Tontura por estresse: quando a causa é TPPP e como tratar

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

O estresse emocional pode realmente causar tontura constante?

Pode. Um estresse emocional muito forte, como a morte de uma pessoa querida, pode disparar uma tontura que começa naquele momento e não passa sozinha. A pessoa passa a sentir desequilíbrio quase todos os dias, às vezes por anos, e muitas vezes ouve que o labirinto está normal. O serviço de saúde pública britânico, o NHS, também coloca o estresse e a ansiedade na lista de causas de tontura.

Mulher com as mãos na cabeça sentindo tontura e sobrecarga por estresse no trabalho em frente ao computador acompanhada por médica

O estresse pode, sim, causar tontura. Um abalo emocional forte pode dar início a uma tontura que depois continua por causa do medo e da ansiedade. Ela é real, tem diagnóstico e tem tratamento.

Essa tontura não é invenção, frescura nem fraqueza. Muita gente chega à consulta com a mesma dúvida, se está ficando louca ou se tudo é coisa da cabeça. O estresse funciona como o ponto de partida, e o que vem depois é uma mudança no jeito de o equilíbrio funcionar, que pode ser examinada e tratada.

Quando a tontura começa depois de um estresse intenso e se arrasta por meses, a principal hipótese costuma ser a tontura postural perceptual persistente, a TPPP. Os sintomas, os critérios de diagnóstico e os remédios dessa doença estão na orientação sobre a TPPP.

Como o estresse provoca e mantém a tontura?

Em geral, a TPPP tem um gatilho ou um fator de piora emocional. Às vezes, no começo, existe também uma lesão pontual no labirinto. O que deixa a tontura crônica, porém, é a ansiedade, junto com o medo de que a tontura venha de novo.

Esse medo muda o comportamento. Quem tem receio de cair passa a andar com cuidado, evita lugares cheios e fica atento a cada sensação do corpo. A revisão da ABORL-CCF, a associação dos otorrinos do Brasil, descreve uma forma do quadro que nasce de um ataque de pânico ou de outra reação de estresse intenso. Nela, o corpo se adapta mal ao abalo e depois não consegue voltar ao modo normal de funcionar, mesmo quando o evento já ficou para trás.

O consenso da Sociedade Bárány, grupo internacional de especialistas que classifica as doenças do equilíbrio, coloca o sofrimento emocional entre os possíveis gatilhos, ao lado das doenças do labirinto e de outras doenças. O mesmo documento classifica o quadro como um distúrbio funcional do equilíbrio, e não como uma doença das estruturas do ouvido ou do cérebro, nem como uma doença psiquiátrica.

Há quem duvide dessa relação e ache que culpar o estresse é a saída de quem não sabe a causa da tontura. Não é o caso. Uma tontura como essa pode ser desencadeada apenas por um estresse muito intenso, uma situação emocional muito difícil, e transformar a vida da pessoa.

Caso clínico: quatro anos de tontura depois de um forte abalo emocional

Uma senhora de 80 anos chegou ao consultório com tontura havia quatro anos. Era um desequilíbrio constante, que se repetia sempre do mesmo jeito. Toda vez que entrava num shopping, num supermercado ou em outro lugar com muito estímulo visual, vinham a instabilidade e o receio de caminhar. A tontura aparecia em qualquer dia, sem relação com a alimentação ou com o sono, e sumia quando ela se deitava.

Logo no começo da consulta, ela contou que tinha ouvido falar dos cristais que saem do labirinto e achava que os dela estavam todos fora do lugar. Perguntada sobre o que tinha acontecido antes de a tontura começar, foi clara. Tudo começou quando o marido morreu, num período emocional muito difícil.

Ela já tinha feito exame do labirinto, com resultado normal, e mesmo assim não conseguia andar na rua. Antes adorava ir ao shopping e fazer compras. Depois passou a fugir dele, porque sabia que a tontura viria. Às vezes achava que estava ficando louca e que aquilo era coisa da cabeça dela. Chegou com pouca esperança, querendo ao menos algum alívio.

A história já sugeria a TPPP, numa descrição clássica. No exame, os testes do labirinto vieram normais, e o teste para VPPB, feito com a paciente deitada na maca, não mostrou cristal fora do lugar. O estresse emocional tinha sido o gatilho de uma tontura que ficou crônica. Ela já tomava remédio para a ansiedade e foi encaminhada para a reabilitação vestibular e para a terapia cognitivo-comportamental.

Como saber se a tontura é emocional?

Algumas pistas da história fazem pensar no estresse como gatilho. A tontura começou depois de um abalo forte ou de uma fase difícil, parece mais um desequilíbrio do que um giro, aparece quase todo dia, piora em lugares com muito movimento e muitas cores e melhora quando a pessoa se deita.

Essas pistas não bastam para concluir. A tontura também pode vir de alterações metabólicas e hormonais, de problemas do pescoço e de doenças do próprio labirinto, e mais de uma causa pode existir ao mesmo tempo, como explica a orientação sobre tontura metabólica e hormonal. A queda da pressão ao levantar também deixa a pessoa instável quando começa a andar e é uma confusão frequente com a TPPP, tema da orientação sobre tontura ao levantar.

Também a ansiedade, sozinha, é capaz de provocar tontura, em crises que trazem outros sintomas do corpo. Como separar esse quadro de um problema do labirinto está explicado na orientação sobre tontura por ansiedade e como é feito o diagnóstico.

Alguns sinais não combinam com a tontura do estresse. Quando aparecem, precisam de avaliação médica sem demora. Fazem parte dessa lista a fraqueza ou a dormência de um lado do rosto ou do corpo, a visão dupla, a dificuldade para falar ou para ouvir, o desmaio e a dor de cabeça forte junto com a tontura. Esses achados podem indicar outro problema, inclusive no cérebro, como um AVC, e a diferença entre a crise de labirintite e o AVC também tem uma orientação própria.

Por que os exames do labirinto e de imagem dão normais?

Na tontura que começa com o estresse, o labirinto costuma estar funcionando bem. O problema está no modo como o cérebro passou a cuidar do equilíbrio, e não numa lesão do ouvido. Por isso, os testes do labirinto e os exames de imagem tendem a vir normais, e esse resultado não afasta o diagnóstico.

O exame é feito mesmo assim, e por completo. A TPPP é um diagnóstico clínico, que se apoia na história contada pelo paciente e na exclusão das outras causas. Na consulta entram os testes do labirinto e o teste para VPPB na maca. Conforme o caso, outros exames podem ser pedidos, como o vHIT, a vectoeletronistagmografia, a audiometria e exames de imagem. Na OtoCare, a manobra para VPPB, o vHIT e a audiometria são feitos na própria clínica.

Muitos pacientes passam pelo mesmo que a senhora do caso. Ouvem que o labirinto está ótimo e continuam sem conseguir andar na rua. O exame normal não quer dizer que nada está acontecendo. Ele mostra que o ouvido está preservado e ajuda a chegar ao diagnóstico certo.

Diferença entre tontura por estresse (TPPP) e cristais soltos (VPPB)

Muita gente com tontura por estresse acha que os cristais do labirinto saíram do lugar, como a senhora do caso. Os cristais fora do lugar causam a VPPB, uma tontura que gira, dura segundos e aparece com certas posições da cabeça, como deitar, levantar da cama ou virar de lado.

Na tontura por estresse, a sensação é outra. Em vez do giro, há uma instabilidade quase constante, que melhora ao deitar. O teste na maca separa os dois quadros. Se ele mostra VPPB, o tratamento é a manobra de reposicionamento para VPPB em Brasília, que devolve os cristais ao seu lugar. Se o teste vem normal, a manobra não resolve a instabilidade. Os dois problemas também podem aparecer juntos, e uma VPPB pode ser o começo de uma TPPP.

Como tratar a tontura por estresse?

O tratamento da tontura que começou com o estresse se apoia em três pontos, como um tripé.

  • Remédio, para diminuir a ansiedade e baixar o estado de alerta exagerado que alimenta o medo da tontura.
  • Reabilitação vestibular, com exercícios que reduzem o incômodo diante dos estímulos visuais e fazem a pessoa perder o medo de se mexer.
  • Terapia cognitivo-comportamental, para reorganizar as reações de medo e de ansiedade que fazem a tontura continuar.

Na reabilitação vestibular, a pessoa volta aos poucos a encarar o movimento e os ambientes que vinha evitando. Os exercícios para o labirinto mostram como esse treino estimula o equilíbrio. Na tontura por estresse, o programa é montado para cada pessoa e começa num ritmo que ela tolera.

Quem conduz o tratamento é o otorrino. A reabilitação fica a cargo de um fonoaudiólogo com experiência na área, e a terapia, de um psicólogo. O remédio pode ser receitado na própria consulta, e às vezes um psiquiatra ajuda no controle da ansiedade. A OtoCare não oferece as sessões de reabilitação vestibular nem as de terapia. A indicação de cada etapa sai da consulta.

Os remédios de crise para o labirinto não fazem parte desse tripé. Tomados por muito tempo, eles podem até prolongar o desequilíbrio. Esse risco está explicado na orientação sobre como o remédio para tontura pode piorar o quadro.

As revisões Cochrane de 2023 encontraram poucos estudos de boa qualidade sobre cada parte desse tratamento. Por isso, a consulta ajusta a combinação das medidas caso a caso, numa área da medicina que continua avançando.

Tontura emocional tem cura?

A parte boa da história é que a maioria das pessoas com esse quadro, quando faz o tratamento adequado, pode ficar sem tontura nenhuma. O tempo até a melhora muda de pessoa para pessoa, e os prazos descritos nos estudos estão na orientação sobre a tontura postural perceptual persistente.

Sem tratamento, a tontura tende a durar. No caso contado acima, foram quatro anos de desequilíbrio, com exames normais e uma rotina cada vez mais limitada. Tratar ajuda a pessoa a retomar os passeios e as compras que tinha deixado de lado.

Tontura tem diagnóstico e tem tratamento. O caminho é procurar um otorrino com formação em otoneurologia, a parte da especialidade dedicada ao equilíbrio, que consiga examinar e conduzir bem o caso. Na OtoCare, o primeiro passo da consulta é ouvir a história da tontura, e depois vem o exame do equilíbrio.

Vídeo: o estresse pode causar tontura?

No vídeo abaixo está o caso da senhora com quatro anos de tontura depois da morte do marido, o exame que levou ao diagnóstico e os três pontos do tratamento.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura a tontura emocional?

Não existe um prazo fixo. A tontura pode continuar mesmo depois que a fase difícil passou, porque quem a mantém é o medo de ficar tonto de novo, junto com a ansiedade, e não o estresse do começo. Por isso, esperar a vida acalmar nem sempre basta, e o tratamento ajuda a encurtar esse tempo.

Estresse pode causar tontura e enjoo?

Pode. Numa crise de fundo emocional, a tontura pode vir acompanhada de enjoo e até de vômito, além de tremor e palpitações. O enjoo, porém, também aparece em doenças do labirinto, como a labirintite. Por isso, sentir os dois juntos não basta para concluir que a causa é emocional, e o labirinto precisa ser examinado.

Estresse causa tontura e dor de cabeça?

A dor de cabeça não entra na descrição da tontura que se mantém depois do estresse. Quando as duas aparecem juntas, a investigação inclui a enxaqueca, que também pode dar tontura, como explica a orientação sobre enxaqueca vestibular. A dor de cabeça forte junto com a tontura está entre os sinais que precisam de avaliação médica sem demora.

Estresse causa labirintite?

Não. Labirintite quer dizer inflamação do labirinto, uma das causas mais raras de tontura, e a tontura que começa com o estresse não tem inflamação no ouvido. Por isso, a chamada labirintite emocional não é labirintite, e o remédio para labirintite não trata a tontura que veio do estresse.

O que é tontura psicogênica?

É o nome dado à tontura atribuída só ao emocional. Por muito tempo, pacientes com tontura crônica e algum grau de ansiedade recebiam esse rótulo, e o problema era pouco valorizado. Um estudo com ressonância funcional mostrou que o equilíbrio desses pacientes funciona de outro jeito, além da parte emocional. A revisão da ABORL-CCF ainda usa o termo forma psicogênica para a TPPP que começa com um ataque de pânico ou outra reação de estresse forte, sem uma doença do labirinto antes.

Estresse pode dar tontura todos os dias?

Pode. No quadro que começa com o estresse, a instabilidade aparece quase todos os dias e acompanha a pessoa por boa parte do tempo. Mesmo assim, conviver com tontura diária nunca é normal, e ela tem muitas causas possíveis além do emocional. A orientação sobre quando a tontura não é normal explica por que a tontura repetida merece investigação.

Existe teste para saber se a tontura é emocional?

Não existe um exame único que prove que a tontura vem do estresse. O diagnóstico é feito pela história e pelo exame, que afasta as outras causas. Questionários sobre ansiedade e sobre o quanto a tontura atrapalha a vida ajudam a medir o quadro, como lembra a revisão da ABORL-CCF, mas não fecham o diagnóstico sozinhos. Testes rápidos encontrados na internet não substituem a consulta.

Tontura por estresse: o que fazer na hora?

Sentar ou deitar até a sensação diminuir ajuda, e depois vale levantar devagar. Na tontura por estresse, a melhora ao deitar é típica. O que não ajuda é deixar de sair e fugir de todos os lugares que trazem a tontura, porque o medo e o afastamento mantêm o quadro. Os cuidados numa crise forte estão na orientação sobre crise de tontura, e o tratamento começa pela consulta.

Referências

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Avaliação de tontura e equilíbrio em Brasília

Desequilíbrio quase diário, que começou depois de uma fase de muito estresse e piora em lugares movimentados, merece diagnóstico. Na OtoCare, a consulta com otorrino em Brasília avalia o labirinto e o equilíbrio, exclui outras causas e indica o tratamento de cada caso.

Veja também o que fazer durante uma crise aguda de tontura e conheça os exames otorrinolaringológicos e vestibulares da OtoCare.

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