Apneia do sono: o que é, sintomas, diagnóstico e graus

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

O que é apneia do sono

Apneia do sono é um assunto cada vez mais comentado, e está no radar dos médicos porque é um grande fator de risco para vários problemas de saúde. Hoje se sabe o quanto o sono pesa no organismo. Noites ruins, repetidas, favorecem doenças do coração e dos vasos, alterações metabólicas, queda da imunidade e perda de memória e de concentração. Os hábitos que ajudam a ter uma noite melhor estão na orientação sobre como dormir melhor.

Os problemas respiratórios do sono funcionam como uma escada de gravidade. O ronco ocupa o primeiro degrau e mostra que o ar está passando com dificuldade. Na hipopneia, a respiração diminui bastante. Na apneia, ela praticamente para. Quando essas pausas se repetem e trazem sintomas, ou quando são muito numerosas, o quadro recebe o nome de síndrome da apneia obstrutiva do sono, uma doença com critérios próprios de diagnóstico.

Nos laudos e nos artigos, a doença aparece com siglas diferentes. AOS quer dizer apneia obstrutiva do sono. SAOS acrescenta a palavra síndrome, e SAHOS inclui também a hipopneia no nome. As três falam do mesmo problema.

A apneia obstrutiva é muito comum. Um levantamento publicado em 2019 estimou em cerca de 936 milhões o número de adultos de 30 a 69 anos com a doença no mundo, e o Brasil aparece entre os países com mais pessoas afetadas. A maioria não tem diagnóstico nem tratamento.

Dra. Larissa Vilela ao lado de um homem dormindo de barriga para cima, com a boca aberta, em um cenário noturno que representa o ronco e a apneia do sono

Na apneia do sono, a respiração para enquanto a pessoa dorme. Cada pausa dura 10 segundos ou mais e se repete ao longo da noite. A polissonografia confirma a doença e mostra o grau, e a síndrome confirmada precisa de tratamento.

Ronco: o primeiro sinal de obstrução

O ronco é o barulho que nasce no nariz ou na garganta quando a passagem do ar fica estreita. O ar atravessa esse ponto com esforço e faz vibrar a musculatura e os tecidos em volta. Na maior parte das pessoas, o aperto está na garganta. Ela é formada basicamente por músculo, sem um esqueleto de osso ou cartilagem que a mantenha aberta, e por isso fecha com facilidade quando a pessoa dorme.

Algumas situações apertam ainda mais essa passagem e deixam o ronco mais forte:

  • deitar de barriga para cima, porque a língua tende a cair para trás e estreitar a garganta, o que explica por que o ronco costuma melhorar de lado;
  • beber à noite, porque a bebida deixa a musculatura da garganta mais frouxa;
  • jantar muito tarde ou fazer uma refeição pesada perto da hora de dormir.

Muita gente acredita que o ronco é inofensivo, que só incomoda o companheiro de quarto e que quem ronca dorme bem. Não é verdade. O ronco aumenta o risco de apneia do sono. Mesmo sem apneia, a noite inteira de respiração barulhenta e trabalhosa deixa o sono mais leve, com menos tempo nas fases profundas, importantes para a memória, o raciocínio e o descanso.

Com os anos, a vibração repetida também machuca a musculatura da garganta, que fica mais flácida. O ronco piora e pode evoluir para apneia. Por isso roncar não é normal, e o ronco frequente merece tratamento mesmo quando ainda não há apneia. As causas e as opções para quem ronca estão na orientação sobre ronco em adultos.

Apneia e hipopneia: qual é a diferença?

Apneia é a parada da respiração. Pela definição técnica, o fluxo de ar cai pelo menos 90% em relação ao normal daquela pessoa, e essa queda dura no mínimo 10 segundos. Na prática, aparece em quem para de respirar durante a noite ou acorda engasgado, com sensação de sufocamento.

Hipopneia é uma forma mais leve, que também prejudica o sono. O fluxo de ar cai pelo menos 30%, por 10 segundos ou mais, e essa queda vem junto com uma destas alterações:

  • queda de pelo menos 3% na saturação de oxigênio, que é o nível de oxigênio no sangue; ou
  • um microdespertar, um despertar muito curto que a pessoa não percebe, mas que interrompe o sono profundo.

Os três tipos de apneia

  • Obstrutiva: a respiração para porque a passagem do ar está bloqueada, em geral por um estreitamento da via respiratória. É o tipo mais comum e o foco desta orientação.
  • Central: não há obstrução. Na apneia central, a pausa acontece porque falta o comando do cérebro para respirar.
  • Mista: junta as duas, com uma parte obstrutiva e uma parte central.

Sintomas da apneia do sono

Boa parte dos sinais da apneia aparece durante o sono, e quem nota primeiro costuma ser quem dorme ao lado. Outros surgem durante o dia, como efeito de noites mal dormidas.

Sintomas durante a noite

  • ronco alto e frequente;
  • paradas na respiração percebidas pelo companheiro;
  • despertar com falta de ar, sensação de engasgo, de afogamento ou de asfixia;
  • sono agitado, que não descansa.

Sintomas durante o dia

  • acordar cansado, com a impressão de que não dormiu;
  • sonolência e cansaço ao longo do dia, às vezes com cochilos sem querer;
  • dor de cabeça, boca seca ou dor de garganta ao acordar;
  • memória fraca, raciocínio mais lento e dificuldade de concentração;
  • irritação, nervosismo e mudanças de humor;
  • impotência sexual.

Para o diagnóstico da síndrome, esses sinais são reunidos em quatro grupos. Basta um deles, somado a um exame do sono com 5 ou mais eventos por hora, para confirmar a doença:

  1. Sono ruim: sonolência durante o dia, sono não reparador, cansaço ou sintomas de insônia.
  2. Despertar sufocado: acordar com sensação de afogamento ou de asfixia.
  3. Relato de quem vê a pessoa dormir: o companheiro de cama percebe ronco frequente, paradas na respiração ou as duas coisas.
  4. Doenças ligadas à apneia: pressão alta, alterações de humor, perda de memória ou de concentração, doença das coronárias, AVC, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial ou diabetes tipo 2.

Quem dorme sozinho muitas vezes não sabe que ronca nem que para de respirar. Por isso a sonolência e as doenças do quarto grupo pedem investigação mesmo sem testemunha. Os caminhos para tirar essa dúvida estão na orientação sobre como saber se você ronca.

Causas e fatores de risco da apneia do sono

Quando a pessoa adormece, os músculos relaxam e a garganta, que já é um tubo mole, fica mais estreita. Em quem tem apneia, ela chega a fechar. Para voltar a respirar, o cérebro provoca um despertar rápido, os músculos recuperam a força e a garganta reabre. O sono volta, a garganta fecha outra vez, e esse ciclo pode se repetir dezenas a centenas de vezes por noite.

O que estreita a passagem do ar muda de uma pessoa para outra, e em geral vários fatores se somam.

  • Excesso de peso: quem engorda não acumula gordura só na barriga ou nos braços. A gordura se deposita dentro do pescoço, em volta da garganta, e também na língua, que cresce. As duas coisas apertam a via respiratória.
  • Amígdalas e adenoide grandes: são a causa principal nas crianças e também aparecem em adultos.
  • Nariz entupido: desvio de septo, pólipos e cornetos aumentados, o que muita gente chama de carne esponjosa, dificultam a respiração à noite.
  • Formato do rosto e do pescoço: queixo pequeno ou recuado, mandíbula ou maxila pouco desenvolvidas e pescoço curto e largo deixam menos espaço para o ar.
  • Musculatura flácida da garganta: uma garganta com pouco tônus fecha com mais facilidade.
  • Idade, sexo e hormônios: o risco aumenta depois dos 50 anos e é maior nos homens. Nas mulheres, cresce depois da menopausa.
  • Álcool e calmantes à noite: relaxam a musculatura da garganta e aumentam as pausas.
  • Refluxo não tratado: agrava o ronco e as pausas, e tratá-lo ajuda.
  • Família e outras doenças: a apneia é mais frequente em quem tem parentes com o problema, e também aparece ligada ao hipotireoidismo e a um AVC anterior.

O exame do otorrino, com a nasofibrolaringoscopia, mostra onde está o estreitamento, no nariz, na garganta ou nos dois. Se operar o desvio de septo resolve a apneia está na orientação sobre cirurgia de desvio de septo no ronco e na apneia.

Apneia do sono é perigosa?

Sim, e o motivo está no que acontece em cada pausa. Sem ar, a oxigenação do sangue cai. O corpo reage como a um alarme, solta adrenalina, acelera o coração e sobe a pressão, até que um despertar curto faz a pessoa voltar a respirar. Em vez de descansar, o organismo passa a noite em esforço, e esses despertares costumam passar despercebidos.

Ao longo dos anos, a apneia sem tratamento se torna um grande fator de risco para doenças cardiovasculares, metabólicas e hormonais. Ela está ligada à pressão alta, à fibrilação atrial e a outras arritmias, à insuficiência cardíaca, à doença das coronárias, ao AVC e ao diabetes tipo 2. Às vezes a primeira pista aparece num exame do coração, como mostra a orientação sobre apneia, pressão alta e arritmia.

A sonolência é outro perigo. Quem cochila sem querer durante o dia corre mais risco de acidente de carro, de acidente no trabalho e de se machucar ao operar máquinas. Com um tratamento que funciona e é seguido, a evolução costuma ser muito boa.

Como é feito o diagnóstico

A investigação começa na consulta. A história do sono, contada pelo paciente e por quem dorme perto, revela os sintomas. Examinar nariz e garganta mostra onde a passagem do ar se estreita. Questionários ajudam a estimar o risco antes do exame, e o teste de apneia do sono STOP-Bang é um dos mais usados, mas nenhum deles confirma a doença.

Quem confirma é a polissonografia, o exame que acompanha, ao longo da noite, a respiração, o oxigênio no sangue e as etapas do sono. A OtoCare não faz a polissonografia. A consulta indica o exame mais adequado a cada caso e interpreta o resultado. Dele sai o IAH, o índice de apneia e hipopneia, que é a soma de todas as apneias e hipopneias dividida pelas horas de sono. O índice não sai de uma multiplicação, como aparece em algumas explicações na internet. Quantas horas de sono o exame precisa registrar, na clínica do sono e em casa, está na orientação sobre quantas horas de sono a polissonografia precisa.

O diagnóstico da síndrome fica confirmado em uma de duas situações:

  • IAH de 5 ou mais por hora em quem tem pelo menos um dos quatro grupos de sintomas descritos acima; ou
  • IAH de 15 ou mais por hora, mesmo sem nenhum sintoma, sem queixa do companheiro e sem doença associada.

A segunda regra surpreende muitos pacientes. Com 15 eventos ou mais por hora, o diagnóstico está feito ainda que a pessoa se sinta bem, porque, sem tratamento, a síndrome eleva com os anos as chances de problemas no coração, no metabolismo e nos hormônios.

Em alguns casos, sobretudo quando se pensa em cirurgia, o otorrino completa a investigação com a sonoendoscopia. Ela mostra em que ponto da garganta a via aérea fecha quando o paciente dorme sob efeito de medicação. É feita em clínica de anestesia parceira, depois da avaliação na OtoCare, e não substitui a polissonografia.

Apneia do sono leve, moderada e grave

A gravidade da síndrome é classificada pelo IAH.

  • Leve: de 5 a menos de 15 eventos por hora de sono.
  • Moderada: de 15 a 30 eventos por hora.
  • Grave: mais de 30 eventos por hora.

Em alguns laudos, a apneia grave aparece com o nome de apneia acentuada. É a mesma classificação. A moderada, por sua vez, já basta para fechar o diagnóstico mesmo em quem não tem queixas, pela regra dos 15 eventos por hora.

O grau é um dos pontos que guiam a escolha do tratamento, junto com o local da obstrução, o peso, os sintomas e a preferência de cada um. O plano é traçado com o paciente. Os casos leves costumam ter mais alternativas, e os graves pedem medidas mais fortes, como o CPAP.

Tratamento: o plano depende de cada caso

Com o diagnóstico feito, a síndrome precisa de tratamento. Sem tratamento, continuam os riscos ligados ao coração, ao metabolismo e à memória. Há muitas opções, com e sem cirurgia, e a escolha depende do grau, do local da obstrução e de cada paciente.

Algumas medidas fazem parte do tratamento de quase todos. A primeira é perder peso quando há sobrepeso, porque o excesso de peso é um dos fatores mais bem estabelecidos da apneia. A atividade física, aeróbica ou de força, deixa a musculatura mais firme, e isso vale também para a garganta. O refluxo, quando existe, precisa ser tratado. E, quando as pausas acontecem quase só de barriga para cima, dormir de lado faz parte do plano.

Depois vêm os tratamentos específicos.

  • CPAP, aparelho que empurra ar sob pressão por uma máscara para a garganta não fechar durante a noite. É o tratamento padrão-ouro e resolve a apneia na grande maioria de quem se adapta a ele. Em geral fica reservado à apneia grave e à moderada em que outras medidas falharam, porque tem custo alto e exige uso todas as noites;
  • aparelho intraoral, feito pelo dentista, que leva a mandíbula alguns milímetros para a frente e abre espaço na garganta. É uma ótima opção para o ronco e para as apneias leves e moderadas;
  • fonoterapia, também chamada de terapia miofuncional orofacial, com exercícios que deixam a musculatura da garganta mais firme. É muito usada pelos otorrinos no ronco e nas apneias leve e moderada, e pode somar-se a outros tratamentos na apneia grave. A consulta avalia e indica a fonoterapia;
  • cirurgia, quando existe uma causa anatômica clara. Amígdalas grandes são o exemplo mais conhecido, e a retirada das amígdalas melhora muito a respiração. Nas crianças, entra também a cirurgia da adenoide. No nariz, a septoplastia, a cauterização dos cornetos e a turbinectomia melhoram a passagem do ar, mas sozinhas raramente resolvem a apneia. Muitas vezes servem para que o paciente consiga usar outro tratamento, como o CPAP. Há ainda cirurgias da garganta e dos ossos da face para casos selecionados;
  • tratamentos mais novos, como o estimulador do nervo hipoglosso e os remédios para perda de peso em casos selecionados, como mostra a orientação sobre Mounjaro® para apneia do sono.

Quando a cirurgia é considerada, a sonoendoscopia ajuda a escolher o procedimento, porque mostra quais estruturas da garganta se fecham durante o sono. Muitas vezes o plano combina mais de uma dessas medidas. Cada opção está detalhada na orientação sobre tratamento para ronco e apneia.

Apneia do sono tem cura?

Depende da causa. Quando a obstrução vem de algo que pode ser corrigido, como amígdalas muito grandes, a cirurgia pode melhorar muito o quadro e até resolvê-lo. Isso é mais comum na criança, em que a adenoide e as amígdalas aumentadas costumam ser a causa principal.

Na maioria dos adultos, a apneia é uma doença crônica, que vem de vários fatores ao mesmo tempo, e o tratamento controla a doença em vez de eliminá-la de uma vez. O CPAP é o exemplo mais claro. Enquanto é usado, acaba com as pausas, mas, quando o aparelho é deixado de lado, os sintomas voltam em alguns dias. A perda de peso melhora bastante a apneia de quem tem sobrepeso, porém nem sempre basta sozinha. Na apneia grave, o CPAP bem adaptado é a forma mais eficaz de manter a doença sob controle.

Com o tratamento certo, a pessoa volta a dormir bem e reduz os riscos para a saúde. A polissonografia de controle mostra se o tratamento escolhido está funcionando ou se precisa de ajuste.

Como dormir com apneia do sono

Para quem tem apneia, dormir de lado costuma ser melhor. Deitada de costas, a pessoa tem a língua puxada para trás pela gravidade, a garganta fica mais apertada, e em algumas pessoas as pausas acontecem quase só nessa posição. A orientação sobre terapia posicional mostra como continuar de lado a noite inteira.

Dormir com a cabeceira da cama mais alta também ajuda a manter a passagem do ar aberta. Bebida alcoólica e calmantes perto da hora de deitar relaxam a musculatura da garganta e aumentam as pausas. Um nariz livre também conta, por isso a rinite e a obstrução nasal merecem tratamento.

Quem já tem o CPAP indicado precisa usá-lo todas as noites. O efeito desaparece quando o aparelho fica guardado. Usado com regularidade, ele reduz a sonolência e melhora o sono.

Apneia do sono em criança

Criança também pode ter apneia do sono. Na infância, ela costuma vir de adenoide e amígdalas grandes, que estreitam a passagem do ar entre o nariz e a garganta. Além do ronco e das pausas, a apneia na infância pode aparecer como esforço para respirar durante o sono, respiração pela boca também de dia e problemas de comportamento, como agitação, falta de atenção e dificuldade de aprendizado. O questionário OSA-18 mede o quanto esses sintomas atrapalham a vida da criança e da família.

O diagnóstico também usa a polissonografia, mas com critérios próprios da infância, mais rigorosos que os do adulto. A classificação em leve, moderada e grave descrita acima vale para adultos. Quando a adenoide e as amígdalas estão aumentadas, a cirurgia para retirá-las é o primeiro tratamento recomendado. As causas e a avaliação do ronco infantil estão na orientação sobre ronco em criança.

Quando procurar o otorrino

Procure avaliação se você ronca com frequência, se já disseram que você para de respirar dormindo, se acorda engasgado ou se sente sono e cansaço durante o dia mesmo dormindo o suficiente. Quem tem pressão alta difícil de controlar, arritmia, diabetes tipo 2 ou já teve AVC também deve ser investigado.

Sentir sono dirigindo é um sinal de alerta, e o mais seguro é não pegar o volante até ser avaliado. Na OtoCare, no Noroeste, em Brasília, a consulta avalia nariz e garganta, pede o exame do sono e, com o resultado, define o tratamento junto com o paciente.

Vídeo: síndrome da apneia do sono

O vídeo abaixo explica a diferença entre ronco, apneia e hipopneia, mostra os critérios que fecham o diagnóstico da síndrome e a classificação em leve, moderada e grave.

Perguntas frequentes

Apneia do sono pode matar?

Pode, a longo prazo, e não pela pausa em si. A pausa quase sempre termina com um despertar curto, e a pessoa volta a respirar. O perigo está no efeito acumulado das noites. Sem tratamento, a apneia aumenta o risco de AVC, de doenças do coração e de morte por todas as causas, além de acidentes causados pela sonolência, principalmente ao dirigir.

Como é uma crise de apneia do sono?

Quem está ao lado costuma ouvir o ronco parar de repente. Segue-se um silêncio, às vezes com o peito e a barriga fazendo força para respirar, e a pausa termina com um ronco forte ou um engasgo, quando a garganta reabre. A pessoa quase nunca se lembra, mas pode acordar com a sensação de sufocamento.

Qual é o CID da apneia do sono?

Na CID-10, a apneia do sono é o código G47.3, que vale tanto para a apneia obstrutiva quanto para a central. A apneia do recém-nascido tem outro código, o P28.3, e é um problema diferente.

Qual médico trata apneia do sono?

O otorrinolaringologista é um dos especialistas que tratam a apneia do sono. Ele procura no nariz e na garganta o ponto de obstrução, pede e interpreta a polissonografia e conduz o tratamento, com ou sem cirurgia. Muitos pacientes chegam também pelo cardiologista, depois de um exame de pressão ou de ritmo cardíaco alterado.

É possível ter apneia do sono sem sintomas?

Sim. Muitas pessoas não percebem as próprias pausas e não sentem sono durante o dia. O número de eventos por hora também nem sempre acompanha as queixas, e algumas pessoas com apneia grave quase não têm sintomas. O exame encontra a doença mesmo assim.

Todo mundo que ronca tem apneia do sono?

Não. O ronco alto aparece em quase todos que têm apneia obstrutiva, mas a maioria das pessoas que roncam não tem apneia. Só a polissonografia separa um caso do outro.

Apneia do sono é hereditária?

A apneia é mais frequente em quem tem pais ou irmãos com o problema, e a chance cresce com o número de familiares afetados. O risco passa pelos genes que influenciam o formato do rosto e da garganta e o controle da respiração.

Os sintomas da apneia do sono são diferentes na mulher?

Podem ser. Nas mulheres, o exame costuma mostrar menos eventos por hora, mas as queixas costumam ser maiores, e a insônia aparece mais vezes como sintoma. Por isso a apneia passa despercebida com mais frequência nelas. O quadro também muda com a menopausa e com a gravidez.

Apneia do sono dá vontade de fazer xixi à noite?

Pode dar. Nos adultos, levantar à noite para urinar é uma queixa comum de quem tem apneia. Nas crianças, a apneia está entre as causas de xixi na cama.

Quem tem apneia do sono pode tomar remédio para dormir?

Só com orientação médica. Calmantes e remédios para induzir o sono podem relaxar a musculatura da garganta e piorar o ronco e as pausas. Quem já usa um remédio para dormir deve contar isso na consulta, porque em alguns casos ele é mantido e em outros é retirado.

Quem tem apneia do sono pode tomar anestesia geral?

Pode, desde que o anestesista saiba do diagnóstico antes da cirurgia. A anestesia aumenta o risco de a via aérea se fechar, e quem usa CPAP deve usá-lo antes e depois do procedimento, conforme a orientação da equipe.

Existe tratamento caseiro para apneia do sono?

Algumas atitudes em casa ajudam muito, como perder peso, fazer exercício, dormir de lado e evitar álcool à noite, e na apneia leve podem ser o único tratamento. Elas não substituem o diagnóstico. Sem a polissonografia, não há como saber se a apneia melhorou de verdade.

Referências

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Avaliação de ronco e apneia em Brasília

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