Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Um questionário de 18 perguntas sobre o sono da criança
O OSA-18 é um questionário respondido pelos pais ou por quem cuida da criança. São 18 perguntas sobre o sono, a respiração, o humor e o dia a dia nas últimas 4 semanas, e cada uma recebe uma nota de 1 a 7, conforme a frequência do problema. A soma vai de 18 a 126 pontos, e quanto maior o total, mais o problema pesa na rotina da criança e da família.
O nome vem do inglês Obstructive Sleep Apnea, apneia obstrutiva do sono, seguido do número de perguntas. O questionário foi publicado em 2000 por otorrinos nos Estados Unidos, a partir das respostas dos cuidadores de 61 crianças de 6 meses a 12 anos, e ganhou uma versão em português, validada em 2013. No Brasil, é um dos questionários do sono infantil mais usados em estudos.

O OSA-18 mede o quanto o ronco e a apneia atrapalham a vida da criança. Quanto maior a pontuação, maior o impacto. Ele não diagnostica a apneia: o diagnóstico depende da avaliação médica e, quando indicado, do exame do sono.
Para que serve o OSA-18
A apneia obstrutiva do sono na criança acontece quando a passagem do ar se fecha, total ou parcialmente, durante o sono. A causa mais comum é o aumento da adenoide e das amígdalas. O ronco é o sinal mais conhecido, mas o problema vai além da noite. A criança que dorme mal pode acordar cansada, ficar irritada, agitada ou desatenta, e a família passa noites preocupada com a respiração dela.
O OSA-18 transforma tudo isso em um número. Ele serve para três coisas. Mostra o tamanho do impacto antes do tratamento, ajuda o médico a entender o que mais pesa naquela criança e permite comparar o antes e o depois, já que a pontuação costuma cair quando a respiração melhora. Os sinais de alerta e as causas do ronco infantil estão na orientação sobre ronco em criança.
As 18 perguntas e os cinco domínios
As perguntas são divididas em cinco grupos, chamados domínios. Os quatro primeiros falam da criança, e o último, de quem cuida dela.
| Domínio | O que pergunta | Perguntas | Pontos possíveis |
|---|---|---|---|
| Distúrbio do sono | ronco alto, pausas na respiração, engasgos durante o sono, sono agitado | 4 | 4 a 28 |
| Sintomas físicos | respiração pela boca, resfriados, secreção e nariz entupido, dificuldade para engolir | 4 | 4 a 28 |
| Problemas emocionais | alterações do humor, comportamento agressivo ou agitado, problemas de disciplina | 3 | 3 a 21 |
| Problemas do dia a dia | sonolência durante o dia, falta de atenção, dificuldade para levantar de manhã | 3 | 3 a 21 |
| Preocupação dos responsáveis | preocupação com a saúde, medo de que falte ar, atrapalho na rotina, frustração | 4 | 4 a 28 |
O domínio dos responsáveis costuma ser um dos que mais pontuam. Em um estudo brasileiro com 59 crianças que roncavam, os grupos mais afetados foram a preocupação dos responsáveis, o distúrbio do sono e os sintomas físicos.
Como responder: a escala de 1 a 7
As 14 primeiras perguntas começam da mesma forma, “Nas últimas 4 semanas, com que frequência seu filho teve…”, e terminam com um sintoma, como ronco alto ou sono agitado. As quatro últimas perguntam com que frequência esses problemas preocuparam ou atrapalharam quem cuida da criança. A resposta é sempre um número de 1 a 7.
| Nota | Frequência |
|---|---|
| 1 | Nunca |
| 2 | Quase nunca |
| 3 | Poucas vezes |
| 4 | Algumas vezes |
| 5 | Muitas vezes |
| 6 | Quase sempre |
| 7 | Sempre |
Quem responde deve ser a pessoa que acompanha o sono da criança, de preferência quem dorme perto dela ou a observa à noite. Vale pensar no mês inteiro, e não só na última noite. Se o ronco piorou só durante um resfriado, por exemplo, a resposta deve refletir as 4 semanas, e não apenas os dias da gripe.
No estudo de validação em português, os pais levaram em média 7 minutos para responder. A versão online do questionário OSA-18 faz a soma sozinha, mostra a faixa do resultado e os domínios que mais pesaram.
Como somar os pontos
A pontuação total é a soma das 18 respostas. Como cada pergunta vale de 1 a 7, o mínimo é 18, quando a resposta é nunca em todas, e o máximo é 126, quando a resposta é sempre em todas. Também é possível somar cada domínio separadamente, o que mostra em que área a criança e a família sofrem mais.
O questionário original tem ainda uma escala de 0 a 10, em que os pais dão uma nota geral para a qualidade de vida da criança. Essa nota não entra na soma dos 18 itens e não aparece na versão em português usada pela ferramenta.
O que significa a pontuação do OSA-18
As faixas do estudo original classificam o impacto na qualidade de vida em três níveis.
| Pontuação total | Impacto na qualidade de vida |
|---|---|
| 18 a 59 | Pequeno |
| 60 a 80 | Moderado |
| 81 a 126 | Grande |
No primeiro estudo, entre as crianças que fizeram o exame do sono por suspeita de apneia, um terço ficou em cada faixa, com 33% de impacto pequeno, 31% moderado e 36% grande. Na validação portuguesa, com 51 crianças com apneia, os números foram parecidos, com 28%, 43% e 29%.
Um impacto pequeno não quer dizer que está tudo bem. Uma criança que ronca todas as noites e tem pausas na respiração precisa de avaliação mesmo com pontuação baixa, porque o questionário mede o quanto o problema incomoda, e não o quanto a respiração está obstruída.
Por que alguns materiais mostram quatro faixas
Alguns estudos e formulários dividem a faixa de baixo em duas, com 18 a 36 pontos como normal e 37 a 60 como impacto leve. Essa divisão vem de trabalhos posteriores e não faz parte da validação original nem da versão em português. Na tabela da versão portuguesa, os 80 pontos aparecem tanto na faixa moderada quanto na grave, enquanto o estudo original considera 80 ainda moderado. A ferramenta da OtoCare segue as faixas do estudo original.
O OSA-18 não diagnostica a apneia do sono
O OSA-18 foi feito para medir qualidade de vida, e não para dizer se a criança tem ou não apneia. Um estudo canadense com 334 crianças testou o questionário como forma de encontrar a apneia moderada e grave. Comparado com a oximetria feita durante a noite, ele identificou só 40% das crianças que tinham a doença nesse grau, e os autores concluíram que o questionário não deve substituir o exame.
No estudo brasileiro com 59 crianças, a pontuação também não acompanhou o número de pausas na respiração medido na polissonografia. Isso faz sentido. Duas crianças com o mesmo grau de apneia podem sentir o problema de formas muito diferentes, e uma criança com apneia leve pode ter a rotina bem prejudicada.
O diagnóstico começa na consulta, com a história do sono e o exame do nariz e da garganta. A nasofibrolaringoscopia, feita na OtoCare, mostra o tamanho da adenoide. Quando há dúvida sobre a gravidade, a polissonografia mede as pausas na respiração durante a noite, e a necessidade desse exame é definida na consulta. Os graus da apneia e o que eles significam estão na orientação sobre apneia do sono.
O que os estudos mostram depois do tratamento
É no acompanhamento que o OSA-18 mais ajuda. Uma revisão que reuniu 7 estudos e 369 crianças com apneia mostrou queda da pontuação total e de todos os domínios depois da cirurgia de adenoide e amígdalas, e a melhora se manteve no longo prazo.
Em um estudo americano com 60 crianças, a média caiu de 71 para 36 pontos em cerca de 4 meses depois da cirurgia. No Brasil, um estudo com 48 crianças operadas encontrou média de cerca de 83 pontos antes e de cerca de 34 depois, e outro, feito em Goiás com 31 crianças, mostrou a melhora mantida perto de 2 anos após a cirurgia.
Um grande estudo americano, o CHAT, sorteou 464 crianças de 5 a 9 anos com apneia entre fazer a cirurgia logo ou esperar com acompanhamento. As crianças operadas tiveram mais melhora no OSA-18 e nos sintomas, e o exame do sono voltou ao normal em 79% delas, contra 46% das que esperaram.
O tratamento não é sempre cirúrgico. Na adenoide aumentada, o tratamento com remédio costuma ser tentado primeiro, como explica a orientação sobre como tratar a adenoide, e a cirurgia entra quando a obstrução é importante ou não melhora, como mostra a orientação sobre quando operar a adenoide. Em qualquer caminho, repetir o questionário ao longo do tratamento mostra, em números, se a vida da criança está melhorando. A ferramenta online permite comparar o resultado atual com uma pontuação anterior.
Quando a criança precisa de avaliação
A Academia Americana de Pediatria recomenda que toda criança seja perguntada sobre ronco nas consultas de rotina. Ronco de vez em quando, num dia de muito cansaço ou durante um resfriado, pode apenas ser observado. O ronco sistemático, todas as noites, precisa de avaliação, qualquer que seja a pontuação do OSA-18. Alguns sinais reforçam essa necessidade.
- pausas na respiração ou engasgos durante o sono;
- sono agitado, com a criança se mexendo muito ou acordando várias vezes;
- respiração pela boca durante o dia e a noite, assunto da orientação sobre respirador bucal;
- cansaço ao acordar, irritação, agitação ou queda no rendimento da escola;
- pontuação de 60 ou mais no OSA-18.
OSA-18 e outros questionários do sono
O OSA-18 é um questionário para crianças, respondido pelos pais. Para adultos, a triagem mais usada é o teste de apneia do sono STOP-Bang, que estima o risco de apneia com 8 perguntas e não serve para crianças.
Outro questionário infantil conhecido é o PSQ, questionário pediátrico do sono, criado para rastrear os distúrbios respiratórios do sono. Ele pergunta mais sobre sintomas, enquanto o OSA-18 se concentra no impacto desses sintomas na vida da criança e da família. Nenhum dos dois substitui a consulta.
Os limites do OSA-18
- Não faz diagnóstico. O questionário mostra o impacto do problema, mas não confirma a apneia, não mede o grau e não diz a causa.
- Depende de quem responde. Pais que não observam o sono da criança, ou que já se acostumaram com o ronco, podem pontuar menos do que a realidade.
- Algumas perguntas não são só da apneia. Resfriados, alergia, agitação e falta de atenção têm outras causas, e a pontuação pode subir por elas.
- Mede as últimas 4 semanas. Uma fase de resfriados seguidos pode aumentar a pontuação de forma passageira.
Perguntas frequentes
Qual é a pontuação normal do OSA-18?
O questionário não tem um valor normal fixo. Abaixo de 60 pontos, o impacto na qualidade de vida é considerado pequeno. A pontuação mínima possível é 18, quando nenhum dos problemas aparece nas últimas 4 semanas.
Quem deve responder o questionário?
Os pais ou o cuidador que acompanha o sono da criança. O OSA-18 foi validado com as respostas de quem cuida, e não da própria criança.
Com que idade a criança pode fazer o OSA-18?
O estudo original incluiu crianças de 6 meses a 12 anos, e a versão em português foi testada em crianças de 2 a 12 anos. É nessa faixa que o resultado tem mais valor.
O OSA-18 serve para adultos?
Não. As perguntas foram feitas para crianças e respondidas pelos pais. Para adultos, a triagem mais usada é o questionário STOP-Bang.
Existe versão do OSA-18 em português?
Sim. A versão em português foi traduzida, adaptada e validada em Portugal em 2013, e estudos brasileiros usam o questionário pelo menos desde 2006. A ferramenta online da OtoCare usa as perguntas da versão validada, com algumas palavras trocadas pelas usadas no Brasil, como roncar no lugar de ressonar e pausas no lugar de paragens.
Onde encontrar o OSA-18 para preencher?
O artigo de validação em português, publicado no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, traz as 18 perguntas e é de acesso livre. A ferramenta online da OtoCare tem as mesmas perguntas e já faz a soma, sem cadastro.
Quanto tempo leva para responder?
Poucos minutos. Na validação em português, a média foi de 7 minutos, e a maioria dos pais achou as perguntas fáceis de entender.
O OSA-18 substitui a polissonografia?
Não. O questionário mede o impacto na qualidade de vida e deixou de identificar mais da metade das crianças com apneia moderada ou grave em um estudo com 334 crianças. A necessidade da polissonografia é definida na consulta.
Como saber se a criança tem apneia do sono?
Os sinais mais comuns são ronco todas as noites, pausas na respiração, engasgos, sono agitado e respiração pela boca. A confirmação vem da avaliação com otorrino e, quando indicado, do exame do sono.
Apneia do sono infantil tem cura?
Na maioria das crianças, a causa é o aumento da adenoide e das amígdalas, e há tratamento. Em um grande estudo com crianças de 5 a 9 anos, o exame do sono voltou ao normal em 79% das operadas, contra 46% das que só foram acompanhadas.
Apneia do sono em criança é perigosa?
Quando não é tratada, a apneia na infância está associada a alterações do crescimento, do comportamento e do coração, segundo o relatório técnico da Academia Americana de Pediatria. Por isso o ronco persistente merece avaliação.
Qual médico procurar para apneia do sono infantil?
O otorrinolaringologista, que examina o nariz, a adenoide e as amígdalas, as causas mais comuns da apneia na criança, e trata clinicamente ou com cirurgia quando necessário.
Depois da cirurgia, vale responder o OSA-18 de novo?
Sim. Repetir o questionário alguns meses depois do tratamento mostra se a qualidade de vida melhorou. Nos estudos, a pontuação cai bastante depois da cirurgia de adenoide e amígdalas.
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Avaliação do ronco e da apneia infantil na OtoCare, em Brasília
Se a criança ronca todas as noites, tem pausas na respiração ou somou 60 pontos ou mais no OSA-18, a consulta com otorrino na OtoCare, no Noroeste de Brasília, investiga a causa e define o tratamento. Leve o resultado do questionário: ele ajuda a mostrar o que mais pesa na rotina da família. Quando a cirurgia é indicada, a cirurgia de adenoide e a retirada das amígdalas são feitas pela Dra. Larissa.
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