crises, algum sinal típico de enxaqueca. Quando as crises se repetem sem essa ligação com a enxaqueca, o quadro é classificado como vertigem recorrente da infância.

Como é o tratamento da tontura em crianças?

Não existe um remédio único para tontura infantil. O tratamento é definido pela causa:

  • Otite média secretora: acompanhamento e tratamento clínico e, quando a secreção persiste ou afeta a audição, cirurgia com tubo de ventilação, às vezes associada à cirurgia de adenoide.
  • VPBI e enxaqueca: organização do sono e da alimentação, identificação dos gatilhos e, em casos selecionados, medicação preventiva orientada pelo médico.
  • Alterações metabólicas ou hormonais: tratamento da condição de base, em conjunto com o pediatra ou o endocrinologista.
  • Alterações vestibulares persistentes: reabilitação vestibular, com exercícios para o labirinto adaptados à idade e feitos como brincadeira.

Durante uma crise, o cuidado imediato é a segurança: sentar ou deitar a criança em local protegido, reduzir estímulos visuais e esperar passar sem forçar movimentos bruscos. Outras medidas gerais estão na orientação sobre o que fazer em uma crise de tontura.

Dá para prevenir crises de tontura na infância?

Em grande parte dos casos, sim, e a prevenção passa por três pontos simples de nomear e difíceis de manter na rotina:

  • Sono: horários regulares e noites suficientes para a idade. Privação de sono é gatilho frequente.
  • Alimentação: refeições em intervalos regulares, sem longos períodos de jejum e com poucos industrializados.
  • Atividade física: movimento diário. O sedentarismo piora o condicionamento do equilíbrio.

Esses três pontos não substituem o diagnóstico, mas reduzem a frequência das crises em quem já tem a tendência.

Vídeo: tontura em crianças, causas, sinais e tratamento

O vídeo abaixo reúne as principais causas de tontura na infância, os sinais que os pais podem observar em casa, como é feita a investigação e o que compõe o tratamento e a prevenção:

Perguntas frequentes

Tontura em criança passa sozinha?

Muitas crises passam sozinhas, principalmente quando a causa é transitória. Mesmo assim, a repetição dos episódios precisa ser investigada, porque o alívio espontâneo não afasta causas que exigem tratamento.

Criança pode ter labirintite?

O termo labirintite é usado de forma ampla demais, também na infância. Na criança, as causas mais frequentes são secreção no ouvido e crises ligadas à enxaqueca, e cada uma tem um tratamento próprio.

Com que idade a criança pode ser avaliada?

Em qualquer idade, inclusive bebês. Existem exames de audição e de equilíbrio adaptados para crianças pequenas, e boa parte da avaliação vem da história contada pela família e do exame dos ouvidos.

Referências científicas

  1. VILELA, Larissa. Tontura em crianças: é normal? Causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção. YouTube, 11 jan. 2025. 1 vídeo (8 min 27 s). Disponível em: https://youtu.be/ojXvjYIFcMU. Acesso em: 15 set. 2026.
  2. NIEMENSIVU, Riina et al. Vertigo and balance problems in children: an epidemiologic study in Finland. International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology, v. 70, n. 2, p. 259-265, 2006. DOI: 10.1016/j.ijporl.2005.06.015. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16102845/. Acesso em: 15 set. 2026.
  3. VAN DE BERG, Raymond et al. Vestibular migraine of childhood and recurrent vertigo of childhood: diagnostic criteria. Journal of Vestibular Research, v. 31, n. 1, p. 1-9, 2021. DOI: 10.3233/VES-200003. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33386837/. Acesso em: 15 set. 2026.
  4. DEVARAJA, K. Vertigo in children: a narrative review of the various causes and their management. International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology, v. 111, p. 32-38, 2018. DOI: 10.1016/j.ijporl.2018.05.028. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29958611/. Acesso em: 15 set. 2026.

Avaliação de tontura infantil em Brasília

Se o seu filho tem crises de tontura, desequilíbrio ou evita as brincadeiras que giram, a consulta com otorrino em Brasília organiza a investigação por idade e define o tratamento conforme a causa encontrada.

Na Clínica OtoCare, no Setor Noroeste, a avaliação inclui o exame dos ouvidos e os exames de audição adequados à criança. Veja também por que nem toda tontura é labirintite e em que situações a tontura nunca deve ser considerada normal.

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