Otite externa: como identificar e o que fazer em casa

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Dor que piora ao tocar a orelha é um sinal típico de otite externa

A otite externa, também chamada de otite do nadador, é uma inflamação da pele do canal auditivo, entre a entrada do ouvido e o tímpano. O sinal mais característico é a dor que aparece ou piora quando se pressiona o trago, a pequena cartilagem localizada à frente da entrada do ouvido.

O quadro é comum depois de piscina, mar ou exposição prolongada à água. A umidade e a mudança do pH do canal favorecem a proliferação de bactérias e fungos. Pequenos machucados provocados por cotonete, dedo ou outros objetos também reduzem a proteção da pele.

Médica ao lado de mulher com dor nos ouvidos após contato com piscina

Se o ouvido já está doendo, não pingue álcool, óleo, receitas caseiras nem gotas antigas. Uma pele inflamada pode arder e piorar com substâncias irritantes, e a condição do tímpano só pode ser confirmada pelo exame.

Como identificar a otite externa?

Além da dor ao pressionar o trago, podem aparecer sensação de ouvido tampado ou abafado, impressão de que ainda existe água no canal, coceira e saída de secreção. A dor também pode incomodar durante a mastigação.

A diferença prática entre água retida e uma provável inflamação está principalmente na evolução. A água pode provocar abafamento e incômodo logo depois do mergulho, mas a sensação tende a passar. Na otite externa, a dor persiste ou piora e pode vir acompanhada dos outros sintomas.

O teste do trago é apenas uma pista e não substitui o exame. A otoscopia permite observar o canal e o tímpano, distinguir a otite externa de outros tipos de otite e escolher o tratamento adequado.

O que nunca fazer quando o ouvido já está doendo?

  • Não use cotonete. A haste pode provocar novas lesões na pele, empurrar a cera para dentro e aumentar a dor e o abafamento.
  • Não introduza o dedo, pinças ou outros objetos. A manipulação irrita o canal e pode aprofundar um machucado.
  • Não pingue álcool. O álcool pode ser irritante quando a pele já está ferida ou inflamada. Seu uso preventivo em ouvido saudável é uma situação diferente, explicada na orientação sobre como evitar otite externa.
  • Não use óleo, azeite ou remédios caseiros. Essas substâncias podem piorar a inflamação e dificultar o exame.
  • Não escolha gotas por conta própria. Alguns produtos não devem ser usados quando existe perfuração do tímpano. Entenda os riscos de pingar gotas em um ouvido dolorido.

O cotonete dentro do ouvido não retira a causa da sensação de água. Ele remove parte da proteção natural do canal e pode transformar o incômodo inicial em um trauma maior.

O que fazer inicialmente em casa?

No começo do quadro, estas medidas podem evitar a piora e, muitas vezes, já resolver uma otite externa inicial. Elas não substituem o tratamento quando a dor persiste, é intensa ou há secreção.

  1. Não pingue nem introduza nada: deixe o canal sem manipulação e interrompa a entrada de água.
  2. Seque apenas a entrada: encoste a ponta de uma toalha limpa ou de um lenço de papel na abertura do ouvido, sem empurrá-la para dentro.
  3. Incline a cabeça: mantenha o ouvido afetado voltado para baixo por alguns minutos, com a toalha ou o papel somente na entrada, para que a gravidade favoreça a saída da água.
  4. Use o secador com distância: mantenha-o a aproximadamente um palmo do ouvido, em temperatura morna e velocidade média. Puxe a orelha suavemente para trás e direcione o ar sem aproximar o aparelho.
  5. Faça calor local: aplique uma compressa morna e seca sobre a orelha por cinco a dez minutos. O calor ajuda a desinflamar e a tirar a dor, e pode ser repetido duas vezes ao dia ou mais.

Se a dor estiver forte, pode ser usado um analgésico comum que a pessoa já costuma tomar para dor de cabeça, como dipirona, paracetamol ou ibuprofeno, enquanto aguarda atendimento. Não improvise uma medicação nova e não use o alívio temporário para adiar a avaliação se os sinais de alerta estiverem presentes.

Quando existe apenas sensação de água logo após a piscina e nenhuma dor persistente, consulte a orientação específica sobre como tirar água do ouvido.

Quando procurar atendimento médico?

Procure avaliação se a dor for intensa, impedir o sono, permanecer por vários dias, continuar piorando ou vier acompanhada de secreção. Dor que não melhora depois de três a cinco dias, mesmo com os cuidados iniciais, também precisa de exame.

O atendimento presencial é importante porque o canal pode inchar e ficar muito estreito. Também é necessário verificar o tímpano antes de escolher qualquer gota. Não tente limpar secreção no fundo do ouvido nem forçar a entrada de medicamento. Na consulta na OtoCare, o canal e o tímpano são examinados antes da indicação do tratamento.

Como é feito o tratamento da otite externa?

O tratamento definitivo costuma usar gotas otológicas com ação antibiótica e anti-inflamatória, escolhidas depois que o canal e o tímpano são examinados. A avaliação define se existe infecção, quanto o canal está inchado e qual produto pode ser usado com segurança.

As medidas caseiras desta página ajudam no cuidado inicial e no alívio, mas não substituem a prescrição quando a dor persiste, existe secreção ou o canal está muito inflamado.

Vídeo: como reconhecer e cuidar inicialmente da otite externa

O vídeo abaixo mostra onde pressionar o trago, como diferenciar a sensação passageira de água da dor persistente e como usar toalha, inclinação da cabeça, secador e calor local sem colocar objetos ou líquidos no canal.

Perguntas frequentes

Otite externa é contagiosa?

Não. A otite externa não passa de uma pessoa para outra. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, ela costuma ser causada por bactérias presentes na água ou na própria pele, que se multiplicam quando a umidade e pequenas lesões enfraquecem a proteção do canal.

Em quanto tempo o tratamento costuma aliviar os sintomas?

Com as gotas prescritas, a dor costuma começar a melhorar nos primeiros dias. Se não houver resposta em 48 a 72 horas, a diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia orienta reavaliar o ouvido, para confirmar o diagnóstico e ajustar o tratamento.

Otite externa pode curar sozinha?

No começo, muitas vezes sim, sem remédio. Secar a entrada do ouvido, usar calor local e não colocar nada no canal pode resolver uma otite externa inicial. Quando a dor continua depois de alguns dias, fica muito forte ou aparece secreção, o tratamento costuma precisar de gotas prescritas.

Otite externa dá febre?

Em geral, não. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a febre não costuma estar presente na otite externa. O sintoma principal é a dor no canal, que piora ao pressionar o trago.

Qual é o CID da otite externa?

Na CID-10, a otite externa está no código H60, dentro das doenças do ouvido externo. A forma difusa, que inclui o chamado ouvido dos nadadores, fica em H60.3.

Qual a diferença entre otite externa, média e interna?

A diferença está no lugar da inflamação. A otite externa atinge a pele do canal do ouvido, antes do tímpano, costuma surgir depois de piscina, mar ou cotonete e dá dor que piora ao tocar a orelha, em geral sem febre. A otite média fica atrás do tímpano, é mais comum em crianças e costuma aparecer depois de gripe ou resfriado. A chamada otite interna atinge o labirinto, a parte do ouvido ligada ao equilíbrio, e pode levar à labirintite, com tontura. Cada tipo de otite tem causa e tratamento próprios.

Criança e bebê podem ter otite externa?

Podem. A otite externa acontece em qualquer idade e é mais frequente em crianças em idade escolar, adolescentes e adultos jovens. A criança pequena, que ainda não sabe explicar a dor, costuma mexer ou puxar a orelha, ficar irritada e inquieta e comer menos. Em casa, valem os mesmos cuidados de não usar cotonete e não pingar nada no ouvido. Na criança e no bebê, o remédio para dor, a dose e as gotas são indicados na consulta, depois do exame do canal e do tímpano.

O que é otite externa maligna? É câncer?

Não é câncer. Apesar do nome, a otite externa maligna, também chamada de necrotizante, é uma infecção rara e grave do canal do ouvido que se espalha para os tecidos vizinhos e para o osso da base do crânio. Ela atinge sobretudo pessoas mais velhas com diabetes ou com a imunidade baixa, como quem faz quimioterapia. Dor muito forte e profunda, que não cede nem com analgésico, secreção que continua apesar das gotas e paralisia de um lado do rosto precisam de avaliação médica sem demora.

Otite externa é grave? Pode causar surdez ou meningite?

Na grande maioria das vezes, não. A infecção fica na pele do canal e, com as gotas prescritas, costuma se resolver em sete a dez dias. A audição pode ficar abafada enquanto o canal está inchado ou cheio de secreção, porque o som tem dificuldade de passar. Complicações que chegam ao osso da base do crânio e ao cérebro, como a meningite, são raras e aparecem na forma maligna, em pessoas com diabetes ou imunidade baixa.

Quais são os tipos de otite externa?

A forma mais comum é a otite externa aguda difusa, o chamado ouvido de nadador, causada quase sempre por bactérias. A otomicose é a otite externa por fungos, com mais coceira e uma secreção grossa no canal, e muitas vezes não melhora com as gotas de antibiótico. Na forma eczematosa ou crônica, a coceira domina e dura meses, ligada a eczema, psoríase, seborreia ou alergia a metais e plásticos de brincos, fones e aparelhos auditivos. O furúnculo é uma infecção localizada, parecida com uma espinha dentro do canal. O tipo é definido no exame, porque o tratamento muda de um para outro.

Com otite externa, pode molhar o ouvido, ir à piscina ou usar fone?

Enquanto a otite externa não melhora, o ideal é não nadar e evitar que a água do banho e o xampu entrem no ouvido. No banho, um algodão com óleo ou vaselina na entrada do ouvido protege o canal, como mostra a orientação sobre como proteger o ouvido no banho. Fones que entram no canal e tampões também devem ficar de lado nesse período, porque podem irritar a pele inflamada e estão entre os fatores de risco da otite externa.

Por que a otite externa volta ou demora a sarar?

Quando volta, em geral algum fator continua agredindo o canal, como água que entra com frequência, cotonete, coçar o ouvido com o dedo ou com objetos, uso diário de fone ou aparelho auditivo e doenças de pele como eczema, psoríase e seborreia. Quando não sara, pode ser fungo, que não responde às gotas de antibiótico, gota aplicada de forma incorreta ou outro diagnóstico, por isso o ouvido precisa ser examinado de novo. As medidas para reduzir as recaídas estão na orientação sobre como evitar otite externa. Nos casos que se repetem, a consulta avalia também o uso de tampões próprios para natação.

Pode lavar ou limpar o ouvido com otite externa?

Em casa, não. Seringa, água, soro, água oxigenada ou cotonete dentro do canal irritam ainda mais a pele inflamada, e o estado do tímpano só é conhecido pelo exame. A limpeza da secreção faz parte do tratamento, mas é feita pelo médico, com o canal visto de perto, para que as gotas cheguem à pele. Por fora, basta limpar a orelha com algodão, sem entrar no canal. Os riscos da lavagem caseira estão na orientação sobre lavar o ouvido em casa.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Otite externa: como identificar e como tratar inicialmente em casa! YouTube, 28 jan. 2026. 1 vídeo (9 min 53 s). Disponível em: https://youtu.be/rLYE7YxTWzc. Acesso em: 1 out. 2026.
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Otite externa ou otite do nadador. Rio de Janeiro: SBP, dez. 2023. Disponível em: https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/doencas/otite-externa-ou-otite-do-nadador/. Acesso em: 1 out. 2026.
  3. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Preventing swimmer’s ear. Atlanta: CDC, 28 maio 2025. Disponível em: https://www.cdc.gov/healthy-swimming/prevention/preventing-swimmers-ear.html. Acesso em: 1 out. 2026.
  4. AMERICAN ACADEMY OF OTOLARYNGOLOGY–HEAD AND NECK SURGERY FOUNDATION. Updated clinical practice guideline: acute otitis externa — press release and fact sheet. Alexandria: AAO-HNSF, 3 fev. 2014. Disponível em: https://www.entnet.org/resource/aao-hnsf-updated-cpg-acute-otitis-externa-press-release-fact-sheet/. Acesso em: 1 out. 2026.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. CID-10: H60-H62, doenças do ouvido externo. Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/h60_h62.htm. Acesso em: 1 out. 2026.
  6. NATIONAL HEALTH SERVICE. Ear infections. Londres: NHS, 16 jan. 2025. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/ear-infections/. Acesso em: 1 out. 2026.
  7. JACKSON, Edward A.; GEER, Kamini. Acute otitis externa: rapid evidence review. American Family Physician, v. 107, n. 2, p. 145-151, fev. 2023. Disponível em: https://www.aafp.org/afp/2023/0200/acute-otitis-externa. Acesso em: 1 out. 2026.
  8. AHMED, A. A. et al. The diagnostic conundrum in necrotizing otitis externa. World Journal of Otorhinolaryngology – Head and Neck Surgery, v. 10, n. 1, p. 59-65, mar. 2024. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10979047/. Acesso em: 1 out. 2026.

Avaliação de dor de ouvido em Brasília

Se a dor persistir, houver secreção ou o ouvido estiver muito inchado, uma consulta com otorrino em Brasília permite examinar o canal e o tímpano e indicar o tratamento adequado.

Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479

Veja todas as orientações aos pacientes da OtoCare.