Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Quanto tempo a febre pode durar numa infecção respiratória
Até quantos dias a febre pode durar numa infecção respiratória por vírus ou por bactéria? É uma dúvida muito comum no consultório, principalmente entre os pais. Quem está com febre, ou vê o filho com febre, quer saber se aquilo ainda é esperado ou se já passou do ponto.
A resposta muda conforme a causa. Na infecção por bactéria, o que conta é o tempo de febre depois que o antibiótico começou. Na virose, a febre pode durar mais do que se imaginava antes, sem que isso signifique bactéria. E, antes de contar os dias, ajuda entender o que é a febre e por que ela aparece.

O que é a febre e por que ela aparece
A febre é a elevação da temperatura do corpo, e ela é uma resposta do sistema imunológico. Quando as células de defesa começam a combater vírus, bactérias ou inflamações, elas liberam substâncias chamadas pirógenos. Essas substâncias agem diretamente no hipotálamo.
O hipotálamo é o grande centro regulador do corpo. Ele controla a temperatura, o ciclo de sono e vigília e vários hormônios. Os pirógenos chegam até ele e dão o sinal para aumentar a temperatura. O hipotálamo então ajusta o termostato do corpo um pouco para cima, o corpo passa a produzir mais calor e a retê-lo, e a temperatura sobe.
Tudo isso tem um sentido. A temperatura mais alta estimula as células de defesa a funcionar melhor, e assim o sistema imunológico combate melhor a infecção. Os estudos sobre o tema mostram o mesmo: o calor da febre acelera a chegada das células de defesa ao local da infecção e ativa várias etapas da resposta imune.
Por isso, um pouco de febre é até importante para o corpo vencer infecções e inflamações. Esse é o ponto principal sobre o assunto. Uma pequena elevação da temperatura faz parte da ativação do sistema imunológico, e não é preciso correr para tomar um remédio ou dar um remédio ao filho a cada subida do termômetro. Às vezes, porém, a temperatura sobe demais, e aí o antitérmico é necessário.
A partir de quantos graus é febre
Não existe um consenso perfeito, mas a definição mais aceita, usada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), considera febre a temperatura igual ou acima de 37,5 °C medida na axila, o que corresponde a 38 °C medidos na boca ou no reto. Em casa, o termômetro digital na axila é o mais prático.
Febre por bactéria: até dois dias depois do antibiótico
Nas infecções por bactéria, a febre é um sinal clássico e muito comum. Não é regra, mas, no geral, a infecção bacteriana vem com febre, e essa febre não passa enquanto a bactéria não é combatida. Ela persiste até a bactéria ser controlada.
Existe uma regra clássica para isso. Numa infecção de garganta por bactéria, por exemplo, depois que o antibiótico começa, a febre pode durar até dois dias, que é o tempo que o remédio leva para controlar a bactéria. Numa amigdalite com febre, é esperado que em até dois dias de antibiótico a febre tenha ido embora. Pode ser que ela passe já depois da primeira dose, mas até dois dias é o tempo considerado tolerável.
Se a febre continua depois de dois dias do início do antibiótico, o quadro precisa ser reavaliado. É bem provável que a bactéria não esteja sendo bem combatida por aquele remédio, muitas vezes porque é resistente a ele, e o antibiótico pode ter de ser trocado. Por que as bactérias resistentes surgem e como evitá-las está na orientação sobre superbactérias.
Nas infecções por bactéria, portanto, a febre continua enquanto a bactéria estiver lá. Com o antibiótico certo, ela deve estar controlada em até dois dias. Como reconhecer, olhando a garganta, os sinais de uma infecção por bactéria está na orientação sobre garganta inflamada por vírus ou bactéria.
Febre por vírus: até cinco dias, às vezes sete
Até alguns anos atrás, uma virose dava um, dois, no máximo três dias de febre. Havia até uma regra prática: passou de três dias de febre, deveria ser bactéria, e era hora de ir ao médico para uma avaliação. Essa regra mudou.
As viroses estão ficando diferentes, mais intensas, e causando inflamações mais fortes, como mostra a orientação sobre os vírus estarem mais fortes. Com a febre também houve mudança. Hoje, uma virose pode dar até cinco dias de febre, principalmente quando o vírus é mais agressivo, como o da influenza e o da covid-19. Em alguns casos excepcionais, até sete dias de febre podem acontecer só por causa de um vírus, sem nenhuma bactéria associada. Já houve casos de influenza com sete dias de febre sem nenhuma complicação bacteriana.
Para simplificar, no geral até cinco dias de febre são considerados razoáveis numa virose. Isso vale desde que o estado geral esteja bom, sem a pessoa ficar prostrada, derrubada ou piorando a cada dia.
O guia do Ministério da Saúde para o manejo da gripe é mais cauteloso e inclui a febre que persiste ou aumenta entre os sinais que pedem reavaliação, o que está detalhado na orientação sobre quando procurar o médico na gripe. O momento de reavaliar antes do quinto dia pode ser definido caso a caso, na consulta, conforme o estado de cada paciente.
Passou do terceiro dia de febre: precisa de antibiótico?
Não necessariamente. Muitas vezes a pessoa passa do terceiro dia de febre e começa um antibiótico porque a febre já parece longa demais. Mas a febre prolongada não quer dizer que a infecção seja bacteriana, porque alguns vírus causam febre mais longa. Vários sites ainda repetem que a febre que passa de 72 horas é sinal de bactéria, e isso não vale mais para as viroses de hoje.
Nesse ponto, o que vale é uma boa história clínica e um bom exame físico. Examinando o paciente e vendo o estado geral, é possível ter uma noção se o quadro é bacteriano ou não. Em alguns casos, não em todos, um exame complementar ajuda, como o hemograma ou um exame de imagem do tórax.
Por isso, não é motivo de susto se uma virose der cinco dias de febre, ou até sete, desde que o estado geral continue bom. Cinco dias de febre numa virose têm sido vistos com relativa frequência; sete dias, em alguns casos. A diretriz do NICE, o instituto de saúde do Reino Unido, também orienta não usar a duração da febre, sozinha, para prever se a doença de uma criança é grave. Na criança com febre que chega a cinco dias, porém, ela pede atenção a uma doença rara, como mostra a seção sobre sinais de alerta mais abaixo.
O antibiótico sem diagnóstico não ajuda a virose e favorece as bactérias resistentes, como mostra a orientação sobre superbactérias.
Como saber se a febre é de vírus ou de bactéria
Aqui entra o papel do médico. A história clínica e o exame físico mostram se o quadro é viral ou bacteriano, e é com eles que o diagnóstico é feito. O número de dias de febre e a altura do termômetro, sozinhos, não respondem a essa pergunta.
Na consulta, alguns exames rápidos ajudam. Na OtoCare, quando há suspeita de infecção bacteriana na garganta, é feito o teste rápido de estreptococo, e quando há suspeita de covid-19 ou gripe, o teste rápido combinado de covid-19 e influenza A e B. No nariz e nos seios da face, a diferença entre a sinusite por vírus e a por bactéria está na orientação sobre sinusite aguda viral ou bacteriana.
Febre alta é sinal de bactéria?
Não necessariamente. Um ensinamento antigo da medicina diz que as maiores febres costumam ser causadas por vírus. Parece um pouco confuso, mas é verdade. Muitas vezes, aquelas febres de 39 °C ou 40 °C, altíssimas, que duram um ou dois dias, são de vírus. Não é o valor da temperatura que faz pensar em vírus ou em bactéria, e esses picos de febre muito alta, na maioria das vezes, são virais.
A SBP concorda que a intensidade da febre não pode ser usada para identificar uma infecção bacteriana grave. A exceção são os bebês com menos de três meses, em que a febre tem outro peso e os exames de sangue ajudam a avaliar o risco, como mostra a seção sobre sinais de alerta mais abaixo.
Toda infecção dá febre?
Não. Muitas viroses não dão febre, e existem infecções por bactéria que também não dão. As pneumonias atípicas são um bom exemplo. Elas são causadas por bactérias, como o micoplasma, mas costumam ser quadros mais arrastados, em que o paciente está com pneumonia sem ter febre, sem ficar muito prostrado, e com uma tosse persistente.
No geral, as infecções bacterianas vêm com febre, mas não é regra. Com os vírus é igual. Há viroses que causam febre e viroses que não causam, e mesmo os vírus considerados mais preocupantes, como o da covid-19 e o da influenza, às vezes não vêm com febre. Nos idosos mais frágeis, segundo o Manual MSD, uma infecção também pode aparecer com pouca ou nenhuma febre.
Quando dar remédio para febre
Se a febre faz parte da defesa do corpo, quando é que ela deve ser tratada? O principal ponto é como o paciente está clinicamente. Não é tanto pelo valor da temperatura que se medica, e sim pelo quadro clínico.
Uma criança com febre de 38 °C que está ativa, brincando, sem dor e sem reclamar não precisa ser medicada. Um banho morno, observação, bastante líquido e um pouco mais de repouso costumam bastar. Quando a criança começa a ficar prostrada, quietinha, diferente do normal, com aquele quadro febril clássico de uma febre mais alta que ela está de fato sentindo, o antitérmico pode ser dado.
No adulto é igual. Quem está mal, com muita dor, derrubado, pode tomar um antitérmico e não precisa ficar sofrendo. Quem sente um calafrio leve e está um pouco febril, mas está bem, faz melhor em não usar remédio.
Se é preciso um número, a orientação habitual é não medicar com 37,8 °C ou 38 °C. Quando a temperatura passa de 38,5 °C e chega perto de 39 °C, no geral o paciente já está muito sintomático e bem desconfortável, e o antitérmico entra para aliviar. A SBP segue a mesma ideia e recomenda o antitérmico quando a febre vem com desconforto evidente, como choro intenso, irritação, criança mais parada, sem apetite ou sem conseguir dormir, e não por um número fixo do termômetro.
O banho é para conforto. Para baixar a temperatura, a SBP e o NICE não recomendam métodos físicos, como compressas ou banhos para esfriar o corpo. Segundo a SBP, eles baixam a temperatura por pouco tempo e aumentam o desconforto, com calafrios e irritação. Qual antitérmico escolher, dipirona, paracetamol ou ibuprofeno, está na orientação sobre remédio para febre e dor.
Medicar cedo evita a convulsão febril?
É um medo muito comum entre os pais. Muitos já ouviram que, se a temperatura sobe demais ou se a febre não é tratada logo, a criança pode ter uma convulsão. Os estudos mostram que medicar precocemente, em temperaturas mais baixas, não evita o pico de febre nem uma eventual convulsão febril. Não há evidência de que o antitérmico dado cedo previna de forma eficaz a convulsão numa criança.
A revisão da Cochrane sobre o tema não encontrou benefício dos antitérmicos, como o ibuprofeno, para evitar a convulsão febril, e o NICE orienta não usar antitérmico com essa finalidade. A convulsão febril também não é comum. Ela atinge de 2 a 4 em cada 100 crianças, e a mesma revisão destaca que, em geral, é um quadro benigno.
A criança que tem uma convulsão com febre, principalmente quando é a primeira vez, precisa de avaliação médica sem demora.
No dia a dia, é tudo bom senso. Criança bem, tranquila, não precisa de remédio. Criança prostrada, quietinha, precisa de uma ajuda, e aí o antitérmico é dado.
Sinais de alerta na febre de bebês e crianças
Nos bebês muito pequenos, a febre tem outro peso. Para o NICE, o bebê com menos de três meses e temperatura de 38 °C ou mais faz parte do grupo de maior risco de doença grave. A febre nessa idade precisa de avaliação médica sem demora.
Na criança com febre que chega a cinco dias, o NICE lembra de considerar a doença de Kawasaki, uma inflamação rara dos vasos sanguíneos. Olhos vermelhos sem secreção, lábios muito vermelhos e rachados, língua cor de morango, mãos e pés inchados e avermelhados, manchas pelo corpo ou um caroço no pescoço junto com a febre precisam de avaliação médica sem demora.
Os outros sinais de que uma virose saiu do curso esperado, como a piora depois de alguns dias, a febre que volta depois de ter passado e o esforço para respirar, estão na orientação sobre quando procurar o médico na gripe.
Vídeo: quanto tempo dura a febre por vírus e por bactéria
Perguntas frequentes
Febre de virose dura quantos dias em criança?
A regra é a mesma do adulto. Hoje, até cinco dias de febre podem acontecer numa virose, principalmente com vírus mais agressivos, como o da gripe, e em casos excepcionais até sete, sem bactéria nenhuma. O que mais importa é como a criança está entre um pico e outro. Ativa, brincando e bebendo líquidos é bom sinal. Abatida e prostrada, ela precisa ser examinada.
Quanto tempo dura a febre da influenza?
A influenza é um dos vírus que mais dão febre prolongada. Até cinco dias de febre são considerados razoáveis quando o estado geral está bom, e já foram vistos casos excepcionais de influenza com sete dias de febre sem nenhuma complicação por bactéria. Se a febre passa de cinco dias, ou se a pessoa piora em qualquer momento, o quadro precisa ser reavaliado.
Febre tomando antibiótico é normal?
Nos dois primeiros dias, sim. O antibiótico leva até dois dias para controlar a bactéria, e a febre pode continuar nesse período. Às vezes ela passa já depois da primeira dose. Se a febre seguir depois de dois dias de antibiótico, o quadro precisa ser reavaliado, porque a bactéria pode ser resistente e o remédio pode ter de ser trocado.
Febre é a partir de quantos graus?
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, febre é a temperatura igual ou acima de 37,5 °C medida na axila, o que corresponde a 38 °C na boca ou no reto. A definição vale para crianças e adultos.
Febre de 38 graus precisa de remédio?
Nem sempre. Com 37,8 °C ou 38 °C, a orientação habitual é não medicar quando a pessoa está bem. Uma criança com 38 °C que está ativa, brincando e sem dor pode ser só observada, com bastante líquido e repouso. O remédio entra quando a pessoa está prostrada, com muita dor ou muito desconfortável.
Febre de 39 graus é perigosa?
O número sozinho não diz se a doença é grave. Muitas febres de 39 °C ou 40 °C, que duram um ou dois dias, são causadas por vírus. Por volta de 38,5 °C a 39 °C, a pessoa em geral já está bem desconfortável, e o antitérmico é indicado para aliviar. A exceção é o bebê com menos de três meses, em que qualquer febre precisa de avaliação médica sem demora.
Febre pode dar convulsão?
Pode, em algumas crianças pequenas. A convulsão febril atinge de 2 a 4 em cada 100 crianças, e a revisão da Cochrane destaca que ela costuma ser benigna. Dar o antitérmico mais cedo não evita a convulsão. A criança que tem uma convulsão com febre, principalmente a primeira, precisa de avaliação médica sem demora.
Pode dar banho em quem está com febre?
Pode. Um banho morno refresca e traz conforto, principalmente para a criança. O que não é indicado é usar banhos ou compressas para esfriar o corpo e baixar a febre. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, esses métodos físicos não são recomendados para tratar a febre, porque o efeito dura pouco e causa calafrios e mais desconforto.
Febre é sempre sinal de infecção?
Não. A febre aparece quando as células de defesa reagem a um vírus, a uma bactéria ou a uma inflamação no corpo, e por isso também pode vir de inflamações que não são infecção. Nas infecções respiratórias, a causa mais comum da febre é um vírus.
Na otite e na sinusite, a febre dura quantos dias?
Depende de a causa ser vírus ou bactéria. Muitas otites e sinusites começam com um vírus e seguem a regra das viroses. Quando a consulta encontra uma bactéria e o antibiótico é iniciado, a febre deve ceder em até dois dias. Mais detalhes estão nas orientações sobre otite e sobre sinusite viral ou bacteriana.
Febre que vai embora e volta dias depois: o que pode ser?
A febre que some e volta depois de alguns dias sem febre, com piora do quadro, pode indicar uma complicação e precisa ser reavaliada. Esse e os outros sinais de que a virose saiu do caminho esperado estão na orientação sobre quando procurar o médico na gripe.
Referências
- VILELA, Larissa. Tempo de febre em infecções respiratórias caudadas por vírus ou bactérias. YouTube, 1 ago. 2026. 1 vídeo (13 min 36 s). Disponível em: https://youtu.be/fbCr9CQwjUM. Acesso em: 7 out. 2026.
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Febre que não passa: avaliação com otorrino na OtoCare, em Brasília
Febre que passa de dois dias depois do início do antibiótico, febre de virose que vai além do esperado ou um estado geral que piora precisam ser examinados. Na consulta com otorrino na OtoCare, no Noroeste de Brasília, a história clínica e o exame da garganta, do nariz e dos ouvidos mostram se a causa é vírus ou bactéria, e os testes rápidos de estreptococo e de covid-19 e influenza são feitos na própria consulta quando indicados. Adultos e crianças são atendidos.