Otosclerose: o que é, sintomas, diagnóstico e quando operar

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Otosclerose é uma doença do osso do ouvido que causa perda auditiva

Otosclerose é uma doença do osso que envolve a orelha interna. Ela causa uma perda auditiva que costuma piorar aos poucos, ao longo dos anos, e que muitas vezes vem acompanhada de zumbido. Tem tratamento: aparelho auditivo, cirurgia e, como complemento, medicação.

A perda auditiva geralmente começa por volta dos 20 ou 30 anos, mas pode surgir entre os 15 e 45 anos. Por isso, a otosclerose é uma doença típica do adulto jovem. Pode atingir um ouvido só ou os dois.

Mulher de jaleco segura um modelo anatômico do ouvido, com a orelha externa, a média e a interna em corte

O que acontece no ouvido

A orelha interna é envolvida por um osso chamado cápsula ótica. Na otosclerose, esse osso passa por um remodelamento anormal, e isso atrapalha a passagem do som até a cóclea.

Na forma mais clássica, a doença fixa o estribo, o terceiro e menor ossinho da audição. Preso, ele deixa de vibrar como deveria e o som chega mais fraco à orelha interna. Em formas mais agressivas, a doença atinge também a própria cóclea e pode causar perdas auditivas graves.

Quem tem mais risco

A otosclerose é de duas a três vezes mais comum em mulheres. A história familiar é muito forte: cerca de 60% dos pacientes têm um parente próximo com a doença. A herança é autossômica dominante, o que significa uma chance alta de transmissão entre gerações.

Acredita-se que a doença tenha relação com variações hormonais. Na prática do consultório, algumas mulheres percebem piora da audição durante uma gestação ou com o uso de anticoncepcional, mas essa relação não tem comprovação científica. Um estudo que comparou mulheres operadas de otosclerose com e sem filhos não encontrou pior audição entre as que tiveram filhos.

Ter otosclerose não é motivo para evitar a gravidez nem para deixar de usar anticoncepcional. A evolução varia muito de uma paciente para outra: algumas pioram nesses períodos, outras não têm alteração importante. O que vale é acompanhar a audição.

Sintomas

O quadro típico é uma perda auditiva que começa no adulto jovem e piora lentamente, muitas vezes com zumbido. Em geral não há outros sintomas de ouvido, como infecções, saída de secreção ou dor. Essa combinação é o que leva à suspeita.

Se a audição vem diminuindo aos poucos, principalmente com zumbido ou com casos de perda auditiva na família, agende uma avaliação da audição com otorrino na OtoCare.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela história clínica e é confirmado com a audiometria e a impedanciometria. A audiometria costuma mostrar perda auditiva condutiva ou mista e, nos casos mais avançados, neurossensorial.

Na impedanciometria, o achado clássico é a curva tipo As, mais baixa e achatada do que a curva normal, a tipo A, junto com a ausência dos reflexos estapedianos. Nem todo paciente apresenta todos esses sinais; o conjunto de história e exames é que orienta a conclusão.

A tomografia dos ossos temporais completa o diagnóstico. Ela é feita sem contraste, com cortes finos e reconstrução da cadeia de ossículos, e mostra os sinais característicos da doença no osso do ouvido. A ressonância fica reservada para situações muito específicas, como algumas perdas neurossensoriais que precisam de investigação mais detalhada.

Otosclerose tem cura? Os três tratamentos

A otosclerose tem tratamento eficaz para a audição, mas é uma doença progressiva: ela continua em atividade mesmo depois da cirurgia ou com o aparelho auditivo. Por isso, o acompanhamento continua ao longo dos anos. Há três caminhos, que podem ser combinados.

Aparelho auditivo. Amplifica o som e melhora a audição. Ele não trata a doença, mas trata o principal sintoma dela. Como o zumbido é uma consequência da perda auditiva, o aparelho costuma melhorar também o zumbido, tema detalhado na orientação sobre aparelho auditivo para zumbido.

Cirurgia. A estapedotomia retira o estribo fixado e coloca uma prótese no lugar, devolvendo o movimento da cadeia de ossículos. As chances de recuperação da audição são muito boas, e muitas vezes ela volta ao normal. A cirurgia não serve para todo paciente: em geral é indicada quando a perda condutiva, a diferença entre as vias aérea e óssea na audiometria, passa de cerca de 30 dB em média. Esse valor varia de caso para caso; abaixo dele, a cirurgia tende a não compensar. Nos casos mais avançados, em que a prótese não seria suficiente, a opção é o implante coclear.

Medicação. Os bifosfonatos, como o alendronato, agem sobre a alteração do osso. Eles são usados junto com o aparelho ou a cirurgia, com a intenção de reduzir a progressão da doença: sozinhos, dificilmente recuperam a audição. Uma revisão sistemática concluiu que ainda não há evidência para usá-los de rotina em todos os pacientes e que o benefício aparece sobretudo na estabilização de perdas que continuam piorando.

Quando a otosclerose avança, a perda auditiva pode chegar a graus mais altos. Entenda como eles são classificados em graus de surdez.

Vídeo: otosclerose, do diagnóstico ao tratamento

O vídeo abaixo explica o que é a otosclerose, por que ela causa perda auditiva e zumbido, quais exames confirmam o diagnóstico e quando cada tratamento é indicado.

Perguntas frequentes

Quem tem otosclerose pode engravidar ou usar anticoncepcional?

Sim. Não há orientação para evitar a gravidez ou o anticoncepcional por causa da otosclerose. Algumas mulheres percebem piora da audição nesses períodos, mas isso não foi comprovado e muitas não têm alteração. O importante é manter o acompanhamento da audição.

Toda otosclerose precisa de cirurgia?

Não. A cirurgia é indicada quando a perda condutiva é grande o bastante para que o resultado compense, em geral acima de cerca de 30 dB em média. Nos demais casos, o aparelho auditivo é uma boa forma de recuperar a audição.

Depois da cirurgia, a otosclerose pode voltar a piorar?

Pode. A cirurgia melhora a transmissão do som, mas a doença continua ativa e pode progredir com o tempo, inclusive na orelha interna. Por isso a audição segue em acompanhamento depois do tratamento.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Otosclerose: o que é, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento. YouTube, 19 out. 2024. 1 vídeo (10 min 33 s). Disponível em: https://youtu.be/Wu3RozHajAA. Acesso em: 24 set. 2026.
  2. LIPPY, W. H. et al. Does pregnancy affect otosclerosis? The Laryngoscope, v. 115, n. 10, p. 1833–1836, 2005. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16222205/. Acesso em: 24 set. 2026.
  3. PATEL, S. et al. A systematic review of the effectiveness of bisphosphonates for otosclerosis. Otology & Neurotology, v. 43, n. 5, p. 530–537, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35213475/. Acesso em: 24 set. 2026.

Avaliação da audição em Brasília

Se a audição vem piorando aos poucos, com zumbido ou histórico de perda auditiva na família, uma consulta com otorrino na OtoCare permite examinar o ouvido, solicitar os exames e definir o tratamento mais adequado.

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