Remédio para tontura pode piorar? Riscos do uso contínuo

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

O uso prolongado pode atrapalhar a recuperação do equilíbrio

Medicamentos usados para aliviar uma crise de tontura podem prolongar o desequilíbrio quando são mantidos sem uma indicação adequada. Isso pode acontecer com remédios que reduzem temporariamente a atividade do sistema vestibular. Eles têm utilidade em situações agudas, mas não tratam todas as causas de tontura e não devem se transformar automaticamente em uso contínuo.

O problema não é simplesmente tomar um remédio durante uma crise. O risco aparece quando a pessoa passa a repeti-lo diante de qualquer sintoma, continua por semanas, meses ou anos ou mantém a medicação sem que a causa da tontura tenha sido esclarecida.

Dra. Larissa Vilela aponta para uma caixa de Dramin enquanto homem sente tontura

Não interrompa por conta própria um medicamento prescrito. Se o uso se tornou frequente ou prolongado, procure o profissional que acompanha o caso para revisar a indicação, a duração e a forma segura de qualquer mudança.

Quais remédios podem funcionar como supressores vestibulares?

Entre os exemplos abordados no vídeo estão o dimenidrinato, conhecido pela marca Dramin®, a meclizina, presente no Meclin®, a cinarizina, associada ao Stugeron®, e a flunarizina, presente no Vertix®. Esses nomes são familiares porque costumam ser lembrados como remédios para tontura ou para o labirinto.

Apesar de pertencerem a grupos farmacológicos diferentes, eles podem reduzir a atividade vestibular e aliviar vertigem, náusea e mal-estar em determinados momentos. Isso não significa que sejam equivalentes, que sirvam para qualquer causa ou que possam ser trocados entre si sem avaliação.

Por que esses medicamentos ajudam durante uma crise?

O corpo possui dois labirintos, um em cada orelha interna. Em algumas crises vestibulares agudas, os lados enviam informações diferentes ao cérebro. Essa assimetria pode provocar vertigem intensa, com sensação de que o ambiente gira ou de que o próprio corpo está rodando.

Ao reduzir temporariamente a função vestibular, o medicamento pode diminuir a diferença percebida entre os lados e aliviar o sintoma. Por isso, o uso por poucos dias pode ser importante em uma crise forte. Na orientação do vídeo, a referência é de três a cinco dias e, em geral, não ultrapassar cerca de sete dias, sempre conforme a prescrição individual.

Esse alívio é sintomático. Ele não identifica a causa e não substitui tratamentos específicos. Na vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), por exemplo, a correção pode depender de uma manobra de reposicionamento, e não de manter um supressor vestibular.

O que é compensação vestibular?

Compensação vestibular é o processo de adaptação pelo qual o cérebro aprende a lidar com uma diferença de funcionamento entre os labirintos. Para realizar esse ajuste, o sistema nervoso precisa receber as informações do equilíbrio, reconhecer o erro e reorganizar a resposta aos movimentos.

Quando a atividade vestibular permanece suprimida por muito tempo, parte do sinal necessário para essa adaptação deixa de chegar com a mesma clareza. O sintoma pode até parecer amortecido por algumas horas, mas a recuperação do equilíbrio fica prejudicada. É por isso que um remédio útil na fase aguda pode se tornar contraproducente quando mantido de forma indiscriminada.

Como pode ser a tontura relacionada ao uso prolongado?

O padrão descrito com frequência não é a vertigem rotatória clássica. A pessoa pode se sentir aérea, instável, insegura ou desequilibrada, principalmente ao caminhar. Algumas relatam a impressão de que o corpo não acompanha o movimento ou de que precisam prestar atenção constante para não perder o equilíbrio.

Essas sensações não confirmam sozinhas que o medicamento seja a causa. A mesma queixa pode aparecer em outras alterações vestibulares, cardiovasculares, metabólicas, hormonais ou emocionais. A relação com o início, o aumento da dose e a duração do uso precisa ser analisada junto com a história clínica.

Quando a tontura aparece ao mudar de posição, conheça também as possíveis causas de tontura ao levantar. Alterações sistêmicas são abordadas na orientação sobre tontura metabólica ou hormonal.

Quais outros riscos merecem atenção?

Além de interferir na compensação, alguns supressores vestibulares podem causar sonolência, lentidão de reação e piora da atenção. Em uma pessoa que já está desequilibrada, esses efeitos aumentam a preocupação com quedas, acidentes e dificuldade para realizar atividades que exigem alerta.

O cuidado é especialmente importante em idosos, em quem tontura, alterações de visão, perda de força, outros medicamentos e dificuldades do próprio equilíbrio podem se somar. A revisão precisa considerar a lista completa de remédios, e não apenas aquele conhecido como remédio para o labirinto.

Por que a automedicação pode atrasar o diagnóstico?

Tontura é um sintoma, não um diagnóstico. VPPB, enxaqueca vestibular, alterações metabólicas, variações de pressão e ansiedade são exemplos de causas que exigem abordagens diferentes. Repetir a mesma medicação diante de qualquer tontura pode mascarar temporariamente o desconforto sem tratar o mecanismo responsável.

Esse hábito também pode criar um ciclo: surge um sintoma leve, o remédio é tomado, a função vestibular fica mais reduzida e a instabilidade passa a ser interpretada como uma nova crise. Quando a tontura persiste, volta com frequência ou muda de padrão, a hipótese inicial precisa ser revista.

Ansiedade pode coexistir com uma doença vestibular e modificar a percepção dos sintomas. Veja como é investigada a tontura por ansiedade.

O que fazer se o uso já se tornou contínuo?

Anote o nome de cada medicamento, a dose, a frequência, há quanto tempo é utilizado e quem fez a prescrição. Registre também como era a tontura antes do tratamento, o que melhorou, o que permaneceu e se a instabilidade aparece mais ao caminhar.

Leve essas informações à consulta e não faça uma retirada abrupta por conta própria. A conduta depende do produto, do tempo de uso, do diagnóstico e de outras condições de saúde. O objetivo da revisão é separar o que ainda tem indicação do que pode estar dificultando a recuperação e definir o tratamento da causa.

A avaliação pode incluir exame dos ouvidos e do equilíbrio e, conforme a suspeita, testes como o vHIT em Brasília. Veja também os exames otorrinolaringológicos e audiológicos realizados na OtoCare.

Vídeo: quando o remédio para tontura pode atrapalhar

O vídeo abaixo apresenta a função dos supressores vestibulares na crise aguda, explica a compensação do equilíbrio e mostra por que o uso indiscriminado pode manter uma sensação de instabilidade.

Perguntas frequentes

Todo remédio que causa sonolência é um supressor vestibular?

Não. Sonolência pode ocorrer com medicamentos de classes diferentes e por mecanismos distintos. A lista completa precisa ser revisada porque alguns produtos reduzem a atividade vestibular, outros provocam queda de pressão ou sedação e vários efeitos podem coexistir.

Pessoas idosas precisam de mais cuidado com esses medicamentos?

Sim. A tontura já aumenta a vulnerabilidade a quedas, e a sonolência, a lentidão de reação e o uso de vários remédios podem ampliar esse risco. A indicação deve ser revisada de forma individual, considerando equilíbrio, mobilidade, outras doenças e todas as medicações em uso.

Reabilitação vestibular pode fazer parte da recuperação?

Pode, quando existe uma alteração vestibular para a qual os exercícios são indicados. A reabilitação estimula adaptação, estabilidade do olhar e equilíbrio, mas o programa depende do diagnóstico e não substitui a revisão dos medicamentos nem o tratamento específico da causa.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Tontura pelo uso indiscriminado de medicação para tontura (Dramin®, Meclin®, Stugeron® e Vertix®)? YouTube, 3 dez. 2025. 1 vídeo (5 min 51 s). Disponível em: https://youtu.be/qzP3btIMknE. Acesso em: 10 set. 2026.
  2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL. IV Fórum Brasileiro de Otoneurologia. São Paulo: ABORL-CCF, 2022. Seção 20: Tonturas induzidas por medicamentos. Disponível em: https://aborlccf.org.br/wp-content/uploads/2023/03/IV-FORUM-Otoneurologia-v2.pdf. Acesso em: 10 set. 2026.
  3. HALL, Courtney D. et al. Vestibular rehabilitation for peripheral vestibular hypofunction: an updated clinical practice guideline from the Academy of Neurologic Physical Therapy of the American Physical Therapy Association. Journal of Neurologic Physical Therapy, v. 46, n. 2, p. 118–177, 2022. DOI: 10.1097/NPT.0000000000000382. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34864777/. Acesso em: 10 set. 2026.

Avaliação de tontura em Brasília

Se a tontura é recorrente, há instabilidade ao caminhar ou o uso de remédio para o labirinto se tornou frequente, uma consulta com otorrino em Brasília permite revisar a medicação, examinar o equilíbrio e investigar a causa do sintoma.

Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479

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