Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Só avance quando o exercício básico estiver bem treinado
Os exercícios para o labirinto têm dois níveis. O segundo é para quem já faz o primeiro com facilidade, de forma coordenada e sem tirar os olhos da ponta do dedo. Ele estimula ainda mais o labirinto, ajuda a melhorar as crises de tontura e também a fortalecer o equilíbrio.
No primeiro nível, o dedo indicador fica parado na frente do rosto e só a cabeça se move, para os lados e depois para cima e para baixo. O passo a passo dessa etapa está na orientação sobre exercícios para o labirinto.

Sem o olhar fixo na ponta do dedo, o exercício não estimula o labirinto. No nível 2, a cabeça e o dedo vão para lados opostos, e ele só começa depois que o nível 1 estiver bem treinado.
O nível 2 segue o mesmo princípio, com uma mudança que o deixa mais difícil. A cabeça e o dedo se movem ao mesmo tempo, em direções opostas. Fazer bem o exercício básico vale mais do que avançar cedo.
O que muda no nível avançado de estabilização do olhar?
O labirinto informa ao cérebro cada movimento da cabeça. Com essa informação, um reflexo chamado reflexo vestíbulo-ocular move os olhos para o lado contrário, na mesma velocidade, e a imagem continua parada mesmo com a cabeça em movimento. Quando o labirinto falha, os objetos parecem pular ou ficar borrados ao mexer a cabeça, uma queixa que os médicos chamam de oscilopsia.
No primeiro nível, o alvo fica parado, e os olhos giram na mesma velocidade da cabeça, só que no sentido contrário. No nível 2, o próprio alvo vai para o lado oposto ao da cabeça. Para o olhar continuar preso à ponta do dedo, os olhos precisam se mover com o dobro da velocidade da cabeça. Na literatura de reabilitação, esse treino aparece com o nome de VOR x2, e as listas de progressão dos exercícios o colocam acima do treino com o alvo parado.
A dificuldade não está na força nem no tamanho do movimento. Ela está na coordenação entre a cabeça, os olhos e o dedo.
Por que o olhar precisa ficar fixo na ponta do dedo?
A regra mais importante dos dois níveis é manter o olhar fixo na pontinha do dedo durante todo o movimento. Mexer a cabeça sem fixar o olhar não estimula o labirinto, e o exercício perde o sentido.
As pesquisas apontam na mesma direção. A diretriz de 2022 da associação americana de fisioterapia neurológica desaconselha, para firmar o olhar, os exercícios em que só os olhos se movem, com a cabeça parada, porque eles não mostraram benefício quando comparados aos exercícios de estabilização do olhar. O estímulo vem da soma das duas coisas, a cabeça em movimento e os olhos segurando o alvo.
A mesma diretriz explica que a melhora dos sintomas depende dos sinais de erro que o próprio movimento gera. Cada vez que a cabeça se move e a imagem tenta escapar, o cérebro recebe um aviso e ajusta o reflexo. Com o olhar fixo, esse ajuste acontece a cada repetição.
Como fazer o exercício avançado na horizontal
Sente-se numa posição confortável e segura, com o dedo indicador na frente do rosto. Antes de começar, fixe o olhar na pontinha do dedo.
- Leve a cabeça para a direita e, ao mesmo tempo, o dedo para a esquerda.
- Volte girando a cabeça para a esquerda enquanto o dedo vai para a direita.
- Siga num movimento contínuo, de um lado para o outro, sempre com a cabeça e o dedo em sentidos opostos.
- Mantenha os olhos na ponta do dedo do começo ao fim.
- Faça 10 repetições.
O erro mais comum é deixar a cabeça e o dedo irem juntos para o mesmo lado. Quando isso acontecer, pare, coloque o dedo de novo na frente do rosto e recomece mais devagar.
Como fazer o exercício avançado na vertical
Depois do movimento lateral, o mesmo exercício é feito no sentido vertical, ainda sentado e com o olhar na ponta do dedo.
- Leve o dedo para baixo enquanto a cabeça sobe.
- Leve o dedo para cima enquanto a cabeça desce.
- Alterne sem parar, mantendo os sentidos opostos e o olhar fixo.
- Faça 10 repetições.
Se as direções se confundirem, diminua o ritmo e refaça a sequência com calma, conferindo para onde vai a cabeça e para onde vai o dedo.
Qual é a velocidade correta para o nível 2?
O nível 2 começa um pouco mais devagar do que o primeiro, porque o dedo em sentido contrário pede mais coordenação. À medida que o exercício fica confortável, a velocidade aumenta.
O ideal é chegar ao movimento mais rápido que você conseguir, desde que o olhar continue fixo na ponta do dedo. Rapidez sem o olhar fixo não serve. Se o dedo sai de foco ou a direção se inverte, reduza o ritmo até recuperar o controle e só então volte a acelerar.
Quantas repetições e quantas vezes ao dia?
Dez repetições no sentido lateral e dez no vertical já são um ótimo treino. A série é feita duas vezes ao dia, ou três, conforme a sua disponibilidade.
Uma série curta e bem feita rende mais do que insistir depois de perder a coordenação. Dentro do nível 2, o avanço vem do controle e do aumento gradual da velocidade.
A diretriz americana de fisioterapia neurológica, pensada para programas com acompanhamento, cita treinos um pouco mais frequentes, de três a cinco vezes ao dia quando os sintomas já duram mais de três meses. A frequência pode ser ajustada caso a caso, na consulta.
Se o nível 2 ainda estiver difícil, volte ao exercício com o dedo parado e treine mais o primeiro nível antes de tentar de novo.
Erros que reduzem o estímulo do exercício
- Começar pelo nível 2, sem antes dominar o primeiro.
- Mover a cabeça e o dedo para o mesmo lado. No nível 2, os sentidos são sempre opostos.
- Deixar o olhar escapar para outro ponto da sala.
- Acelerar antes de coordenar os movimentos.
- Mexer só a cabeça, como no nível 1, com o dedo parado.
- Fazer só o movimento lateral e esquecer o vertical.
- Fazer o exercício em pé ou andando sem orientação, com risco de perder o equilíbrio.
O que é normal sentir durante o exercício?
Uma tontura leve durante a série ou logo depois dela pode acontecer e costuma passar. A diretriz americana cita entre os riscos dos exercícios essa tontura passageira, o enjoo quando eles são feitos na fase mais forte da crise e a chance de queda nos exercícios mais difíceis. Por isso o nível 2 é feito sentado.
Nas primeiras semanas, os sintomas podem até piorar um pouco antes de melhorar. Segundo a diretriz, essa piora inicial não quer dizer, sozinha, que os exercícios devam ser interrompidos, porque a maioria das pessoas evolui para a melhora. Um dos estudos citados por ela orienta encerrar a sessão do dia quando surge enjoo forte.
Na revisão da Cochrane sobre reabilitação vestibular, nenhum dos estudos relatou efeito adverso dos exercícios.
Quando parar o exercício e procurar avaliação
Interrompa a série do dia se a tontura ficar forte, se vier enjoo intenso ou se você sentir que vai perder o equilíbrio. Isso não quer dizer abandonar os exercícios. Fique sentado ou deitado até passar e retome no outro horário do dia, mais devagar.
Alguns sinais fogem do que se espera do exercício. Se a tontura começar de repente junto com fraqueza ou dormência no rosto, num braço ou numa perna, dificuldade para falar, visão dupla ou perda da visão, desmaio ou queda da audição, procure avaliação médica sem demora.
Quedas, tontura que não melhora depois de algumas semanas de treino, crises que se repetem e tontura sem diagnóstico também pedem consulta. Nesses casos, marque a consulta pelo WhatsApp, conte qual é o sintoma e peça atendimento prioritário na OtoCare. A orientação sobre o que fazer numa crise de tontura descreve com mais detalhe os sinais que pedem atenção.
Para quem servem os exercícios de nível 2
Os exercícios para o labirinto ajudam tanto na crise de tontura quanto na recuperação, em quem já saiu da crise mas ainda não está totalmente bem. O nível 2 entra depois que o primeiro já está dominado, para estimular mais o labirinto e firmar o equilíbrio.
Segundo a diretriz americana, a reabilitação vestibular é indicada para quem perdeu parte da função do labirinto, de um lado ou dos dois, como pode acontecer depois de uma neurite vestibular. Ela também registra que começar cedo ajuda, e um dos estudos que ela analisa mostrou resultados melhores quando os exercícios começaram nas duas primeiras semanas depois da crise.
Quando a função do labirinto ficou muito reduzida e o organismo não compensa a perda sozinho, os exercícios de casa podem não bastar. Nesses casos entra a reabilitação vestibular, com exercícios escolhidos para cada pessoa e acompanhamento, indicada na consulta. Na pessoa idosa, a escolha e o avanço dos exercícios pedem ainda mais cuidado, como explica a orientação sobre tontura em idosos.
Quando os exercícios não são o tratamento
Se a tontura é uma vertigem de poucos segundos quando a pessoa se deita, se vira na cama ou levanta a cabeça para olhar o alto, a causa mais comum são os cristais do labirinto fora do lugar, a VPPB. Nela, o tratamento é a manobra de reposicionamento para VPPB, feita pelo médico, e não os exercícios de olhar fixo.
Tontura tem muitas causas, dentro e fora do labirinto, e nem toda tontura é labirintite. Os exercícios ajudam o equilíbrio, mas não tratam a causa da tontura nem substituem o diagnóstico.
Os remédios para tontura usados por muito tempo também podem atrapalhar. Segundo a diretriz americana, o uso prolongado dos remédios que sedam o labirinto pode prejudicar a recuperação, assunto da orientação sobre remédio para tontura que pode piorar a tontura.
Em quanto tempo os exercícios fazem efeito?
A melhora vem aos poucos, com a prática regular. A revisão da Cochrane encontrou evidência moderada de que a reabilitação vestibular alivia os sintomas e melhora o dia a dia em médio prazo.
Nos programas descritos pela diretriz americana para quem perdeu parte da função do labirinto e tem sintomas há mais de três meses, os exercícios de estabilização do olhar duram de quatro a seis semanas. O treino termina quando os objetivos são atingidos, quando os sintomas desaparecem ou quando a melhora para de avançar.
O prazo muda de pessoa para pessoa. Pesam a causa da tontura, o tempo até começar os exercícios e outras condições, como ansiedade, depressão e enxaqueca, que podem atrapalhar a recuperação. Por isso o tempo de cada caso é avaliado na consulta.
O papel da consulta na escolha dos exercícios
Na OtoCare, a consulta com otorrino em Brasília começa pela história da tontura e segue com o exame dos olhos, do equilíbrio e dos ouvidos. O vHIT, exame que mede o reflexo do labirinto em movimentos rápidos da cabeça, a audiometria e a manobra para VPPB são feitos na clínica, quando indicados.
Com o diagnóstico, a consulta define se os exercícios de casa bastam, qual nível usar e quando avançar, ou se o caso pede reabilitação vestibular. A reabilitação vestibular não é feita na OtoCare. Quando ela é necessária, a indicação sai da própria consulta.
Vídeo: exercícios avançados para crises de tontura
O vídeo abaixo mostra o segundo nível completo, com os movimentos lateral e vertical, o olhar fixo na ponta do dedo e o aumento da velocidade.
Perguntas frequentes
Exercício para o labirinto coloca os cristais do ouvido no lugar?
Não. Os cristais soltos da VPPB voltam ao lugar com a manobra, em que o médico muda a cabeça e o corpo de posição numa ordem certa. Os exercícios de olhar fixo treinam o reflexo do labirinto e o equilíbrio. Segundo a revisão da Cochrane, a manobra resolve mais casos de VPPB a curto prazo, e somar os exercícios depois dela ajuda na recuperação a longo prazo.
Dá para fortalecer o labirinto com exercícios?
O labirinto não ganha força como um músculo. O que os exercícios fazem é ensinar o cérebro a ajustar a resposta aos movimentos da cabeça, um processo que a diretriz americana chama de adaptação. Com isso, a visão fica mais estável durante o movimento e o equilíbrio melhora.
Qual é o melhor exercício para acabar com a labirintite?
Não existe um exercício único que sirva para toda tontura. O tratamento depende da causa. Os exercícios de olhar fixo ajudam na crise e na recuperação, sobretudo quando houve perda de parte da função do labirinto, e a VPPB pede manobra. A labirintite de verdade, uma inflamação do labirinto, é rara, e o diagnóstico vem antes da escolha do exercício.
Reabilitação vestibular é a mesma coisa que reabilitação labiríntica?
É. Os dois nomes se referem ao mesmo tratamento, um programa de exercícios montado para cada caso, que treina o labirinto e o equilíbrio. Não é um exame. Os exercícios de nível 1 e de nível 2 são exemplos do tipo de treino usado nesses programas.
Dá para fazer reabilitação vestibular em casa?
Parte dela, sim. Os exercícios dos dois níveis são feitos em casa, sentado. A diretriz americana, porém, recomenda com força que o programa tenha acompanhamento, com exercícios de casa e revisões periódicas, porque, nos estudos, quem treinou com acompanhamento teve resultados melhores e desistiu menos. A consulta avalia se o seu caso pede esse acompanhamento.
Quem faz a reabilitação vestibular?
Em geral, o programa é orientado por um fisioterapeuta ou por um fonoaudiólogo com formação na área. A diretriz americana sobre o tema foi escrita pela associação de fisioterapia neurológica dos Estados Unidos, e o Conselho Federal de Fonoaudiologia reconhece a reabilitação do equilíbrio como competência do fonoaudiólogo capacitado. A indicação vem da consulta com otorrino, depois do diagnóstico da tontura. A OtoCare não oferece as sessões.
Existem exercícios de equilíbrio para tontura além do nível 2?
Existem. Nos programas de reabilitação, a diretriz americana recomenda, junto com os exercícios de olhar fixo, treinos de equilíbrio parado e em movimento, como ficar em pé com os pés mais próximos ou andar virando a cabeça. Esses treinos trazem risco de queda enquanto o equilíbrio ainda está fraco, e por isso são escolhidos e avançados com orientação.
Exercícios vestibulares servem para cinetose?
Servem, mas com outro foco. Para quem enjoa com frequência em carro, barco ou avião, a reabilitação vestibular usa principalmente exercícios de habituação, que acostumam o cérebro a tolerar melhor o movimento, e não o treino de olhar fixo do nível 2. O tratamento está na orientação sobre cinetose.
O exercício avançado pode ser feito com os olhos fechados?
Não. O nível 2 depende de ver a ponta do dedo o tempo todo, porque o estímulo vem do esforço dos olhos para segurar o alvo enquanto a cabeça se move. Alguns programas de reabilitação têm exercícios de equilíbrio com os olhos fechados, mas eles são outro tipo de treino, com outro objetivo.
Preciso de algum aparelho para fazer o nível 2?
Não. O próprio dedo indicador serve de alvo. Nos programas de reabilitação, o treino pode ficar mais difícil com um alvo mais distante ou com um fundo cheio de desenhos atrás dele, mas essas variações são escolhidas para cada caso.
Referências
- VILELA, Larissa. Labirinto: exercícios avançados para crises de tontura. YouTube, 19 jul. 2023. 1 vídeo (2 min 49 s). Disponível em: https://youtu.be/75ehXD934Lc. Acesso em: 13 out. 2026.
- VILELA, Larissa. Exercícios para o labirinto: crise de tontura e recuperação mais rápida. YouTube, 16 jul. 2023. 1 vídeo (3 min 1 s). Disponível em: https://youtu.be/RC6CN_GaPLU. Acesso em: 13 out. 2026.
- VILELA, Larissa. Neurite vestibular: o que é, causas, diagnóstico e tratamento. YouTube, 27 ago. 2025. 1 vídeo (7 min 49 s). Disponível em: https://youtu.be/HXzTm0F8wVc. Acesso em: 13 out. 2026.
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- NATIONAL HEALTH SERVICE. Dizziness. Londres: NHS, 21 abr. 2023. Disponível em: https://www.nhs.uk/symptoms/dizziness/. Acesso em: 13 out. 2026.
Avaliação da tontura e do equilíbrio em Brasília
Se a tontura voltou, não melhora com os exercícios ou ainda não tem causa definida, uma consulta com otorrino em Brasília examina o labirinto e o equilíbrio e define o tratamento de cada caso.
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