Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Gripe e resfriado costumam passar sozinhos, mas alguns sinais pedem avaliação
Garganta doendo, sensação de febre, dor no corpo, espirros, nariz entupido e secreção. Diante desse quadro, a dúvida costuma ser a mesma: chegou a hora de procurar avaliação médica ou dá para esperar o corpo resolver?
Dor de garganta, febre, calafrios, dor no corpo, nariz entupido e secreção, que depois evoluem para tosse, são os sintomas clássicos das viroses respiratórias, conhecidas popularmente como gripes e resfriados. Na maioria das vezes, o próprio organismo combate o vírus. O corpo tem os mecanismos necessários para resolver o quadro gripal de forma espontânea, sem a ajuda de remédios. Na medicina, esse processo se chama autorresolução.
O problema aparece quando a virose complica com uma infecção por bactéria, como uma sinusite ou uma pneumonia. Nessa situação, adiar o tratamento não é uma boa ideia. Por isso, existem momentos bem definidos em que a avaliação médica se torna importante, e eles dependem da forma como os sintomas evoluem ao longo dos dias.

Como uma virose costuma evoluir
Uma virose tem um ciclo próprio. Os sintomas aumentam nos primeiros dias, chegam ao máximo e, depois, começam a ceder. No quinto dia, o esperado é que a pessoa já esteja melhorando, mesmo que ainda tenha nariz entupido, secreção ou tosse.
Melhorar não significa ficar sem sintomas de um dia para o outro. Nas viroses, a melhora costuma ser progressiva, e a tosse é o último sintoma a ir embora. O passo a passo de cada sintoma está na orientação sobre quanto tempo dura a gripe e o resfriado. Para esta decisão, basta observar a direção do quadro. Melhorando a cada dia depois do quinto dia, a virose segue o curso esperado.
Os três sinais de que é hora de procurar avaliação
Três situações indicam que a virose pode ter evoluído para uma complicação bacteriana. Qualquer uma delas é motivo para procurar avaliação médica.
1. Piora a partir do quinto dia
Quando, a partir do quinto dia, a pessoa tem uma nítida sensação de piora, o sinal é de alerta. A tosse aumenta, a febre aparece, surgem cansaço, dor de cabeça ou muita secreção. Uma piora assim, justamente no momento em que o quadro deveria estar melhorando, sugere complicação por bactéria e pede avaliação médica.
2. Dupla piora: melhorou e voltou a piorar
Outro sinal é a dupla piora. A pessoa fica um pouco ruim no começo, melhora e, depois, volta a piorar. Como as viroses costumam ter uma melhora progressiva, sem esse retorno dos sintomas, a dupla piora também sugere uma complicação bacteriana e é motivo para procurar avaliação.
A febre que volta depois de ter ido embora entra nesse padrão. O guia de manejo da influenza do Ministério da Saúde cita o retorno da febre depois de 48 horas sem febre entre os sinais de agravamento da gripe, porque ele pode indicar uma pneumonia causada pelo próprio vírus ou por uma bactéria.
3. Dez dias de sintomas sem melhora
O terceiro sinal é o quadro que chega a dez dias de sintomas e continua ruim. Um exemplo comum: a dor de garganta e a febre vieram no começo, depois o nariz, houve até alguma melhora, mas no 11º ou no 12º dia a tosse continua forte. A melhora parece ter estacionado. A pessoa não piora, mas também não evolui.
Dez dias de quadro gripal sem melhora também indicam avaliação médica, porque uma sinusite ou até uma pneumonia podem estar por trás desses sintomas arrastados.
Dez dias sem melhora: o que a consulta procura
Nem todo quadro arrastado tem bactéria. Algumas viroses melhoram bem devagar e passam de duas semanas sem nenhuma complicação, enquanto em outras pessoas o resfriado que não passa esconde uma sinusite bacteriana ou uma pneumonia. As diretrizes americanas de sinusite, para adultos e para crianças, usam a falta de melhora ao longo de dez dias como um dos critérios para suspeitar de sinusite bacteriana, e cada caso é avaliado na consulta. Os prazos e os critérios que separam a forma viral prolongada da sinusite bacteriana estão na orientação sobre sinusite aguda viral ou bacteriana.
Por isso, a avaliação no décimo dia não significa que o antibiótico será necessário. Ela serve para examinar o nariz e a garganta e decidir, pelos critérios clínicos, se o quadro ainda é viral ou se existe uma complicação. Os casos em que o antibiótico ajuda estão na orientação sobre se otite e sinusite precisam de antibiótico.
A tosse do fim da virose não é piora
No fim de uma virose, quando tudo parece estar passando, costuma aparecer a tosse, seca ou com catarro. Como a pessoa vinha melhorando, a tosse dá a falsa impressão de piora, e muita gente procura avaliação nesse momento. Isso não é errado, porque outras causas podem estar envolvidas. Na maioria das vezes, porém, a tosse faz parte da evolução normal do vírus e melhora aos poucos.
A diferença está no conjunto. A tosse que aparece com o restante dos sintomas melhorando segue o curso esperado. A tosse que piora junto com febre, cansaço e muita secreção a partir do quinto dia entra no primeiro sinal de alerta. E a tosse forte que continua igual depois de dez dias entra no terceiro.
Febre na virose: quantos dias são esperados
Durante muito tempo, a regra popular dizia que a virose dava no máximo três dias de febre e que, passando disso, a causa seria uma bactéria. Essa regra mudou. As viroses estão gerando inflamações mais fortes, e hoje até cinco dias de febre podem acontecer numa virose, principalmente nos vírus mais agressivos, como o influenza e o da covid. A relação entre a febre e a suspeita de sinusite bacteriana está na orientação sobre sinusite aguda viral ou bacteriana.
Cinco dias de febre são considerados razoáveis numa virose quando o estado geral está bom e a pessoa não está prostrada. O antibiótico depende de a consulta encontrar uma bactéria, e não do número de dias de febre. O que separa o vírus da bactéria é a história clínica, o exame físico e, em alguns casos, um exame complementar, como o hemograma ou uma imagem do tórax.
O guia do Ministério da Saúde inclui a febre que persiste ou aumenta por mais de três dias entre os sinais de agravamento da gripe. A necessidade de reavaliar antes do quinto dia pode ser definida caso a caso, na consulta, conforme o estado geral de cada paciente. O uso correto do remédio para febre e dor ajuda no conforto enquanto o corpo combate o vírus.
Sinais de agravamento que não esperam o quinto dia
Os três sinais de complicação valem para a evolução habitual da virose. Alguns sinais, menos comuns, mostram que a infecção está afetando a respiração ou o estado geral e não seguem esse calendário. O guia de manejo da influenza do Ministério da Saúde descreve como sinais de agravamento os seguintes.
- falta de ar ou respiração rápida;
- confusão mental, sonolência ou letargia;
- desidratação ou urina em quantidade muito menor que o normal;
- piora de uma doença que a pessoa já tinha, como doença pulmonar crônica ou doença do coração.
Na criança, o guia acrescenta a febre que volta depois de ter passado e o esforço para respirar, percebido pelo batimento das asas do nariz, pelas costelas afundando a cada respiração, por gemidos ao soltar o ar ou por um ruído agudo ao puxar o ar. Também entram a criança muito abatida ou irritada, diferente do habitual, a recusa de alimentos e a piora dos sintomas gastrointestinais. Esses sinais precisam de avaliação médica sem demora.
Quem deve ser avaliado já no começo da gripe
Para algumas pessoas, a gripe tem mais chance de complicar, e a avaliação não deve esperar o quinto dia. O Ministério da Saúde inclui entre as pessoas com maior risco de complicações os grupos abaixo, entre outros.
- gestantes, em qualquer fase da gravidez, e mulheres até duas semanas depois do parto;
- adultos com 60 anos ou mais;
- crianças menores de cinco anos, com risco maior abaixo de dois anos;
- pessoas com asma ou outras doenças do pulmão, doenças do coração, dos rins ou do fígado, doenças do sangue, como a anemia falciforme, ou diabetes;
- pessoas com a imunidade baixa por doença ou por remédios, como o uso prolongado de corticoide em dose alta;
- pessoas com obesidade grave;
- pessoas com doenças neurológicas que afetam a respiração, como as doenças neuromusculares e a paralisia cerebral.
Nesses grupos, o Ministério da Saúde indica o antiviral oseltamivir em todos os casos de síndrome gripal, de preferência nas primeiras 48 horas do início dos sintomas, porque o benefício é maior quando o tratamento começa cedo. Quando o antiviral é indicado está na orientação sobre como tratar gripes e resfriados. Na OtoCare, o teste rápido combinado de covid-19 e influenza A e B é feito na própria consulta quando há suspeita desses vírus.
Como a dengue e a covid podem começar de um jeito parecido com a gripe, as diferenças estão na orientação sobre como saber se é dengue, gripe ou covid.
Nem cedo demais, nem tarde demais
Muitos pacientes ficam preocupados em procurar o médico cedo demais por uma simples gripe. Outros esperam além da conta e deixam uma sinusite ou uma pneumonia sem tratamento. Os três sinais servem justamente para equilibrar essas duas situações.
Ao procurar avaliação diante de uma piora significativa no quinto dia, de uma dupla piora ou de mais de dez dias de sintomas, principalmente de tosse, a pessoa age com cautela, sem se precipitar. Seguindo esses três pontos, a decisão costuma estar certa na maioria dos casos.
Enquanto a virose segue o curso esperado, o repouso faz parte da recuperação. Treinar com o corpo ainda combatendo o vírus pode piorar o quadro, como explica a orientação sobre treinar gripado. Para quem quer evitar a próxima gripe, a vacina da gripe continua sendo a principal forma de prevenção.
O que a consulta com otorrino avalia
Na consulta, a história de como os sintomas evoluíram dia a dia e o exame do nariz, da garganta e dos ouvidos mostram se o quadro ainda é viral ou se existe uma complicação, como sinusite, otite ou amigdalite bacteriana. Quando é preciso ver o interior do nariz com mais detalhe, a nasofibrolaringoscopia é feita na própria clínica.
A garganta inflamada merece atenção própria, porque nem toda dor de garganta é virose, como mostra a orientação sobre garganta inflamada por vírus ou bactéria. Na OtoCare, o teste rápido de estreptococo é feito na consulta quando há suspeita de infecção bacteriana. Nas crianças, os mesmos três sinais ajudam a reconhecer a sinusite em criança.
Vídeo: quando procurar avaliação na virose respiratória
Perguntas frequentes
Devo ir ao médico com gripe?
Na maioria das vezes, a gripe e o resfriado se resolvem sozinhos, e a avaliação médica não é obrigatória nos primeiros dias. Ela passa a ser indicada diante de um dos três sinais de complicação: piora no quinto dia, dupla piora ou dez dias sem melhora. As exceções são as pessoas dos grupos de risco, que devem ser avaliadas logo no começo, e os sinais de agravamento, como a falta de ar, que precisam de avaliação médica sem demora.
Grávida com gripe: quando ir ao médico?
Logo no começo dos sintomas. O Ministério da Saúde inclui as gestantes, em qualquer fase da gravidez, e as mulheres até duas semanas depois do parto entre os grupos com risco de complicações da gripe. Para elas, o antiviral é indicado em todos os casos de síndrome gripal, de preferência nas primeiras 48 horas, sem esperar o quinto dia.
Quanto tempo dura uma virose respiratória?
Segundo o guia do Ministério da Saúde, a gripe costuma se resolver sozinha em cerca de sete dias, mas a tosse, o cansaço e o mal-estar podem continuar por uma a duas semanas. O mais importante é a direção: no quinto dia, a pessoa já deve estar melhorando. A evolução de cada sintoma está na orientação sobre quanto tempo dura a gripe e o resfriado.
Virose respiratória é contagiosa?
Sim. Na gripe, a eliminação do vírus começa antes dos sintomas, chega ao máximo nos dois primeiros dias e, em geral, diminui até deixar de ser detectada cerca de 24 horas depois que a febre acaba. Em crianças e em pessoas com a imunidade baixa, esse período pode ser mais longo.
Virose respiratória é grave?
Na grande maioria das vezes, não. O próprio organismo combate o vírus, e o quadro melhora sem tratamento específico. A gravidade aparece nas complicações, como a sinusite bacteriana e a pneumonia, e nos sinais de agravamento descritos pelo Ministério da Saúde, mais frequentes nos grupos de risco.
Virose respiratória pode dar diarreia?
Pode, principalmente nas crianças. O guia do Ministério da Saúde cita a piora dos sintomas gastrointestinais nas crianças entre os sinais de agravamento da gripe, o que mostra que eles podem acompanhar a virose na infância. Essa piora e a desidratação precisam de avaliação médica sem demora.
Quando a gripe vira sinusite?
Toda gripe ou resfriado inflama um pouco o nariz e os seios da face, e por isso a virose já é uma sinusite viral. O que preocupa é a sinusite bacteriana, suspeitada quando a pessoa melhora e volta a piorar depois do quinto dia ou quando os sintomas continuam intensos, sem melhora nenhuma, por um tempo prolongado. Os critérios estão na orientação sobre sinusite aguda viral ou bacteriana.
Virose precisa de antibiótico?
Não. O antibiótico combate bactérias e não age sobre o vírus. Ele só tem lugar quando a consulta identifica uma complicação bacteriana. Os casos em que ele ajuda e os riscos de tomar sem necessidade estão na orientação sobre se otite e sinusite precisam de antibiótico.
Comecei o antibiótico e a febre não passou. O que fazer?
Numa infecção por bactéria, a febre costuma ceder em até dois dias depois do início do antibiótico, que é o tempo que ele leva para controlar a bactéria. Se a febre continuar depois de dois dias de tratamento, o quadro precisa ser reavaliado, porque a bactéria pode ser resistente àquele antibiótico, e a troca do remédio pode ser necessária.
Virose respiratória em bebê: quando procurar avaliação?
Mais cedo do que no adulto. Crianças menores de cinco anos fazem parte dos grupos de risco da gripe, e o risco é maior abaixo de dois anos, principalmente nos primeiros seis meses de vida. Esforço para respirar, gemidos, recusa de alimentos, desidratação, criança muito abatida e febre que volta depois de ter passado precisam de avaliação médica sem demora.
Referências
- VILELA, Larissa. Quando procurar um médico por virose respiratória? YouTube, 2 ago. 2025. 1 vídeo (5 min 34 s). Disponível em: https://youtu.be/5yJHiGBsk-4. Acesso em: 5 out. 2026.
- VILELA, Larissa. Sinusite aguda (prolongada e bacteriana – gripes e resfriados): o que é, sintomas e como tratar. YouTube, 18 jul. 2026. 1 vídeo (14 min 15 s). Disponível em: https://youtu.be/i6QWUYtcNaY. Acesso em: 5 out. 2026.
- VILELA, Larissa. Tempo de febre em infecções respiratórias caudadas por vírus ou bactérias. YouTube, 1 ago. 2026. 1 vídeo (13 min 36 s). Disponível em: https://youtu.be/fbCr9CQwjUM. Acesso em: 5 out. 2026.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Guia de manejo e tratamento de influenza 2023. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/influenza/guia-de-manejo-e-tratamento-de-influenza-2023. Acesso em: 5 out. 2026.
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Virose que piorou ou não melhora: avaliação com otorrino na OtoCare, em Brasília
Quando a virose piora no quinto dia, volta depois de uma melhora ou chega a dez dias sem melhorar, a consulta com otorrino na OtoCare, no Noroeste de Brasília, investiga se existe uma complicação, como sinusite, otite ou amigdalite bacteriana, e define se o tratamento precisa de antibiótico. Quando há suspeita, a consulta inclui o teste rápido de estreptococo ou o teste rápido combinado de covid-19 e influenza A e B.