Tontura ao levantar: causas, diagnóstico e o que fazer

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Tontura ao levantar pode ser hipotensão ortostática?

Pode ser. Quando a tontura aparece ao passar da posição deitada ou sentada para a posição em pé, ou depois de permanecer muito tempo em pé, ela pode fazer parte de um quadro de tontura ortostática. Em alguns casos há queda da pressão arterial; em outros, aumento importante da frequência cardíaca ou histórico de desmaio.

A sensação costuma melhorar quando a pessoa volta a sentar ou deitar. Vista escurecendo, fraqueza, instabilidade, dificuldade de concentração e palpitações podem acompanhar a crise. Como causas diferentes produzem sintomas parecidos, a avaliação não deve concluir automaticamente que é pressão baixa ou labirintite.

Mulher com tontura ao levantar sendo amparada por outra mulher

Episódios recorrentes, persistentes, incapacitantes ou acompanhados de desmaio precisam ser investigados. A tontura ortostática pode passar despercebida quando a pressão e a frequência cardíaca não são avaliadas durante a mudança de posição.

O que é tontura ortostática?

Ortostase é a posição em pé. A tontura ortostática é a sensação de tontura, instabilidade ou vertigem desencadeada ao levantar ou mantida enquanto a pessoa permanece em pé, com melhora ao sentar ou deitar.

Ela pode ser breve, mas, quando forma um quadro clínico, tende a voltar muitas vezes e a interferir na rotina. Não se limita à sensação de que tudo está rodando: também pode parecer flutuação, cabeça leve, desequilíbrio ou impressão de que a pessoa vai desmaiar.

Tontura ortostática e hipotensão ortostática são a mesma coisa?

Não. Tontura ortostática é o sintoma que surge na posição em pé. Hipotensão ortostática é uma alteração medida: queda de pelo menos 20 mmHg na pressão sistólica ou de 10 mmHg na pressão diastólica dentro dos primeiros minutos após a pessoa se levantar.

A tontura ortostática também pode estar associada a aumento importante da frequência cardíaca ou a síncope. Por outro lado, existe a forma provável, em que o padrão dos episódios e os sintomas associados são compatíveis, mas a alteração de pressão ou de frequência cardíaca não aparece na avaliação inicial.

Quais sintomas podem acompanhar a crise?

Além da tontura, podem aparecer instabilidade, vertigem, visão turva ou escurecida, fraqueza, cansaço, dificuldade de concentração ou raciocínio, taquicardia e palpitações. A melhora ao sentar ou deitar é uma informação importante para a investigação.

O contexto também ajuda: levantar rapidamente da cama ou de uma cadeira e ficar muito tempo em pé são gatilhos típicos. A frequência, a duração e o impacto dos episódios diferenciam uma sensação pontual de um quadro persistente que merece avaliação.

Por que a tontura aparece ao levantar?

Ao ficar em pé, parte do sangue tende a se acumular nos membros inferiores. O organismo normalmente ajusta a pressão e a frequência cardíaca para manter o fluxo de sangue adequado para o cérebro.

Quando esse ajuste não acontece de forma suficiente, a pressão pode cair, a frequência cardíaca pode responder de maneira inadequada e o fluxo cerebral diminui temporariamente. Essa mudança provoca a tontura e os outros sintomas ortostáticos.

Quais são as principais causas?

Desidratação, uso de medicamentos, problemas cardíacos e algumas neuropatias estão entre as causas que precisam ser consideradas. Em pessoas idosas, beber pouca água e comer menos do que o necessário podem favorecer episódios, mas a causa não deve ser presumida sem avaliação.

A investigação também precisa verificar se existe outra origem para a tontura. Alterações vestibulares, causas metabólicas ou hormonais e fatores emocionais podem produzir sensações semelhantes ou coexistir. Conheça também a tontura metabólica ou hormonal e a tontura por ansiedade.

Como é feito o diagnóstico?

O padrão clássico envolve cinco ou mais episódios de tontura, instabilidade ou vertigem ao levantar ou permanecer em pé, com melhora ao sentar ou deitar. Para o diagnóstico definido, também é necessário documentar hipotensão ortostática, aumento compatível da frequência cardíaca ou síncope, além de excluir outra explicação para os sintomas.

Na consulta, a pressão arterial e a frequência cardíaca podem ser medidas primeiro com a pessoa deitada e depois em pé. O relato detalhado das crises, o exame físico e a avaliação do equilíbrio ajudam a decidir se são necessários testes adicionais.

Tontura ao levantar pode ser labirintite, VPPB ou TPPP?

Pode existir uma causa vestibular, mas o gatilho precisa ser descrito com precisão. Na tontura ortostática, o problema aparece ao assumir ou manter a posição em pé e melhora ao sentar ou deitar. Na vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), a crise costuma ser provocada por movimentos específicos da cabeça.

A tontura postural perceptual persistente, ou TPPP, pode causar instabilidade ao caminhar e também confundir o diagnóstico. Perda de função dos dois labirintos é outra possibilidade. O exame clínico e, quando indicados, testes como o vHIT em Brasília ajudam a investigar o sistema vestibular.

Para que serve o tilt test?

O tilt test acompanha pressão arterial e frequência cardíaca enquanto a pessoa passa por inclinações controladas em uma maca. Ele reproduz a mudança para uma posição próxima da vertical e permite observar como o sistema cardiovascular responde.

O exame pode ajudar a confirmar uma alteração ortostática e a esclarecer o mecanismo quando a avaliação inicial não resolve a dúvida. A indicação depende da história, dos achados da consulta e das outras causas que precisam ser excluídas.

O que fazer para evitar tontura ao levantar?

Levante em etapas. Ao sair da cama, primeiro sente-se, aguarde alguns minutos e respire; depois, fique em pé com cuidado. Evite saltar da posição deitada diretamente para a posição em pé.

Atividade física cardiovascular e exercícios de força ajudam no condicionamento e na musculatura. Manter boa hidratação também é importante, especialmente em pessoas idosas e quando a desidratação participa do quadro.

Meias compressivas podem ser usadas para reduzir o acúmulo de sangue nos membros inferiores. Algumas pessoas precisam de medicamentos. Essas medidas devem fazer parte de um plano individual, muitas vezes compartilhado com cardiologista ou neurologista, porque a tontura ortostática geralmente não é uma doença do labirinto.

Vídeo: tontura ao levantar e hipotensão ortostática

O vídeo abaixo apresenta os critérios da tontura ortostática, explica por que o fluxo de sangue para o cérebro pode diminuir ao ficar em pé, mostra como pressão e frequência cardíaca são avaliadas e resume medidas usadas no tratamento.

Perguntas frequentes

Uma medição normal de pressão descarta tontura ortostática?

Não. A alteração pode não aparecer em uma avaliação isolada. Quando o padrão dos sintomas é compatível, a história clínica, novas medidas em posições diferentes e, em alguns casos, o tilt test podem ser necessários para esclarecer o quadro.

Síndrome de taquicardia postural e hipotensão ortostática são iguais?

Não. Na hipotensão ortostática, o achado principal é a queda da pressão depois de ficar em pé. Na síndrome de taquicardia postural, destaca-se o aumento sustentado da frequência cardíaca sem a queda de pressão que define a hipotensão ortostática. As duas podem causar sintomas ao permanecer em pé.

Quem tem pressão alta também pode apresentar hipotensão ortostática?

Sim. Pressão alta em outros momentos não impede que exista uma queda relevante ao mudar de posição. Medicamentos e outras condições podem influenciar essa resposta, por isso o resultado deve ser interpretado no contexto clínico e o tratamento não deve ser alterado por conta própria.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Tontura ortostática: o que é, diagnóstico, causas e tratamento. YouTube, 22 nov. 2025. 1 vídeo (15 min 12 s). Disponível em: https://youtu.be/hDSSrrQxdiY. Acesso em: 9 set. 2026.
  2. KIM, Hyun Ah et al. Hemodynamic orthostatic dizziness/vertigo: diagnostic criteria. Journal of Vestibular Research, v. 29, n. 2-3, p. 45-56, 2019. DOI: 10.3233/VES-190655. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30883381/. Acesso em: 9 set. 2026.
  3. KIM, Michael J.; FARRELL, Jennifer. Orthostatic hypotension: a practical approach. American Family Physician, v. 105, n. 1, p. 39-49, 2022. Disponível em: https://www.aafp.org/afp/2022/0100/p39. Acesso em: 9 set. 2026.

Avaliação de tontura ao levantar em Brasília

Se a tontura ao levantar é recorrente, prolongada, causa desequilíbrio ou já levou a desmaio, uma consulta com otorrino em Brasília permite examinar o equilíbrio, investigar causas vestibulares e definir quando a avaliação deve ser compartilhada com cardiologista ou neurologista.

Conheça também os exames otorrinolaringológicos e audiológicos realizados na OtoCare.

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