Remédio para febre e dor: dipirona, paracetamol ou ibuprofeno?

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Dipirona ou paracetamol primeiro

Na hora de tratar febre ou dor, como uma dor de garganta ou dor no corpo num quadro viral, muita gente escolhe o ibuprofeno logo de início. Não é o ideal. Na maior parte das vezes, a dipirona ou o paracetamol devem vir primeiro.

O ibuprofeno é uma ótima medicação, desde que bem indicado e sem excesso. Ele fica como segunda opção, para quando a dipirona ou o paracetamol não resolvem e é preciso trocar ou acrescentar outro remédio. Se existe um remédio com menos efeitos colaterais que trata bem o sintoma, não há motivo para começar por outro que pode trazer algum malefício.

Caixas de ibuprofeno, dipirona e paracetamol genéricos empilhadas ao lado de uma médica de jaleco branco

Por que o ibuprofeno não deve ser o primeiro

O ibuprofeno tem três ações: baixa a febre, alivia a dor e é anti-inflamatório. A ação anti-inflamatória traz os efeitos colaterais comuns a todos os anti-inflamatórios, principalmente nos rins.

O uso de anti-inflamatórios está associado a lesão aguda nos rins e a outras doenças renais, principalmente quando o uso é frequente ou prolongado, quando a pessoa já toma outros remédios ou tem doenças do coração ou do fígado. A bula também descreve efeitos no estômago e no intestino, como inflamação, úlcera e sangramento.

Isso não faz do ibuprofeno um vilão. Ele é muito bom em certos casos. O problema é o uso indiscriminado, logo no começo de qualquer febre ou dor, quando um remédio mais simples resolveria.

Diferenças entre dipirona e paracetamol

A dipirona e o paracetamol baixam a febre e aliviam a dor, e nenhum dos dois é anti-inflamatório. Para febre e dores leves a moderadas, os dois são eficazes nas doses recomendadas. A escolha entre eles costuma depender da tolerância de cada pessoa e dos cuidados de cada um:

AspectoDipironaParacetamol
Começa a agirde 30 a 60 minutosde 15 a 30 minutos
Duração do efeitocerca de 4 horasde 4 a 6 horas
Principal cuidadoreação muito rara no sangue (agranulocitose) e alergiadose total do dia, por causa do fígado
Criançasa partir de 3 meses e 5 kgdesde o nascimento, acima de 3 kg

O cuidado com o paracetamol é não somar remédios que o contêm, como antigripais e o Tylenol® Sinus, e não passar da dose do dia.

Como tomar: doses para adultos

As doses abaixo são as das bulas para adultos e adolescentes, em comprimidos:

  • dipirona 500 mg: 1 a 2 comprimidos até 4 vezes ao dia (acima de 15 anos);
  • paracetamol 500 mg: 1 a 2 comprimidos, 3 a 4 vezes ao dia; paracetamol 750 mg: 1 comprimido, 3 a 5 vezes ao dia, sem passar de 4.000 mg por dia (acima de 12 anos);
  • ibuprofeno: a dose depende da apresentação, com intervalos de 6 a 8 horas e no máximo 4 vezes ao dia, conforme a bula.

Respeitar o intervalo é tão importante quanto a dose. Repetir o remédio antes da hora porque a febre ainda não baixou aumenta o risco de efeito colateral.

Remédio para febre em crianças e bebês

Em criança, a dose de qualquer um dos três é calculada pelo peso, e cada apresentação (gotas, suspensão) tem a sua concentração. Por isso, confira sempre a tabela da bula e use a seringa ou o conta-gotas do próprio produto. A Sociedade Brasileira de Pediatria indica:

  • paracetamol: 10 a 15 mg por quilo por dose, a cada 4 a 6 horas; é o único recomendado para bebês com menos de 1 mês;
  • dipirona: a partir de 3 meses e 5 kg, 10 a 16 mg por quilo por dose, a cada 6 a 8 horas;
  • ibuprofeno: a partir de 6 meses e 5 kg, 5 a 10 mg por quilo por dose, a cada 6 a 8 horas.

O ácido acetilsalicílico, o AAS, não é recomendado para febre em crianças, pelo risco de uma complicação chamada síndrome de Reye.

A mesma entidade orienta dar o remédio quando a febre vem com desconforto evidente, como choro intenso, irritação, criança mais parada, sem apetite ou sem conseguir dormir, e não apenas pelo número do termômetro. Em crianças, ela também não recomenda alternar nem associar antitérmicos, porque isso confunde quem cuida e aumenta o risco de dose em excesso, sem trazer benefício. A necessidade de um segundo remédio é avaliada caso a caso, na consulta.

Febre com suspeita de dengue

Na suspeita de dengue, os anti-inflamatórios devem ser evitados de vez. Ibuprofeno, outros anti-inflamatórios e o ácido acetilsalicílico aumentam o risco de sangramento e de problema nos rins. Nesses casos, os antitérmicos indicados são o paracetamol e a dipirona. Como diferenciar a dengue da gripe e da covid está na orientação sobre dengue, gripe ou covid.

Gravidez, amamentação e idosos

Na gravidez, nenhum dos três deve ser usado sem orientação médica, e as bulas trazem restrições diferentes:

  • a bula da dipirona recomenda não usar nos 3 primeiros e nos 3 últimos meses, e no segundo trimestre só após avaliação médica;
  • a bula do ibuprofeno não recomenda o uso na gravidez e pede que ele seja evitado a partir da 30ª semana;
  • a bula do paracetamol pede orientação médica antes do uso e a menor dose eficaz pelo menor tempo.

Na amamentação, a bula da dipirona orienta evitar amamentar durante o uso e até 48 horas depois. A do paracetamol informa que, nas doses recomendadas, a quantidade que passa para o leite não tem importância clínica. A do ibuprofeno não recomenda o uso durante a amamentação.

Em idosos, a bula da dipirona pede atenção ao funcionamento dos rins e do fígado, e a do ibuprofeno pede cautela e doses menores no início, pelos efeitos nos rins e no estômago. A bula do paracetamol não traz restrição específica pela idade. A escolha é feita na consulta, junto com os outros remédios em uso.

Um alerta raro da bula da dipirona

A dipirona é bem tolerada pela maioria das pessoas, mas a bula descreve uma reação muito rara, em menos de 1 a cada 10 mil pessoas: a agranulocitose, uma queda das células de defesa do sangue. Ela não depende da dose e pode aparecer em qualquer momento do uso. Por causa dela, a dipirona saiu do mercado nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, e continua em uso no Brasil e em muitos outros países.

Os sinais são febre que volta ou não cede de forma inesperada, calafrios, dor de garganta nova ou feridas na boca durante o uso. Se isso acontecer, suspenda a dipirona imediatamente e agende uma consulta na OtoCare pelo WhatsApp, informando o sintoma, para ter atendimento prioritário.

Quando a febre e a dor pedem avaliação

Febre ou dor que não melhoram com a dipirona ou o paracetamol, que voltam com frequência ou que duram mais do que o esperado para uma virose precisam ser examinadas. Quantos dias de febre são esperados está na orientação sobre quanto tempo dura a febre. Se for preciso usar algo a mais, é hora de uma avaliação. Nos resfriados, a conduta com os sintomas está na orientação sobre como curar gripes e resfriados. Quando a dor é no ouvido, a orientação sobre dor de ouvido explica as causas e o alívio até a consulta. Para quem associa a dor de garganta a algo gelado, a orientação sobre gelado e dor de garganta explica o que é mito.

Vídeo: ibuprofeno, dipirona ou paracetamol?

O vídeo abaixo resume, em menos de três minutos, por que a dipirona e o paracetamol vêm antes do ibuprofeno.

Perguntas frequentes

Dipirona ou paracetamol: qual é melhor para febre?

Para febre comum, qualquer um dos dois resolve bem na maior parte das vezes. O paracetamol age um pouco mais rápido, e o efeito dos dois dura em torno de 4 horas ou um pouco mais. A preferência muda de pessoa para pessoa.

Qual é mais forte: dipirona, paracetamol ou ibuprofeno?

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, os três são eficazes para febre e dores leves a moderadas nas doses recomendadas. O ibuprofeno tem uma ação a mais, a anti-inflamatória, que é a responsável pela maior parte dos efeitos colaterais.

Posso tomar dipirona e ibuprofeno juntos?

Quando a dipirona ou o paracetamol não resolvem, trocar ou acrescentar o ibuprofeno é uma boa opção, e essa decisão é tomada com avaliação. Em crianças, a Sociedade Brasileira de Pediatria prefere o uso de um antitérmico só, pelo risco de dose em excesso, e a necessidade de um segundo remédio é avaliada caso a caso, na consulta.

Pode intercalar dipirona e paracetamol?

A orientação é usar a dipirona ou o paracetamol no intervalo certo e, se não resolver, avaliar a troca ou o acréscimo de outro remédio. Intercalar os dois por conta própria aumenta a chance de erro de dose, e em crianças a Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda alternar antitérmicos.

Remédio para febre de quanto em quanto tempo?

Paracetamol a cada 4 a 6 horas, dipirona até 4 vezes ao dia e ibuprofeno a cada 6 a 8 horas, conforme a bula de cada apresentação. Não se deve encurtar o intervalo.

Quanto tempo o remédio para febre leva para fazer efeito?

O paracetamol e o ibuprofeno começam a agir de 15 a 30 minutos depois de tomados. A dipirona, de 30 a 60 minutos.

Qual remédio para febre pode tomar com dengue?

Paracetamol ou dipirona. Ibuprofeno, outros anti-inflamatórios e AAS devem ser evitados enquanto houver suspeita de dengue.

Grávida pode tomar dipirona ou paracetamol?

Só com orientação médica. A bula da dipirona recomenda evitar nos 3 primeiros e nos 3 últimos meses. A do paracetamol pede orientação antes e a menor dose pelo menor tempo.

Quem está amamentando pode tomar dipirona?

A dipirona exige uma pausa: pela bula, não se amamenta durante o uso nem nas 48 horas seguintes. Nessa fase, a escolha do remédio para febre e dor é conversada na consulta.

Dipirona é proibida nos Estados Unidos?

Ela foi retirada do mercado nos Estados Unidos e em alguns países da Europa por causa do risco raro de agranulocitose. No Brasil, é aprovada e muito usada. Se aparecerem febre que não cede, dor de garganta nova ou feridas na boca durante o uso, suspenda a dipirona e agende uma consulta na OtoCare pelo WhatsApp, informando o sintoma, para ter atendimento prioritário.

Paracetamol faz mal ao fígado?

Nas doses recomendadas, em quem não tem doença no fígado, o risco é baixo. Ele aumenta quando a pessoa passa de 4.000 mg por dia, soma vários remédios que contêm paracetamol, bebe álcool todos os dias ou já tem problema no fígado.

Ibuprofeno faz mal para os rins?

Como os outros anti-inflamatórios, pode afetar os rins, principalmente com uso frequente ou prolongado, em idosos e em quem já tem doença renal.

Dipirona ou paracetamol é anti-inflamatório?

Não. Os dois baixam a febre e aliviam a dor, mas não têm ação anti-inflamatória. Entre os três, só o ibuprofeno é anti-inflamatório.

Qual remédio para febre tomar se tenho alergia a dipirona?

Quem já teve alergia à dipirona não deve voltar a usá-la. A bula avisa que essa pessoa pode reagir também a remédios do mesmo grupo e, nas reações mais fortes, a outros analgésicos, inclusive o paracetamol. Por isso, o remédio para febre e dor é escolhido na consulta, depois de contar como foi a reação.

Qual tomar primeiro para dor de garganta num resfriado?

Comece pela dipirona ou pelo paracetamol. Se a dor persistir, o ibuprofeno pode entrar depois, com avaliação.

Dor de ouvido: dipirona ou ibuprofeno?

A regra é a mesma: começar pela dipirona ou pelo paracetamol. Dor de ouvido forte ou que não passa precisa ser examinada, porque o tratamento depende da causa.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Febre e dor: Ibuprofeno, Dipirona ou Paracetamol? Qual é o melhor? YouTube, 17 jul. 2023. 1 vídeo (2 min 50 s). Disponível em: https://youtu.be/9w70GGA_9WQ. Acesso em: 29 set. 2026.
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Abordagem da febre aguda em pediatria e reflexões sobre a febre nas arboviroses. Documento científico. Rio de Janeiro: SBP, maio 2025. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2025/maio/16/24896f-DC_-Abordag_Febre_Aguda_em_Pediatria_e_Reflexoes_VIRTUAL.pdf. Acesso em: 29 set. 2026.
  3. DIPIRONA MONOIDRATADA: bula. Disponível em: https://consultaremedios.com.br/dipirona-monoidratada/bula. Acesso em: 29 set. 2026.
  4. PARACETAMOL: bula. Disponível em: https://consultaremedios.com.br/paracetamol/bula. Acesso em: 29 set. 2026.
  5. IBUPROFENO: bula. Disponível em: https://consultaremedios.com.br/ibuprofeno/bula. Acesso em: 29 set. 2026.
  6. DROŻDŻAL, S. et al. Kidney damage from nonsteroidal anti-inflammatory drugs: myth or truth? Review of selected literature. Pharmacology Research & Perspectives, v. 9, n. 4, e00817, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34310861/. Acesso em: 29 set. 2026.
  7. ANDRADE, S. et al. Safety of metamizole: a systematic review of the literature. Journal of Clinical Pharmacy and Therapeutics, v. 41, n. 5, p. 459–477, 2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27422768/. Acesso em: 29 set. 2026.

Febre e dor que não passam: avaliação em Brasília

Se a febre ou a dor não melhoram com a dipirona ou o paracetamol, ou se voltam com frequência, a causa pode ser avaliada na consulta com otorrino em Brasília. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste.

Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479

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