Azitromicina serve para sinusite, otite ou amigdalite?

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Não use azitromicina por conta própria para essas infecções

É muito comum chegar ao consultório de otorrino quem se automedicou com azitromicina, ou quem recebeu a prescrição dela, para tratar amigdalite, sinusite ou otite. O problema é que a azitromicina não é eficaz para tratar as infecções bacterianas de ouvido, nariz e garganta.

Ela serve para outros tipos de infecção, mas não para essas. Por isso, se você pensava em tomar azitromicina porque a garganta está doendo ou porque acha que está com sinusite ou otite, não faça isso. O primeiro ponto é não se automedicar, porque o antibiótico usado por conta própria em geral atrapalha. O segundo é passar pelo otorrino, para confirmar o diagnóstico e receber o tratamento adequado.

Dra. Larissa Vilela observa uma caixa de azitromicina antes de explicar seu uso em infecções de ouvido, nariz e garganta

Por que a azitromicina deixou de funcionar nessas infecções

Quando foi lançada, a azitromicina até funcionava nas infecções de ouvido, nariz e garganta. Com o desenvolvimento da resistência das bactérias ao longo dos anos, ela perdeu essa ação, e na prática clínica se vê que ela não resolve. Por isso, a otorrinolaringologia não recomenda a azitromicina para a sinusite aguda bacteriana, e ela não está em nenhum dos consensos de tratamento dessa sinusite.

O mesmo vale para a penicilina benzatina, a famosa Benzetacil. Muita gente acha que ela trata sinusite e usa por conta própria, mas o perfil das bactérias que causam a sinusite não é coberto por esse antibiótico.

O uso de antibiótico sem necessidade tem outro custo. Ele aumenta a resistência das bactérias, na pessoa e na comunidade, e altera as bactérias boas do intestino, o microbioma. As bactérias que ficam resistentes a vários antibióticos, as superbactérias, têm orientação própria. Para usar um antibiótico, é preciso ter certeza de que ele é necessário.

Azitromicina para sinusite

A grande maioria das sinusites agudas é causada por vírus, e só cerca de 2 a 3 em cada 100 precisam de antibiótico. Um quadro viral pode durar até duas semanas, e nem toda secreção amarela ou verde exige antibiótico. Quando a sinusite bacteriana é realmente provável, o antibiótico é escolhido pelo médico de acordo com o quadro, o histórico, a idade e outras doenças do paciente. A azitromicina não está entre as opções dos consensos.

Por isso, a azitromicina não serve como tentativa para cortar uma sinusite. Veja como diferenciar a sinusite viral da bacteriana e a orientação completa sobre antibiótico para sinusite.

Azitromicina para otite

A otite, assim como a sinusite, começa em geral com um vírus que inflama e fecha o pequeno canal que liga o ouvido ao fundo do nariz e faz a ventilação e a drenagem. A secreção fica parada, engrossa e causa dor. Na maioria das vezes, o tratamento é desinflamar, e o antibiótico fica como última opção. A diretriz americana de otite média aguda na criança também prevê casos selecionados acompanhados sem antibiótico.

Sem examinar o canal e o tímpano, não é possível escolher o tratamento com segurança. A azitromicina não é a resposta para a dor de ouvido. Entenda também quando otite e sinusite precisam de antibiótico.

Azitromicina para amigdalite ou dor de garganta

A dor de garganta pode vir de infecções por vírus, irritações e inflamações que não melhoram com antibiótico. Mesmo quando há placas, a bactéria é confirmada com o teste rápido do estreptococo, feito na consulta da OtoCare, antes de se decidir pelo antibiótico. Quando o estreptococo é confirmado, o antibiótico é necessário. Na otorrino, essa é a única indicação absoluta de antibiótico, e a escolha é feita na consulta, entre os antibióticos que funcionam para essa bactéria. Veja como diferenciar a garganta inflamada por vírus ou por bactéria.

Usar um antibiótico que não funciona para a infecção dá a falsa impressão de tratamento, enquanto o quadro segue sem a conduta correta.

O que fazer se já existe uma prescrição de azitromicina?

Não interrompa nem troque sozinho um medicamento prescrito. O maior risco está em começar a azitromicina por conta própria, reutilizar uma receita antiga ou tomar o remédio de outra pessoa.

Se houver dúvida sobre uma prescrição para infecção de ouvido, nariz ou garganta, ou se os sintomas não melhoram, agende uma consulta com otorrino na OtoCare para uma reavaliação, em vez de acrescentar ou trocar antibióticos por conta própria.

Vídeo: azitromicina funciona para ouvido, nariz e garganta?

O vídeo apresenta, em menos de dois minutos, a orientação sobre o uso frequente de azitromicina em otites, sinusites e amigdalites e por que a automedicação atrapalha.

Perguntas frequentes

Azitromicina serve para dor de garganta?

Não. A azitromicina não é eficaz para as infecções bacterianas de garganta. Na maioria das vezes, a dor de garganta é causada por vírus. Quando há suspeita de bactéria, o teste rápido do estreptococo, feito na consulta, confirma o diagnóstico antes da escolha do antibiótico.

Azitromicina serve para sinusite?

Não. Com a resistência das bactérias ao longo dos anos, ela perdeu a ação na sinusite aguda bacteriana. E a maioria das sinusites é viral e não precisa de antibiótico nenhum.

Azitromicina serve para dor de ouvido?

Não. A azitromicina não é eficaz para as infecções bacterianas do ouvido, e a maioria das otites melhora sem antibiótico. O exame do ouvido define o tratamento.

Azitromicina ou amoxicilina para garganta?

Na amigdalite pelo estreptococo confirmada, a penicilina e a amoxicilina continuam sendo os tratamentos de escolha, segundo a diretriz da Sociedade de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. A escolha do antibiótico, inclusive para quem tem alergia, é feita na consulta.

Azitromicina serve para gripe?

Não. A gripe é causada por vírus, e antibiótico não trata vírus. Usar antibiótico sem necessidade aumenta a resistência das bactérias e altera o microbioma do intestino.

Azitromicina serve para tosse?

Não. A tosse da gripe e da sinusite vem, em geral, da inflamação causada por vírus, e o antibiótico não trata essa inflamação.

Benzetacil trata sinusite?

Não. O perfil das bactérias que causam a sinusite não é coberto pela penicilina benzatina, e por isso ela não trata a sinusite.

Dá para tomar a azitromicina que sobrou de outro tratamento?

Não. Um novo episódio pode ter outra causa, e a azitromicina não é eficaz para as infecções de ouvido, nariz e garganta. Além disso, sobras não garantem a quantidade nem o tempo de tratamento necessários.

Se a azitromicina já melhorou os sintomas antes, dá para repetir?

Não sem uma nova avaliação. A melhora anterior não confirma que o quadro atual seja igual nem que tenha sido causada pelo antibiótico. Repetir por conta própria pode atrasar o diagnóstico e favorecer a resistência das bactérias.

Placas na garganta ou secreção verde indicam azitromicina?

Não. Esses sinais sozinhos não escolhem o antibiótico. O conjunto dos sintomas, o tempo de evolução e o exame médico é que mostram se existe infecção bacteriana e qual tratamento faz sentido.

Quantos dias se toma azitromicina para sinusite, otite ou amigdalite? Qual é a dose?

Para as infecções de ouvido, nariz e garganta, a azitromicina não é a escolha, porque não é eficaz para elas, e por isso não há uma dose nem um número de dias para seguir por conta própria. Quando um antibiótico é de fato necessário, o medicamento, a dose e o tempo de uso vêm na receita, de acordo com o caso, e um tratamento mais curto do que o necessário é uma das causas de a sinusite bacteriana não curar por completo. Se já existe uma receita de azitromicina, não interrompa nem troque o remédio sozinho, e agende uma consulta na OtoCare para reavaliar. O que as diretrizes dizem sobre a duração do tratamento está na orientação sobre antibiótico para sinusite.

Azitromicina serve para otite, sinusite ou amigdalite em criança?

Não. Também na criança, a azitromicina não é eficaz para as infecções bacterianas de ouvido, nariz e garganta. A maior parte dessas infecções começa por vírus, e muitas melhoram sem antibiótico. Na sinusite bacteriana da criança, quando o antibiótico é necessário, a escolha e a dose, calculada pelo peso, são feitas na consulta. Como a infecção de ouvido evolui está na orientação sobre otite, e o que muda nos seios da face da criança, na orientação sobre sinusite em criança.

Qual é melhor para sinusite: azitromicina, amoxicilina com clavulanato ou levofloxacino?

Quando o antibiótico está indicado na sinusite bacteriana, a diretriz brasileira de rinossinusite mantém a amoxicilina, com ou sem clavulanato, como primeira opção. O levofloxacino fica reservado para quando não há outra opção, por causa dos efeitos adversos. A azitromicina perdeu a ação nessa infecção com a resistência das bactérias. A mesma diretriz cita os macrolídeos, a família da azitromicina, como alternativa para quem tem alergia grave à penicilina, uma situação avaliada caso a caso na consulta. Por que a escolha e o tempo de uso variam está na orientação sobre antibiótico para sinusite.

Azitromicina serve para infecção bacteriana ou viral?

A azitromicina é um antibiótico e age só sobre bactérias, sem efeito nenhum sobre vírus. Por isso, ela não trata sinusite viral, amigdalite viral nem resfriado. Nas infecções bacterianas de ouvido, nariz e garganta, ela também não é eficaz, por causa da resistência das bactérias. Como se reconhece o quadro bacteriano está nas orientações sobre quando a sinusite precisa de antibiótico e sobre garganta inflamada por vírus ou bactéria.

Em quanto tempo a azitromicina faz efeito?

Nas infecções de ouvido, nariz e garganta, não há um prazo de efeito a esperar, porque a azitromicina não é eficaz para elas. O quadro viral, que é a maioria, melhora sozinho e pode levar até duas semanas, com ou sem o remédio. Se ela foi prescrita e os sintomas não melhoram, agende uma reavaliação na OtoCare.

Azitromicina serve para otite externa?

Não. A otite externa é uma inflamação da pele do canal do ouvido, em geral por bactéria, e a diretriz americana de otorrinolaringologia indica as gotas aplicadas no ouvido como tratamento inicial. Antibiótico por via oral não entra no começo do tratamento e fica para quando a infecção passa do canal ou para pacientes com condições de saúde específicas, com a escolha feita na consulta. A azitromicina, além disso, não é eficaz para as infecções bacterianas de ouvido. Como reconhecer o quadro está na orientação sobre como identificar a otite externa.

Azitromicina serve para sinusite crônica?

Não como tratamento de infecção. A sinusite crônica é uma inflamação de longa duração, e uma revisão da Cochrane encontrou pouca evidência de que antibióticos tomados pela boca ajudem nesse quadro. A diretriz brasileira de rinossinusite cita o uso de macrolídeos, a família da azitromicina, em dose baixa e por longo tempo, pelo efeito anti-inflamatório, como opção em casos selecionados que não melhoraram com outros tratamentos. É uma decisão avaliada caso a caso na consulta, e não um remédio para tomar por conta própria. Como a sinusite crônica é tratada está na orientação sobre polipose nasal e sinusite crônica.

Azitromicina serve para rinite?

Não. A rinite alérgica é uma inflamação do nariz provocada pela alergia, e não por bactéria, e o antibiótico não age sobre ela. A rinite que vem com o resfriado é viral, e o consenso brasileiro de rinite registra que os estudos não mostraram benefício do antibiótico nem nela nem na coriza purulenta que às vezes aparece depois. Os pilares do cuidado estão na orientação sobre tratamento da rinite alérgica, e a diferença entre os dois quadros, na orientação sobre rinite e sinusite.

Azitromicina tem efeitos colaterais?

Tem. Ela pode causar enjoo, vômito, diarreia, dor de barriga e dor de cabeça e, como todo antibiótico, desequilibra a flora do intestino. Por isso, tomar azitromicina para uma infecção de ouvido, nariz ou garganta expõe aos efeitos do remédio sem trazer o benefício esperado.

Mais raramente, a azitromicina pode causar reações graves, descritas na bula do Zitromax® e no MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos. Uma é a alergia grave, com inchaço no rosto, nos lábios, na língua ou na garganta, chiado, falta de ar ou dificuldade para engolir. Outras são as reações graves de pele, como a síndrome de Stevens-Johnson, com manchas, bolhas, descamação ou feridas na boca, às vezes com febre. O remédio também pode alterar o ritmo do coração, com batimentos acelerados ou irregulares e desmaio, e causar uma inflamação do intestino pela bactéria C. difficile, com diarreia intensa, aquosa ou com sangue, que pode aparecer até dois meses ou mais depois do tratamento. Pele ou olhos amarelados e urina escura podem indicar inflamação do fígado. Diante de qualquer um desses sinais, a bula e o MedlinePlus orientam interromper o remédio, e esses sinais precisam de avaliação médica sem demora.

Referências

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