Mounjaro® (tirzepatida) para apneia do sono: como funciona e o que dizem os estudos

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Como o Mounjaro® (tirzepatida) atua no tratamento da apneia obstrutiva do sono?

Pouca gente sabe, mas já existe um remédio com indicação na bula para tratar a apneia do sono. E ele vem justamente do grupo das canetas emagrecedoras. O Mounjaro®, nome comercial da tirzepatida, ficou famoso pelo controle do diabetes e pela perda de peso, e hoje também tem indicação formal para a apneia obstrutiva do sono em adultos com obesidade.

Na apneia obstrutiva do sono, a respiração diminui ou para muitas vezes durante a noite, porque a passagem do ar se fecha, principalmente na garganta, que os médicos chamam de faringe. A cada pausa, o oxigênio do sangue cai, o gás carbônico sobe e o corpo dispara o sistema nervoso simpático, o mesmo do estado de alerta. Repetido noite após noite, esse estresse alimenta inflamação no organismo e aumenta a chance de problemas no coração e na circulação.

O Mounjaro® age por um caminho indireto. Ele não abre a garganta como um aparelho. A melhora vem da perda de peso, que reduz a gordura acumulada no pescoço, em volta da faringe e dentro da língua. Com menos gordura, fica mais espaço livre para a respiração enquanto a pessoa dorme.

Caneta aplicadora de Mounjaro® ao lado de ilustrações sobre o controle do peso e a desobstrução da via aérea na apneia do sono

O Mounjaro® trata a apneia do sono pela perda de peso. Foi o primeiro remédio com essa indicação na bula, para adultos com obesidade e apneia obstrutiva moderada ou grave.

A apneia tem vários tratamentos, como perda de peso, atividade física, aparelho intraoral, cirurgias e o CPAP, o aparelho que empurra ar sob pressão através de uma máscara e impede que a via aérea feche à noite. Na apneia moderada e na grave, o CPAP é o tratamento padrão-ouro e pode resolver qualquer apneia enquanto está em uso.

O problema é manter o uso. Muitos pacientes têm dificuldade de se adaptar à máscara, sentem desconforto, percebem vazamento de ar e, com o tempo, usam o aparelho cada vez menos. O aparelho na boca e a cirurgia também nem sempre são aceitos ou bem tolerados. Por isso a pesquisa procura outras saídas, e um remédio com eficácia comprovada amplia as escolhas. Cada opção aparece em detalhe na orientação sobre tratamento do ronco e da apneia.

Aprovação regulatória: o que definiram a Anvisa e o FDA?

No Brasil, a Anvisa aprovou a nova indicação do Mounjaro® em outubro de 2025. A resolução saiu no Diário Oficial da União em 20 de outubro de 2025, e a bula passou a incluir o tratamento da apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade. Essa indicação se soma às que o remédio já tinha, o diabetes tipo 2 e o controle crônico do peso.

Nos Estados Unidos, o FDA aprovou a mesma substância, vendida lá com o nome Zepbound®, em 20 de dezembro de 2024. A indicação americana também é a apneia obstrutiva moderada a grave em adultos com obesidade, junto com dieta com menos calorias e mais atividade física. O próprio FDA anunciou a decisão como a aprovação do primeiro remédio para a apneia obstrutiva do sono.

As duas aprovações se apoiaram no mesmo estudo, o SURMOUNT-OSA. O Mounjaro® é vendido com receita e só deve ser usado com prescrição, tanto para tratar a apneia quanto para emagrecer.

O estudo SURMOUNT-OSA: o que comprovou a ciência?

O SURMOUNT-OSA é um estudo grande e bem desenhado, do tipo que traz a evidência mais forte da medicina: um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Foram 469 adultos, atendidos em 60 centros de nove países e acompanhados por 52 semanas. O resultado foi publicado em 2024 no New England Journal of Medicine.

Só entraram adultos com obesidade, com índice de massa corporal (IMC) de 30 ou mais, e com apneia pelo menos moderada, ou seja, 15 ou mais pausas e reduções da respiração por hora de sono no índice de apneia e hipopneia (IAH). O IMC é o peso dividido pela altura ao quadrado e mostra se a pessoa está com peso normal, sobrepeso ou obesidade. Pessoas com diabetes não participaram.

Os participantes foram divididos em dois estudos paralelos. Num deles, ninguém usava o CPAP. No outro, todos já usavam o aparelho. Dentro de cada estudo, metade recebeu tirzepatida e metade recebeu placebo, uma injeção sem o remédio. Os dois grupos tiveram orientação de dieta com menos calorias e de atividade física, de modo que o grupo do placebo mostra o que essas medidas fazem sozinhas.

No começo, a média ficava perto de 50 eventos por hora, uma apneia grave. Depois de um ano, a queda média com a tirzepatida foi de 25,3 eventos por hora no grupo sem CPAP e de 29,3 no grupo com CPAP, contra 5,3 e 5,5 com o placebo. Nos dois grupos, o índice caiu para menos da metade do valor inicial.

Entre quatro e cinco em cada dez pacientes tratados chegaram a um nível em que, pelas diretrizes, o CPAP pode deixar de ser necessário: 42% no grupo sem CPAP e 50% no grupo com CPAP. O critério era ter menos de 5 eventos por hora, a faixa normal, ou de 5 a 14 eventos sem sonolência importante durante o dia, medida pela escala de sonolência de Epworth. Com o placebo, essa proporção ficou entre 14% e 16%.

Os ganhos foram além da respiração. Em média, os pacientes perderam 17,7% do peso no grupo sem CPAP e 19,6% no grupo com CPAP. A pressão arterial, a máxima e a mínima, e a proteína C reativa (PCR), um marcador de inflamação, diminuíram, e as quedas de oxigênio durante a noite ficaram menores. Os participantes também relataram dormir melhor e sentir menos o efeito do sono ruim nas atividades do dia.

Por que a perda de peso melhora a respiração durante o sono?

Pelo que os estudos mostram, a melhora da apneia vem da perda de peso. Quando a pessoa engorda, a gordura se acumula nos braços, na barriga, no quadril e também no pescoço. Em volta da faringe, essa gordura aperta o caminho do ar. Durante o sono, a musculatura relaxa, e a garganta, já mais apertada, fecha com mais facilidade.

A gordura também se deposita dentro da língua, que ganha volume. Quando a pessoa deita de barriga para cima, a gravidade puxa a língua para trás, e uma língua maior fecha ainda mais a garganta. Um estudo com ressonância magnética de adultos com obesidade e apneia mostrou que, depois do emagrecimento, a melhora do índice de apneia esteve ligada à redução da gordura da língua.

A tirzepatida imita dois hormônios produzidos pelo intestino, o GIP e o GLP-1, que regulam o apetite. A pessoa passa a comer menos e perde peso e gordura corporal. Junto com dieta e atividade física, o remédio leva a uma perda de peso bem maior do que a dieta e o exercício sozinhos, principalmente nos quadros mais importantes de obesidade.

No SURMOUNT-OSA, o gráfico da queda do índice de apneia ao longo do tempo é praticamente igual ao gráfico da perda de peso. Por isso, hoje se entende que a tirzepatida melhora a apneia pela redução do peso, e o FDA descreve a melhora da mesma forma.

Para quem o Mounjaro® é indicado na apneia do sono

A indicação da bula é específica. Ela vale para adultos com obesidade e apneia obstrutiva do sono moderada ou grave. O diagnóstico e o grau vêm da polissonografia, o exame do sono. O ronco sozinho, sem o exame, não basta para indicar o remédio.

Ficam fora dessa indicação a apneia leve, a pessoa sem obesidade e quem só ronca, sem apneia. O estudo não incluiu pessoas sem obesidade, e nelas o efeito sobre a apneia não foi medido. Para essa indicação, a segurança e a eficácia também não foram estabelecidas em menores de 18 anos. Pela bula, quem tem sobrepeso e apneia pode ter indicação do remédio para controle do peso, e nesse caso o objetivo do tratamento é o peso.

A bula proíbe o uso em quem tem alergia à tirzepatida ou a algum componente da fórmula e não indica o remédio para quem tem histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, um tipo raro de câncer, ou a síndrome chamada neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM2). Ele não deve ser usado para perder peso na gravidez, e quem planeja engravidar precisa suspendê-lo pelo menos um mês antes, com orientação médica.

Quando há indicação, a escolha entre o remédio, o CPAP, o aparelho intraoral, a cirurgia ou uma combinação deles leva em conta o grau da apneia, a anatomia do nariz e da garganta, o peso e a preferência de cada paciente.

O Mounjaro® substitui o uso do CPAP?

Não de imediato. O CPAP funciona desde a primeira noite, enquanto o efeito do Mounjaro® depende da perda de peso e aparece aos poucos, ao longo de meses. Quem já usa o aparelho deve continuar com ele até ser reavaliado. No SURMOUNT-OSA, um dos dois estudos foi feito justamente com pessoas que mantinham o CPAP, e o remédio funcionou também nelas.

Com o tempo, porém, o plano pode mudar. Quando o peso cai e o ronco e o cansaço melhoram, uma nova polissonografia mostra quanto a apneia diminuiu. Se o índice chega à faixa normal ou a uma apneia leve sem sonolência, o CPAP pode deixar de ser necessário em alguns casos. Se a apneia continua moderada ou grave, o aparelho segue. Essa decisão é tomada com o exame em mãos, nunca por conta própria.

O Mounjaro® cura a apneia do sono?

Em parte dos pacientes, o índice volta para a faixa normal, abaixo de 5 eventos por hora, e na prática a apneia deixa de existir enquanto o peso se mantém. Nos outros, ela melhora, mas continua, em grau mais leve. A resposta muda bastante de um paciente para outro.

A perda de peso resolve a parte da obstrução que vem da gordura. Ela não muda o formato dos ossos do rosto e da mandíbula, amígdalas grandes ou uma garganta mais estreita por natureza. Quando esses fatores pesam, a apneia pode persistir mesmo com o emagrecimento, e outros tratamentos entram no plano.

O que acontece quando o Mounjaro® é suspenso?

O estudo da apneia durou um ano e não acompanhou o que acontece depois da suspensão. Outro estudo com tirzepatida, o SURMOUNT-4, feito em adultos com obesidade ou sobrepeso, trocou o remédio por placebo depois de 36 semanas de uso. A maioria de quem parou voltou a ganhar uma parte importante do peso perdido, enquanto quem continuou manteve o resultado.

Como a melhora da apneia acompanha a perda de peso, a volta do peso pode trazer a apneia de volta. Por isso o remédio não deve ser interrompido sem orientação, e quem para de usar precisa ser reavaliado, com nova polissonografia se o ronco, as pausas ou o cansaço reaparecerem.

Efeitos colaterais do Mounjaro®

Nos estudos de apneia, os efeitos mais comuns foram os do estômago e do intestino: enjoo, diarreia, vômito, prisão de ventre e dor na barriga. Em geral foram leves a moderados e mais frequentes na fase em que a dose é aumentada.

A bula cita ainda, com menos frequência, tontura, queda de cabelo, pressão baixa e aumento dos batimentos do coração. A tontura das canetas tem causas próprias, como a queda da glicose e a pouca ingestão de água, explicadas na orientação sobre canetinhas emagrecedoras e tontura.

Enjoo, vômito e diarreia podem desidratar, e a bula recomenda beber mais líquidos.

A bula traz também avisos menos comuns, que a grande maioria das pessoas que usam o remédio não apresenta. A pancreatite aguda, uma inflamação do pâncreas, aparece entre 1 e 10 em cada mil pessoas tratadas. A bula cita ainda pensamentos ou comportamentos suicidas, relatados com remédios que levam à perda de peso, e pede atenção ao surgimento ou à piora de depressão e a mudanças incomuns de humor ou de comportamento. Diante da suspeita de pancreatite ou de qualquer um desses sinais, o remédio deve ser suspenso imediatamente. Agende uma consulta na OtoCare pelo WhatsApp e informe o sintoma, para ter atendimento prioritário.

Por isso o Mounjaro® é usado com receita e acompanhamento, e nunca por conta própria.

Ozempic® e Wegovy® também tratam a apneia do sono?

Não têm essa indicação. O Ozempic® e o Wegovy® contêm semaglutida, uma substância da mesma família, que também ajuda a perder peso. Na bula do Wegovy®, a apneia aparece apenas como uma das doenças ligadas ao peso que, junto com o sobrepeso, permitem o uso para controle do peso. A indicação para tratar a própria apneia obstrutiva é do Mounjaro®.

Isso não significa que emagrecer com a semaglutida não ajude quem tem apneia. Significa que a bula dela não traz a apneia como indicação própria.

A área do sono vive um momento de muitas novidades. Há remédios em estudo que agem no controle da respiração e da musculatura da garganta na hora de dormir. Um deles, o AD109, um comprimido para tomar à noite, está em análise no FDA, com decisão prevista para fevereiro de 2027. Até agora, o Mounjaro® segue como o primeiro remédio com indicação na bula para a apneia do sono.

Como é a avaliação antes de pensar no Mounjaro®

O remédio entra depois do diagnóstico. Na consulta com otorrino em Brasília, na OtoCare, o médico examina o nariz e a garganta, inclusive com a nasofibrolaringoscopia, e procura outros pontos de obstrução, como desvio de septo, cornetos aumentados, amígdalas grandes e o tamanho da base da língua. A polissonografia confirma a apneia e mostra o grau. A OtoCare não faz a polissonografia, e a consulta indica o exame e interpreta o resultado.

Em casos selecionados, a sonoendoscopia revela o local exato onde a via aérea colapsa no sono induzido por sedação. Ela é feita numa clínica de anestesia parceira, após a avaliação na OtoCare. Com o diagnóstico completo, a consulta discute as opções de tratamento, entre elas o remédio, e define quando repetir o exame para medir a resposta.

Vídeo: Mounjaro® para tratar apneia do sono

O vídeo abaixo explica a aprovação do Mounjaro® para a apneia do sono, o desenho e os resultados do estudo SURMOUNT-OSA e por que a perda de gordura no pescoço e na língua melhora a respiração.

Perguntas frequentes

Dentista pode prescrever Mounjaro® para apneia do sono?

Segundo o Conselho Federal de Odontologia, pode. A lei permite ao cirurgião-dentista prescrever remédios indicados na odontologia, e o conselho entende que a nova indicação para a apneia obstrutiva do sono em adultos com obesidade entra nesse campo. O próprio conselho pede responsabilidade na prescrição, atenção à saúde geral do paciente e acompanhamento por uma equipe de várias áreas. Em qualquer caso, a indicação depende da polissonografia, que confirma a apneia e o grau, e do exame do nariz e da garganta, que procura outros pontos de obstrução.

O Mounjaro® dá sono ou cansaço?

O cansaço aparece na bula como efeito comum, que atinge entre 1 e 10 em cada 100 pessoas. Na apneia, porém, o sono durante o dia costuma ser sintoma da própria doença e tende a melhorar junto com ela. Se o sono ou o cansaço aumentarem depois de começar o remédio, conte isso na consulta.

O Mounjaro® acaba com o ronco?

Pode diminuir. O ronco nasce da vibração dos tecidos quando a passagem do ar está estreita, e a perda de gordura no pescoço e na língua abre espaço. Quando o ronco vem também do nariz entupido, de amígdalas grandes ou de uma mandíbula pequena, ele pode continuar mesmo depois do emagrecimento.

Como o Mounjaro® é aplicado no tratamento da apneia?

É uma injeção aplicada embaixo da pele uma vez por semana, com caneta própria. A dose é definida na prescrição e ajustada no acompanhamento, sem mudanças por conta própria. Nos estudos, o remédio sempre veio junto com orientação de dieta e de atividade física.

Quanto custa o Mounjaro® para apneia do sono?

O preço depende da dose e da embalagem. A CMED, câmara do governo federal que regula o preço dos remédios, fixa um preço máximo para cada apresentação. Na tabela publicada pela Anvisa em 9 de outubro de 2026, o teto no Distrito Federal para as quatro aplicações de um mês, em caixas com quatro doses, vai de R$ 1.723,82 a R$ 4.752,58. Comprar as doses avulsas, uma por semana, pode sair um pouco mais caro. As farmácias podem cobrar menos que esse teto, e os valores mudam a cada reajuste anual. Como a dose é definida na prescrição e pode subir no acompanhamento, o custo também muda ao longo do tratamento. Esses valores são de outubro de 2026 e podem mudar com o tempo.

O SUS oferece o Mounjaro® para apneia do sono?

Não. Até outubro de 2026, a tirzepatida não está entre os remédios oferecidos pelo SUS. Em setembro de 2026, o Ministério da Saúde pediu à Conitec, a comissão que avalia o que entra no SUS, a análise das canetas para obesidade feitas com semaglutida ou liraglutida, e a tirzepatida não faz parte desse pedido. Essa informação é de outubro de 2026 e pode mudar com o tempo.

O plano de saúde cobre o Mounjaro® para apneia do sono?

Em geral, o plano não é obrigado a fornecer. A Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/1998) deixa fora da cobertura mínima os remédios para tratamento em casa, com exceção de alguns tratamentos contra o câncer, e o Mounjaro® é aplicado pelo próprio paciente em casa. A lei define só o mínimo, e alguns contratos oferecem mais, por isso confira as regras do seu plano antes de começar. Essa informação é de outubro de 2026 e pode mudar com o tempo.

Em quanto tempo o Mounjaro® melhora a apneia?

A melhora não é imediata, porque depende da perda de peso, que acontece ao longo de meses. No SURMOUNT-OSA, a polissonografia foi repetida na semana 20 e na semana 52, e o resultado principal foi medido depois de um ano de uso.

O Mounjaro® serve para apneia central do sono?

Não. A indicação da bula é para a apneia obstrutiva, em que a garganta se fecha. Na apneia central, a pausa vem de uma falha no comando da respiração pelo cérebro, e o SURMOUNT-OSA não incluiu pessoas com apneia central ou mista.

Quem usa Mounjaro® precisa avisar antes de sedação ou anestesia?

Sim. O remédio deixa o esvaziamento do estômago mais lento, e a bula registra casos de aspiração do conteúdo do estômago para o pulmão em pessoas que usavam remédios da mesma classe durante anestesia geral ou sedação profunda. Antes de uma cirurgia ou de um exame com sedação, como a sonoendoscopia, avise a equipe que você usa o Mounjaro®.

Referências

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