Tipos de perda auditiva: condutiva, neurossensorial e mista

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

O que significa perda auditiva condutiva, neurossensorial ou mista

Quem tem perda auditiva provavelmente já leu na audiometria, ou no laudo do otorrino, as palavras perda auditiva condutiva, neurossensorial ou mista. Elas indicam o tipo da perda, e o tipo diz em que parte do ouvido está o problema.

Existem três tipos de perda auditiva. Essa classificação é feita de acordo com o local do ouvido afetado pelo problema que causa a perda. Na perda condutiva, o problema está na orelha externa, na orelha média ou nas duas. Na neurossensorial, está na orelha interna, no nervo auditivo ou em ambos. Na mista, as duas partes estão afetadas ao mesmo tempo.

Médica otorrinolaringologista Larissa Vilela aponta para a orelha, ao lado de um desenho da anatomia do ouvido e de um idoso com fones de ouvido amarelos

Saber o tipo muda muita coisa. Ele aponta as causas mais prováveis, orienta os exames seguintes e ajuda a responder uma dúvida muito comum no consultório, se aquela perda tem tratamento.

Como o som chega do ouvido ao cérebro

Para entender os tipos de perda auditiva, é preciso conhecer o caminho do som, da orelha até a compreensão no cérebro.

  • Orelha externa. O pavilhão auricular, a parte de fora da orelha, e o canal auditivo externo captam o som do ambiente, fazem uma pequena amplificação e levam a onda sonora até o tímpano.
  • Orelha média. O tímpano e os ossículos da audição, a cadeia ossicular, ficam na caixa timpânica. Eles captam as vibrações do som, amplificam essa energia e a transmitem para a cóclea.
  • Orelha interna. A cóclea transforma a vibração mecânica em estímulos elétricos. Ela também amplifica e decodifica o som. Na orelha interna fica ainda o labirinto, ligado ao equilíbrio.
  • Nervo auditivo e cérebro. Os estímulos elétricos seguem pelo nervo auditivo até o córtex cerebral, onde o som é compreendido.

Na cóclea, cada região responde a uma faixa de sons. A base da cóclea capta os sons agudos, e o ápice, no centro da espiral, os graves. Um problema em qualquer ponto desse caminho pode causar perda auditiva, e é o ponto afetado que define o tipo.

Perda auditiva condutiva

A perda auditiva condutiva acontece quando um problema na orelha externa, na orelha média ou nas duas atrapalha a condução do som até a cóclea. O som chega com menos força à orelha interna, mas a cóclea e o nervo funcionam. Daí vem o nome condutiva.

As causas mais comuns incluem:

  • alterações do canal auditivo externo, como a atresia, em que o canal é fechado desde o nascimento, e a estenose, em que ele é estreito;
  • a rolha de cera de ouvido, que fecha o canal;
  • a perfuração no tímpano;
  • a secreção ou o líquido atrás do tímpano, como na otite média secretora, causa frequente de perda condutiva nas crianças;
  • as lesões da cadeia ossicular, por exemplo depois de uma otite média crônica ou de um colesteatoma;
  • a otosclerose, que fixa um dos ossículos e deixa o tímpano com aspecto normal.

Muitas causas de perda condutiva têm tratamento. A cera é removida, a otite é tratada, e várias alterações do tímpano e dos ossículos podem ser corrigidas com cirurgia. Quando a causa não pode ser corrigida, o aparelho auditivo ou os aparelhos de condução óssea levam o som até a cóclea. Um deles já vem na haste dos óculos, o óculos com aparelho auditivo de condução óssea.

Perda auditiva neurossensorial

A perda auditiva neurossensorial, também chamada de sensorioneural, acontece por problemas na orelha interna ou no nervo auditivo. O nome junta as duas partes que podem estar afetadas. A parte sensorial é a cóclea, que capta o som e o transforma em sinal elétrico. A parte neural é o nervo auditivo, que leva esse sinal ao cérebro.

É o tipo mais comum de perda auditiva. Entre as causas estão:

  • o envelhecimento, na surdez com a idade, a presbiacusia;
  • a exposição a ruído intenso;
  • remédios que podem lesar a orelha interna, os chamados ototóxicos;
  • causas genéticas e infecções, como meningite, caxumba e sarampo;
  • a doença de Ménière;
  • o neurinoma do acústico, um tumor benigno do nervo da audição e do equilíbrio, exemplo de perda de origem neural.

Na maior parte dos casos, a perda neurossensorial é definitiva, porque as células da cóclea e as fibras do nervo não se regeneram. Ela tem, porém, reabilitação. O aparelho auditivo amplifica o som para a cóclea que ainda funciona, e nas perdas severas e profundas o implante coclear estimula diretamente o nervo auditivo.

A exceção importante é a surdez súbita, uma perda neurossensorial que aparece de uma hora para outra, em geral em um ouvido. Parte dos pacientes recupera a audição, e o tratamento funciona melhor quando começa cedo. Diante de uma perda repentina, agende pelo WhatsApp e informe o sintoma para ter atendimento prioritário na OtoCare.

Perda auditiva mista

A perda auditiva mista é a combinação de uma perda condutiva com uma perda neurossensorial no mesmo ouvido. Para existir, é preciso haver ao mesmo tempo uma alteração na orelha externa ou média e uma alteração na cóclea ou no nervo auditivo.

Um exemplo é a otosclerose, que começa fixando o ossículo e causando perda condutiva e, em alguns pacientes, passa a atingir também a cóclea, somando um componente neurossensorial.

O tratamento olha para as duas partes. O componente condutivo pode ter correção, com remédio ou cirurgia, e o componente neurossensorial é reabilitado com aparelho auditivo.

O vídeo abaixo explica a perda auditiva mista em um modelo anatômico do ouvido, mostrando as duas partes que precisam estar afetadas ao mesmo tempo.

Como a audiometria mostra o tipo da perda

O tipo da perda aparece na audiometria pela comparação de duas medidas. A via aérea mede a audição pelo fone, com o som passando pelo canal, pelo tímpano e pelos ossículos. A via óssea mede a audição com um vibrador atrás da orelha, que faz o som chegar à cóclea pelo osso do crânio, sem passar pela orelha externa e pela média.

A diferença entre as duas é chamada de gap aéreo-ósseo. O guia do Conselho Federal de Fonoaudiologia, com base na classificação de Silman e Silverman, descreve assim:

  • condutiva: a via óssea está normal, a via aérea está alterada e a diferença entre elas é de 15 dB ou mais;
  • neurossensorial: as duas vias estão alteradas e praticamente juntas, com diferença de até 10 dB;
  • mista: as duas vias estão alteradas e a diferença entre elas é maior que 10 dB.

Na consulta, o otorrino pode usar também o diapasão, nos testes de Weber e de Rinne. No teste de Weber, o som do diapasão apoiado na testa tende a ser ouvido mais no ouvido com perda condutiva e mais no ouvido bom quando a perda do outro lado é neurossensorial. No teste de Rinne, o otorrino compara, em cada ouvido, a audição do som pelo ar e pelo osso, o que ajuda a identificar a perda condutiva. Os testes ajudam no raciocínio, mas não substituem a audiometria.

Tipo, grau e lado da perda auditiva

O tipo não diz quanto a pessoa ouve. Essa informação é o grau da perda, que vai de leve a profundo, chegando à perda completa, e é explicado na orientação sobre graus de surdez. O laudo também informa se a perda é unilateral, em um ouvido, ou bilateral, nos dois. Uma perda pode ser, por exemplo, neurossensorial bilateral de grau moderado.

Algumas listas falam em quatro tipos de perda auditiva, acrescentando a perda central. Nela, o ouvido capta o som, mas o cérebro tem dificuldade para processar o que ouve, como no transtorno do processamento auditivo central. Na classificação usada na audiometria, os tipos são três.

O tipo, o grau e o lado da perda são registrados no laudo, como explica a orientação sobre laudo de surdez. O código CID muda conforme o tipo e o lado, mas o tipo não define se a perda é considerada deficiência. Isso depende do grau e, quando só um ouvido é afetado, de a perda ser total, como mostra a orientação sobre CID de PCD auditivo.

Vídeo: tipos de perdas auditivas

O vídeo abaixo mostra, em um modelo anatômico do ouvido, o caminho do som e onde fica o problema em cada tipo de perda auditiva.

Perguntas frequentes

Quais são os três tipos de perda auditiva?

Condutiva, neurossensorial e mista. A condutiva vem de problemas na orelha externa ou média, a neurossensorial da orelha interna ou do nervo auditivo, e a mista junta as duas.

Perda auditiva sensorioneural e neurossensorial são a mesma coisa?

São. Os dois nomes descrevem a mesma perda, causada por problemas na cóclea ou no nervo auditivo.

Qual a diferença entre perda auditiva condutiva e neurossensorial?

O local do problema. Na condutiva, o som não chega bem à cóclea por um problema no canal, no tímpano ou nos ossículos. Na neurossensorial, o som chega, mas a cóclea ou o nervo não conseguem transformá-lo e levá-lo ao cérebro como deveriam.

Perda auditiva condutiva tem cura?

Muitas vezes tem tratamento. A cera pode ser removida, a otite tratada e várias alterações do tímpano e dos ossículos corrigidas com cirurgia. Quando a causa não pode ser corrigida, a audição é reabilitada com aparelho.

Perda auditiva neurossensorial tem cura?

Na maior parte dos casos, a perda é definitiva, mas tem reabilitação com aparelho auditivo ou implante coclear. A surdez súbita é a exceção em que parte dos pacientes recupera a audição, principalmente com tratamento precoce.

Perda auditiva mista tem cura?

O componente condutivo pode ter correção, e o neurossensorial costuma ser definitivo. Por isso a audição pode melhorar em parte com o tratamento da causa, e o restante é reabilitado com aparelho.

Qual é o tipo de perda auditiva mais comum?

A neurossensorial, que responde pela maior parte das perdas auditivas.

A perda auditiva neurossensorial pode piorar?

Depende da causa. A perda que vem com a idade tende a avançar aos poucos, e outras podem ficar estáveis. O acompanhamento com audiometria mostra se houve piora.

Quem tem perda neurossensorial pode usar aparelho auditivo?

Pode. O aparelho auditivo é o principal tratamento da perda neurossensorial, e o implante coclear entra quando a perda é severa ou profunda e o aparelho já não ajuda o suficiente.

Criança pode ter perda auditiva condutiva?

Pode, e é comum. A causa mais frequente na infância é o líquido atrás do tímpano da otite média secretora. Muitas vezes o líquido desaparece sozinho, e a orientação é acompanhar por três meses, com avaliação da audição.

O que é perda auditiva bilateral?

É a perda que atinge os dois ouvidos. Quando só um ouvido é afetado, a perda é unilateral.

Perda auditiva condutiva é considerada PCD?

O tipo não define isso. O que decide é o grau medido na audiometria e, quando só um ouvido é afetado, se a perda é total, qualquer que seja o tipo.

Existe um quarto tipo de perda auditiva?

Algumas listas incluem a perda central, em que o cérebro tem dificuldade para processar o som. Na classificação da audiometria, os tipos são três.

Surdez súbita é que tipo de perda auditiva?

É uma perda neurossensorial que aparece de repente. Ela precisa ser avaliada o quanto antes, porque o tratamento precoce aumenta a chance de recuperar a audição.

Referências

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Avaliação da audição na OtoCare, em Brasília

Segundo o Ministério da Saúde, mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo têm algum grau de perda auditiva. Descobrir o tipo da sua perda é o primeiro passo para saber se ela tem correção ou qual é a melhor forma de reabilitar a audição. A OtoCare, no Noroeste de Brasília, faz a consulta com otorrino e a audiometria na própria clínica.

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