Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Por que os exercícios para o labirinto ajudam na recuperação da tontura?
Existem exercícios específicos para o labirinto, e eles ajudam muito em dois momentos: durante uma crise de tontura e depois dela, quando a pessoa já passou da crise e ainda não se sente totalmente bem. Dois desses exercícios são simples, podem ser feitos em casa e fazem parte da rotina passada aos pacientes em crise ou se recuperando de uma.

Dois exercícios simples ajudam na crise de tontura e na recuperação. Eles são feitos sentado, com os olhos fixos na ponta do dedo. Sem fixar o olhar, a cabeça se mexe, mas o labirinto não recebe o estímulo de que precisa.
O labirinto, no ouvido interno, informa ao cérebro cada giro e cada inclinação da cabeça. Quando um dos lados é atingido, por uma inflamação ou outra lesão, as informações dos dois lados deixam de combinar, e aparecem a tontura e o desequilíbrio. A recuperação depende de o cérebro se acostumar com essa diferença, e esse ajuste acontece com o movimento.
Há estudos científicos mostrando que os exercícios para o labirinto, feitos na crise ou na recuperação, melhoram os sintomas. Ficar imóvel, com medo de virar a cabeça, não ajuda. O pescoço fica tenso, e a tensão muscular pode prolongar a tontura. A orientação sobre o que fazer numa crise de tontura trata desse cuidado.
Como funciona o reflexo vestíbulo-ocular e a fixação do olhar?
Para enxergar com nitidez enquanto a cabeça se mexe, o corpo conta com o reflexo vestíbulo-ocular. O labirinto percebe o giro da cabeça e faz os olhos girarem no sentido contrário, na mesma velocidade. Assim, a imagem fica parada, mesmo quando a pessoa vira o rosto ou anda pela rua.
Quando o labirinto de um lado perde parte da função, como pode acontecer depois de uma neurite vestibular, esse reflexo falha. Ao virar a cabeça, os objetos parecem tremer ou ficam borrados, e o equilíbrio ao andar piora. O vHIT é o exame que mede a resposta desse reflexo a movimentos rápidos da cabeça.
Nos dois exercícios, a pontinha do dedo serve de alvo. Com o olhar preso nela enquanto a cabeça gira, o labirinto é obrigado a trabalhar, e o cérebro aprende a firmar a imagem de novo. Sem essa fixação do olhar, o exercício não estimula bem o labirinto, por mais que a cabeça se mova.
Passo a passo dos dois exercícios com fixação do olhar
Os dois exercícios são feitos sentado, numa posição segura, de preferência numa cadeira firme. Primeiro vem o movimento de não, para os lados. Depois, o movimento de sim, para cima e para baixo.
Exercício 1 — movimento de “não”, para os lados
- Sentado, posicione o indicador diante do rosto e fixe os olhos na pontinha dele.
- Sem tirar os olhos do dedo, gire a cabeça para um lado e para o outro, como quem diz não.
- Mantenha o dedo parado e o olhar preso nele durante todo o movimento.
- Faça 10 vezes, mais devagar no começo e, aos poucos, mais rápido.
Exercício 2 — movimento de “sim”, para cima e para baixo
- Na mesma posição, mantenha o dedo na frente do rosto e o olhar na pontinha dele.
- Mexa a cabeça para cima e para baixo, como quem diz sim, sem tirar os olhos do dedo.
- Faça 10 repetições, com o mesmo aumento gradual da velocidade.
O ponto principal é o olhar continuar parado na ponta do dedo durante todo o giro da cabeça. Se ele escapar, diminua o ritmo até conseguir segurá-lo de novo.
Quantas vezes ao dia e com que frequência praticar?
A série completa tem 10 repetições do movimento de não e 10 do movimento de sim. Ela é feita duas a três vezes ao dia.
No início, os movimentos são lentos. Conforme o treino fica mais fácil, a velocidade sobe, sempre com o olhar preso à ponta do dedo. Acelerar e perder o dedo de vista não traz benefício.
Nos programas com acompanhamento, a diretriz da associação americana de fisioterapia neurológica sugere para a fase da crise e as semanas seguintes ao menos três sessões por dia, somando pelo menos 12 minutos de exercícios para firmar o olhar. Essa quantidade pode ser avaliada caso a caso, na consulta.
Pode fazer os exercícios durante a crise de tontura?
Pode. Os dois exercícios são indicados também durante a crise, e não só depois que ela passa. A diretriz americana recomenda com força oferecer a reabilitação vestibular já na fase aguda a quem tem a função do labirinto reduzida num dos lados.
Nos primeiros dias de uma crise forte, mexer-se é difícil, porque os sintomas costumam incapacitar. Nessa fase, os exercícios entram mais devagar e com pausas. O que se evita são os giros bruscos de cabeça fora do exercício e levantar ou sair andando depressa, pelo risco de queda.
Durante a série e logo depois dela, a tontura pode aumentar um pouco. A diretriz lista essa piora passageira entre os riscos conhecidos do treino, assim como o enjoo, que aparece em algumas pessoas quando os exercícios são feitos na fase mais aguda. Se o enjoo ficar forte ou vier vômito, encerre a série daquele horário e retome no horário seguinte, mais devagar.
Se junto com a tontura aparecerem sinais como fraqueza ou perda de sensibilidade de um lado do corpo, no rosto, no braço ou na perna, visão dupla ou dificuldade para falar, eles precisam de avaliação médica sem demora.
Quando esses exercícios são indicados e quando não devem ser feitos?
Os exercícios servem para a crise de tontura que vem do labirinto e para a fase seguinte, quando a crise já passou e continuam a tontura ou a insegurança para andar.
Esse tipo de exercício também faz parte da reabilitação vestibular, um programa montado para cada pessoa. A diretriz americana recomenda essa reabilitação para quem ficou com a função do labirinto reduzida, num lado ou nos dois. É o caso da neurite vestibular quando o corpo não dá conta de compensar a lesão do nervo. A reabilitação é ainda um dos três pilares do tratamento da tontura postural perceptual persistente (TPPP), muitas vezes desencadeada por uma fase de estresse intenso. O assunto está na orientação sobre tontura por estresse e TPPP. No desequilíbrio da pessoa idosa, ela é a base do tratamento, como explica a orientação sobre tontura em idosos.
Os exercícios de olhar fixo não são o tratamento da VPPB. Nela, a vertigem dura segundos e surge com certas mudanças de posição da cabeça, como deitar, rolar na cama ou olhar para o alto, porque há cristais do labirinto fora do lugar. A diretriz americana sobre VPPB recomenda tratar com a manobra de reposicionamento para VPPB, feita pelo médico, que leva os cristais de volta ao lugar certo.
Eles também não tratam a causa de qualquer tontura. A tontura tem várias causas, entre elas problemas metabólicos e hormonais, e nem toda tontura é labirintite. Saber a causa vem antes de escolher o tratamento.
Cuidados de segurança para evitar quedas e acidentes
Os exercícios são feitos sentado porque o próprio treino pode provocar tontura passageira e, nos exercícios mais difíceis, existe risco de queda.
- Use uma cadeira firme, sem rodinhas e que não gire.
- Mantenha os pés apoiados no chão durante toda a série.
- Não faça os exercícios em pé ou andando sem orientação.
- Ao terminar, espere a tontura passar antes de se levantar.
- Levante-se devagar, perto de algo firme em que possa se segurar.
Quando passar para os exercícios avançados?
Quando os dois exercícios ficarem fáceis, feitos com rapidez e sem perder a ponta do dedo de vista, existe um segundo nível. Nele, o dedo também se mexe, sempre na direção contrária à da cabeça, e o labirinto trabalha mais. O passo a passo está na orientação sobre exercícios avançados para o labirinto.
Quando os exercícios de casa não bastam
Se a tontura não melhora com os exercícios, volta em crises, vem com queda da audição ou ainda não tem causa definida, o labirinto e o equilíbrio precisam ser examinados. Marque a consulta pelo WhatsApp e conte qual é o sintoma.
Na consulta da OtoCare, no Noroeste de Brasília, o primeiro passo é a história da tontura, seguida do exame dos olhos e do equilíbrio. Quando há indicação, a própria clínica faz o vHIT, a audiometria e a manobra para VPPB.
Alguns casos pedem reabilitação vestibular, com um programa individual acompanhado por fisioterapeuta ou fonoaudiólogo com formação na área. A OtoCare não oferece essas sessões. A indicação sai da consulta, e a orientação sobre quem conduz a reabilitação vestibular explica como ela funciona.
Vídeo: exercícios para o labirinto na crise e na recuperação
O vídeo abaixo mostra os dois exercícios completos, com a posição do dedo, o olhar fixo e o aumento da velocidade.
Perguntas frequentes
Os exercícios para o labirinto substituem o remédio de labirintite?
Não se trata de trocar um pelo outro. O remédio para tontura alivia os sintomas mais fortes da crise e deve ser usado por poucos dias. Tomado por semanas ou meses, ele diminui o trabalho do labirinto, atrapalha a compensação feita pelo cérebro e pode até piorar a tontura. Os exercícios ajudam justamente nessa compensação e podem ser feitos durante e depois da crise. O que usar em cada fase é definido na consulta, e os riscos do uso contínuo de remédios para tontura têm uma orientação própria.
O que fazer para o labirinto voltar ao normal?
Nem sempre o labirinto atingido volta a funcionar como antes. Depois de uma neurite vestibular, por exemplo, a diretriz americana cita recuperação espontânea da função em cerca de metade das pessoas, com o tempo. Mesmo sem a função completa, o equilíbrio pode voltar ao normal, porque o cérebro aprende a compensar a diferença entre os dois lados. Movimento, exercícios com o olhar fixo e o tratamento da causa ajudam nesse aprendizado.
Quanto tempo demora para os exercícios fazerem efeito?
Não existe um prazo único. Os ganhos aparecem de forma gradual, com a prática todos os dias, e dependem da causa da tontura e de quando o treino começou. A diretriz americana registra resultados melhores quando os exercícios começam cedo, logo depois da crise. Os prazos usados nos programas de reabilitação estão na orientação sobre o nível 2 dos exercícios.
Exercício só com os olhos ajuda na labirintite?
Mexer só os olhos, com a cabeça parada, não substitui os dois exercícios desta página. Para firmar a visão, a diretriz americana orienta não usar movimentos dos olhos sozinhos, sem movimento da cabeça, porque nos estudos eles ficaram atrás dos exercícios em que a cabeça se mexe com o olhar preso num alvo. O estímulo do labirinto depende do giro da cabeça.
Exercício físico é bom para quem tem labirintite?
Ajuda, como complemento. Quem tem tontura costuma passar a evitar movimentos para não provocar os sintomas, e a diretriz americana observa que os exercícios do labirinto podem acelerar a recuperação, principalmente nessas pessoas. Ela também cita a caminhada, com aumento gradual, como parte frequente dos programas de reabilitação. Já a atividade física sem treino de equilíbrio, sozinha, não mostrou benefício para o labirinto nos estudos e não substitui os exercícios com o olhar fixo.
Idoso pode fazer os exercícios para o labirinto?
Pode. Os dois exercícios são feitos sentado, o que diminui o risco de queda durante o treino. Com a idade, o labirinto, a visão e a sensibilidade do corpo perdem função juntos, e o desequilíbrio costuma ter mais de uma origem. Por isso, na pessoa idosa, cabe à consulta decidir se o treino em casa é suficiente ou se o caso pede um programa de reabilitação acompanhado e montado aos poucos.
Dá para fazer os exercícios deitado ou na cama?
Os dois exercícios são feitos sentado. Se for mais fácil, a beira da cama serve, com os pés apoiados no chão. Nos protocolos antigos de reabilitação, como o de Cawthorne e Cooksey, os exercícios começavam com a pessoa deitada e passavam depois para sentada, em pé e andando. Hoje a posição e o avanço são escolhidos para cada caso.
Referências
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- VILELA, Larissa. Tontura pelo uso indiscriminado de medicação para tontura (Dramin®, Meclin®, Stugeron® e Vertix®)? YouTube, 3 dez. 2025. 1 vídeo (5 min 51 s). Disponível em: https://youtu.be/qzP3btIMknE. Acesso em: 15 out. 2026.
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- NATIONAL HEALTH SERVICE. Dizziness. Londres: NHS, 21 abr. 2023. Disponível em: https://www.nhs.uk/symptoms/dizziness/. Acesso em: 15 out. 2026.
Avaliação da tontura com otorrino em Brasília
Tontura que se repete ou não melhora com os exercícios merece diagnóstico. Na OtoCare, a consulta com otorrino em Brasília avalia o labirinto, o equilíbrio e a audição e indica o tratamento de cada caso.
Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479
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