SNOT-22: o questionário que mede o impacto da sinusite crônica na vida

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

O que o SNOT-22 mede

O SNOT-22 mede o quanto os sintomas do nariz atrapalham a vida, não o quanto os seios da face estão inflamados. São 22 perguntas sobre as duas últimas semanas, cada uma pontuada de 0 a 5, com total de 0 a 110. Quanto maior o número, maior o peso dos sintomas no dia a dia.

A sigla vem de Sino-Nasal Outcome Test, teste de desfecho nasossinusal. Ele é o instrumento mais usado no mundo na rinossinusite crônica, com ou sem pólipos, e é o que aparece nos estudos quando se diz que um tratamento melhorou a qualidade de vida.

Médica otorrino ao lado do questionário SNOT-22 e de uma ilustração dos seios da face, representando o impacto da sinusite na qualidade de vida

Para saber a sua pontuação agora, responda o questionário SNOT-22 online da OtoCare: ele usa as perguntas da versão validada no Brasil e mostra o total, a faixa e onde os sintomas pesam mais.

Por que medir sintoma com questionário

Duas pessoas com tomografias parecidas podem viver realidades diferentes: uma dorme mal, falta ao trabalho e perdeu o olfato; a outra convive com uma obstrução que quase não incomoda. Exame de imagem e endoscopia mostram a doença; o questionário mostra o que ela faz com a vida de quem a tem.

Essa medida tem três usos práticos na consulta: dimensionar o impacto no começo, comparar antes e depois do tratamento e ajudar na decisão sobre intensificar a conduta. É por isso que o SNOT-22 aparece tanto em protocolos internacionais de rinossinusite quanto na avaliação de quem é candidato a cirurgia ou a imunobiológico.

As 22 perguntas e como pontuar

O questionário pergunta por sintomas das duas últimas semanas, e cada item recebe uma nota:

NotaSignificado
0Nenhum problema
1Problema muito leve
2Problema leve
3Problema moderado
4Problema grave
5Pior problema possível

Os itens cobrem quatro terrenos: o nariz, com necessidade de assoar, espirros, coriza, secreção para a garganta, tosse, nariz entupido e olfato; o ouvido e a face, com ouvido tampado, dor de ouvido, tontura e dor ou pressão no rosto; o sono, com dificuldade para dormir, despertares e cansaço ao acordar; e o dia a dia, com rendimento, concentração, irritação, tristeza e constrangimento.

A pontuação final é apenas a soma das 22 respostas. Não há peso diferente por pergunta nem cálculo escondido: por isso o instrumento é rápido, e por isso ele não distingue sozinho de onde vem o sintoma.

O que a pontuação significa

As faixas mais usadas vêm de um estudo que comparou a pontuação com a classificação de gravidade adotada nos consensos europeus:

PontuaçãoFaixaComo costuma se apresentar
0 a 7Sem impacto relevanteSintomas podem existir, mas não pesam na qualidade de vida.
8 a 20Impacto leveIncomodam em algumas situações, sem dominar a rotina.
21 a 50Impacto moderadoAtrapalham atividades, sono ou disposição com frequência.
Acima de 50Impacto graveComprometem boa parte do dia, do sono e do bem-estar.

A validação brasileira acrescenta referências úteis para situar o seu número. No estudo, a média foi de 11,42 pontos em pessoas sem doença nasossinusal, 62,39 em pacientes no pré-operatório de cirurgia endoscópica e 23,09 nos mesmos pacientes depois da cirurgia. Pontuações de até 10 pontos foram consideradas normais.

Quanto precisa mudar para ser melhora de verdade

O maior valor do questionário aparece na segunda aplicação. A pergunta então é: essa diferença é real ou é variação do próprio instrumento?

Circulam dois números, e os dois estão corretos em seus contextos. Na literatura internacional, a diferença mínima importante do SNOT-22 é de 8,9 pontos, valor usado nos estudos de tratamento, inclusive nos que avaliam imunobiológicos na sinusite crônica. Na validação brasileira, a diferença mínima importante calculada foi de 14 pontos.

Na prática, o critério mais conservador é útil para o paciente: uma variação de menos de 14 pontos entre duas aplicações pode ser apenas oscilação, enquanto uma queda igual ou maior costuma corresponder a uma melhora que a pessoa percebe. Por isso vale guardar o resultado de cada aplicação, com a data.

Repetir o questionário toda semana não ajuda. Os sintomas oscilam com clima, infecções e alergia. O intervalo útil acompanha o tratamento: algumas semanas a alguns meses, ou antes e depois de uma mudança de conduta.

O que o SNOT-22 não faz

  • Não faz diagnóstico. Pontuação alta não prova sinusite: rinite alérgica, desvio de septo, refluxo e até enxaqueca podem elevar o total. A diferença entre os quadros mais confundidos está em rinite e sinusite.
  • Não mede inflamação. Quem faz isso é o exame do nariz, a endoscopia e, quando indicada, a tomografia. O raio X de face, aliás, não resolve essa pergunta.
  • Não indica cirurgia sozinho. A pontuação entra na decisão, junto com exame, imagem e resposta ao tratamento clínico.
  • Não separa o que é crônico do que é episódio agudo. Responder durante uma crise infla o total; o instrumento foi feito para o quadro habitual das duas últimas semanas.

Como usar o resultado a seu favor

Leve a pontuação e as respostas à consulta. Os itens em que você deu nota 4 ou 5 dizem, em poucos segundos, o que mais precisa ser resolvido, e essa lista costuma orientar a conduta tanto quanto o total.

Alguns achados mudam o rumo da investigação: perda de olfato persistente levanta a suspeita de polipose nasal; sintomas que voltam poucas semanas depois de cada tratamento apontam para o ciclo descrito em sinusite de repetição; tosse que domina a lista pede a leitura de tosse de sinusite.

Sintomas de um lado só, sangramento nasal repetido pela mesma narina, inchaço ao redor do olho ou alteração visual não entram nessa conta: são sinais que pedem avaliação com otorrino na OtoCare com prioridade, qualquer que seja a pontuação.

Perguntas frequentes

Preciso responder o SNOT-22 em jejum ou com preparo?

Não há preparo. Basta responder pensando nas duas últimas semanas, sem estar no meio de um resfriado agudo, que eleva o total de forma passageira e não representa o seu quadro habitual.

Pontuação alta significa que vou precisar de cirurgia?

Não. Ela indica que os sintomas estão pesando e que o caso merece investigação e tratamento dirigido. A indicação cirúrgica depende do que o exame do nariz e a tomografia mostram e da resposta ao tratamento clínico bem feito.

Serve para criança?

O questionário foi validado em adultos. Em crianças, a avaliação usa outros instrumentos e depende bastante do relato dos pais, então o resultado do SNOT-22 não se aplica da mesma forma.

Referências

  1. KOSUGI, E. M. et al. Translation, cross-cultural adaptation and validation of SinoNasal Outcome Test (SNOT)-22 to Brazilian Portuguese. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, v. 77, n. 5, p. 663-669, 2011. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22030978/. Acesso em: 21 set. 2026.
  2. TOMA, S.; HOPKINS, C. Stratification of SNOT-22 scores into mild, moderate or severe and relationship with other subjective instruments. Rhinology, v. 54, n. 2, p. 129-133, 2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27017484/. Acesso em: 21 set. 2026.
  3. HOPKINS, C. et al. Psychometric validity of the 22-item Sinonasal Outcome Test. Clinical Otolaryngology, v. 34, n. 5, p. 447-454, 2009. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19793277/. Acesso em: 21 set. 2026.
  4. FOKKENS, W. J. et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020. Rhinology, v. 58, supl. 29, p. 1-464, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32077450/. Acesso em: 21 set. 2026.

Avaliação do nariz em Brasília

O questionário mostra o tamanho do problema; o exame mostra a causa. Na consulta com otorrino em Brasília, o nariz é examinado por endoscopia na própria clínica, os exames são revisados e a conduta é definida na mesma consulta.

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