VPPB pode voltar? Quantas manobras podem ser necessárias

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Sim, a VPPB pode voltar — e uma manobra nem sempre é suficiente

Sim. A vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) pode reaparecer depois de um tratamento bem-sucedido. Também é possível continuar com sintomas após a primeira manobra sem que isso descarte o diagnóstico. A maioria dos casos responde bem ao reposicionamento, mas não existe um número fixo de manobras que sirva para todas as pessoas.

Alguns pacientes melhoram com uma única manobra. Outros precisam de mais repetições na mesma consulta ou de sessões em dias diferentes. A quantidade depende de quantas partículas se soltaram, de quais canais semicirculares estão envolvidos, de um ou dos dois labirintos e de como os cristais se movimentam durante o tratamento.

Dra. Larissa Vilela ao lado de mulher com a mão na cabeça e sensação de tontura representada por linhas em espiral

Uma manobra que não eliminou toda a tontura não significa automaticamente que o diagnóstico estava errado. Retorne para reavaliação até confirmar se os cristais foram reposicionados, se existe outro canal envolvido ou se a sensação restante é apenas uma tontura residual dos primeiros dias.

Por que a VPPB pode voltar depois de melhorar?

A VPPB acontece quando partículas microscópicas do utrículo, conhecidas popularmente como cristais, saem de sua posição e entram em um dos canais semicirculares. A manobra conduz as partículas que estão naquele canal de volta ao compartimento correto, mas não impede que outras se desprendam no futuro.

Por isso, uma nova crise meses ou anos depois não significa necessariamente que a manobra anterior foi mal executada. O episódio novo precisa ser avaliado novamente, porque o ouvido, o canal e a variante podem não ser os mesmos. Entenda também como os cristais do labirinto fora do lugar causam VPPB.

Uma manobra costuma ser suficiente?

Em grande parte dos casos, uma única manobra consegue resolver a vertigem posicional. Durante a consulta, o teste confirma a VPPB e identifica o canal e o lado afetados; em seguida, o reposicionamento é realizado e a resposta pode ser conferida.

Mesmo quando a primeira manobra ajuda, pode ser necessário repeti-la duas ou três vezes na sessão. Se o teste ainda mostra partículas em movimento ou existe outro canal envolvido, novas sessões podem ser programadas até que o quadro esteja completamente resolvido.

Muitos cristais soltos podem exigir mais sessões

Algumas pessoas apresentam poucas partículas deslocadas; outras têm uma quantidade maior dentro do canal semicircular. Quando há muitos cristais soltos, uma parte pode ser reposicionada enquanto outra permanece no canal.

É como varrer um chão com muita poeira: mesmo depois de uma passagem, ainda pode restar material. Nessa situação, repetir o reposicionamento em uma nova sessão não representa falha; é a continuação do tratamento até retirar do canal as partículas que ainda provocam vertigem e nistagmo.

Mais de um canal ou os dois ouvidos podem estar envolvidos

Cada ouvido possui três canais semicirculares: posterior, lateral e anterior. O canal posterior é o mais frequentemente afetado, mas os cristais também podem entrar em outro canal. Em alguns pacientes, mais de um canal ou os dois lados apresentam VPPB ao mesmo tempo.

Cada canal e cada lado exigem uma manobra com direção específica. Quando há múltiplos acometimentos, pode ser necessário tratar um canal por sessão e retornar em outro dia para o próximo reposicionamento. Misturar manobras em sentidos opostos pode deslocar novamente partículas que acabaram de ser colocadas no lugar.

Uma partícula impactada também pode dificultar o reposicionamento

Os canais semicirculares são preenchidos por um líquido chamado endolinfa. Em geral, os cristais deslocados flutuam nesse líquido durante os movimentos da cabeça. Em pontos mais estreitos, porém, uma partícula pode ficar impactada e não avançar com a primeira tentativa.

Nesses casos, o profissional pode precisar mudar a estratégia, escolher outra manobra ou associar vibração na região da mastoide para desprender a partícula. A resposta tende a exigir persistência e acompanhamento, não uma sequência aleatória de movimentos em casa.

É normal ficar com sensação de flutuação depois da manobra?

Pode acontecer. Mesmo quando os cristais foram reposicionados, algumas pessoas passam um, dois ou até três dias com sensação de flutuação, caminhada estranha ou impressão de ainda não ter “aterrissado”.

Durante a VPPB, o cérebro recebeu informações erradas do labirinto. Depois da manobra, ele pode precisar de um curto período para se reajustar à informação correta. Essa tontura residual não é igual à crise rotatória intensa provocada por uma posição específica da cabeça.

Se a sensação não melhora, se a vertigem posicional continua igual ou se surgem sintomas diferentes, retorne para nova avaliação. A persistência pode indicar partículas ainda no canal, outro canal envolvido ou uma causa diferente de tontura.

Quando a recorrência costuma acontecer?

Os primeiros dias e a primeira semana após o reposicionamento merecem atenção porque as partículas podem ainda não estar bem acomodadas no utrículo. Depois desse período, não é esperado que a pessoa precise fazer manobras continuamente.

Uma nova crise pode surgir muito tempo depois, inclusive após meses ou anos. O padrão dos sintomas ajuda a levantar a suspeita, mas não permite escolher a manobra sem novo teste. Saiba por que não é seguro decidir sozinho qual manobra de Epley fazer em casa.

VPPB de repetição precisa ser investigada?

Quando os episódios voltam com frequência, vale investigar fatores que podem deixar o labirinto mais predisposto ao desprendimento das partículas. Entre as possibilidades apresentadas no vídeo estão vitamina D baixa e alterações metabólicas ou hormonais, como glicose e insulina elevadas.

O consumo excessivo de doces e açúcar pode participar desse contexto em algumas pessoas, mas a presença de VPPB recorrente não confirma sozinha uma alteração no sangue. A investigação precisa considerar o histórico, os exames adequados e outras condições do paciente. Veja também a relação entre tontura e alterações metabólicas ou hormonais e por que pode ocorrer tontura depois de comer doce.

O que fazer se a tontura voltou ou a primeira manobra não resolveu?

Agende uma reavaliação para repetir os testes posicionais e observar o nistagmo. Essa etapa mostra se ainda existe VPPB, qual canal está envolvido naquele momento e qual direção de manobra deve ser usada.

Não presuma que a nova crise está no mesmo lado nem repita diferentes manobras até alguma funcionar. Se houver muitas partículas, múltiplos canais ou impactação, o acompanhamento permite ajustar o tratamento com segurança. Conheça como é feita a avaliação e a manobra para VPPB em Brasília.

Vídeo: a VPPB pode voltar e quantas manobras são necessárias?

O vídeo abaixo apresenta por que uma manobra pode não resolver todo o quadro, como múltiplos canais ou partículas impactadas mudam o tratamento, o que é a sensação residual dos primeiros dias e quando episódios repetidos merecem investigação.

Perguntas frequentes

A recorrência significa que a primeira manobra foi feita errada?

Não. Uma manobra bem-sucedida trata as partículas que estavam deslocadas naquele episódio, mas novos cristais podem se desprender depois. Uma crise futura precisa ser testada novamente porque pode envolver outro canal ou lado.

Se uma manobra não resolveu, devo repeti-la por conta própria?

Não. A permanência da tontura pode ocorrer por muitas partículas, outro canal ou lado envolvido, impactação ou uma causa diferente. Repetir a mesma sequência sem novo teste pode não tratar o problema correto.

Vitamina D baixa é a única causa de VPPB recorrente?

Não. A vitamina D baixa é um dos fatores que podem ser avaliados, mas não explica todos os casos. Alterações metabólicas, hormonais e outras condições também podem participar, e muitos episódios não têm um único fator identificado.

Referências

  1. VILELA, Larissa. VPPB pode voltar? YouTube, 11 abr. 2026. 1 vídeo (13 min 12 s). Disponível em: https://youtu.be/zeJmQCya4UY. Acesso em: 16 set. 2026.
  2. BHATTACHARYYA, Neil et al. Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo (Update). Otolaryngology–Head and Neck Surgery, v. 156, n. 3_suppl, p. S1-S47, 2017. DOI: 10.1177/0194599816689667. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28248609/. Acesso em: 16 set. 2026.
  3. SFACIANOS, Alexandros et al. Risk Factors for Recurrence of Benign Paroxysmal Positional Vertigo: A Clinical Review. Journal of Clinical Medicine Research, v. 13, n. 7, p. 287-297, 2021. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8509726/. Acesso em: 16 set. 2026.
  4. KORN, Gustavo Polacow et al. Quantas manobras são necessárias para abolir o nistagmo na vertigem posicional paroxística benigna? Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, v. 73, n. 6, p. 769-775, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rboto/a/9gmpdGbTScK5BZxC4hfp5DR/?format=html&lang=pt. Acesso em: 16 set. 2026.

Avaliação de VPPB recorrente em Brasília

Se a vertigem voltou, a primeira manobra não resolveu ou as crises se repetem com frequência, uma consulta com otorrino em Brasília permite repetir os testes posicionais, identificar o canal afetado e decidir se são necessárias outras manobras ou investigação adicional.

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