Terapia posicional para ronco e apneia: cinta e camiseta antirronco

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

O que é terapia posicional

Quem ronca muitas vezes já percebeu que, de barriga para cima, o ronco piora e respirar fica mais difícil, e que de lado a respiração melhora. Em boa parte dos casos de ronco e de apneia do sono, a posição do corpo tem um peso muito importante.

Terapia posicional é o nome das técnicas que ajustam a posição na hora de dormir para melhorar a respiração. O objetivo é que a pessoa passe a noite de lado, e não de barriga para cima, o que reduz o ronco e a apneia. A cinta posicional e a camiseta com bola de tênis são as duas formas mais usadas de conseguir isso.

Dormir de lado ajuda praticamente todos os pacientes com ronco e apneia, e essa orientação ganha ainda mais importância em quem tem apneia posicional.

Dra. Larissa Vilela ao lado de uma pessoa dormindo de lado com uma cinta posicional azul presa às costas, que impede virar de barriga para cima

Cinta antirronco não é faixa de queixo. Nas lojas, o mesmo nome aparece para a faixa que mantém a boca fechada. A cinta posicional é outro dispositivo: ela fica no tórax e impede virar de barriga para cima.

Por que dormir de barriga para cima piora o ronco

Durante o sono, a musculatura da garganta, que tecnicamente se chama faringe, relaxa, e a língua relaxa junto. De barriga para cima, a língua cai para trás, em direção à parte da garganta atrás da boca, e fecha ainda mais a passagem do ar. Deitar de lado tira boa parte dessa queda da língua e amplia o espaço para respirar. O resultado é menos ronco e menos pausas na respiração.

Como se definem o ronco, a apneia e a hipopneia, e quais são os graus da doença, está na orientação sobre apneia do sono.

Apneia posicional: quem mais se beneficia

Apneia posicional é aquela muito ligada à posição em que a pessoa dorme. Há quem tenha um quadro totalmente posicional. De lado, respira bem, não ronca e não tem apneia. De barriga para cima, ronca e para de respirar repetidas vezes ao longo de toda a noite.

O diagnóstico vem da polissonografia, o exame do sono. Nela se observa que, deitado de lado, o paciente tem muito menos eventos respiratórios do que de barriga para cima. Um critério bastante usado é o índice de eventos de barriga para cima ser pelo menos o dobro do índice nas outras posições. Um estudo mostrou que, no laboratório do sono, quem tem apneia posicional precisa de mais horas de sono para o exame, como explica a orientação sobre quantas horas de sono a polissonografia precisa.

Esse padrão é frequente. Em média, 56% das pessoas com apneia obstrutiva do sono têm a forma posicional, e outros 30% também pioram de barriga para cima, embora sem chegar ao dobro. Em geral, quem tem apneia posicional é mais jovem e tem índice de massa corporal mais baixo do que quem tem apneia sem relação com a posição.

Nesses pacientes, a terapia posicional é parte central do tratamento. Nos demais, ela continua sendo uma orientação útil, que não faz mal e ajuda pelo menos um pouco.

O desafio: continuar de lado a noite toda

Começar o sono de lado costuma ser fácil. A dificuldade é manter a posição ao longo da noite, porque ninguém controla como se mexe dormindo. A cinta posicional e a camiseta antirronco servem para isso. As duas tornam desconfortável ficar de barriga para cima, e o próprio corpo volta para o lado.

Cinta posicional: como funciona

A cinta posicional é o dispositivo técnico da terapia posicional. Parece um colete ou uma faixa presa ao tórax e tem uma elevação que fica no meio das costas, entre as escápulas. Quando a pessoa começa a virar de barriga para cima, sente essa elevação, e o incômodo faz com que volte a ficar de lado durante o sono.

Ela é vendida pronta, inclusive pela internet. Na hora de comprar, confira que se trata de uma cinta com volume nas costas, e não da faixa de queixo, que tem outro objetivo.

Como fazer a camiseta antirronco com bola de tênis

Existe uma alternativa caseira que funciona muito bem e costuma ser mais prática, mais fácil e mais barata que a cinta. A dica, ensinada na residência médica, continua sendo passada aos pacientes no consultório.

  1. Separe uma blusa de pijama: use uma blusa que você já veste para dormir, para a bola ficar sempre no mesmo lugar.
  2. Marque o meio das costas: o ponto certo fica entre as escápulas, os ossos das costas na altura dos ombros.
  3. Costure um bolso nesse ponto: o bolso deve ter o tamanho exato de uma bola de tênis, para ela não escorregar para os lados.
  4. Coloque a bola de tênis: uma bola no centro das costas já basta.
  5. Comece a noite deitado de lado: ao virar de barriga para cima, a bola incomoda e o corpo volta a ficar de lado, sem precisar acordar.

Também há camisetas antirronco prontas, algumas com três bolsos e três bolas de tênis nas costas. Três bolas deixam a técnica um pouco mais efetiva, mas uma só, no centro das costas e na altura das escápulas, já é suficiente.

A ideia é antiga. Em 1948, um médico já observava que muitas pessoas roncam só quando estão de costas e sugeria costurar um carretel de linha nas costas do pijama.

Outras formas de evitar a posição de barriga para cima

Os estudos testaram vários recursos com a mesma função, como mochilas semirrígidas, faixas presas à cintura ou ao abdome e travesseiros longos que apoiam as costas.

Há também aparelhos pequenos que vibram quando a pessoa fica de barriga para cima, como um modelo usado no pescoço. A vibração aumenta até a pessoa mudar de posição, sem atrapalhar o sono.

Um estudo comparou um desses aparelhos com a técnica da bola de tênis em pessoas com apneia posicional leve. Os dois evitaram a posição de barriga para cima e reduziram os eventos respiratórios de forma parecida. A diferença apareceu no uso. Com o aparelho que vibra, 76% dos pacientes usaram o recurso pelo menos 4 horas por noite, 5 noites por semana, contra 42% com a bola de tênis, e a qualidade do sono melhorou mais.

Outra medida estudada não muda a posição, mas também reduz a apneia. Num estudo brasileiro, elevar um pouco a cabeceira da cama, numa inclinação leve de 7,5 graus, reduziu o índice de apneia e hipopneia de 15,7 para 10,7 eventos por hora, sem piorar a qualidade do sono. Nos pacientes que repetiram o exame com a cama reta, o índice voltou ao valor de antes.

O recurso que combina melhor com cada pessoa é escolhido caso a caso, na consulta.

Terapia posicional funciona?

Funciona. Com a bola de tênis ou com a cinta, fica muito mais fácil dormir só de lado, e o ronco e a apneia melhoram bastante.

Uma revisão Cochrane reuniu oito estudos com 323 participantes. Em comparação com nenhuma intervenção, a terapia posicional reduziu em média cerca de 7 eventos respiratórios por hora e melhorou a sonolência durante o dia. O CPAP reduziu mais os eventos, em torno de 6 por hora a mais que a terapia posicional, mas os pacientes relataram usar a terapia posicional por mais tempo a cada noite. Os estudos foram curtos, e a qualidade da evidência foi considerada baixa a moderada.

O ponto fraco é o incômodo. Num dos estudos da revisão, as queixas mais comuns foram dor nas costas e no peito e alterações do sono. Em um acompanhamento de seis meses de pacientes com apneia posicional que usavam a técnica da bola de tênis, 38% dos que responderam continuavam com ela, 24% tinham parado mas já dormiam de lado por conta própria, e 38% tinham abandonado sem aprender a se manter fora da posição de barriga para cima. O desconforto foi o principal motivo do abandono. Quando a bola atrapalha o sono, a troca por outro recurso posicional pode ser avaliada na consulta.

Quando só a posição não basta

Em alguns pacientes, a terapia posicional sozinha resolve o ronco e até a apneia, quando ela é mais leve. Outros precisam de tratamentos associados, como o aparelho intraoral, o CPAP, a perda de peso, às vezes com ajuda de medicação, tema da orientação sobre Mounjaro® para apneia do sono, ou uma cirurgia que corrija a obstrução. Nesse caso, a sonoendoscopia mostra em que altura a passagem do ar se fecha.

A avaliação com otorrino é indicada quando o ronco é frequente, quando alguém percebeu pausas na respiração ou quando há sono e cansaço durante o dia. Na consulta na OtoCare, a nasofibrolaringoscopia mostra onde está o estreitamento, e a polissonografia, quando indicada, confirma se a apneia é posicional.

Vídeo: cinta e camiseta antirronco

O vídeo abaixo explica por que dormir de barriga para cima piora o ronco e a apneia, como funciona a cinta posicional e como montar a camiseta com bola de tênis.

Perguntas frequentes

A faixa de queixo antirronco é a mesma coisa que a cinta posicional?

Não. A faixa de queixo segura a mandíbula para manter a boca fechada. A cinta posicional fica no tórax e tem um volume nas costas que impede dormir de barriga para cima. São dispositivos com objetivos diferentes.

Posso usar a camiseta com bola de tênis sem fazer polissonografia?

Pode. Dormir de lado não faz mal e costuma reduzir o ronco. Mas o ronco frequente merece avaliação, porque pode haver apneia, e só a polissonografia mostra se ela existe, qual é a gravidade e se depende da posição.

A bola de tênis incomoda para dormir?

Ela só deve incomodar quando a pessoa vira de barriga para cima, e esse incômodo a faz voltar para o lado. Deitada de lado, a pessoa não se apoia sobre a bola. Se a bola acorda a pessoa várias vezes por noite, a troca por outro recurso é conversada na consulta.

Apneia posicional tem cura?

Em parte dos pacientes, as medidas posturais bastam para acabar com o ronco e até com a apneia mais leve. Mesmo nesses casos, o efeito depende de continuar dormindo de lado, porque a terapia posicional não muda a anatomia da garganta. Por isso se fala em controle, e não em cura. A consulta de acompanhamento mostra se o controle continua bom com o passar do tempo.

A terapia posicional substitui o CPAP?

Depende do caso. Quando a apneia depende da posição, a terapia posicional pode ser o tratamento principal. Para quem tem indicação de CPAP e não consegue usá-lo, o consenso brasileiro sobre distúrbios respiratórios do sono, publicado pela SBPT em 2022, inclui a terapia posicional entre as alternativas, ao lado do aparelho intraoral e da cirurgia. A escolha é feita na consulta, com o resultado da polissonografia.

Criança pode usar a camiseta antirronco?

A terapia posicional foi estudada principalmente em adultos. Na criança, adenoide e amígdalas aumentadas estão entre as causas mais comuns do ronco, e a avaliação vem antes de qualquer dispositivo. As causas e o tratamento estão na orientação sobre ronco em criança.

Precisa repetir a polissonografia depois de começar a terapia posicional?

Pode ser útil. O consenso brasileiro sobre distúrbios respiratórios do sono, da SBPT, indica que quem trata a apneia com alternativas ao CPAP, como a terapia posicional, pode se beneficiar de uma reavaliação com novo exame do sono. Esse exame mostra se a posição de lado está de fato controlando os eventos respiratórios.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Ronco e apneia posicional: cinta e camiseta antirronco funcionam? YouTube, 2 nov. 2024. 1 vídeo (7 min 6 s). Disponível em: https://youtu.be/P6YRQ_hAOTM. Acesso em: 6 out. 2026.
  2. VILELA, Larissa. Todos os tratamentos para ronco e apneia! YouTube, 20 set. 2025. 1 vídeo (21 min 41 s). Disponível em: https://youtu.be/gQ1Et7GCsFk. Acesso em: 6 out. 2026.
  3. SRIJITHESH, P. R. et al. Positional therapy for obstructive sleep apnoea. Cochrane Database of Systematic Reviews, v. 5, n. 5, CD010990, 2019. DOI: 10.1002/14651858.CD010990.pub2. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31041813/. Acesso em: 6 out. 2026.
  4. RAVESLOOT, M. J. L. et al. The undervalued potential of positional therapy in position-dependent snoring and obstructive sleep apnea: a review of the literature. Sleep and Breathing, v. 17, n. 1, p. 39-49, 2013. DOI: 10.1007/s11325-012-0683-5. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22441662/. Acesso em: 6 out. 2026.
  5. OKSENBERG, A. et al. Positional therapy for obstructive sleep apnea patients: a 6-month follow-up study. The Laryngoscope, v. 116, n. 11, p. 1995-2000, 2006. DOI: 10.1097/01.mlg.0000237674.66716.a7. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17075418/. Acesso em: 6 out. 2026.
  6. EIJSVOGEL, M. M. et al. Sleep position trainer versus tennis ball technique in positional obstructive sleep apnea syndrome. Journal of Clinical Sleep Medicine, v. 11, n. 2, p. 139-147, 2015. DOI: 10.5664/jcsm.4460. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25515276/. Acesso em: 6 out. 2026.
  7. SOUZA, F. J. F. B. et al. The influence of head-of-bed elevation in patients with obstructive sleep apnea. Sleep and Breathing, v. 21, n. 4, p. 815-820, 2017. DOI: 10.1007/s11325-017-1524-3. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28647854/. Acesso em: 6 out. 2026.
  8. DUARTE, Ricardo Luiz de Menezes et al. Consenso em Distúrbios Respiratórios do Sono da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 48, n. 4, e20220106, 2022. DOI: 10.36416/1806-3756/e20220106. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35830079/. Acesso em: 6 out. 2026.

Avaliação de ronco e apneia em Brasília

Se você ronca ou suspeita de apneia do sono, uma consulta com otorrino em Brasília permite examinar o nariz e a garganta, indicar a polissonografia e definir se a terapia posicional basta ou precisa ser combinada com outro tratamento.

Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479

Veja todas as orientações aos pacientes da OtoCare.