Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Comece pela segurança e reduza os gatilhos da crise
O mundo parece rodar, vem a náusea, muitas vezes o vômito, e caminhar fica difícil, com o corpo instável e sem equilíbrio. Essa é a crise de tontura. Os sintomas são muito ruins, e existem orientações gerais que ajudam qualquer pessoa em crise a melhorar o mais rápido possível.
O primeiro cuidado é não cair. Ao sentir a tontura chegando, sente-se ou deite onde estiver, de preferência perto de uma parede, de um móvel firme ou de alguém que possa dar apoio. Depois vêm as medidas que reduzem os estímulos sobre o labirinto, que são retirar a cafeína, cortar doces e excesso de sal, beber bastante água, deixar as telas de lado, descansar e se mover devagar.
Essas medidas aliviam a crise, mas não mostram de onde ela vem. Quando a tontura se repete, só o diagnóstico da causa permite tratar o problema de verdade.

Na crise, evite movimentos bruscos, mas não deixe o corpo completamente parado. Movimentos lentos, controlados e perto de um apoio reduzem o risco de queda sem deixar o pescoço travado de tensão.
O que é uma crise de tontura e de onde ela vem?
Na crise, a pessoa sente que tudo à volta está girando, ou que ela própria gira, em geral com enjoo, vômito e insegurança para andar. O nome técnico dessa sensação de giro é vertigem. Outras pessoas descrevem mais um desequilíbrio, a impressão de estar flutuando ou de que o chão não está firme. Segundo o Manual MSD, o termo tontura descreve sensações bem diferentes, e a mesma pessoa pode descrever a crise de um jeito num dia e de outro jeito depois.
O equilíbrio depende do sistema vestibular, um conjunto que reúne o labirinto, dentro da orelha interna, e as vias do sistema nervoso que recebem e interpretam essas informações. Quando há tontura, alguma parte desse conjunto está funcionando mal.
Por isso, a crise pode nascer no labirinto ou em outros pontos. Ela pode vir do sistema nervoso central e até do pescoço, quando há tensão muscular importante. A força dos sintomas não revela a origem. Ainda assim, o Manual MSD lembra que, na maioria das vezes, mesmo a tontura muito incapacitante não é causada por uma doença grave.
Quanto tempo dura uma crise de tontura?
Depende da causa. Segundo o NHS, o serviço público de saúde do Reino Unido, um episódio de vertigem pode durar de alguns segundos a algumas horas, e os quadros mais fortes podem se estender por vários dias.
Nas crises mais sérias, a primeira semana é a fase mais difícil, e a melhora vem aos poucos. Na VPPB, a tontura dos cristais fora do lugar, cada episódio é curto e volta sempre que a cabeça muda de posição. Na neurite vestibular, a tontura forte e contínua pode durar dias. Na doença de Ménière, as crises vêm e vão, muitas vezes precedidas de zumbido, ouvido tampado e piora da audição.
Uma tontura que continua por semanas depois da crise, ou que volta com frequência, já não é uma crise isolada e precisa ser investigada.
1. Pare, sente-se ou deite para evitar quedas
Levantar rápido e sair andando depressa são as situações que mais derrubam quem está em crise. Sente-se ou deite, espere o corpo se acomodar e, para levantar da cama ou da cadeira, faça a mudança de posição devagar. Fique sempre num lugar onde dê para se segurar se vier uma nova onda de instabilidade.
As quedas são o grande temor nos quadros de tontura, principalmente nos idosos, porque muitas vezes são elas que trazem as complicações. Algumas medidas simples em casa ajudam, segundo o NHS. Ao levantar à noite, acenda a luz. Ao sair da cama, fique sentado na beirada por um tempo antes de ficar em pé. Para pegar algo no chão, agache em vez de curvar o corpo para a frente. As causas e o tratamento do desequilíbrio nos mais velhos estão na orientação sobre tontura em idosos.
Na fase mais forte, ficar deitado e quieto, num quarto escuro e silencioso, também diminui a sensação de giro.
2. Suspenda a cafeína durante a crise
A cafeína estimula diretamente o sistema vestibular. Se ele já está funcionando mal, esse estímulo piora os sintomas. Há pacientes que entram em crise de tontura só pelo exagero no café, e por isso, durante a crise, o ideal é suspender a cafeína por completo.
O cafezinho é a fonte mais conhecida, mas não a única. Chá preto, chá verde, chá-mate e os outros chás escuros também têm cafeína, em menor quantidade. Entram ainda os refrigerantes, sobretudo os de cola, os energéticos e os suplementos com cafeína. E o chocolate conta, qualquer que seja o tipo, inclusive o amargo e o cacau puro, que costumam ser lembrados como opções saudáveis.
3. Reduza açúcar e carboidratos simples
O labirinto é muito sensível às variações de glicose e de insulina. Os picos de açúcar no sangue mexem diretamente com o funcionamento dele. Na crise, a orientação é tirar os doces e reduzir os carboidratos simples, como pães, massas, bolos e o excesso de arroz, que no organismo acabam virando açúcar.
O corpo continua precisando de carboidrato para ter energia ao longo do dia. A troca é pelos carboidratos complexos, como os alimentos integrais. Em algumas pessoas, o próprio exagero no doce desencadeia a tontura, como mostra a orientação sobre tontura depois de comer doce. Quando a suspeita envolve diabetes, tireoide ou hormônios, a investigação está em tontura metabólica ou hormonal.
4. Evite excesso de sal e mantenha a hidratação
O sal em excesso faz o organismo reter líquido, e esse acúmulo pode atingir o labirinto. Em alguns problemas específicos do labirinto, entre eles a doença de Ménière, o exagero no sal pode ser o próprio gatilho da crise. A orientação é usar a quantidade habitual, sem excessos.
Beber bastante água ajuda. O labirinto depende do equilíbrio de água do corpo, e a hidratação contribui para que ele funcione melhor. Quando a crise vem com vômitos, a perda de líquido aumenta, e a água fica ainda mais importante.
5. Diminua o tempo de celular, computador e televisão
As telas geram um estímulo muito intenso para o cérebro e podem piorar a crise. Em algumas condições ligadas à tontura, o celular, o computador, a televisão e o tablet são o próprio gatilho dos sintomas.
Ficar sem telas é difícil nos dias de hoje, mas a crise é o sinal para deixar o celular de lado por um tempo e evitar as telas dentro do possível. O excesso de estímulo visual também pesa na tontura postural perceptual persistente, em que lugares cheios de informação, como shopping e supermercado, aumentam o desequilíbrio.
6. Durma e respeite o período de descanso
Durante a crise, o organismo precisa de repouso para reajustar o que está errado no sistema vestibular. Ir para a cama, deitar, dormir e descansar o máximo possível faz parte da recuperação nos primeiros dias.
Alguns remédios usados no tratamento da tontura dão sono como efeito colateral. No começo da crise, essa sonolência é até bem-vinda, porque ajuda o corpo a descansar.
Remédio para crise de tontura: o que pode tomar?
Os remédios mais usados na crise são os supressores vestibulares, como o dimenidrinato (Dramin®), a meclizina (Meclin®), a cinarizina (Stugeron®) e a flunarizina (Vertix®). Eles diminuem a função do labirinto e têm papel importante justamente no momento da crise.
Cada orelha interna tem o seu labirinto. Na crise forte, um lado passa a funcionar diferente do outro, e é essa assimetria que dá a sensação de que tudo roda. Quando o remédio baixa a função dos labirintos, a diferença entre eles diminui e a tontura se acalma.
O mesmo remédio que alivia a crise atrapalha quando é usado por muito tempo. O uso é curto e orientado pelo médico. Tomado de forma contínua, ou a cada pequeno sintoma, ele mantém o labirinto funcionando menos e acaba causando uma tontura nova, do tipo desequilíbrio, como explica a orientação sobre remédio para tontura que pode piorar. Por isso, a automedicação deve ser evitada. A escolha do remédio, a dose e o tempo de uso são definidos na consulta.
Quando o enjoo e os vômitos são fortes, o médico pode indicar também um remédio para náusea. Além disso, cada causa tem o seu tratamento. Na VPPB, a manobra que recoloca os cristais resolve o problema sem remédio. A betaistina não é remédio para cortar a crise. Na doença de Ménière, ela é usada para prevenir novas crises.
7. Faça movimentos lentos, sem ficar paralisado
Movimentos bruscos são um estímulo direto para o labirinto. Podem piorar os sintomas e até provocar uma queda. Na crise, os movimentos ficam mais lentos, e os giros rápidos da cabeça devem ser evitados.
O extremo oposto também atrapalha. Há pacientes tão assustados com a tontura que travam o corpo em bloco e não mexem mais a cabeça para nada. Essa rigidez vai contraindo a musculatura, o pescoço fica muito tenso, e a tontura passa a se manter só pela tensão muscular.
Mexer-se é permitido e necessário, de forma controlada e sem supetões. É pelos movimentos do corpo que o organismo reajusta as informações do equilíbrio e a tontura melhora. Nos primeiros três a cinco dias de uma crise mais agressiva, quando os sintomas costumam ser muito incapacitantes, e ao longo da primeira semana, o ritmo é devagar, sem ficar paralisado.
Exercícios simples para o labirinto, feitos sentado e com o olhar fixo num ponto, ajudam tanto na crise quanto na recuperação, como mostra a orientação sobre exercícios para o labirinto. Depois que o primeiro nível estiver bem treinado, vêm os exercícios avançados para o labirinto.
Somadas, essas orientações servem para qualquer tipo de tontura. Não fazem mal e, pelo contrário, ajudam a melhorar mais rápido.
Crise de tontura é sempre labirintite?
Não. A labirintite é a inflamação do próprio labirinto, um diagnóstico específico e pouco comum. Tontura, vertigem e desequilíbrio são sintomas, que aparecem em doenças muito diferentes, como mostra a orientação que responde se toda tontura é labirintite.
O gatilho e a duração dão as primeiras pistas. Tontura curta quando a pessoa deita, vira de lado na cama ou levanta o olhar sugere a VPPB. Tontura forte e contínua por dias, sem mudança na audição, lembra a neurite vestibular. Crises com zumbido e ouvido tampado fazem pensar na Ménière. Quando há histórico de enxaqueca, a suspeita pode ser a enxaqueca vestibular.
Também há causas fora do labirinto. A tontura ao levantar pode vir da queda de pressão. A ansiedade e o pânico estão entre as causas citadas pelo Manual MSD, como mostra a orientação sobre tontura por ansiedade. E os próprios remédios para tontura, tomados por tempo demais, também entram na lista.
Sinais de alerta durante uma crise de tontura
Na maior parte das vezes, a crise vem do labirinto e chega sozinha ou junto com sintomas do ouvido, como zumbido e audição abafada. Quando a tontura começa de repente acompanhada de dificuldade para falar ou engolir, visão dupla ou perda da visão, fraqueza, dormência ou formigamento num braço, numa perna ou num lado do rosto, incapacidade de andar mesmo com apoio, dor de cabeça forte e diferente das habituais, dor no pescoço ou desmaio, a origem pode estar no cérebro, como num AVC. Diante desses sinais, a tontura precisa de avaliação médica sem demora.
Sem esses sinais, também merecem avaliação a crise muito intensa, a que volta com frequência, a tontura que ainda não tem causa definida e os vômitos repetidos, que desidratam. Nesses casos, agende a consulta na OtoCare pelo WhatsApp e informe o sintoma para ter atendimento prioritário.
Como é a avaliação da tontura na OtoCare
A consulta começa pela história da crise. O que desencadeou a tontura, quanto tempo durou, se veio com zumbido, ouvido tampado ou dor de cabeça e quais remédios estão em uso. Em seguida vem o exame, com atenção aos movimentos dos olhos, ao equilíbrio e aos ouvidos.
Na própria maca são feitos os testes de posição que procuram os cristais fora do lugar. Se os testes confirmam a VPPB, a manobra para VPPB é feita na OtoCare. O vHIT, exame que avalia o reflexo do labirinto durante movimentos rápidos da cabeça, também é realizado na clínica, assim como a audiometria quando há queixa de audição. Os demais exames realizados na OtoCare são escolhidos conforme a suspeita.
Em alguns casos entram exames de sangue para a parte metabólica e hormonal e, quando necessário, exames de imagem. Se a recuperação do equilíbrio pedir reabilitação vestibular, a indicação é feita na consulta.
Vídeo: o que fazer durante uma crise de tontura
O vídeo abaixo reúne as orientações gerais para os primeiros dias da crise: o que retirar da alimentação, como usar o repouso, por que reduzir telas e como se movimentar com segurança sem permanecer completamente imóvel.
Perguntas frequentes
Como parar uma crise de tontura rápido?
Não existe um gesto que faça a crise sumir na hora. O que encurta o sofrimento é somar os cuidados desta página ao tratamento da causa. Na VPPB, a manobra certa costuma acabar com a tontura ainda na consulta. Nas outras causas, o remédio indicado pelo médico alivia os primeiros dias enquanto o labirinto se recupera.
Pode tomar Dramin na crise de labirintite?
O Dramin® é um dos remédios usados na crise e pode aliviar a tontura e o enjoo. Ele dá sono e não trata a causa. O uso é por poucos dias, com orientação médica, e não deve virar hábito a cada tontura, porque o uso repetido acaba piorando o equilíbrio.
Pode tomar dipirona na crise de tontura?
A dipirona é um remédio para dor e febre e não age sobre o labirinto, então não trata a tontura. Se houver dor de cabeça junto, pode ser usado o analgésico que a pessoa já costuma tomar, de preferência dipirona ou paracetamol, com o ibuprofeno como segunda opção. Dor de cabeça forte, súbita e diferente das habituais é um dos sinais de alerta descritos acima.
Comer doce ajuda a passar a tontura?
Na crise do labirinto, não. O açúcar tende a piorar os sintomas. A exceção é a hipoglicemia, a queda de glicose em quem usa remédio para diabetes ou ficou muito tempo sem comer, quando a tontura vem com suor frio, tremor e fraqueza. Nessa situação, o açúcar corrige a causa, como mostra a orientação sobre tontura depois de comer doce.
O que fazer quando a tontura vem com enjoo e vômito?
Ficar deitado e quieto, num ambiente com pouca luz, ajuda o enjoo a ceder. Se o vômito impede de beber, a água entra aos poucos, um gole de cada vez. Quando os vômitos se repetem e a pessoa não consegue segurar nem a água, o corpo desidrata, e a crise precisa ser avaliada.
Crise de tontura ao acordar: o que pode ser?
Quando a tontura aparece ao virar na cama, ao deitar ou ao tirar a cabeça do travesseiro e dura pouco, a principal suspeita é a VPPB. Se ela surge ao ficar em pé, com a vista escurecendo, pode ser queda de pressão. Nos dois casos, o exame mostra a causa, e a VPPB tem tratamento com manobra.
Crise de ansiedade pode dar tontura?
Pode. Ansiedade e pânico podem causar tontura, e um estresse emocional muito forte pode ser o gatilho de uma tontura que se arrasta por anos, como na tontura por estresse. O caminho inverso também existe, e a crise do labirinto deixa a pessoa ansiosa. Por isso, a tontura só é atribuída à ansiedade depois que o labirinto foi examinado.
Crise de enxaqueca pode dar tontura?
Pode. A vertigem ligada à enxaqueca é uma das causas citadas pelo Manual MSD, e nela o tratamento da enxaqueca faz parte do controle das crises. Para uma primeira suspeita, o teste para migrânia vestibular reúne os sintomas que costumam aparecer.
Problema no pescoço pode dar crise de tontura?
Pode. Tensões musculares no pescoço estão entre as origens possíveis da crise. A própria tontura também cria essa tensão quando a pessoa trava a cabeça com medo de se mexer. O exame mostra se o labirinto está envolvido ou se a origem é outra.
Posso dirigir durante uma crise de tontura?
Não. A tontura tira a firmeza dos movimentos e o tempo de reação no trânsito. Para ir à consulta, o ideal é ser levado por outra pessoa. A direção volta quando a tontura passou por completo e a causa foi avaliada.
Melhorar com repouso confirma que era labirintite?
Não. O repouso e a redução de estímulos aliviam crises de causas muito diferentes. A melhora mostra que os cuidados funcionaram, mas não diz qual era a origem. Crises que voltam, muito fortes ou sem causa definida continuam precisando de diagnóstico.
Qual é o CID da crise de tontura?
Na CID-10, a tontura sem diagnóstico definido fica no código R42, tontura e instabilidade. Quando a causa é encontrada, o código passa a ser o da doença, como a VPPB, a neurite vestibular ou a doença de Ménière. O código é definido pelo médico a partir da avaliação.
Crise de tontura tem cura?
A crise passa, e a maioria das causas tem tratamento. A VPPB costuma ser resolvida com manobra. A neurite vestibular melhora aos poucos, com remédios na fase inicial. Doenças como a Ménière e a enxaqueca vestibular podem voltar, mas as crises costumam ser bem controladas com alimentação, sono, remédios e acompanhamento.
O que fazer quando a tontura não passa?
Tontura que continua por semanas depois de uma crise pede revisão do diagnóstico. Entre as causas mais frequentes estão a recuperação incompleta do labirinto, o remédio para tontura tomado sem parar e a TPPP, que piora em lugares com muito estímulo visual e melhora ao deitar. A maior parte dessas situações melhora bastante com o tratamento adequado, que começa por descobrir qual delas está presente.
Criança com tontura: o que fazer?
O primeiro cuidado é o mesmo do adulto. A criança senta ou deita e fica perto de um adulto até a tontura passar. Crises que se repetem precisam ser avaliadas, e as causas mais comuns nessa idade estão na orientação sobre tontura em crianças.
Referências
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- VILELA, Larissa. Doença de Ménière: sintomas, diagnóstico e tratamento! YouTube, 21 dez. 2024. 1 vídeo (12 min 37 s). Disponível em: https://youtu.be/uaZWVc1FJCU. Acesso em: 5 out. 2026.
- FORMEISTER, Eric J. Tontura e vertigem. Manual MSD Versão Saúde para a Família. Rahway: Merck & Co., jan. 2025, atualizado em ago. 2025. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/distúrbios-do-ouvido-nariz-e-garganta/sintomas-das-doenças-dos-ouvidos/tontura-e-vertigem. Acesso em: 5 out. 2026.
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