Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Hidrate o canal do ouvido à noite, ao tirar o aparelho
Para prevenir e aliviar a coceira no ouvido de quem usa aparelho auditivo, hidrate a pele da entrada do canal do ouvido à noite, no momento de tirar o aparelho, com um algodão umedecido em algumas gotas de óleo hidratante. A hidratação melhora a descamação, a coceira e o incômodo causados pelo uso diário do aparelho.
Não é incomum que usuários de aparelho auditivo passem a ter coceira, irritação ou sensibilidade na pele do canal. Além do desconforto, esse quadro pode dificultar a adaptação ao aparelho e levar a pessoa a usá-lo menos do que precisa. As outras causas de má adaptação estão na orientação sobre adaptação ao aparelho auditivo.

Não coce o ouvido com objetos. Hastes, grampos, tampas de caneta e a própria ponta do aparelho machucam a pele fina do canal e abrem caminho para a otite externa.
Passo a passo da hidratação noturna
- Escolha o óleo: use um óleo hidratante limpo, como óleo de semente de uva ou óleo de gengibre; outros óleos hidratantes também servem.
- Umedeça o algodão: pingue algumas gotas do óleo em uma pequena bolinha de algodão.
- Passe na entrada do canal: com o algodão umedecido, espalhe o óleo suavemente pela pele da entrada do canal do ouvido, sem empurrar o algodão para o fundo.
- Descarte o algodão: retire a bolinha e jogue fora; não durma com o algodão no ouvido.
- Recoloque o aparelho pela manhã: com o óleo já absorvido pela pele, sem excesso na entrada do canal.
A noite é o melhor momento porque o ouvido fica horas sem o aparelho. É o momento de descanso da pele, e o óleo tem tempo para ser absorvido antes de o aparelho voltar ao canal.
A hidratação pode fazer parte da rotina da noite, ao tirar o aparelho, tanto para prevenir quanto para tratar a coceira e a descamação. Também existe um hidratante próprio para o canal, em gotas; veja como usar o Nazzo Oto. Para as outras gotas, como as de otite e as que amolecem a cera, os cuidados com o aparelho estão na orientação sobre gotas no ouvido com aparelho auditivo.
Por que o aparelho auditivo irrita o ouvido?
O usuário passa o dia inteiro, por muitas horas, com o aparelho ou o molde dentro do canal auditivo. A pele desse canal é fina, fica colada ao osso e depende de uma camada natural de cera para se manter protegida e hidratada. O contato prolongado altera esse equilíbrio de várias formas:
- Atrito: colocar e tirar o aparelho várias vezes por dia e o contato contínuo do molde irritam a pele.
- Calor e umidade: o canal fechado retém suor e umidade, o que favorece inflamação e infecção por bactérias e fungos.
- Ressecamento: a pele perde a proteção natural e descama, o que alimenta o ciclo de coceira.
- Alergia ao material: algumas pessoas desenvolvem dermatite de contato a componentes do molde, como os acrilatos usados em sua fabricação.
Quem já tem pele seca, dermatite ou histórico de otite externa costuma ser mais sensível a essas agressões.
Outros cuidados que ajudam
Mantenha o aparelho e o molde limpos, seguindo as instruções do fabricante, e não compartilhe o aparelho. Guarde-o seco à noite, no estojo, e evite colocá-lo com o ouvido ainda úmido depois do banho. Quem precisa proteger o ouvido da água durante o banho encontra a técnica na orientação sobre como proteger o ouvido no banho.
Não use cotonete para aliviar a coceira, porque ele retira a cera que protege a pele e piora o ressecamento. Os riscos estão na orientação sobre cotonete no ouvido.
Se o aparelho aperta, machuca em um ponto específico ou sai do lugar, o problema pode estar no encaixe. Nesse caso, o ajuste do molde deve ser revisto por quem fez a adaptação do aparelho. Na OtoCare, o otorrino examina o canal, e os exames de audição são feitos pela fonoaudióloga Alexandra Branco.
Quando não usar óleo no ouvido?
A hidratação com óleo é indicada para a pele íntegra, com coceira ou descamação. Não use sem avaliação médica se houver:
- perfuração do tímpano ou tubo de ventilação;
- cirurgia de ouvido recente;
- dor, inchaço, secreção ou mau cheiro no ouvido;
- feridas ou sangramento no canal.
Nessas situações, o problema pode ser uma otite externa ou outra doença que precisa de tratamento específico, e o óleo pode atrasar o diagnóstico.
Quando procurar o otorrino?
Procure avaliação se a coceira não melhorar com a hidratação, ou se houver dor, secreção, vermelhidão intensa, inchaço, piora da audição ou feridas no canal. Esses sinais podem indicar otite externa, infecção por fungos ou alergia ao material do molde, e cada situação tem tratamento próprio.
O exame também verifica o acúmulo de cera, frequente em usuários de aparelho, porque o molde dificulta a saída natural do cerume. Para entender por que o aparelho é indicado e como ele ajuda, veja as orientações sobre surdez com a idade e sobre o aparelho auditivo no zumbido.
Vídeo: como evitar irritação e coceira pelo aparelho auditivo
O vídeo abaixo explica por que o aparelho auditivo pode irritar a pele do ouvido e mostra como fazer a hidratação noturna com algodão e óleo.
Perguntas frequentes
Posso usar vaselina ou creme no lugar do óleo?
A orientação é usar um óleo hidratante, como óleo de semente de uva ou de gengibre, aplicado com algodão na entrada do canal. Cremes e pomadas não fazem parte dessa orientação. Se a pele não melhorar com o óleo, o canal deve ser examinado antes de usar outro produto.
Posso usar o aparelho enquanto o ouvido coça?
Na coceira leve, sim, mantendo a hidratação noturna. Se houver dor, secreção ou ferida, retire o aparelho e procure avaliação antes de voltar a usá-lo.
A coceira significa que o aparelho está errado?
Nem sempre. A coceira costuma vir do ressecamento da pele, mas também pode indicar encaixe inadequado ou alergia ao material do molde. Se não melhorar com a hidratação, o ouvido deve ser examinado, e o encaixe do molde revisto por quem fez a adaptação do aparelho.
Referências
- VILELA, Larissa. Como evitar irritação e coceira no ouvido pelo uso de aparelho auditivo? YouTube, 2 jul. 2023. 1 vídeo (2 min 13 s). Disponível em: https://youtu.be/TVIA-PfrYTw. Acesso em: 1 out. 2026.
- ROSENFELD, R. M. et al. Clinical practice guideline: acute otitis externa. Otolaryngology–Head and Neck Surgery, v. 150, n. 1, supl., p. S1-S24, fev. 2014. DOI: 10.1177/0194599813517083. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24491310/. Acesso em: 1 out. 2026.
- GUZMÁN-PERERA, M. G. et al. Allergic Contact Dermatitis From Hearing Aid Ear Moulds: Different Devices, Different (Meth)acrylate Sensitization Profiles. Contact Dermatitis, 2026. DOI: 10.1111/cod.70238. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42686644/. Acesso em: 1 out. 2026.
- SCHWARTZ, S. R. et al. Clinical practice guideline (update): earwax (cerumen impaction). Otolaryngology–Head and Neck Surgery, v. 156, n. 1, supl., p. S1-S29, jan. 2017. DOI: 10.1177/0194599816671491. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28045591/. Acesso em: 1 out. 2026.
Avaliação do ouvido em Brasília
Se a coceira ou a irritação não melhoram, uma consulta com otorrino em Brasília permite examinar o canal do ouvido, tratar a causa e orientar o uso seguro do aparelho.
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