Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Complicações são raras, mas os sinais de alerta merecem avaliação médica
As complicações da sinusite bacteriana são raras, mas podem ser graves quando a infecção se espalha dos seios da face para os olhos, o sistema nervoso central ou os ossos próximos. Inchaço ou vermelhidão ao redor dos olhos, alteração da visão, dor de cabeça que piora, rigidez de nuca, sonolência excessiva e inchaço na testa são sinais para entrar em contato com a OtoCare e agendar uma avaliação com otorrino.
Os sintomas de uma complicação nem sempre começam de forma específica. Em geral, a pessoa já apresenta um quadro de sinusite, com nariz entupido, secreção, dor na face, tosse ou alteração do olfato, e depois surge uma mudança importante: sinais nos olhos, piora neurológica ou alteração na testa.

Não ignore sinais diferentes do quadro habitual. Entre em contato com a OtoCare para avaliação com otorrino, mesmo que a sinusite já esteja sendo tratada.
Por que a sinusite pode atingir estruturas próximas?
Os seios paranasais são cavidades cheias de ar localizadas nos ossos da face. Há seios maxilares nas bochechas, frontais na testa, células etmoidais entre o nariz e os olhos e seios esfenoidais em uma região mais profunda.
Essa proximidade anatômica explica as complicações. Em uma sinusite bacteriana, as bactérias podem ultrapassar os limites dos seios da face e alcançar a órbita, estruturas intracranianas ou o osso frontal. A maior parte das sinusites não segue esse caminho, mas reconhecer rapidamente a mudança do quadro ajuda a evitar atraso no diagnóstico e no tratamento.
Complicações nos olhos são as mais frequentes
As complicações orbitárias representam aproximadamente 60% a 80% das complicações da sinusite bacteriana e acontecem com maior frequência em crianças. Entre os exemplos estão a celulite orbitária e os abscessos ao redor ou dentro da órbita.
Depois dos sintomas nasais e faciais da sinusite, observe o aparecimento de:
- inchaço ao redor de um dos olhos;
- vermelhidão na pálpebra superior ou inferior;
- dor ao movimentar o olho;
- dificuldade ou restrição para mover o olho;
- visão dupla, visão borrada ou outra alteração visual.
Qualquer um desses sinais durante uma sinusite precisa ser avaliado por um otorrino. A aparência externa não mostra sozinha até onde a infecção chegou, e a visão pode estar em risco.
Sinais de complicação no cérebro e nas meninges
As complicações intracranianas correspondem a cerca de 15% a 20% dos casos complicados e são descritas com maior frequência em adultos jovens. Elas incluem meningite, encefalite, abscessos e tromboses de seios venosos intracranianos.
Os sinais que precisam de avaliação com otorrino incluem:
- dor de cabeça que piora progressivamente ou não melhora apesar do tratamento;
- rigidez de nuca ou grande dificuldade para movimentar o pescoço;
- náuseas ou vômitos junto da piora da dor de cabeça;
- alteração de comportamento, confusão ou sonolência excessiva;
- redução do nível de consciência;
- dificuldade para movimentar os olhos, queda da pálpebra ou alteração dos movimentos da face.
Essas alterações podem ser inicialmente inespecíficas. A combinação com um quadro de sinusite e a piora fora do padrão habitual torna importante a avaliação com otorrino.
Inchaço na testa pode indicar complicação óssea
As complicações ósseas são mais raras e representam aproximadamente 5% das complicações. A infecção pode atingir o osso frontal e causar osteomielite, abscesso ou uma fístula com drenagem de secreção pela pele.
Inchaço, abaulamento, vermelhidão ou amolecimento na região da testa durante uma sinusite não são sinais comuns do quadro simples. Eles sugerem acometimento do osso frontal e merecem avaliação com otorrino.
Quando agendar avaliação com otorrino?
Entre em contato com a OtoCare para agendar uma avaliação com otorrino se, durante uma sinusite, surgir qualquer um destes grupos de sinais:
- Olhos: inchaço, vermelhidão, dor ao movimentar, dificuldade de movimento ou alteração da visão.
- Sistema nervoso: dor de cabeça progressiva, rigidez de nuca, vômitos, confusão, sonolência excessiva, queda da pálpebra ou alteração de movimentos do rosto e dos olhos.
- Testa: inchaço, abaulamento, vermelhidão ou saída de secreção pela pele.
Esses sinais são diferentes dos critérios usados para reconhecer uma sinusite comum. Para entender a evolução habitual, consulte as orientações sobre como saber se é sinusite e sobre sinusite viral, prolongada ou bacteriana.
Vídeo: quando a sinusite se torna preocupante
O vídeo abaixo apresenta os três grupos de complicações da sinusite bacteriana e mostra os sinais que podem aparecer nos olhos, no sistema nervoso central e no osso frontal.
Perguntas frequentes
Uma complicação pode acontecer sem febre alta?
Pode. A ausência de febre alta não descarta uma complicação. Alterações nos olhos, dor de cabeça progressiva, rigidez de nuca, confusão, sonolência ou inchaço na testa continuam sendo sinais de alerta e precisam ser avaliados por um otorrino.
Estar tomando antibiótico exclui uma complicação?
Não. Estar em tratamento não torna seguros os sinais de piora. Se surgirem alterações visuais, dificuldade para mover os olhos, sinais neurológicos ou inchaço na testa, entre em contato com a OtoCare antes do fim do prazo do antibiótico. A orientação sobre antibiótico para sinusite explica por que a evolução clínica precisa ser acompanhada.
Qual exame é usado quando existe suspeita de complicação?
A avaliação médica define o exame conforme os sinais e a região suspeita. Tomografia e ressonância magnética podem ser necessárias para verificar a órbita, os seios da face, os ossos e as estruturas intracranianas. Não é preciso marcar um exame por conta própria antes da consulta; na OtoCare, a avaliação com otorrino define a investigação adequada. Veja também por que o raio X de face não avalia adequadamente uma suspeita de complicação.
Referências
- VILELA, Larissa. Sinusite: quando é preocupante? O que acontece se agrava? Quais são as complicações se mal curada? YouTube, 31 out. 2023. 1 vídeo (6 min 33 s). Disponível em: https://youtu.be/c3mlB7CZh4o. Acesso em: 19 set. 2026.
- ROMANO, Fabrizio Ricci; ANSELMO-LIMA, Wilma T.; KOSUGI, Eduardo M. et al. Rhinosinusitis: evidence and experience – 2024. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, v. 91, n. 5, art. 101595, 2025. PMID: 40398368. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40398368/. Acesso em: 19 set. 2026.
- DEBOER, Douglas L.; KAPER, Niels M.; MEIJER, Wilbert J. et al. Common cold and acute rhinosinusitis: up-to-date management in 2020. Current Allergy and Asthma Reports, v. 20, art. 28, 2020. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7266914/. Acesso em: 19 set. 2026.
- WERNER, Michael T.; GOTTFRIED, Jennifer S.; AWAN, Bint-e Z. et al. Intracranial and orbital complications of sinusitis: a review of rhinologic and multidisciplinary management principles. Ear, Nose & Throat Journal, 2025. PMID: 40735914. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40735914/. Acesso em: 19 set. 2026.
- NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Sinusitis (acute): antimicrobial prescribing — recommendations. NICE guideline NG79. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng79/chapter/Recommendations. Acesso em: 19 set. 2026.
Avaliação de sinusite em Brasília
Uma consulta com otorrino em Brasília permite avaliar sintomas persistentes, piora depois de uma melhora inicial, sinais diferentes do quadro habitual e episódios repetidos de sinusite. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste.
Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479
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