Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
O que o SNOT-22 mede
O SNOT-22 é um questionário de 22 perguntas que mostra o quanto os sintomas de nariz e seios da face atrapalham a vida. Ele não mede o tamanho da inflamação. Cada pergunta se refere às duas últimas semanas e recebe uma nota de 0 a 5, e o total vai de 0 a 110. Quanto maior o número, maior o peso dos sintomas no dia a dia.
A sigla vem do inglês Sino-Nasal Outcome Test, teste de desfecho nasossinusal. É o questionário considerado mais adequado para a rinossinusite crônica, com ou sem pólipos, e é com ele que os estudos medem se um tratamento melhorou a qualidade de vida. A versão em português foi validada no Brasil em 2011.

Para saber a sua pontuação agora, responda o questionário SNOT-22 online da OtoCare. Ele usa as perguntas da versão validada no Brasil e mostra o total, a faixa e onde os sintomas pesam mais.
Sinusite crônica: a doença que o SNOT-22 acompanha
Sinusite crônica, ou rinossinusite crônica, é uma inflamação que atinge o nariz e os seios paranasais e dura 12 semanas ou mais. Para o diagnóstico, a pessoa precisa ter pelo menos dois sintomas entre nariz entupido, secreção, dor ou pressão no rosto e perda do olfato, e pelo menos um deles precisa ser nariz entupido ou secreção. Além dos sintomas, a doença precisa aparecer na endoscopia nasal, exame feito com uma pequena câmera colocada no nariz, ou na tomografia dos seios da face.
O questionário entra depois desse diagnóstico. Ele não diz se a sinusite existe. Mostra o tamanho do problema para quem já convive com ela e acompanha a resposta ao tratamento. Os sinais que fazem pensar em sinusite, e a diferença entre a forma aguda e a crônica, estão em como saber se é sinusite.
Por que medir sintoma com questionário
Duas pessoas com tomografias parecidas podem viver realidades bem diferentes. Uma dorme mal, rende menos no trabalho e perdeu o olfato. A outra tem o nariz um pouco entupido e quase não se incomoda. A tomografia e a endoscopia mostram a doença, e o questionário mostra o que ela faz com a vida de quem a tem.
Na consulta, essa medida serve para três coisas. Ela dimensiona o impacto no começo, compara o antes e o depois do tratamento e ajuda a decidir quando é hora de intensificar a conduta. Por isso o SNOT-22 aparece nas diretrizes de rinossinusite e entra, junto com o exame e a tomografia, na avaliação de quem pode precisar de cirurgia ou de imunobiológico.
As 22 perguntas e como pontuar
O questionário pergunta pelos sintomas das duas últimas semanas, e cada item recebe uma nota de 0 a 5.
| Nota | Significado |
|---|---|
| 0 | Nenhum problema |
| 1 | Problema muito leve |
| 2 | Problema leve |
| 3 | Problema moderado |
| 4 | Problema grave |
| 5 | Pior problema possível |
As perguntas cobrem quatro áreas. No nariz e na garganta, entram a necessidade de assoar, os espirros, o nariz escorrendo, a secreção grossa, a secreção descendo para a garganta, a tosse, o nariz entupido e a dificuldade para sentir cheiros ou gostos. No ouvido e no rosto, o ouvido tampado, a dor de ouvido, a tontura e a dor ou pressão no rosto. No sono, a dificuldade para dormir, os despertares, a noite mal dormida e o cansaço ao acordar. No dia a dia, o cansaço durante o dia, o rendimento, a concentração, a irritação, a tristeza e a vergonha.
O total é a soma simples das 22 respostas. Não há peso diferente por pergunta nem cálculo escondido, e é isso que torna o questionário rápido. Pela mesma razão, ele não mostra sozinho de onde vem cada sintoma.
O que a pontuação significa
As faixas mais usadas vêm de um estudo de 2016 que comparou a pontuação com a gravidade que os próprios pacientes davam aos seus sintomas, na classificação adotada pelos consensos europeus.
| Pontuação | Faixa | Como costuma se apresentar |
|---|---|---|
| 0 a 7 | Sem impacto relevante | Sintomas podem existir, mas não pesam na qualidade de vida. |
| 8 a 20 | Impacto leve | Incomodam em algumas situações, sem dominar a rotina. |
| 21 a 50 | Impacto moderado | Atrapalham atividades, sono ou disposição com frequência. |
| Acima de 50 | Impacto grave | Comprometem boa parte do dia, do sono e do bem-estar. |
A validação brasileira acrescenta referências úteis para situar o seu número. No estudo, a média foi de 11,42 pontos em pessoas sem doença nasossinusal, 62,39 em pacientes no pré-operatório de cirurgia endoscópica e 23,09 nos mesmos pacientes depois da cirurgia. Pontuações de até 10 pontos foram consideradas normais.
Outro estudo brasileiro, feito em Salvador, avaliou pacientes de ambulatório com sinusite crônica que iam começar o tratamento clínico. A mediana foi de 53 pontos, contra 8 em pessoas sem a doença. Esses números ajudam a situar o resultado, mas não fecham diagnóstico, porque a mesma pontuação pode ter causas diferentes.
Quanto precisa mudar para ser melhora de verdade
O maior valor do questionário aparece na segunda aplicação. Nesse momento, a dúvida é se a diferença entre as duas respostas é real ou só uma variação do próprio instrumento.
Circulam dois números, e os dois estão corretos em seus contextos. No estudo inglês que validou o SNOT-22, com cerca de 2.800 pacientes operados, a menor mudança percebida pelo paciente foi de 8,9 pontos. Esse é o valor usado nos estudos de tratamento, inclusive nos que avaliam imunobiológicos na sinusite crônica. Na validação brasileira, a diferença mínima importante calculada foi de 14 pontos.
Na prática, uma queda pequena entre duas aplicações pode ser só oscilação. Quedas a partir de 9 pontos já podem indicar melhora, e quedas de 14 pontos ou mais costumam corresponder a uma melhora que a pessoa percebe. Por isso compensa guardar o resultado de cada aplicação, com a data.
Repetir o questionário toda semana não ajuda. Os sintomas variam com resfriados e crises de alergia, e uma semana ruim muda o total sem mudar a doença. O intervalo útil acompanha o tratamento, como antes e depois de uma mudança de conduta. Nos imunobiológicos, as diretrizes recomendam a primeira reavaliação depois de seis meses.
SNOT-22 e imunobiológicos
Na sinusite crônica com pólipos que continua sem controle mesmo depois do corticoide nasal e de uma cirurgia bem feita, ou quando a cirurgia é contraindicada, os imunobiológicos são uma opção reservada aos casos mais graves. Na escala brasileira que avalia quem pode receber esse tratamento, o primeiro critério é a qualidade de vida, ou seja, o impacto da sinusite crônica na vida do paciente, medido pelo SNOT-22.
Nas diretrizes europeias, a qualidade de vida é considerada muito afetada com 40 pontos ou mais. Esse é um de cinco critérios, ao lado de sinais de inflamação do tipo 2, uso repetido de corticoide oral, perda importante do olfato e asma, e o paciente precisa cumprir pelo menos três deles.
A escala brasileira, publicada na diretriz de 2024, soma vários itens pontuados. Nela, o SNOT-22 vale 0 ponto abaixo de 20, 1 ponto de 20 a 50 e 2 pontos acima de 50. Na reavaliação do tratamento, uma queda de 9 pontos ou mais no questionário conta como melhora da qualidade de vida, valor próximo dos 8,9 pontos do estudo inglês. Os outros itens dessa escala e a soma que indica o remédio estão na orientação sobre o Dupixent® na sinusite crônica.
São critérios técnicos, que envolvem o exame do nariz com câmera, a tomografia, o teste de olfato e exames de sangue. A pontuação do questionário sozinha não indica nem afasta o imunobiológico, e essa avaliação completa é feita pelo otorrino na consulta.
O SNOT-22 indica cirurgia?
Sozinho, não. Um estudo brasileiro acompanhou 88 pacientes com sinusite crônica que responderam o questionário no diagnóstico. Os que acabaram operados e os que seguiram só com tratamento clínico começaram com a mesma média, 49 pontos, e o SNOT-22 não conseguiu prever quem iria para a cirurgia.
A indicação de cirurgia depende do que a endoscopia e a tomografia mostram e da resposta a um tratamento clínico bem feito. Depois da operação, o questionário volta a ser útil, porque mostra em números quanto a qualidade de vida melhorou.
O que o SNOT-22 não faz
- Não faz diagnóstico. Pontuação alta não prova sinusite. Outras doenças do nariz, como a rinite alérgica e o desvio de septo, também elevam o total, e até uma dor de cabeça como a enxaqueca pesa nas perguntas sobre o rosto. A diferença entre os quadros mais confundidos está em rinite e sinusite.
- Não mede inflamação. Quem mostra a inflamação é o exame do nariz, a endoscopia e, quando indicada, a tomografia. O raio X de face, aliás, não responde a essa pergunta.
- Não decide o tratamento sozinho. A pontuação entra na decisão junto com o exame, a imagem e a resposta ao que já foi feito.
- Não serve para uma crise aguda. O questionário olha as duas últimas semanas. Se elas incluíram um resfriado ou uma sinusite aguda, o total sobe sem que a doença crônica tenha piorado, e o resultado precisa ser lido com isso em mente.
A versão brasileira do SNOT-22
A versão em português usada na maioria dos estudos do país foi traduzida, adaptada e validada na Universidade Federal de São Paulo, com pacientes operados e voluntários sem doença no nariz. O artigo, publicado em 2011 no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, traz o questionário completo em português. Como parte dos pacientes tinha dificuldade de leitura, nesse estudo as perguntas foram lidas em voz alta pelo entrevistador.
Uma segunda adaptação, feita com a participação da autora do questionário original, foi publicada em 2012 e também mostrou boa confiabilidade. As duas mantêm as 22 perguntas e a nota de 0 a 5, e por isso o total continua comparável com o dos estudos internacionais.
Como usar o resultado a seu favor
Leve a pontuação e as respostas para a consulta. Os itens com nota 4 ou 5 mostram em poucos segundos o que mais precisa ser resolvido, e essa lista costuma orientar a conduta tanto quanto o total.
Alguns achados mudam o rumo da investigação. A perda de olfato persistente levanta a suspeita de polipose nasal. Sintomas que voltam poucas semanas depois de cada tratamento apontam para o ciclo descrito em sinusite de repetição. Quando a tosse domina a lista, a explicação costuma estar em tosse de sinusite.
Sintomas de um lado só e sangramento repetido pela mesma narina não entram nessa conta. Eles pedem consulta com otorrino na OtoCare com prioridade, qualquer que seja a pontuação.
Olhos inchados ou vermelhos, visão alterada, dor de cabeça forte que piora ou inchaço na testa são raros, mas precisam de avaliação médica sem demora. Esses sinais estão explicados em complicações da sinusite.
Perguntas frequentes
Preciso de preparo para responder o SNOT-22?
Não. Não há jejum, horário certo nem exame antes. A própria pessoa responde, pensando em como o nariz esteve nas duas últimas semanas. Se nesse período houve um resfriado ou uma crise aguda, convém anotar isso junto com o resultado ou responder de novo quando a crise passar.
Onde encontro o SNOT-22 em PDF e em português?
A versão brasileira validada foi publicada com o artigo de 2011 no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, de acesso aberto, e está nas referências desta página. Para responder sem papel, a ferramenta online do SNOT-22 traz as mesmas 22 perguntas e faz a soma automaticamente.
O SNOT-22 pode ser respondido pela internet, sem o médico?
Pode. O questionário foi criado para o próprio paciente responder. O cuidado é usar sempre a mesma versão e a mesma forma de resposta quando for comparar dois resultados, e levar os números para a consulta.
Existe o SNOT-22 em outras línguas?
Sim. O original é inglês, publicado em 2009 a partir de uma auditoria de cirurgias do nariz na Inglaterra e no País de Gales. Há versões validadas em vários idiomas, como finlandês, grego, árabe e polonês, o que permite comparar estudos de diferentes países.
O SNOT-22 é o mesmo que o SNOT-20?
Não. O SNOT-22 nasceu do SNOT-20, que tinha 20 perguntas e era pouco sensível a mudanças. As duas perguntas acrescentadas foram a perda do olfato e o nariz entupido, que melhoraram a capacidade do questionário de medir a doença.
Quem não tem doença no nariz pode passar de 10 pontos?
Pode. Num estudo alemão com 1.000 adultos sem doença, a média foi de cerca de 20 pontos, um pouco maior em mulheres e em pessoas com menos de 50 anos. Várias perguntas tratam de sono, cansaço e humor, que pesam no total mesmo sem problema no nariz.
Perdi o olfato, mas o SNOT-22 deu baixo. Isso é possível?
É. O olfato é uma das 22 perguntas e vale no máximo 5 pontos. Por isso as diretrizes avaliam a perda do olfato à parte, com testes próprios. A perda persistente do olfato merece avaliação mesmo com um total baixo.
O SNOT-22 serve para criança?
O questionário foi validado em adultos. Para crianças de 2 a 12 anos com sintomas persistentes no nariz, existe um questionário mais curto, o SN-5, com cinco perguntas respondidas pelos pais ou cuidadores.
Referências
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Avaliação do nariz em Brasília
O questionário mostra o tamanho do problema; o exame mostra a causa. Na consulta com otorrino em Brasília, o nariz é examinado por endoscopia na própria clínica, os exames são revisados e a conduta é definida na mesma consulta.
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