Coqueluche: sintomas, diagnóstico, tratamento e vacina

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Uma tosse que começa como resfriado e pode durar meses

A coqueluche é uma infecção respiratória contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis. Ela começa como um resfriado e evolui para uma tosse que fica cada vez mais intensa e pode durar meses. A melhor forma de prevenção é a vacina.

No início, o quadro é parecido com o de um resfriado: nariz congestionado, mais secreção, dor de cabeça e febre baixa. Depois surge a tosse, o principal sintoma. Ela começa leve e vai piorando até ficar muito forte. No quadro clássico, os acessos de tosse são tão intensos que provocam vômito. Essa tosse persistente pode se prolongar por meses, o que torna a doença muito desgastante.

Mulher de óculos tosse com a mão na boca e outra no peito, ao lado de médica de vestido rosa

Mais grave em bebês

A coqueluche pode ter formas graves, principalmente em crianças pequenas e, sobretudo, nas menores de 6 meses, que ainda não completaram a vacinação. Nelas, a doença pode levar a complicações e até à morte. Por isso, a proteção dos bebês depende da vacina da gestante e da vacinação em dia das pessoas que convivem com eles.

Por que a coqueluche voltou a preocupar

Depois da introdução da vacina, os casos caíram e a doença ficou bem controlada. Em 2024, porém, o quadro mudou:

  • No Brasil: os casos chegaram ao maior número em uma década, com aumento importante em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, e o país voltou a registrar mortes pela doença, depois de três anos sem óbitos, de 2021 a 2023.
  • Na Europa: em maio de 2024, o centro europeu de controle de doenças alertou para o aumento de casos em pelo menos 17 países da União Europeia.

Um dos motivos é que a vacinação ficou abaixo do nível considerado ideal nos últimos anos, com menor adesão ao Programa Nacional de Imunizações.

Como a coqueluche é transmitida

A transmissão acontece pelas gotículas respiratórias: estar perto de alguém com coqueluche enquanto a pessoa fala, tosse ou espirra já pode ser suficiente. É uma das doenças mais contagiosas que existem. Estima-se que uma pessoa doente possa transmitir a bactéria para até 17 pessoas que não estejam protegidas.

Como é feito o diagnóstico

Só pelos sintomas, é difícil diferenciar a tosse da coqueluche da tosse de uma sinusite ou de uma pneumonia, até mesmo para o médico. A tosse muito intensa, às vezes com vômito depois dos acessos, é característica, mas não basta para fechar o diagnóstico. Por isso, diante de uma tosse importante, a coqueluche deve entrar entre as hipóteses e ser investigada com um exame específico. A orientação sobre tosse de sinusite mostra como é a tosse que vem do nariz.

  • PCR da secreção respiratória: confirma a presença da bactéria e é o método mais usado atualmente.
  • Cultura: também pode confirmar o diagnóstico, mas o resultado demora mais.

Como é o tratamento

Com o diagnóstico confirmado, a coqueluche é tratada com antibióticos específicos, o que ajuda a controlar melhor o quadro. A escolha do antibiótico e a duração do tratamento são definidas na consulta na OtoCare.

A vacina é a principal forma de prevenção

A vacina contra a coqueluche faz parte do Programa Nacional de Imunizações. O calendário é este:

  • Crianças: três doses da vacina pentavalente, aos 2, 4 e 6 meses. Ela protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e a bactéria Haemophilus influenzae tipo b.
  • Reforços na infância: aos 15 meses e aos 4 anos.
  • Gestantes: uma dose a cada gestação, a partir da 20ª semana. Os anticorpos passam para o bebê e o protegem depois do nascimento, até ele começar a própria vacinação.
  • Profissionais de saúde: vacinação indicada, com reforço a cada 10 anos.

A vacina não dá uma proteção definitiva. Com o tempo, a imunidade recebida pela vacina, ou até pela própria doença, diminui. É por isso que adolescentes e adultos podem pegar coqueluche e por que a revacinação a cada 10 anos é importante. A vacina está disponível no SUS e em clínicas privadas de vacinação.

Se você tem filhos, mantenha a vacinação deles em dia: a coqueluche pode ser muito grave nas crianças.

Vídeo: coqueluche, sintomas, diagnóstico e vacina

O vídeo abaixo apresenta os sintomas da coqueluche, como ela é transmitida, como se confirma o diagnóstico e o calendário da vacina.

Perguntas frequentes

Adulto vacinado na infância pode pegar coqueluche?

Pode. A proteção da vacina, e também a da doença, diminui com o tempo. Por isso adolescentes e adultos podem ter coqueluche, e o reforço a cada 10 anos é importante.

Como é feito o exame da coqueluche?

O exame mais usado é o PCR de uma amostra da secreção respiratória, que confirma a presença da bactéria. A cultura também confirma, mas o resultado demora mais.

Gestante precisa tomar vacina contra coqueluche?

Sim. A recomendação é uma dose a cada gestação, a partir da 20ª semana. Os anticorpos passam para o bebê e o protegem nos primeiros meses de vida, a fase em que a coqueluche é mais grave.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Coqueluche: sintomas, diagnóstico, prevenção, tratamento e vacina! YouTube, 31 ago. 2024. 1 vídeo (8 min 1 s). Disponível em: https://youtu.be/EZvzvuIWVGw. Acesso em: 23 set. 2026.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Coqueluche. Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/coqueluche. Acesso em: 23 set. 2026.
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 70/2024-DPNI/SVSA/MS: alerta sobre a ocorrência de surtos de coqueluche e recomendações de vacinação. Brasília, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2024/nota-tecnica-conjunta-no-70-2024-dpni-svsa-ms.pdf. Acesso em: 23 set. 2026.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Coqueluche: situação epidemiológica. Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/coqueluche/situacao-epidemiologica. Acesso em: 23 set. 2026.
  5. EUROPEAN CENTRE FOR DISEASE PREVENTION AND CONTROL. Increase of pertussis cases in the EU/EEA. Estocolmo: ECDC, maio 2024. Disponível em: https://www.ecdc.europa.eu/sites/default/files/documents/Increase%20in%20pertussis%20cases%20in%20the%20EU-EEA%20-%20May%202024%20FINAL.pdf. Acesso em: 23 set. 2026.
  6. KILGORE, Paul E. et al. Pertussis: microbiology, disease, treatment, and prevention. Clinical Microbiology Reviews, v. 29, n. 3, p. 449–486, 2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27029594/. Acesso em: 23 set. 2026.

Avaliação da tosse em Brasília

Se a tosse está muito intensa, vem em acessos ou não passa, uma consulta com otorrino na OtoCare investiga a causa, avalia a necessidade do exame para coqueluche e define o tratamento. Quando a tosse já dura mais de oito semanas, veja também a orientação sobre tosse crônica.

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