Audiometria em adultos: quando fazer e de quanto em quanto tempo repetir

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Quando fazer audiometria na vida adulta

Muitos adultos nunca fizeram uma avaliação da audição. Ela costuma ser lembrada no teste da orelhinha do bebê, na infância ou no exame admissional, e depois fica esquecida. A audição de adultos e de idosos, porém, também precisa ser checada de tempos em tempos, mesmo quando a pessoa acha que escuta bem.

A Academia Americana de Audiologia passou a recomendar a triagem auditiva também em adultos, com um calendário simples de seguir. É uma orientação relativamente recente, que já está sendo aplicada no consultório. Ela mostra quando repetir o exame de audição, quem precisa de mais cuidado e quais sinais pedem avaliação sem esperar o prazo.

Homem de cabelos grisalhos com fones de ouvido ao lado da Dra. Larissa Vilela, também com fone, e um calendário com a data do exame marcada e a frase agendar exame

De quanto em quanto tempo fazer audiometria

Para o adulto sem queixa e sem suspeita de perda auditiva, a recomendação é fazer um teste de audição a cada 10 anos até os 50 anos. Na prática, isso significa uma audiometria por volta dos 20, dos 30, dos 40 e dos 50 anos.

A partir dos 50 anos, o intervalo diminui, e a avaliação auditiva passa a ser feita a cada 3 anos, aos 53, aos 56, aos 59 e assim por diante. Esse calendário vale para quem vai fazer apenas um check-up auditivo.

Quando o exame mostra perda auditiva, a frequência muda. O intervalo passa a depender da condição da audição e do tipo de problema que está causando a alteração, e é definido na consulta.

A diretriz sobre perda auditiva ligada à idade da Academia Americana de Otorrinolaringologia, publicada em 2024, segue uma linha parecida. Ela recomenda rastrear a audição a partir dos 50 anos, nas consultas de saúde, e, em quem já tem perda auditiva ou percebe mudança na audição, reavaliar pelo menos a cada 3 anos.

Um estudo com dados da população dos Estados Unidos encontrou as primeiras alterações leves por volta dos 30 anos nos homens e dos 35 anos nas mulheres, o que reforça a ideia de não deixar o primeiro exame para a velhice. Já a força-tarefa de prevenção do governo americano considerou, em 2021, que ainda faltam estudos para medir o benefício do rastreamento em pessoas sem sintomas a partir dos 50 anos. É um tema em evolução, e o momento de cada exame pode ser ajustado caso a caso, na consulta.

Por que fazer audiometria mesmo sem queixa

O calendário existe porque a perda auditiva leve costuma passar despercebida. No consultório, não é raro encontrar pessoas com perda leve em um ouvido, ou até nos dois, que não têm nenhuma queixa no dia a dia.

O corpo se adapta até a situações que não são boas. Quando a audição cai devagar, ao longo de anos, a pessoa vai se acostumando e não percebe a mudança. Muitas vezes ela só nota o problema quando a perda já está moderada e já atrapalha a conversa, o convívio e a interação com os outros.

Quanto mais cedo a perda auditiva é identificada e tratada, melhor para o paciente, por causa da série de consequências ruins que ela traz. O exame periódico serve justamente para encontrar a perda auditiva ainda leve, antes que ela atrapalhe a conversa e o convívio.

O que a perda auditiva sem diagnóstico provoca

A audição é importantíssima para a comunicação, para o convívio social, para o trabalho e até para o funcionamento do cérebro. O cuidado com a audição muitas vezes é esquecido, e a perda auditiva sem diagnóstico tem consequências diversas.

A primeira é a dificuldade de compreensão. A pessoa começa a não entender bem as conversas e, muitas vezes sem perceber, vai se isolando. Deixa de interagir, evita o convívio porque fica difícil entender e passa a ficar por fora do que acontece ao redor.

A perda auditiva também está intimamente ligada ao desenvolvimento de depressão, pelo isolamento que provoca e pela angústia do quadro. Uma revisão que reuniu 35 estudos e mais de 147 mil pessoas encontrou mais chance de depressão em idosos com perda auditiva.

Várias pesquisas também apontam uma relação muito forte entre perda auditiva não tratada e demência. Os mecanismos e os estudos sobre esse tema estão reunidos na orientação sobre surdez e demência.

Fatores de risco para perda auditiva no adulto

O calendário vale para todos, mas pede atenção especial de quem tem fatores de risco para perda auditiva. Os principais no adulto são estes.

  • história familiar de perda de audição, porque a genética tem um peso importante;
  • traumatismo craniano, como batida na cabeça, queda ou acidente;
  • AVC;
  • otites e outras infecções de ouvido;
  • doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e doenças renais;
  • uso de alguns medicamentos que podem lesar o ouvido;
  • exposição a metais pesados, como chumbo, mercúrio, cádmio e arsênio.

Quem tem história familiar de perda auditiva deve seguir o calendário com bastante cuidado. Se existe qualquer um desses fatores de risco, o cuidado com a audição precisa ser ainda maior.

Os estudos confirmam várias dessas associações. Uma revisão encontrou alteração da audição em até 58% das pessoas com traumatismo craniano sem fratura, às vezes passageira, às vezes duradoura. A orientação sobre surdez por impacto explica os traumas no ouvido. No diabetes tipo 2, uma revisão de 2025 mostrou chance cerca de quatro vezes maior de perda auditiva, mais alta quanto mais tempo de doença e pior o controle da glicose.

Remédios que podem afetar a audição

Alguns medicamentos podem lesar o ouvido interno e levar à perda auditiva. Entre eles estão antibióticos como os aminoglicosídeos, a eritromicina, as tetraciclinas e a vancomicina, e quimioterápicos como os derivados da platina e o 5-fluorouracil.

Uma revisão sobre perda auditiva causada por remédios mostra que o risco depende da dose e do tempo de uso. Ele é maior nas pessoas mais velhas, na desidratação, quando os rins eliminam mal o remédio e quando vários remédios que agem sobre o ouvido são usados juntos. A mesma revisão cita também os diuréticos de alça, como a furosemida.

O remédio não deve ser interrompido por conta própria. Quem usa ou já usou esses medicamentos deve contar isso na consulta, para que a audição seja acompanhada. A audiometria de altas frequências é usada no monitoramento de quem recebe medicamentos que podem lesar o ouvido.

Metais pesados, ruído e audiometria ocupacional

A exposição a chumbo, mercúrio, cádmio e arsênio, na maioria das vezes ligada ao trabalho, também pode levar à perda auditiva. Um estudo com cerca de 3.700 adultos americanos mostrou que até níveis baixos de chumbo e cádmio no sangue se associaram a uma audição pior, mesmo descontado o efeito do ruído.

Quem trabalha exposto a ruído tem também uma regra própria, a da NR-7, norma do Ministério do Trabalho. Ela exige a audiometria ocupacional no mínimo na admissão, depois uma vez por ano e na demissão, e o médico do trabalho pode encurtar esse intervalo. Esses exames fazem parte do programa de saúde ocupacional da empresa.

Sinais de perda auditiva que não podem esperar o prazo

O calendário de 10 e de 3 anos é para quem não tem suspeita. Quando aparecem sinais de perda auditiva, a avaliação não deve esperar.

  • dificuldade para entender algumas palavras e a necessidade de pedir para as pessoas repetirem;
  • dificuldade para acompanhar uma conversa, principalmente quando mais de uma pessoa fala;
  • dificuldade maior para compreender a fala em ambientes barulhentos;
  • o idoso que vai se isolando, fugindo das conversas e do convívio com a família.

O isolamento do idoso é um grande sinal de uma provável perda auditiva. Muitas vezes ele se afasta para não ficar pedindo aos familiares que repitam, ou simplesmente porque não consegue entender a conversa. A surdez com a idade tem características próprias, explicadas em outra orientação.

Nesses casos, não se deve esperar os 10 anos, nem os 3 anos depois dos 50. O indicado é procurar logo uma avaliação com otorrinolaringologista e fazer a audiometria.

A perda de audição que aparece de repente, em horas ou poucos dias, é diferente da perda lenta e precisa ser avaliada rapidamente, como mostra a orientação sobre surdez súbita. Na OtoCare, esse caso tem prioridade no agendamento pelo WhatsApp, informando o sintoma.

Como é a audiometria

A audiometria é um exame de audição simples e indolor, feito em cabina acústica por fonoaudiólogo, com fones de ouvido. A pessoa responde quando percebe os sons e, na parte vocal, repete palavras. O resultado mostra se existe perda auditiva e de que grau. Preparo e passo a passo estão na página da audiometria em Brasília, e a leitura do grau no laudo está em graus de surdez.

Um teste auditivo online ou em aplicativo pode servir de alerta, mas não substitui a audiometria. A diretriz americana de 2024 orienta que, quando a triagem sugere perda auditiva, seja feito o audiograma, junto com o exame do ouvido para procurar cera acumulada, infecção ou outras alterações.

Vídeo: audiometria em adultos, quando fazer

O vídeo abaixo explica a recomendação de audiometria para adultos, os fatores de risco para perda auditiva e os sinais que pedem avaliação logo.

Perguntas frequentes

Quando é necessário fazer audiometria?

No adulto sem queixa, a cada 10 anos até os 50 e a cada 3 anos depois disso. Antes do prazo, sempre que houver sinais de perda auditiva, como pedir para repetir ou não entender conversas em lugares barulhentos, e com atenção maior quando há fatores de risco.

Idoso precisa fazer audiometria todo ano?

Não. Sem queixa e sem perda auditiva conhecida, a recomendação a partir dos 50 anos é a cada 3 anos. Se o idoso começa a se isolar ou a pedir para repetir, a avaliação deve ser feita logo, sem esperar o prazo. Quando a perda auditiva já é conhecida, o intervalo é definido na consulta.

Com quantos anos fazer a primeira audiometria na vida adulta?

Pelo calendário, por volta dos 20 anos, com repetição aos 30, 40 e 50. Quem nunca fez o exame e já passou dessa idade não precisa esperar a próxima dezena para começar.

Quais são os primeiros sinais de perda auditiva?

A perda leve muitas vezes não dá sinal nenhum, e por isso o exame periódico é importante. Quando os sinais aparecem, costumam começar pela conversa em grupo ou em lugares barulhentos, com palavras que escapam e a necessidade de pedir para repetir.

Perda auditiva leve precisa de tratamento?

Depende da causa e do grau, mas ela sempre precisa ser diagnosticada e acompanhada. Quanto mais cedo a perda auditiva é identificada e tratada, melhor para o paciente. A conduta de cada caso é definida na consulta.

Zumbido é motivo para fazer audiometria?

Sim. Num estudo com dados da população americana, o zumbido apareceu entre os fatores de maior risco de perda auditiva. Por isso, quem tem zumbido deve fazer a avaliação da audição.

Diabetes pode causar perda auditiva?

Pode. Pessoas com diabetes tipo 2 têm mais perda auditiva do que quem não tem a doença, principalmente nos sons agudos, e o risco é maior quanto mais tempo de diabetes e pior o controle da glicose.

Pancada na cabeça pode afetar a audição?

Pode. O traumatismo craniano, mesmo sem fratura, é fator de risco para perda auditiva. Quem teve batida forte na cabeça, queda ou acidente deve cuidar da audição com mais atenção.

Quais remédios podem prejudicar a audição?

Entre os mais conhecidos estão antibióticos como os aminoglicosídeos, a eritromicina, as tetraciclinas e a vancomicina, quimioterápicos como os derivados da platina e o 5-fluorouracil, e diuréticos como a furosemida. O remédio não deve ser suspenso por conta própria.

De quanto em quanto tempo é feita a audiometria ocupacional?

Para quem trabalha exposto a ruído, no mínimo uma vez por ano, além da admissão e da demissão. Na demissão, a NR-7 aceita uma audiometria feita até 120 dias antes do fim do contrato.

Audiometria pode reprovar no exame admissional?

A NR-7 diz que a perda auditiva induzida por ruído, por si só, não indica inaptidão para o trabalho. A decisão considera a história clínica e ocupacional, o exame do ouvido e outros testes, a idade, a exposição ao ruído e as exigências auditivas da função.

Teste auditivo online substitui a audiometria?

Não. O teste online não tem as condições de uma cabina acústica nem a calibração do audiômetro. Ele serve de alerta, e um resultado alterado pede a audiometria.

Audiometria diagnostica demência?

Não. A audiometria mede a audição. Ela é importante nesse tema porque a perda auditiva não tratada está ligada à demência, e identificar a perda permite tratá-la cedo.

Perda de audição de repente pode esperar o próximo exame?

Não. A perda súbita é diferente da perda lenta e não segue o calendário do check-up. Ela precisa de avaliação rápida, e na OtoCare esse caso tem prioridade.

Referências

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Audiometria e avaliação da audição em Brasília

Se está na hora do check-up auditivo, ou se algum dos sinais acima apareceu, a OtoCare, no Noroeste de Brasília, faz a consulta com otorrino e a audiometria na própria clínica.

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