Tratamento para ronco e apneia do sono: todas as opções

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Como tratar ronco e apneia do sono

Ronco e apneia do sono nascem do mesmo problema, a dificuldade de respirar enquanto se dorme. Na maior parte das vezes, o ponto que se fecha fica na garganta, a faringe. Ela é feita de músculo, como um tubo sem osso nem cartilagem firme para sustentá-la, e por isso se fecha com facilidade durante o sono.

No ronco, a passagem do ar fica estreita, e o ar faz barulho ao atravessá-la. A apneia está um degrau acima em gravidade. A respiração diminui muito ou para por completo, a pessoa muitas vezes acorda engasgada, e o sono fica superficial. As causas do ronco e os sinais de que ele preocupa estão na orientação sobre ronco.

Dra. Larissa Vilela em uma sala de estar, ao lado de um homem com sobrepeso cochilando de barriga para cima no sofá, cena que representa o ronco e a apneia do sono

Não existe um tratamento único para ronco e apneia. Perda de peso, atividade física e controle do refluxo valem para todos, e o restante do plano depende do grau mostrado na polissonografia e da anatomia de cada pessoa.

Tratar compensa, porque a noite mal dormida cobra a conta no dia seguinte. Aparecem sonolência, um cansaço forte ao longo do dia, a sensação de acordar sem ter descansado, a memória e o raciocínio mais lentos, a irritação e as mudanças de humor. Com o tempo, ronco e apneia pesam também no coração, no metabolismo e nos hormônios, como a testosterona, e facilitam o ganho de peso. Os efeitos sobre o coração aparecem em detalhe na orientação sobre apneia do sono, pressão alta e arritmia.

O grau define o tratamento: ronco primário e apneia leve, moderada ou grave

Antes de escolher o tratamento, é preciso saber o grau do problema. Quem ronca sem pausas na respiração tem o chamado ronco primário, o quadro mais leve. Quando existe apneia, ela recebe a classificação de leve, moderada ou grave conforme o resultado da polissonografia, o exame que acompanha a respiração e o oxigênio do sangue durante uma noite de sono e confirma o diagnóstico.

O grau muda as escolhas. Um tratamento suficiente para o ronco primário pode não dar conta de uma apneia moderada. O laser na garganta, por exemplo, diminui o ronco, mas não trata a apneia. O significado de cada grau e o modo como ele é calculado estão na orientação sobre apneia do sono.

O ronco primário também pede tratamento, porque tira a profundidade do sono e tende a piorar com os anos. Quem ainda não sabe se ronca encontra os primeiros passos na orientação sobre como saber se ronca, e o teste de apneia do sono por pontos dá uma primeira ideia do risco. Nas crianças, o raciocínio é outro, muitas vezes ligado à adenoide e às amígdalas, e está na orientação sobre ronco em criança.

Perda de peso

Para quem está acima do peso adequado para a altura, a primeira recomendação é emagrecer, e esse passo não deve ficar para depois. Quando a pessoa engorda, a gordura não se acumula só nos braços, na barriga e no quadril. O pescoço também ganha volume por dentro, e essa gordura em volta da garganta aperta um tubo que já é maleável. A língua recebe gordura também, cresce e tende a tampar o caminho do ar à noite.

O ganho com o emagrecimento é grande. Perder 10% do peso, como passar de 100 para 90 quilos, reduz em cerca de 30% o índice de apneia, a medida que conta quantas vezes por hora a respiração para ou diminui muito. Um estudo que acompanhou adultos por quatro anos encontrou uma relação parecida nos dois sentidos, com queda de cerca de 26% no índice a cada 10% de peso perdido e alta de cerca de 32% a cada 10% de peso ganho. Para parte das pessoas com obesidade, a perda de peso pode contar também com um remédio, como mostra a seção sobre remédios mais abaixo.

Atividade física

A atividade física entra no tratamento, e não só como conselho geral de saúde. Exercícios aeróbicos e musculação melhoram o tônus dos músculos do corpo inteiro, inclusive os da faringe. À noite, quando essa musculatura relaxa, um tônus melhor deixa a garganta mais firme e impede que ela se estreite tanto.

Controle do refluxo

O refluxo gastroesofágico sem controle piora o ronco e a apneia. Quem tem os dois problemas não deve deixar o refluxo de lado achando que ele nada tem a ver com o sono. Com o refluxo tratado, a respiração noturna tende a melhorar. Peso, atividade física e refluxo formam a base do plano e são avaliados em todos os pacientes, qualquer que seja o grau.

Dormir de lado: terapia posicional

Algumas pessoas respiram bem deitadas de lado, sem roncar nem ter pausas, e roncam com apneia a noite inteira quando ficam de barriga para cima. A polissonografia mostra esse padrão, chamado de posicional. Nesses casos, ficar de lado a noite toda pode bastar para o ronco e para a apneia mais leve. Nos demais, a posição de lado também ajuda, e tentar dormir assim vale para quase todo mundo.

O difícil é não virar durante o sono. Para isso servem as cintas com um volume nas costas e a bola de tênis costurada no meio das costas da blusa de dormir. Ao deitar de barriga para cima, o incômodo faz o corpo voltar para o lado. Como montar e usar esses recursos está na orientação sobre terapia posicional.

Aparelho intraoral

O aparelho intraoral, também chamado de aparelho de avanço mandibular, é feito pelo dentista. Removível, ele se apoia nas arcadas de cima e de baixo e puxa a mandíbula uns milímetros adiante durante o sono. Assim abre espaço atrás, justamente na parte da garganta que costuma se fechar.

Tem alta eficácia, mas costuma ser indicado quando há só ronco primário, apneia leve ou, no máximo, moderada. Para os quadros mais leves, é uma ótima opção. Os cuidados e os limites estão na orientação sobre aparelho intraoral para ronco e apneia.

Fonoterapia: exercícios para a garganta

A fonoterapia para ronco e apneia tem o nome técnico de terapia miofuncional orofacial. São exercícios específicos para a musculatura da garganta e da língua, que melhoram o tônus desses músculos e deixam a faringe mais firme e estável ao longo da noite. Ela atua sobre uma das origens do problema, a musculatura flácida que deixa a garganta fechar.

É um tratamento muito indicado pelos otorrinos, com boa eficácia. Serve para o ronco primário, para a apneia leve, muitas vezes para a moderada e também para a grave, somada a outros tratamentos. Uma revisão com metanálise encontrou queda de cerca de 50% no índice de apneia em adultos que fizeram os exercícios. Na OtoCare, a consulta avalia o caso e indica a fonoterapia quando ela é útil, e como são as sessões está na orientação sobre fonoterapia para ronco.

Cirurgias da garganta: amígdalas e faringoplastias

A indicação de cirurgia depende muito de cada paciente. Quem tem uma causa anatômica clara de obstrução costuma melhorar muito ao operar. O exemplo típico são as amígdalas muito grandes. A retirada das amígdalas libera a garganta e melhora demais o ronco, e é uma das cirurgias realizadas pela equipe da OtoCare, em Brasília.

Quando as amígdalas não são grandes, mas a anatomia da garganta é pouco favorável, entram as faringoplastias, cirurgias que remodelam os músculos da faringe para alargar a passagem do ar. As técnicas mais modernas são as faringoplastias expansoras, que tomaram em grande parte o lugar da antiga uvulopalatofaringoplastia. Outra técnica moderna é a faringoplastia lateral, descrita no Hospital das Clínicas da USP, que firma as paredes laterais da garganta, uma das regiões que se fecham durante o sono na apneia. A faringoplastia lateral é uma das cirurgias realizadas pela equipe da OtoCare. As faringoplastias podem ser indicadas do ronco primário à apneia grave, desde que o exame mostre que há bom espaço a ganhar. A consulta avalia essa indicação.

Para escolher a cirurgia, ajuda saber em que altura a garganta se fecha. A sonoendoscopia examina a via respiratória por dentro com uma câmera fina, durante uma sedação leve, parecida com o sono natural. Ela mostra se o fechamento acontece no céu da boca, nas paredes da garganta, na base da língua ou na epiglote, e ajuda a entender por que algumas pessoas operam a garganta e continuam roncando. Depois da consulta na OtoCare, o exame é realizado em uma clínica de anestesia parceira.

Cirurgia de avanço maxilomandibular

É uma cirurgia dos ossos da face. A maxila e a mandíbula são cortadas e levadas alguns milímetros à frente, o que amplia o espaço para o ar logo atrás delas. A indicação é para quem tem a maxila pouco desenvolvida ou a mandíbula retraída, com o queixo para dentro, a chamada retrognatia, em que o próprio esqueleto do rosto deixa a via respiratória estreita.

Tem alta eficácia e resolve inclusive a apneia grave. Por ser uma cirurgia extensa, com grande manipulação, fica reservada para quem tem uma alteração dos ossos bem definida na avaliação, que justifique o procedimento. A consulta avalia essa indicação.

Operar só o nariz resolve a apneia?

Na maioria dos casos, não. Muita gente com um desvio de septo importante e apneia ao mesmo tempo pergunta se basta operar o nariz. A correção do desvio de septo e o tratamento dos cornetos aumentados, como a cauterização dos cornetos e a turbinectomia, abrem a passagem do ar, melhoram muito a respiração e a qualidade do sono e ajudam um pouco no ronco.

Na apneia, o ganho é pequeno e, em geral, não basta para resolver o quadro. Quando há só ronco primário ou apneia leve, operar o nariz pode bastar. Na apneia moderada ou grave, sozinha, muito provavelmente não basta, e muitas vezes o nariz é operado para que outro tratamento funcione melhor. Quando a cirurgia do nariz resolve e quando precisa de outra junto está na orientação sobre cirurgia de desvio de septo no ronco e na apneia.

CPAP

O CPAP é um aparelho de pressão positiva. Durante a noite, ele sopra ar com pressão por uma máscara e mantém a via aérea aberta. Em teoria trata todos os tipos de apneia e também o ronco, e é tido como padrão-ouro para tratar a apneia. Com a indicação certa e a máscara aceita pela pessoa, a apneia fica resolvida na grande maioria de quem o usa.

Mesmo assim, não costuma ser a primeira opção nos quadros mais leves. Ele fica para a apneia grave e para a moderada que não respondeu aos outros tratamentos, porque o equipamento tem custo relativamente alto, exige dormir com a máscara todas as noites, e muitas pessoas não se adaptam. A escolha da máscara pesa nessa adaptação, como mostra a orientação máscara nasal ou facial para CPAP.

Existe remédio para ronco e apneia?

Para a apneia, existe um. Desde outubro de 2025, a tirzepatida, vendida como Mounjaro®, passou a ter, com aprovação da Anvisa, uso indicado na apneia obstrutiva moderada ou grave de adultos com obesidade. Nenhum remédio tinha essa indicação na bula antes dele, e o benefício para a respiração vem do emagrecimento. A indicação não inclui quem só ronca, sem apneia, e o uso é sempre com prescrição. Para quem ele serve e quais são os cuidados está na orientação sobre Mounjaro® para apneia do sono. Outras medicações seguem em estudo. Esse é o cenário de outubro de 2026, que pode mudar.

Para o ronco, não há remédio de farmácia que trate a garganta que se fecha. Quando o nariz entupido piora o ronco, o serviço de saúde do Reino Unido (NHS) cita adesivos e dilatadores nasais, descongestionantes e sprays como forma de abrir o nariz durante o sono. Eles agem só no nariz e não tratam a apneia. O spray adequado depende da causa da obstrução, avaliada na consulta.

Tratamentos mais novos: estimulador do hipoglosso e laser

O estimulador do nervo hipoglosso é um pequeno aparelho colocado em cirurgia que ativa, durante o sono, o nervo que comanda o músculo genioglosso. Esse músculo leva a língua adiante e deixa a garganta aberta. Nos Estados Unidos e na Europa, onde é usado há mais de dez anos, ele é indicado a adultos com apneia de grau moderado ou maior que deveriam usar o CPAP e não se adaptaram ao aparelho, e o implante pode servir até na apneia mais grave. Em outubro de 2026, o dispositivo ainda não tinha registro na Anvisa nem estava disponível no Brasil, situação que pode mudar. A consulta avalia essa indicação.

O laser aplicado dentro da garganta deixa o tecido menos flácido e reduz o ronco, mas não mantém a via aérea aberta o bastante para evitar as pausas da apneia. O efeito é temporário, e as sessões precisam ser repetidas. Para quem tem só ronco primário, pode ser uma opção. Na apneia, mesmo leve, só o laser dificilmente basta.

Os tratamentos podem ser combinados

Uma opção não exclui a outra. Muitas vezes o bom resultado vem da soma de tratamentos, como a fonoterapia junto com o aparelho intraoral ou com o CPAP. O laser pode ser feito ao lado de outro tratamento, e o nariz pode ser operado para que o CPAP fique mais confortável. Peso, atividade física e refluxo continuam valendo em qualquer combinação.

Existem formas cirúrgicas e não cirúrgicas, posicionais e com aparelhos, e a combinação certa sai da avaliação de cada caso. Se a apneia tem cura depende da causa, como explica a orientação sobre o que é a apneia do sono. O que não deve acontecer é continuar sofrendo com um sono de má qualidade e com tudo o que uma noite mal dormida traz.

Vídeo: todos os tratamentos para ronco e apneia

O vídeo, de setembro de 2025, percorre as opções uma a uma, das medidas que valem para todos às cirurgias e ao CPAP, e mostra para quem cada uma costuma ser indicada.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor tratamento para ronco e apneia?

Não existe um melhor para todo mundo. A escolha depende do grau na polissonografia, do peso, da anatomia do nariz, da garganta e da face e da preferência de quem vai tratar. Muitas vezes o plano junta duas ou mais opções.

Qual o tratamento mais moderno para apneia do sono?

Os mais recentes são a tirzepatida para quem tem obesidade, com indicação aprovada pela Anvisa em outubro de 2025, e o estimulador do nervo hipoglosso, já usado fora do país, mas que em outubro de 2026 ainda não tinha registro na Anvisa. Entre as cirurgias, as faringoplastias expansoras são as técnicas mais novas. Mais moderno não quer dizer melhor para todos, e o CPAP segue como padrão-ouro. Essa é a situação de outubro de 2026, que pode mudar.

O que realmente resolve o ronco?

Tratar a causa. Amígdalas grandes costumam pedir cirurgia, o excesso de peso pede emagrecimento, o ronco que só aparece de barriga para cima melhora com a posição de lado, e a flacidez da garganta responde à fonoterapia ou ao aparelho intraoral. Por isso o primeiro passo é descobrir de onde vem o ronco e se existe apneia junto.

Como tratar a apneia do sono leve ou moderada?

Na maior parte das vezes, sem CPAP. Além de peso, atividade física e refluxo, entram dormir de lado, o aparelho intraoral e a fonoterapia, sozinhos ou juntos, e a cirurgia nasal pode resolver a apneia leve quando o nariz entupido pesa. Na moderada, o CPAP passa a ser considerado quando essas opções não dão resultado.

Como tratar a apneia do sono grave?

O CPAP costuma ser a primeira escolha, por ser o tratamento que mais controla a apneia. Para quem não se adapta, a avaliação considera as cirurgias da garganta e, quando há alteração dos ossos do rosto, o avanço maxilomandibular. A fonoterapia e o emagrecimento, inclusive com remédio para quem tem obesidade, entram como parte do plano.

Travesseiro antirronco, chá ou simpatia funcionam?

Travesseiros e encostos que mantêm o corpo de lado funcionam como terapia posicional e ajudam quem ronca mais de barriga para cima. Chás e simpatias não tratam a garganta que se fecha durante o sono. O ronco que diminui com esses recursos pode esconder uma apneia que continua, e por isso o ronco frequente precisa de avaliação.

Existe tratamento gratuito ou pelo SUS para ronco e apneia?

Parte do tratamento não custa nada, como emagrecer, fazer atividade física e dormir de lado. Quanto ao CPAP, em outubro de 2026 não existe protocolo do Ministério da Saúde para a apneia do sono, e o aparelho não foi avaliado pela Conitec, comissão do Ministério que decide sobre a incorporação de tecnologias ao SUS. O Ministério não entrega o CPAP direto ao paciente, mas financia a compra por secretarias de saúde e hospitais públicos ou filantrópicos. Por isso, o fornecimento depende da secretaria de saúde ou do hospital de cada local. Essa situação pode mudar.

O plano de saúde cobre o CPAP?

Em outubro de 2026, os planos de saúde não cobrem o aparelho de CPAP, a não ser por decisão judicial. Essa situação pode mudar com o tempo.

Quem usa CPAP pode trocar por outro tratamento?

Às vezes. Uma perda de peso importante, a fonoterapia, uma cirurgia bem indicada ou o remédio para quem tem obesidade podem reduzir ou dispensar o uso. A troca só é feita depois de nova avaliação, de preferência com outra polissonografia.

Referências

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Tratamento de ronco e apneia em Brasília

O otorrino é o médico que examina o nariz e a garganta, procura o ponto que se fecha e conduz o tratamento do ronco e da apneia. Na consulta com otorrino em Brasília, no Setor Noroeste, a nasofibrolaringoscopia é feita na própria consulta e mostra o nariz e a garganta por dentro. A OtoCare não faz a polissonografia. A consulta pede o exame, interpreta o resultado e monta o plano, que pode incluir cirurgias realizadas pela equipe da OtoCare, como a retirada das amígdalas e da adenoide, a faringoplastia lateral, a septoplastia e a cirurgia dos cornetos. O valor da consulta é informado pelo WhatsApp.

Não é preciso continuar dormindo mal.

Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479

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