Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Tontura recorrente ou diária não é normal
Sentir tontura todos os dias, andar tão desequilibrado que não dá para sair sozinho ou ver tudo rodar sempre que deita na cama são queixas que muita gente passa a tratar como parte da vida. Mas tontura que se repete, de forma constante ou recorrente, não é normal, qualquer que seja o tipo.
Existem formas de tratar a tontura e, em muitos casos, de curá-la, e o primeiro passo é uma avaliação detalhada com o otorrino, que procura entender como a tontura é, desde quando existe e o que a provoca.

Tontura não é normal. Quando ela se repete, precisa ser investigada.
Quando uma tontura pode acontecer e quando é preciso investigar?
Uma tontura rápida e esporádica pode acontecer. Acontece, por exemplo, com quem levanta depressa e fica, por alguns segundos, um pouco desequilibrado, sem que nada chegue a rodar. De vez em quando, isso não preocupa. Segundo o Manual MSD, depois de um único episódio leve e breve, com menos de um minuto e sem nenhum outro sintoma, a pessoa pode esperar para ver se ele volta.
Tontura recorrente é outra história. Quando ela se repete, aparece todos os dias, vem toda vez que a pessoa se deita ou se vira na cama, atrapalha a caminhada ou dá medo de cair, alguma coisa errada está acontecendo e precisa ser investigada.
Tontura é uma queixa muito comum. Em grandes estudos com a população geral, ela atinge de 15% a mais de 20% dos adultos a cada ano e fica mais frequente com a idade. Num levantamento com quase 3 mil adultos no nordeste da França, a maior parte dos episódios era curta e acontecia menos de uma vez por mês. Ser frequente na população, porém, não torna esperada a tontura que volta toda semana ou todo dia.
Por que a tontura não deve ser atribuída à idade?
Uma senhora de 82 anos chegou ao consultório por causa da perda auditiva. Ela queria apenas voltar a escutar melhor. Só na conversa contou que sentia tontura havia oito anos. Como o sintoma era tão presente na vida dela, achou que fosse da idade e que não houvesse nada a fazer, e foi se acostumando e dando um jeito de viver com ele.
Toda vez que deitava para dormir e virava para qualquer um dos lados, vinha uma tontura muito rápida, de segundos, em que tudo rodava. Ela sabia que ia passar, então ficava quieta, esperava e só depois conseguia dormir em paz. Também tinha muito desequilíbrio ao caminhar e, por isso, só andava com alguém por perto ou junto de uma parede, de algo em que pudesse se apoiar se o desequilíbrio viesse.
A idade não explicava nada disso. Segundo o Manual MSD, nos idosos a tontura em geral não tem uma causa única e costuma juntar o efeito de remédios às mudanças do equilíbrio que chegam com os anos, e as quedas e o medo de cair pesam mais nessa fase. Até a tontura própria do envelhecimento, a síndrome do desequilíbrio do idoso, tem tratamento, como mostra a orientação sobre tontura em idosos.
Por que a tontura ao deitar pode ser VPPB?
A história da senhora já apontava um caminho, e o exame com as manobras diagnósticas confirmou o diagnóstico. Ela tinha uma vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) nos canais posteriores dos dois ouvidos.
Popularmente, a VPPB é conhecida como a tontura dos cristais que saíram da posição. Pequenas partículas do labirinto, que deveriam ficar fixas numa parte dele, se soltam e passam a causar crises curtas de rotação a cada mudança de posição da cabeça. No caso dela, os cristais estavam fora do lugar nos dois ouvidos, o que tornava o desconforto ainda maior. Como eles se soltam e o que acontece dentro do canal está na orientação sobre os cristais do labirinto fora do lugar.
Como a VPPB é confirmada e tratada?
A suspeita vem da história, mas a confirmação da VPPB vem dos testes de posição feitos na maca, como orienta a diretriz americana de VPPB. Eles mostram qual lado e qual canal do labirinto estão envolvidos. Sentir tontura ao deitar não basta para concluir, por conta própria, que os cristais saíram do lugar.
Confirmada a VPPB, o tratamento costuma dar um resultado excelente. Com manobras específicas, o otorrino leva a partícula que está fora da posição de volta ao lugar correto, e a melhora costuma ser sentida ali mesmo, logo depois do reposicionamento. Na senhora de 82 anos, os dois lados do labirinto foram reposicionados. Hoje ela deita sem tontura, o desequilíbrio acabou, e com ele foram embora a instabilidade e o medo de cair.
A direção da manobra depende do canal e do lado afetados. Por isso a manobra para VPPB é escolhida depois do teste, e não copiada do caso de outra pessoa. Na OtoCare, quando os testes confirmam a VPPB e não há impedimento clínico, o reposicionamento pode ser feito no próprio atendimento. Às vezes os cristais pedem mais de uma sessão, assunto da orientação que responde se a VPPB pode voltar.
O que pode causar tontura frequente?
Nem toda tontura começa no labirinto, e a maior parte delas também não é labirintite. A labirintite de verdade é uma infecção do ouvido interno, rara e grave, que costuma exigir internação. As tonturas do dia a dia vêm de outros problemas, como os cristais fora do lugar no labirinto e as alterações metabólicas e hormonais. A orientação sobre por que nem toda tontura é labirintite explica essa confusão de nomes.
De forma geral, as causas mais comuns se reúnem em alguns grupos.
- Doenças do próprio labirinto, como a VPPB, a doença de Ménière e a neurite vestibular.
- A enxaqueca vestibular, que pode causar tontura mesmo sem dor de cabeça.
- Problemas de circulação, como a queda da pressão na hora de levantar e algumas doenças do coração.
- Alterações do metabolismo e dos hormônios, como as variações da glicose e os problemas de tireoide, tema da orientação sobre tontura metabólica ou hormonal.
- Remédios de uso contínuo, inclusive os remédios contra tontura usados por muito tempo, como explica a orientação sobre por que o remédio para tontura pode piorar o quadro.
- Causas ligadas às emoções e à percepção do equilíbrio, como a tontura por ansiedade e a tontura postural perceptual persistente (TPPP), quadros em que a tontura existe de verdade, mesmo com o labirinto funcionando bem.
- Pancadas na cabeça, que podem soltar os cristais, como mostra a orientação sobre tontura após traumatismo craniano.
Duas ou mais causas podem se somar, sobretudo em quem usa vários remédios. Os estudos de população mostram ainda que a VPPB e a enxaqueca vestibular muitas vezes passam sem diagnóstico, enquanto a doença de Ménière, bem menos frequente que a VPPB, acaba sendo diagnosticada além da conta. Na infância, as causas e os sinais são outros, e estão reunidos na orientação sobre tontura em crianças: causas, sinais e tratamento.
Como descrever a tontura para o médico?
A palavra tontura serve para sensações bem diferentes. Há quem sinta que tudo gira, o que se chama vertigem. Outras pessoas sentem desequilíbrio ao andar, cabeça leve, sensação de que vão desmaiar ou de estar flutuando. Segundo o Manual MSD, essas sensações são difíceis de pôr em palavras, e a mesma pessoa pode descrevê-las de jeitos diferentes em momentos diferentes.
Por isso, mais do que o nome dado à sensação, ajudam o tempo e o gatilho. Uma revisão sobre o diagnóstico da tontura aguda propõe partir justamente de quanto tempo os episódios duram e do que os desencadeia, junto com o exame dos olhos. Antes da consulta, ajuda anotar estes pontos.
- Se tudo gira em volta ou se a sensação é de desequilíbrio ou de desmaio.
- Quanto tempo dura cada episódio, se segundos, minutos, horas ou dias.
- O que dispara a tontura, como deitar, virar na cama, levantar, olhar para cima ou estar em lugares com muito movimento, ou se ela vem do nada.
- Desde quando ela existe e com que frequência aparece.
- Se vem com zumbido, ouvido tampado, piora da audição, dor de cabeça, enjoo ou vômito.
- Os remédios tomados no dia a dia e eventuais quedas.
O quanto a tontura atrapalha a rotina também pode ser medido pelo questionário DHI, de 25 perguntas, e o resultado pode ser levado à consulta.
No caso da senhora, esses detalhes contavam a história. A tontura vinha ao deitar e ao virar, durava segundos e passava sozinha, um padrão bem diferente do da tontura que aparece só ao ficar de pé, com a vista escurecendo, assunto da orientação sobre tontura ao levantar.
Qual médico procurar para avaliar tontura?
O médico especialista em tontura é o otorrinolaringologista, e é ele quem deve ser procurado primeiro. O otorrino faz a avaliação inicial, examina o labirinto e afasta as causas ligadas a ele.
Quando a origem provável está fora do labirinto, o próprio otorrino orienta o caminho. Se a tontura parece cardiovascular, a avaliação do cardiologista é indicada. Se parece metabólica ou hormonal, a investigação segue por exames dessa área.
Na OtoCare, que fica no Noroeste, em Brasília, tudo começa por uma conversa detalhada sobre a tontura e pelo exame do equilíbrio e dos olhos, com as manobras de posição feitas na maca. Conforme o caso, entram exames como a audiometria e o vHIT, que mede como funcionam os canais do labirinto.
Tontura tem tratamento?
Tem, e o tratamento depende da causa. Na VPPB, a manobra cuida do problema sem remédio. Em outros quadros, a conduta é outra. O ponto de partida, então, é o diagnóstico, e não um remédio qualquer para tontura.
Hoje é possível estabilizar quase todo tipo de tontura. Algumas causas têm cura, como a VPPB. Em outras, como depois de uma lesão do labirinto, o equilíbrio se reorganiza com o tratamento, e a pessoa volta à rotina sem crises e sem o incômodo de todo dia. Quando a tontura continua mesmo com o tratamento em curso, o caminho é uma nova avaliação, até descobrir o que a mantém.
Tontura antiga também merece investigação, porque o tempo de convivência não torna o sintoma normal. O caso sobre tontura há anos e VPPB mostra outra situação em que o diagnóstico correto mudou o tratamento depois de um longo período de sintomas. Para o momento de uma crise forte, a orientação sobre a crise de tontura reúne o que ajuda a atravessá-la com segurança.
Quais sinais junto da tontura pedem avaliação sem demora?
Segundo o Manual MSD, preocupa a tontura que vem com dor de cabeça intensa ou recente, dor no pescoço, dificuldade para andar, desmaio, visão alterada, piora súbita da audição, fala enrolada, dificuldade de engolir ou fraqueza num braço ou numa perna. Também entra aqui a tontura forte e contínua, com vômitos que não param. Embora seja raro, quando a tontura surge de repente, não passa e vem junto desses sinais, ela pode ser causada por um AVC no tronco cerebral ou no cerebelo. Com qualquer um deles, é preciso avaliação médica sem demora.
Vídeo: sentir tontura é normal e tem tratamento?
O vídeo abaixo apresenta por que a tontura recorrente não deve ser naturalizada, o caso da paciente que conviveu com VPPB durante oito anos e o papel da avaliação otorrinolaringológica.
Perguntas frequentes
Tontura é normal na gravidez?
Pode acontecer. Segundo o serviço de saúde do Reino Unido, o NHS, a sensação de desmaio na gravidez costuma vir das mudanças hormonais e aparece mais ao levantar depressa de uma cadeira ou ao sair da banheira, e às vezes ao ficar deitada de barriga para cima. Levantar devagar e, se a sensação vier deitada, virar de lado ajudam. Tontura que faz tudo girar, que se repete ou que vem com outros sintomas não entra nessa conta e precisa ser avaliada.
Tontura na menopausa é normal?
A menopausa pode desencadear crises de tontura, porque o labirinto sente as grandes variações dos hormônios femininos dessa fase. Isso não quer dizer que a tontura deva ser aceita como parte da menopausa. A avaliação inclui a parte hormonal e metabólica, além do labirinto e da audição, como detalha a orientação sobre tontura metabólica ou hormonal.
É normal sentir tontura ao abaixar a cabeça?
Olhar para baixo e inclinar a cabeça estão entre os movimentos que costumam disparar a tontura dos cristais, junto com deitar, virar na cama e olhar para cima. Quando a tontura aparece ao abaixar e piora ao voltar a ficar de pé, com a vista escurecendo, a queda da pressão também entra na lista. O teste de posição feito na maca mostra se os cristais participam.
Tontura do nada: o que pode ser?
Antes de concluir que ela veio do nada, ajuda reparar se a tontura não acompanha algum movimento, como virar a cabeça, deitar ou levantar, porque a tontura disparada pela posição aponta para causas como a VPPB. Quando aparece de fato sem gatilho, em crises que vão e voltam, entram possibilidades como a enxaqueca vestibular, a doença de Ménière, a queda da glicose, o efeito de algum remédio ou a ansiedade. Uma tontura forte que começa de repente e não passa precisa de avaliação médica sem demora.
Tontura na gripe é normal?
Na gripe, comer e beber pouco pode levar à desidratação, que o Manual MSD cita entre as causas de pressão baixa e de tontura. Já uma vertigem forte, que gira, dura dias e vem com enjoo logo depois de uma virose, sugere neurite vestibular, uma inflamação do nervo do equilíbrio explicada na orientação sobre neurite vestibular.
Tontura é mais comum em mulher?
É. Nos estudos com a população geral, a vertigem que vem do labirinto aparece de duas a três vezes mais nas mulheres do que nos homens, e a tontura em geral também predomina entre elas. Na mulher, a investigação considera ainda as fases de grandes mudanças hormonais, como a gravidez e a menopausa.
Como saber se a tontura vem do ouvido ou da cabeça?
Algumas pistas ajudam, mas a separação vem do exame. Para o Manual MSD, zumbido e piora da audição junto da tontura falam a favor do ouvido interno, enquanto fala enrolada, alteração da visão ou fraqueza de um lado do corpo apontam para o cérebro. Na consulta, o jeito como os olhos se movem durante os testes, o nistagmo, também mostra de onde a tontura está vindo.
Tontura frequente é sinal de doença grave?
Na maioria das vezes, não. Segundo o Manual MSD, mesmo a tontura que atrapalha muito a rotina costuma vir de problemas que não são graves, e só uma pequena parte dos casos tem uma doença séria por trás. Não ser grave, porém, é diferente de ser normal. A tontura que se repete limita a vida, aumenta o risco de queda e tem uma causa que pode ser encontrada.
Existe um exame que mostra a causa da tontura?
Não existe um exame único. Segundo o Manual MSD, a história e o exame físico costumam sugerir a causa e indicam quais exames fazem sentido. A VPPB, por exemplo, aparece no teste de posição na maca, e não em exames de imagem. Conforme a suspeita, entram a audiometria, o vHIT, exames de sangue ou avaliação do coração, e a ressonância fica reservada para quando há sinais de alerta ou quando a história pede.
Tontura ao tossir ou espirrar: o que pode ser?
Quando a tontura aparece com espirro, tosse ou barulho alto, uma das possibilidades descritas pelo Manual MSD é uma falha no osso que recobre um dos canais do labirinto, a deiscência do canal semicircular superior. Ela pode vir com perda de audição para os sons graves, e a investigação passa pela audiometria e por exame de imagem.
Referências
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Avaliação de tontura em Brasília
Se a tontura é recorrente, aparece ao deitar, causa desequilíbrio ou limita sua rotina, a avaliação ajuda a identificar o padrão e a definir o tratamento. Na Clínica OtoCare, no Setor Noroeste de Brasília, a consulta com otorrino pode incluir exame do equilíbrio, manobras posicionais e indicação de testes complementares quando necessários.
Veja todas as orientações aos pacientes da OtoCare.