Refluxo laringofaríngeo (refluxo na garganta): sintomas, causas, diagnóstico e tratamento

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

O que é refluxo laringofaríngeo

Pigarro, tosse seca, irritação na garganta que não passa, sensação de um bolo parado na garganta, rouquidão. Quando esses sintomas se arrastam por muito tempo, é bem provável que a causa seja o refluxo laringofaríngeo, também chamado de refluxo faringolaríngeo ou, popularmente, de refluxo na garganta.

No refluxo laringofaríngeo, o conteúdo ácido do estômago sobe pelo tubo digestivo e alcança a garganta e a laringe. Ali ele causa inflamação, inchaço e secreção. É uma das causas mais comuns de irritação crônica na garganta. Numa pesquisa com otorrinolaringologistas brasileiros, publicada em 2022, eles estimaram que cerca de 27% dos seus pacientes têm refluxo laringofaríngeo.

Homem de camisa azul à mesa do jantar com a mão no pescoço e expressão de desconforto na garganta, observado pela família, e a Dra. Larissa Vilela de blazer branco

A região atingida inclui a parte mais alta da garganta, a faringe, onde ficam as amígdalas, e a laringe, na altura do meio do pescoço. É na laringe que estão as pregas vocais. Por isso a inflamação causada pelo refluxo deixa a voz rouca e produz aquela secreção incômoda que fica parada na garganta, o pigarro.

Sintomas do refluxo na garganta

Os sintomas do refluxo laringofaríngeo aparecem na garganta, e não no estômago.

  • tosse seca;
  • pigarro, a vontade constante de limpar a garganta;
  • rouquidão, com a voz mais falhada;
  • irritação na garganta, que fica arranhando, doendo ou inflamada;
  • garganta sempre vermelha quando examinada;
  • sensação de bolo na garganta.

Quando esses sintomas são persistentes e duram muito tempo, o refluxo precisa ser lembrado. A tosse e o pigarro têm outras causas também, explicadas nas orientações sobre tosse crônica por refluxo e sobre pigarro constante.

Refluxo na garganta sem azia: por que acontece

O refluxo laringofaríngeo é um pouco diferente do refluxo clássico, o refluxo gastroesofágico. No refluxo gastroesofágico, a pessoa na maioria das vezes tem azia, queimação ou a sensação de que o alimento está voltando.

Quando o refluxo fica restrito à garganta, ele costuma acontecer em pequenas quantidades. São pequenos escapes de ácido do estômago, que não são suficientes para causar os sintomas baixos do refluxo, como a azia. Esse pouco de ácido que chega à garganta, porém, é suficiente para irritá-la.

Isso acontece porque a mucosa da garganta não está preparada para receber ácido. O esôfago tem uma mucosa mais protegida e resistente ao refluxo. Por isso, para sentir os sintomas do refluxo no peito, o refluxo precisa ser forte. Para a garganta sofrer, basta um pouco de ácido, desde que chegue de forma repetida e crônica.

É o que se chama de sintomas altos do refluxo. Muitas vezes a pessoa só tem esses sintomas da garganta e não sente os sintomas clássicos do refluxo comum. Num estudo clássico com 225 pacientes de otorrinolaringologia com suspeita de refluxo, só 43% tinham azia ou regurgitação. Por isso esse quadro também é conhecido como refluxo silencioso.

Um consenso internacional de 2024 acrescenta que não é só o ácido que irrita. Refluxos pouco ácidos ou não ácidos também podem chegar à garganta e causar os mesmos sintomas.

O que causa o refluxo laringofaríngeo

O refluxo pode vir de uma questão do próprio organismo, de uma questão anatômica ou dos hábitos.

  • maior produção de ácido no estômago;
  • hérnia de hiato, que facilita a volta do conteúdo do estômago;
  • infecção pela bactéria H. pylori, que aumenta a acidez do estômago;
  • abuso de cafeína e de álcool;
  • cigarro;
  • alimentação muito gordurosa;
  • comer muito e deitar logo depois de comer.

Muitas vezes o refluxo vem simplesmente dos hábitos. Há pessoas que fazem a endoscopia e está tudo certo. Nelas, o refluxo aparece só pela alimentação desajustada ou por hábitos inadequados, inclusive de postura depois das refeições.

A ligação com o H. pylori ainda é estudada. Uma revisão de 2026 encontrou a bactéria com mais frequência em quem tem refluxo laringofaríngeo, mas os autores consideram as evidências limitadas, e o tratamento da bactéria é avaliado caso a caso.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do refluxo laringofaríngeo é feito pelo exame físico da garganta, complementado pela videolaringoscopia. Com uma câmera, o otorrino examina toda a parte interna da faringe, a laringe e as pregas vocais. Na OtoCare, esse exame é feito no próprio consultório, pela nasofibrolaringoscopia.

Existem sinais clássicos de refluxo nesse exame. A abertura do esôfago, que fica logo atrás da laringe, aparece inchada e vermelha. Esse achado tem o nome de laringite posterior. Com esses sinais e a história do paciente, o diagnóstico é fechado já na consulta.

Um consenso de 2026, que reuniu otorrinos e gastroenterologistas, considera que os sinais da laringe sugerem o refluxo, mas sozinhos não bastam para confirmá-lo. O exame de referência é a monitorização do refluxo, como a impedâncio-pHmetria, que mede por 24 horas os refluxos que chegam ao esôfago e à garganta. A necessidade desse exame é avaliada caso a caso, principalmente quando o tratamento não traz a melhora esperada.

Tratamento do refluxo laringofaríngeo

O tratamento é clínico. O primeiro passo é ajustar a alimentação e os hábitos, identificando o que está errado na rotina de cada paciente.

Muitas vezes, junto com a dieta, entram medicações que reduzem a acidez do estômago, os inibidores da bomba de prótons. Os principais exemplos são o omeprazol, o pantoprazol e o esomeprazol. Com menos acidez, a irritação da garganta melhora. O tratamento dura um a dois meses, e depois o paciente é reavaliado. Muitas vezes esse tratamento inicial já é suficiente.

Os sinais na laringe costumam demorar mais para melhorar do que os sintomas. Um estudo de 2001 mostrou que a sensação na garganta melhora antes de o exame voltar ao normal.

Uma revisão de 2019, com dez estudos controlados, mostrou um benefício modesto dos inibidores da bomba de prótons sobre o placebo, e a dieta teve papel importante no resultado. Uma diretriz europeia de 2026 recomenda que o tratamento seja o mais curto possível, com no mínimo dois meses, e diz que a medicação pode ser reduzida aos poucos depois da melhora. A duração de cada tratamento é ajustada na consulta.

Alimentação e hábitos

Como muitas vezes o refluxo vem da alimentação e dos hábitos, a mudança começa por eles. Isso inclui evitar o excesso de café, de álcool e de comida gordurosa, parar de fumar e não deitar logo depois das refeições. A diretriz americana de gastroenterologia para o refluxo gastroesofágico também sugere evitar refeições nas duas a três horas antes de deitar, perder peso quando há excesso e, para quem tem sintomas à noite, elevar a cabeceira da cama.

Quando a endoscopia é necessária

Quando o paciente não melhora com o tratamento inicial, ou quando existem outros sinais de alarme, a endoscopia pode ser pedida para avaliar o refluxo com mais detalhe. São sinais que tiram o quadro do padrão clássico:

  • engasgos;
  • dificuldade para engolir e para se alimentar;
  • perda de peso.

Otorrino ou gastroenterologista?

O tratamento do refluxo laringofaríngeo muitas vezes é feito pelo otorrinolaringologista. Quando o otorrino vê que é preciso uma avaliação mais detalhada, com endoscopia, ou uma complementação pelo gastroenterologista, o paciente é encaminhado ao gastro.

O tratamento pode ser feito só pelo otorrino, pelo gastroenterologista a partir do encaminhamento ou pelos dois em conjunto. Qualquer uma dessas formas é adequada.

Vídeo: refluxo laringofaríngeo, causas e tratamento

O vídeo abaixo explica o que é o refluxo laringofaríngeo, por que ele irrita a garganta mesmo sem azia, como é feito o diagnóstico e como é o tratamento.

Perguntas frequentes

Refluxo laringofaríngeo tem cura?

Tem tratamento e costuma melhorar. Em muitos pacientes, o ajuste da alimentação com a medicação por um a dois meses já resolve os sintomas.

Quanto tempo demora para o refluxo na garganta melhorar?

A reavaliação costuma acontecer depois de um a dois meses de tratamento. Os sintomas podem melhorar antes disso, mas as alterações vistas no exame da laringe levam mais tempo para desaparecer.

Omeprazol serve para refluxo na garganta?

O omeprazol é um dos inibidores da bomba de prótons usados no tratamento, ao lado do pantoprazol e do esomeprazol. A escolha do remédio, a dose e o tempo de uso são definidos na consulta, junto com o ajuste da dieta.

Bolo na garganta pode ser refluxo?

Pode. A sensação de ter algo parado na garganta é um dos sintomas do refluxo que chega à laringe. Quando ela persiste, o exame da garganta ajuda a confirmar a causa.

Refluxo silencioso existe?

Existe. O nome vem do fato de o refluxo não dar os sintomas clássicos, a azia e a queimação. Como os sintomas aparecem só na garganta, a pessoa muitas vezes nem imagina que a causa está no estômago.

Quem tem refluxo laringofaríngeo pode tomar café?

O excesso de cafeína está entre as causas do refluxo. Reduzir o café costuma fazer parte do ajuste da alimentação, e a quantidade tolerada por cada pessoa é conversada na consulta.

Existe tratamento caseiro para refluxo na garganta?

O que se faz em casa é o primeiro passo do tratamento: ajustar a alimentação, evitar deitar logo depois de comer, reduzir café e álcool e parar de fumar. Remédio para diminuir a acidez só deve ser usado com orientação médica.

Referências

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Avaliação do refluxo na garganta em Brasília

Pigarro, tosse seca, rouquidão ou sensação de bolo na garganta que não passam pedem avaliação. A OtoCare, no Noroeste de Brasília, faz a consulta com otorrino e a nasofibrolaringoscopia no próprio consultório, para ver a laringe e confirmar o diagnóstico.

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