Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Uma tontura súbita e muito forte, sem alteração na audição
A neurite vestibular é uma das grandes causas de tontura. Ela provoca uma vertigem muito forte, que começa de uma hora para outra e, muitas vezes, leva o paciente à internação pela intensidade dos sintomas.
Os estudos mostram que ela é a segunda causa mais comum de vertigem, atrás apenas da vertigem posicional paroxística benigna (VPPB). A crise costuma durar cerca de uma semana. Depois dela, a maioria dos pacientes volta ao equilíbrio normal nas semanas seguintes, e quem não se recupera sozinho conta com a reabilitação vestibular.

O que é neurite vestibular
A neurite vestibular é uma inflamação do nervo vestibular. Esse nervo liga o labirinto, a parte do ouvido interno responsável pelo equilíbrio, ao cérebro, e leva até ele todas as informações de equilíbrio e de movimento da cabeça.
O nervo vestibular é a parte do equilíbrio do nervo vestibulococlear, que também tem uma parte ligada à audição. Na neurite, só a parte do equilíbrio inflama, e por isso a audição não é afetada. O quadro também é chamado de neuronite vestibular.
Causas da neurite vestibular
Na maioria das vezes, a inflamação do nervo é causada por vírus. O mais comum é o herpes simples tipo 1, e outros vírus também podem inflamar o nervo. A hipótese mais aceita é que seja a reativação de um vírus que já estava adormecido no corpo.
Sintomas da neurite vestibular
A inflamação do nervo vestibular causa uma tontura muito intensa. Em geral é uma vertigem, aquela tontura em que tudo roda, e ela fica contínua. O paciente passa dias com a sensação de estar girando.
Junto com a vertigem costumam vir:
- náuseas e enjoo;
- vômitos;
- desequilíbrio;
- dificuldade para caminhar.
O sinal que chama atenção: a audição não muda
A neurite vestibular tem uma característica muito própria. Ela vem só com a tontura. O paciente não tem perda auditiva, não tem zumbido e não sente o ouvido tampado. O que aparece é a vertigem intensa, com náuseas, vômitos e desequilíbrio.
Quando a tontura vem junto com queda da audição, a causa provavelmente é outra, como a labirintite ou a surdez súbita.
Quanto tempo dura a neurite vestibular
A fase mais forte, com a tontura rotatória intensa, costuma durar de alguns dias até uma semana.
Depois dela, o paciente pode levar mais uma ou duas semanas para ficar estável, recuperar o equilíbrio e voltar a caminhar de forma natural.
Alguns pacientes não recuperam o equilíbrio normal nesse prazo. Isso acontece quando a função do labirinto daquele lado ficou muito prejudicada e o corpo não consegue compensar a perda sozinho. Para esses casos existe a reabilitação vestibular.
Como é feito o diagnóstico
Muitas vezes o diagnóstico é fechado na própria consulta, pela história do paciente. Uma tontura súbita, que começa de uma hora para outra e de forma muito intensa, já faz pensar em neurite vestibular.
No exame físico, alguns testes simples feitos no consultório mostram com clareza que a função de um dos labirintos está alterada.
Quando existe dúvida, ou mesmo para confirmar um quadro típico, podem ser feitos exames complementares:
- o vHIT, que mede o reflexo do labirinto com movimentos rápidos da cabeça;
- a videonistagmografia (VNG) ou a vectoeletronistagmografia (VENG), com prova calórica, que compara os dois labirintos;
- o VEMP, que avalia outras partes do sistema do equilíbrio.
Neurite vestibular ou AVC: por que o exame importa
Uma vertigem súbita e contínua também pode ser causada por um AVC na parte de trás do cérebro, e os dois quadros podem ser parecidos no começo. Os testes do exame físico ajudam a separar as duas situações. Num estudo com pacientes de maior risco, um conjunto de três testes dos movimentos dos olhos, conhecido como HINTS, foi mais sensível para identificar o AVC do que a ressonância feita nas primeiras 48 horas. Por isso toda vertigem súbita e intensa precisa de avaliação médica.
Tratamento da neurite vestibular
Na maioria dos casos, o tratamento começa com a internação, para que os remédios sejam dados na veia e a tontura e os vômitos fiquem sob controle.
Remédios para a crise de tontura
Para controlar a tontura são usados os supressores vestibulares. Os mais comuns são o dimenidrinato, o conhecido Dramin®, e a meclizina, princípio ativo do Meclin®. Em alguns casos são necessários remédios mais fortes, como os benzodiazepínicos. Algumas vezes eles são combinados com remédios para náuseas e vômitos, como a ondansetrona.
Corticoide
O corticoide é um remédio muito importante na neurite vestibular. Ele é usado por 5 a 7 dias, pela boca ou na veia, conforme o quadro do paciente, e os estudos mostram que ele acelera a melhora. Num estudo publicado em 2004, os pacientes tratados com corticoide recuperaram mais a função do labirinto em um ano do que os que receberam placebo.
Uma revisão da Cochrane de 2011 considerou que os estudos disponíveis ainda eram pequenos para uma conclusão firme sobre o corticoide. A indicação é avaliada caso a caso, na consulta.
Reabilitação vestibular
Quando o paciente não recupera o equilíbrio normal e o labirinto continua com a função bem reduzida, a reabilitação vestibular ajuda o corpo a compensar a lesão do nervo. São exercícios específicos para o labirinto, orientados por fonoaudiólogo ou fisioterapeuta. Com eles, o paciente melhora o equilíbrio e a forma de caminhar.
Alguns desses exercícios estão descritos na orientação sobre exercícios para o labirinto. A OtoCare, no Noroeste de Brasília, faz a reabilitação vestibular labiríntica.
Depois da neurite: o que pode acontecer
A neurite vestibular raramente volta. Num acompanhamento de 103 pacientes por quase dez anos, em média, só 2 tiveram um segundo episódio, e nos dois casos foi no outro ouvido, com sintomas mais leves.
Mais comum é aparecer uma VPPB, a vertigem dos cristais do labirinto, no mesmo ouvido. Num estudo italiano, isso aconteceu em cerca de 1 a cada 10 pacientes, principalmente nos que não tinham se recuperado por completo da neurite.
Em algumas pessoas, depois de uma crise vestibular, fica uma tontura diferente, sem rodar, que dura meses e piora em pé, com movimento e em ambientes visualmente carregados. É a tontura postural perceptual persistente (TPPP), que tem tratamento próprio.
Vídeo: neurite vestibular, causas, diagnóstico e tratamento
O vídeo abaixo mostra, num modelo anatômico, onde fica o nervo vestibular e explica a causa da neurite, os sintomas, o tratamento na crise, a reabilitação e como é feito o diagnóstico.
Perguntas frequentes
Neurite vestibular tem cura?
A crise passa, em geral em cerca de uma semana, e a maioria dos pacientes volta ao equilíbrio normal nas semanas seguintes. Quando o corpo não consegue compensar sozinho, a reabilitação vestibular ajuda a completar a recuperação.
Neurite vestibular pode durar meses?
A vertigem forte não costuma passar de uma semana. O que pode se prolongar é o desequilíbrio, quando o labirinto não se recupera bem. Tontura que continua por meses precisa ser reavaliada, porque pode ser falta de compensação, uma VPPB depois da neurite ou uma TPPP.
Neurite vestibular é a mesma coisa que labirintite?
Não. Na neurite a inflamação fica no nervo que leva as informações do equilíbrio ao cérebro, e a audição não muda. Na labirintite a inflamação atinge o próprio labirinto e costuma afetar a audição também.
Neurite vestibular causa zumbido ou perda auditiva?
Não. Ela vem só com a tontura, as náuseas, os vômitos e o desequilíbrio. Se aparecem zumbido, ouvido tampado ou queda da audição, outras causas precisam ser investigadas.
Neurite vestibular pode voltar?
É raro. Nos estudos que acompanharam pacientes por anos, um segundo episódio aconteceu em cerca de 2% dos casos.
Neurite vestibular é grave?
Os sintomas são muito intensos, e a maioria dos pacientes precisa de internação para controlar a tontura e os vômitos. Com o tratamento, a crise costuma passar em cerca de uma semana.
Neurite vestibular pega?
A causa mais aceita é a reativação de um vírus que já estava no corpo, como o herpes simples tipo 1. Por isso a neurite vestibular não é considerada contagiosa: ela não passa de uma pessoa para outra pelo convívio.
Qual remédio é usado na neurite vestibular?
Na crise são usados supressores vestibulares, como dimenidrinato e meclizina, às vezes benzodiazepínicos, remédios para enjoo, como a ondansetrona, e corticoide por 5 a 7 dias. A escolha e a dose dependem de cada paciente.
Precisa tomar prednisona na neurite vestibular?
O corticoide, como a prednisona, costuma fazer parte do tratamento, por 5 a 7 dias, porque ajuda a acelerar a melhora. Como nem todos os estudos chegaram à mesma conclusão, a indicação é feita caso a caso.
Neurite vestibular pode causar VPPB depois?
Pode. Cerca de 1 em cada 10 pacientes tem uma VPPB no mesmo ouvido depois da neurite, principalmente quem não se recuperou totalmente.
Qual exame confirma a neurite vestibular?
Muitas vezes a história e os testes do exame físico já confirmam. Quando é preciso, o vHIT, o VEMP e a videonistagmografia ou a VENG com prova calórica mostram qual labirinto perdeu função e quanto.
Quem trata a neurite vestibular?
O otorrino é o especialista em labirinto e equilíbrio. Ele confirma o diagnóstico, conduz o tratamento da crise e indica a reabilitação vestibular quando o equilíbrio não volta ao normal.
Referências
- VILELA, Larissa. Neurite vestibular: o que é, causas, diagnóstico e tratamento. YouTube, 27 ago. 2025. 1 vídeo (7 min 49 s). Disponível em: https://youtu.be/HXzTm0F8wVc. Acesso em: 25 set. 2026.
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