Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Um questionário de 10 perguntas para a dificuldade de engolir
O EAT-10 é um questionário de 10 perguntas que ajuda a perceber se a dificuldade para engolir merece avaliação. Cada pergunta vale de 0 a 4 pontos, e um total de 3 pontos ou mais é considerado alterado. O nome vem do inglês Eating Assessment Tool, ferramenta de avaliação da alimentação.
O questionário foi criado em 2008 por especialistas em deglutição nos Estados Unidos e ganhou uma versão brasileira em 2013. É autoaplicado: a própria pessoa responde, em poucos minutos. As 10 frases falam de perda de peso, de comer fora de casa, do esforço para engolir líquidos, sólidos e remédios, de dor, do prazer de comer, de comida presa na garganta, de tosse ao comer e do estresse na hora de engolir.

Como responder e somar os pontos
Para cada frase, escolha um número de 0 a 4: 0 significa que aquilo não é um problema, e 4, que é um problema muito grande. Pense em como você engole hoje. A pontuação final é a soma das 10 respostas e vai de 0 a 40.
A ferramenta online do EAT-10 faz a soma, mostra a faixa do resultado e os itens que mais pesaram.
O que significa a pontuação
| Pontuação | Leitura |
|---|---|
| 0 a 2 | Dentro do esperado |
| 3 a 15 | Sugere disfagia: vale fazer uma avaliação |
| Acima de 15 | Sugere disfagia com maior risco de aspiração |
O ponto de corte de 3 pontos vem do estudo que criou o questionário. Nele, as pessoas sem queixa de deglutição tiveram média de 0,4 ponto, enquanto as pessoas com disfagia ficaram em torno de 23 pontos.
Acima de 15 pontos: mais risco de aspiração
Aspiração é a entrada de alimento, líquido ou saliva nas vias respiratórias. Um estudo com 360 pessoas com disfagia comparou o EAT-10 com um exame de imagem da deglutição. Quem somou mais de 15 pontos teve 2,2 vezes mais chance de aspirar.
O mesmo estudo mostra um limite: a pontuação acima de 15 identificou 71% das pessoas que aspiravam. Ou seja, cerca de 3 em cada 10 aspiravam com pontuação menor. Por isso, uma pontuação abaixo de 15 não afasta o risco de aspiração em quem já tem queixa para engolir.
Por que o corte é de 3 pontos
O corte de 3 pontos é o validado no estudo original e na versão brasileira, e é o usado na ferramenta da OtoCare. Um estudo feito com pacientes que já tinham queixa de deglutição encontrou melhor desempenho com o corte de 2 pontos. Na prática, isso significa que 2 pontos, somados a sintomas como engasgos ou tosse ao comer, também merecem atenção.
Para acompanhar o tratamento
O EAT-10 também serve para medir a evolução. No estudo original, a média de quem tinha disfagia caiu de cerca de 20 para cerca de 5 pontos depois do tratamento. Responder o questionário no início e repetir ao longo do tratamento mostra, em números, se a dificuldade para engolir está diminuindo. A ferramenta online permite comparar o resultado atual com uma pontuação anterior.
Os limites do EAT-10
- Não faz diagnóstico. O questionário mostra que existe uma queixa, mas não diz a causa nem onde está a dificuldade.
- Depende do que a pessoa percebe. Quem não sente os engasgos, ou tem dificuldade para entender as perguntas, pode somar poucos pontos mesmo com alteração na deglutição.
- Não substitui o exame. A confirmação vem da avaliação da deglutição.
Depois do questionário
Com 3 pontos ou mais, o próximo passo é a avaliação com otorrino na OtoCare. A videoendoscopia da deglutição mostra o que acontece na garganta enquanto a pessoa engole, e o atendimento domiciliar atende quem tem dificuldade de sair de casa. Os sinais de alerta, as causas e as complicações estão na orientação sobre disfagia.
Perguntas frequentes
Qual é a pontuação normal do EAT-10?
De 0 a 2 pontos. A partir de 3 pontos, o resultado é considerado alterado e indica que a dificuldade para engolir merece avaliação.
O EAT-10 substitui o exame da deglutição?
Não. O questionário é um rastreio: mostra se existe uma queixa, mas não diz a causa nem onde está a dificuldade. A confirmação vem da avaliação da deglutição, como a videoendoscopia.
Posso responder o EAT-10 por um familiar?
O questionário foi feito para ser respondido pela própria pessoa. Um familiar pode ajudar a ler as frases e anotar, desde que as respostas reflitam o que a pessoa sente. Quando ela não consegue responder, o caminho é a avaliação direta da deglutição.
Referências
- BELAFSKY, Peter C. et al. Validity and reliability of the Eating Assessment Tool (EAT-10). Annals of Otology, Rhinology & Laryngology, v. 117, n. 12, p. 919–924, 2008. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19140539/. Acesso em: 23 set. 2026.
- GONÇALVES, Maria Inês Rebelo; REMAILI, Carla Bogossian; BEHLAU, Mara. Equivalência cultural da versão brasileira do Eating Assessment Tool – EAT-10. CoDAS, v. 25, n. 6, p. 601–604, 2013. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24626972/. Acesso em: 23 set. 2026.
- CHENEY, Derek M. et al. The ability of the 10-item Eating Assessment Tool (EAT-10) to predict aspiration risk in persons with dysphagia. Annals of Otology, Rhinology & Laryngology, v. 124, n. 5, p. 351–354, 2015. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25358607/. Acesso em: 23 set. 2026.
- ROFES, Laia et al. Sensitivity and specificity of the Eating Assessment Tool and the Volume-Viscosity Swallow Test for clinical evaluation of oropharyngeal dysphagia. Neurogastroenterology & Motility, v. 26, n. 9, p. 1256–1265, 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24909661/. Acesso em: 23 set. 2026.
Avaliação da deglutição em Brasília
Se o EAT-10 deu 3 pontos ou mais, ou se há engasgos e tosse ao comer, uma consulta com otorrino na OtoCare investiga a causa e define o tratamento.
Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479
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