Aparelho intraoral para ronco e apneia funciona?

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Sim, o aparelho intraoral pode funcionar quando é bem indicado

O aparelho intraoral pode ter ótima resposta no ronco primário e, em geral, nos casos mais simples de apneia obstrutiva do sono. Ele mantém a mandíbula alguns milímetros à frente enquanto a pessoa dorme, amplia o espaço na garganta e facilita a passagem do ar.

O resultado depende da indicação correta, das condições dos dentes e da articulação da mandíbula e de um ajuste individualizado. O aparelho não serve para todo mundo e não deve ser comprado pronto pela internet.

Aparelho intraoral azul em primeiro plano, homem dormindo e profissional mostrando a passagem do ar em um modelo anatômico da cabeça

Não use um aparelho genérico para avançar a mandíbula. Um avanço exagerado ou inadequado pode provocar dor e disfunção da articulação temporomandibular, além de alterações da mordida.

Como o aparelho intraoral funciona?

O modelo usado para ronco e apneia se apoia nas duas arcadas dentárias. A parte inferior é ajustada para levar a mandíbula alguns milímetros para a frente durante o sono.

Esse pequeno avanço aumenta o espaço na região da faringe, atrás da boca, onde o ar passa. Quando o estreitamento dessa área participa do ronco ou da apneia, ampliar a passagem pode reduzir a vibração dos tecidos e os eventos respiratórios.

O aparelho lembra um dispositivo móvel usado nos dentes, mas sua função não é alinhar a arcada. Ele precisa sustentar a mandíbula em uma posição definida para aquele paciente e permitir ajustes graduais.

Para quem costuma ser indicado?

A indicação mais comum é para adultos com:

  • ronco primário: quando existe ronco, mas não há apneia do sono;
  • apneia obstrutiva leve: os casos mais simples costumam ser os candidatos clássicos;
  • apneia moderada em situações selecionadas: o aparelho pode fazer parte do tratamento, inclusive junto de outras abordagens, como a terapia posicional, desde que a indicação seja individualizada;
  • suporte dentário adequado: é necessário ter condições nos dentes e nas arcadas para apoiar o dispositivo com segurança.

A primeira etapa é saber se existe apenas ronco ou também apneia do sono, qual é a gravidade e que estruturas estão dificultando a passagem do ar. Em alguns pacientes, a sonoendoscopia também pode ajudar a localizar o colapso da via respiratória e planejar o tratamento.

Por que o aparelho precisa ser feito por dentista?

O aparelho deve ser confeccionado de acordo com as arcadas dentárias e a mordida do paciente. O dentista avalia quanto a mandíbula pode avançar e regula o dispositivo aos poucos, buscando abrir a passagem do ar sem sobrecarregar dentes, músculos e articulações.

Não existe uma posição única que sirva para todas as pessoas. Pouco avanço pode não produzir a resposta desejada; avanço excessivo aumenta o risco de dor na articulação temporomandibular, disfunções da mandíbula e mudanças na mordida.

Dispositivos prontos vendidos livremente não consideram essas variáveis. Mesmo que se encaixem na boca, isso não significa que mantenham a mandíbula na posição adequada nem que sejam seguros para uso contínuo.

Problemas de ATM podem limitar o uso?

Podem. Alterações importantes da articulação temporomandibular, conhecida como ATM, podem limitar o avanço tolerado e precisam ser avaliadas antes da confecção. Isso não significa que toda pessoa com estalos ou desconforto esteja impedida de usar o aparelho, mas o planejamento precisa levar a articulação em conta.

Se aparecer dor forte, travamento da mandíbula ou mudança perceptível na mordida durante o tratamento, o aparelho precisa ser revisto pelo profissional que fez o ajuste.

Em quanto tempo o aparelho começa a funcionar?

A melhora pode aparecer já na primeira noite de uso. Como a ação é mecânica, a passagem do ar se amplia assim que o aparelho mantém a mandíbula mais à frente.

O ajuste, porém, pode ser refinado aos poucos pelo dentista. A resposta inicial ao ronco não substitui o acompanhamento: o objetivo é encontrar um avanço que produza benefício respiratório sem causar complicações.

O aparelho cura o ronco e a apneia?

Não de forma permanente. O aparelho não amplia a garganta de uma vez por todas nem desloca a mandíbula definitivamente. Ele funciona enquanto está na boca e mantém a posição planejada.

Por isso, deixar de usar o dispositivo também retira o seu benefício. A regularidade faz parte do tratamento, assim como os ajustes e a reavaliação ao longo do tempo.

Vídeo: aparelho intraoral para ronco e apneia

O vídeo abaixo mostra como o aparelho avança a mandíbula, explica para quais casos costuma ser indicado e alerta sobre os riscos de usar um dispositivo pronto ou mal ajustado.

Perguntas frequentes

Preciso fazer exame do sono antes de usar o aparelho?

Quando existe suspeita de apneia, o exame do sono é importante para confirmar o diagnóstico e medir a gravidade antes da escolha do tratamento. Ronco primário e apneia não são a mesma condição, embora possam parecer iguais para quem observa o sono.

Como saber se o aparelho controlou a apneia?

Parar de ouvir o ronco não confirma sozinho que as pausas respiratórias foram controladas. Depois dos ajustes, um novo exame do sono com o aparelho em uso pode medir a resposta e confirmar a eficácia do tratamento.

O aparelho intraoral é igual ao CPAP?

Não. O aparelho intraoral mantém a mandíbula avançada; o CPAP mantém a via respiratória aberta com pressão de ar. A escolha depende do diagnóstico, da gravidade da apneia, da anatomia e da adaptação de cada paciente.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Aparelho intraoral para ronco e apneia funciona? YouTube, 26 out. 2024. 1 vídeo (6 min 39 s). Disponível em: https://youtu.be/BTBYupfYyp0. Acesso em: 16 set. 2026.
  2. RAMAR, Kannan et al. Clinical practice guideline for the treatment of obstructive sleep apnea and snoring with oral appliance therapy: an update for 2015. Journal of Clinical Sleep Medicine, v. 11, n. 7, p. 773-827, 2015. DOI: 10.5664/jcsm.4858. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26094920/. Acesso em: 16 set. 2026.
  3. LEVINE, Mitchell et al. Dental sleep medicine standards for screening, treatment, and management of sleep-related breathing disorders in adults using oral appliance therapy: an update. Journal of Dental Sleep Medicine, v. 12, n. 2, 2025. DOI: 10.15331/jdsm.7384. Disponível em: https://www.aadsm.org/journal/special_article_1_issue_122.php. Acesso em: 16 set. 2026.

Avaliação de ronco e apneia em Brasília

Se você ronca, alguém percebe pausas na sua respiração ou você já recebeu o diagnóstico de apneia do sono, uma consulta com otorrino em Brasília permite avaliar a via respiratória e discutir se o aparelho intraoral ou outro tratamento é mais adequado para o seu caso.

Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479

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