Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Saliva demais ou dificuldade para engolir
Sialorreia é o nome médico do excesso de saliva na boca, e ela tem dois caminhos: as glândulas produzem saliva demais, ou a produção é normal mas a pessoa não consegue engolir a saliva que produz. Identificar qual dos dois está acontecendo define o tratamento.
O quadro vai do leve, que incomoda mas não atrapalha tanto, ao grave, em que a saliva escorre pela boca. Nos casos mais intensos, a pessoa literalmente baba, o que limita a vida social, machuca a pele e os lábios e pode causar mau hálito.

Em resumo: nos casos leves, tratar a causa e ajustar a alimentação costuma bastar. Nos moderados e graves, a primeira escolha hoje é a toxina botulínica nas glândulas salivares, aplicada no consultório e repetida em média a cada 6 meses.
Para que serve a saliva
A maior parte da saliva é produzida por três pares de glândulas maiores: as parótidas, uma de cada lado do rosto, as submandibulares e as sublinguais, embaixo da língua.
A saliva lubrifica a boca, ajuda no controle das cáries e das bactérias, participa da imunidade local, começa a digestão dos carboidratos com uma enzima chamada ptialina e neutraliza a acidez dos alimentos e bebidas. Por isso, o tratamento busca reduzir o excesso, e não acabar com a saliva.
Causas do excesso de saliva
Quando a produção aumenta:
- Medicamentos: alguns têm o aumento da saliva como efeito colateral, como a clozapina, usada no tratamento da esquizofrenia.
- Refluxo: a doença do refluxo estimula as glândulas. O refluxo também está por trás de outros sintomas, como mostra a orientação sobre tosse crônica por refluxo.
- Gestação.
- Infecções: da boca ou da garganta, como a amigdalite.
Quando a pessoa não consegue engolir a saliva: a produção é normal, mas uma disfunção dos músculos da boca impede o manejo da saliva. É o que acontece nas doenças neurológicas, em crianças com síndrome de Down ou paralisia cerebral e em adultos, sobretudo idosos, com doença de Parkinson, esclerose lateral amiotrófica e outras condições. A deglutição pode ser avaliada pela videoendoscopia da deglutição.
Tratamento dos casos leves
Nos casos leves, controlar a causa e ajustar a alimentação muitas vezes já ajuda: tratar o refluxo e as infecções da boca e da garganta, evitar excesso de alimentos ácidos e de álcool, não mascar chiclete em excesso e beber mais água, que ajuda a regular a produção de saliva.
Quando essas medidas não bastam, exercícios com a fonoaudióloga melhoram o manejo da saliva na boca.
Por que os remédios ficaram em segundo plano
Nos casos moderados e graves, existem medicamentos que reduzem a salivação. Eles funcionam, mas são anticolinérgicos e trazem muitos efeitos colaterais: prisão de ventre, retenção urinária, tontura, queda de pressão e aumento da frequência cardíaca. São efeitos delicados principalmente em crianças e idosos, e por isso a tendência hoje é evitar esses remédios.
Toxina botulínica nas glândulas salivares
A toxina botulínica, conhecida como Botox, reduz a produção de saliva nas glândulas em que é aplicada. Tem poucos efeitos colaterais, os eventos adversos são raros e a eficácia é muito boa, com grande melhora da qualidade de vida. Por isso, é hoje a primeira escolha nos casos mais graves.
Uma revisão de 17 ensaios clínicos com 981 pacientes com causa neurológica confirmou que a toxina reduz a frequência e a intensidade da baba e a quantidade de saliva, com efeitos adversos em geral leves.
- Onde é aplicada: nas parótidas e nas submandibulares, em alguns pontos de cada glândula.
- Como: por fora, através da pele, com uma agulha bem fina, guiada por ultrassom ou por referências anatômicas.
- Onde é feita: no consultório. A dor é pouca e os adultos toleram muito bem, sem sedação. Só as crianças pequenas precisam de sedação.
- Objetivo: reduzir parte da função da glândula, sem acabar com a saliva.
- Duração: o efeito dura em média 6 meses, e a aplicação precisa ser repetida para manter o resultado.
Os procedimentos feitos na clínica estão reunidos na página de procedimentos da OtoCare.
Cirurgia, o último recurso
Quando a toxina botulínica não funciona, existe a opção cirúrgica, como a retirada de uma glândula salivar ou o fechamento de ductos. É reservada ao último caso, por ser invasiva e pelas complicações possíveis.
Vídeo: sialorreia e tratamento
O vídeo abaixo apresenta as glândulas salivares, as causas do excesso de saliva e como é feita a aplicação da toxina botulínica.
Perguntas frequentes
A aplicação de toxina botulínica na glândula dói?
A dor é pouca. A agulha é bem fina, e os adultos fazem a aplicação no consultório, sem sedação. Só as crianças pequenas precisam de sedação.
Quanto tempo dura o efeito da toxina botulínica na saliva?
Em média 6 meses. Depois disso, a aplicação precisa ser repetida para manter o resultado.
A toxina acaba com a saliva?
Não. O objetivo é reduzir parte da produção, preservando a saliva que protege a boca e ajuda na digestão.
Beber água ajuda no excesso de saliva?
Sim. Nos casos leves, beber mais água ajuda a regular a produção de saliva, junto com evitar alimentos ácidos, álcool e excesso de chiclete.
Referências
- VILELA, Larissa. Sialorreia (excesso de salivação): o que é, o que causa e como tratar? YouTube, 9 ago. 2023. 1 vídeo (7 min 49 s). Disponível em: https://youtu.be/JV6Sf8n5RKU. Acesso em: 22 set. 2026.
- YU, Y. C.; CHUNG, C. C.; TU, Y. K. et al. Efficacy and safety of botulinum toxin for treating sialorrhea: a systematic review and meta-analysis. European Journal of Neurology, v. 29, n. 1, p. 69-80, 2022. DOI: 10.1111/ene.15083. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34449931/. Acesso em: 22 set. 2026.
Sialorreia: avaliação em Brasília
A causa do excesso de saliva e a indicação da toxina botulínica podem ser avaliadas na consulta com otorrino em Brasília. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste.
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