Doença mão-pé-boca: o que é, sintomas, transmissão e tratamento

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Febre e bolhinhas na boca, nas mãos e nos pés

A doença mão-pé-boca é uma causa muito comum de inflamação na garganta das crianças. Ela começa com febre alta, a criança fica abatida e para de comer, e alguns dias depois aparecem bolhinhas muito doloridas na boca, nas mãos e nos pés.

É uma doença causada por vírus, bem contagiosa, que se espalha com facilidade na creche e na escola. Na maioria das vezes melhora sozinha, e o tratamento serve para aliviar a dor, controlar a febre e manter a criança bem hidratada enquanto o corpo elimina o vírus.

Dorso de mão com pequenas bolhas avermelhadas da doença mão-pé-boca ao lado de mulher que mostra as costas das mãos

O que é a doença mão-pé-boca

A doença mão-pé-boca é uma enterovirose, uma infecção causada por um vírus da família dos enterovírus. Em geral o responsável é o vírus Coxsackie, e algumas vezes é o enterovírus 71. O nome vem dos lugares onde as lesões costumam aparecer.

Ela atinge principalmente crianças de até 12 anos e é muito mais comum nas menores de 5 anos, as criancinhas que estão na creche ou no começo da escola. A transmissão é alta. Quando um colega da sala está com a doença, a chance de os outros pegarem é muito grande.

Sintomas: como a doença mão-pé-boca começa

Os sintomas aparecem de um a sete dias depois do contato com o vírus, segundo o Ministério da Saúde. O quadro costuma começar com febre, em geral alta, de 38 a 39 graus. A criança fica muito abatida, quieta, prostrada, e perde o apetite a ponto de não comer nada. Nessa fase, os pais ficam preocupados com a febre e com a criança sem se alimentar.

De um a quatro dias depois do começo da febre surgem as lesões, tanto na boca quanto na pele. Elas começam como carocinhos e depois viram pequenas bolhas, as vesículas. Por isso o nome técnico é lesão papulovesicular. São bem pequenas, em geral de 3 a 7 milímetros, e doem bastante e coçam. A dor no lugar das lesões é uma característica clássica da doença.

Onde aparecem as lesões da mão-pé-boca

Na pele, as lesões costumam aparecer nas mãos e nos pés, e daí vem o nome da doença. Algumas vezes aparecem também em outras partes do corpo, como a região da fralda do bebê, as nádegas, a região genital e, com menos frequência, os joelhos e as pernas. Alguns tipos do vírus Coxsackie espalham as feridas por mais partes do corpo.

Na boca, as lesões ficam nas gengivas, na língua, na úvula, a campainha, e no céu da boca, o palato. A criança sente dor e muitas vezes não sabe explicar direito, e diz que está com dor de garganta. Muitas vezes as bolhinhas da boca estouram, viram feridinhas parecidas com aftas e formam pequenas placas por cima, o que atrapalha ainda mais para comer e beber.

Na garganta, parece bactéria, mas é vírus

Quando os pais olham a boca da criança e veem a região cheia de lesões, muitas vezes com plaquinhas por cima, é comum achar que é uma infecção por bactéria. A doença mão-pé-boca é causada por vírus, e o antibiótico não trata a infecção nem acelera a melhora.

A placa na garganta costuma ser sinal de bactéria, e a mão-pé-boca é uma das exceções a essa regra, como a doença do beijo. Como diferenciar a infecção por vírus da infecção por bactéria está explicado na orientação sobre garganta inflamada por vírus ou bactéria. Quando fica a dúvida, a OtoCare faz na própria consulta o teste rápido do estreptococo.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é clínico. Ao examinar a garganta da criança, o médico vê as lesões típicas, as bolhinhas espalhadas pela boca e lá no fundo da garganta, e junta isso com as lesões de pele e com a história de febre. Esse conjunto fecha o diagnóstico.

Algumas vezes é possível colher uma amostra das vesículas da boca e fazer PCR ou cultura viral para confirmar o vírus. Isso não é feito de rotina, porque os sintomas e as lesões são tão característicos que o diagnóstico costuma ser fechado só pelo exame.

Tratamento da doença mão-pé-boca

Por ser uma doença causada por vírus, o tratamento é de suporte. Não existe remédio antiviral para os casos comuns. O objetivo é aliviar a dor e a febre com antitérmicos e analgésicos, na dose certa para o peso da criança. Qual remédio usar primeiro e a dose de cada um estão explicados na orientação sobre remédio para febre e dor.

Para as lesões da boca, muitas vezes o médico prescreve um anestésico tópico, que alivia o desconforto e ajuda a criança a se alimentar. Esse anestésico deve ser o receitado na consulta, na quantidade indicada. Em crianças pequenas, a benzocaína, anestésico comum em géis vendidos para a boca, pode causar uma alteração grave no sangue chamada metemoglobinemia, principalmente quando a criança engole o produto ou ele é usado em excesso.

Nos casos mais fortes, o bochecho com corticoide melhora muito as lesões, reduz a dor e faz com que elas cicatrizem mais rápido. Ele é indicado para a criança um pouco maior, que já sabe bochechar. Em casos ainda mais graves, pode ser usado o corticoide por via oral. Os dois só com prescrição médica.

As bolhinhas não devem ser furadas nem espremidas. Quando estouram, o líquido tem vírus e pode passar a doença para outras pessoas.

Hidratação e alimentação: o cuidado mais importante em casa

Com a boca doendo, a criança não quer comer nem beber. Por isso, um ponto muito importante do tratamento é oferecer água e outros líquidos o tempo todo, do jeito que for possível. A criança que não bebe pode ficar desidratada, e a desidratação pode trazer complicações.

A comida também precisa ser oferecida da forma que a criança conseguir aceitar, como sopas, caldinhos e alimentos batidos. Líquidos frescos aliviam a boca, e alimentos macios, como iogurte, costumam ser mais bem aceitos. Comidas quentes, salgadas, apimentadas e bebidas ácidas, como sucos cítricos, ardem nas feridas e devem ser evitadas nesses dias.

A criança que quase não bebe ou que está fazendo bem menos xixi do que o normal pode estar desidratada. Nessa situação, agende pelo WhatsApp e informe o sintoma para ter atendimento prioritário na OtoCare.

Quanto tempo dura a mão-pé-boca

A doença costuma melhorar sozinha em 7 a 10 dias, e as lesões da boca e da pele vão secando e cicatrizando ao longo desses dias.

Algumas semanas depois da doença, as unhas das mãos e dos pés podem descolar e cair. Isso se chama onicomadese, e a mão-pé-boca é a causa mais descrita. Costuma ser indolor, não é sinal de doença nova e melhora sozinha, com unhas novas e saudáveis crescendo no lugar ao longo dos meses seguintes.

Como a doença mão-pé-boca é transmitida

O vírus passa de uma pessoa para outra pela saliva e pela secreção do nariz, principalmente enquanto há lesões na boca, e também pelo líquido das bolhinhas quando elas estouram. Objetos, brinquedos e superfícies contaminados completam o caminho.

Existe ainda a transmissão pelas fezes. O vírus também inflama o intestino e continua sendo eliminado nas fezes por até 30 dias depois do início dos sintomas. Por isso, a transmissão fica mais prolongada do que parece, e a lavagem cuidadosa das mãos, principalmente depois de trocar fraldas ou de ir ao banheiro, é essencial mesmo depois que a criança melhora.

A fase de maior contágio são os primeiros dias da doença, e a pessoa pode transmitir o vírus até antes de ter sintomas.

Quantos dias de afastamento da escola

A criança com mão-pé-boca deve ficar afastada da escola ou da creche durante o período de transmissão, que é de mais ou menos 7 dias, ou enquanto durarem os sintomas e as lesões. Isso protege os colegas, já que a doença pega com muita facilidade em sala de aula.

O NHS, serviço de saúde do Reino Unido, permite a volta assim que a criança se sente bem, sem esperar as bolhinhas secarem. O momento da volta pode ser avaliado caso a caso, na consulta.

Como prevenir a mão-pé-boca

A principal forma de prevenir é lavar muito as mãos, da criança e de todos da casa. A higiene das mãos é importantíssima, principalmente depois de trocar fraldas, de ir ao banheiro e antes de comer. Também ajudam a limpeza do ambiente de casa, dos brinquedos e das superfícies, não compartilhar copos e talheres e evitar levar as mãos à boca, ao nariz e aos olhos.

No Brasil, ainda não existe vacina contra a doença mão-pé-boca. A rotina de higiene que reduz as infecções das crianças que vão à escola está na orientação sobre prevenção de gripes e resfriados na escola.

Mão-pé-boca em adultos e na gravidez

Os adultos também podem pegar a doença mão-pé-boca. Não é tão comum, mas acontece, e os pais e cuidadores de crianças doentes estão entre os mais expostos. Por isso eles também precisam lavar bem as mãos e evitar colocar a mão na boca, no nariz e nos olhos. No adulto, os sintomas costumam ser leves e iguais aos da criança.

Na gravidez, a doença em geral não traz risco para o bebê. A exceção é pegar a doença pouco antes do parto, o que pode fazer o bebê nascer com uma forma leve dela. Por isso, a gestante deve evitar contato próximo com quem está com a doença. A gestante que pegar a doença ou tiver contato com uma pessoa doente precisa de avaliação, principalmente perto da data do parto.

Complicações e sinais de alerta

A maior parte das crianças melhora sem nenhuma complicação. A que mais preocupa no dia a dia é a desidratação, pela dificuldade de beber com a boca machucada.

Em casos raros, principalmente quando o vírus é o enterovírus 71, a infecção pode atingir o sistema nervoso e causar meningite, encefalite ou fraqueza nos braços e nas pernas. Febre alta que não cede, sonolência excessiva, criança muito prostrada ou fraqueza em algum braço ou perna são sinais que precisam de avaliação médica sem demora.

Vídeo: doença mão-pé-boca

O vídeo abaixo explica o que é a doença mão-pé-boca, como ela começa, onde aparecem as lesões, como é o tratamento e como evitar o contágio.

Perguntas frequentes

Quem já teve mão-pé-boca pode pegar de novo?

Pode. A doença é causada por vários tipos de enterovírus, e ter tido a infecção por um deles não protege contra os outros.

Mão-pé-boca pode dar só na boca?

Pode. Nem sempre aparecem todas as lesões: há casos com feridas só na boca e casos em que predominam a febre e a dor de garganta. Quando as bolhinhas ficam só no fundo da garganta e no céu da boca, sem lesões na pele, o quadro costuma receber o nome de herpangina, causada pela mesma família de vírus e classificada na CID-10 como B08.5. O cuidado em casa é o mesmo.

Qual é o CID da doença mão-pé-boca?

Na CID-10, a doença mão-pé-boca fica no código B08.4, estomatite vesicular devida a enterovírus com exantema.

Mão-pé-boca pode matar?

É muito raro. Na grande maioria das crianças, a doença melhora sozinha em 7 a 10 dias. As complicações graves, no sistema nervoso, são raras e mais ligadas ao enterovírus 71, e a desidratação, que é o que mais preocupa no dia a dia, se evita oferecendo líquidos o tempo todo.

Tem tratamento caseiro para mão-pé-boca?

Os cuidados de casa são parte importante do tratamento, com líquidos frescos, comida pastosa e fria, repouso e higiene das mãos. Pomadas, géis e sprays para a boca devem ser os prescritos, porque a benzocaína, comum nesses produtos, pode causar uma alteração grave no sangue em crianças pequenas.

Qual médico trata a doença mão-pé-boca?

O otorrinolaringologista examina a boca e a garganta, diferencia a doença das infecções por bactéria e orienta o alívio da dor. Na OtoCare, adultos e crianças são atendidos na consulta de otorrino.

Referências

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Avaliação da garganta e da boca na OtoCare, em Brasília

Febre com bolhinhas na boca, dor de garganta que impede a criança de comer e dúvida entre vírus e bactéria merecem avaliação. Agende uma consulta com otorrino na OtoCare, no Noroeste de Brasília, que atende adultos e crianças.

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