Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Infecção de garganta: vírus ou bactéria?
Diante de uma infecção de garganta, a grande dúvida é se a causa é um vírus ou uma bactéria. A recomendação atual é que, mesmo quando há placas de pus na garganta, se faça o teste do estreptococo do grupo A, o Streptococcus pyogenes, para confirmar se essa bactéria está presente ou não.
O teste é simples e o resultado sai em poucos minutos. Na OtoCare, no Noroeste de Brasília, quando há suspeita de infecção bacteriana, ele é feito na própria consulta, o que permite sair com o diagnóstico já no fim do atendimento.

Por que confirmar a bactéria antes do antibiótico
O uso indiscriminado de antibiótico aumentou a preocupação com esses remédios tomados sem real necessidade. Por isso, a recomendação das sociedades médicas é que, antes de prescrever um antibiótico para uma infecção de garganta, se confirme que ela é mesmo bacteriana, com um teste rápido para essa bactéria.
Os estudos mostram que, nas infecções de garganta, o estreptococo do grupo A é a bactéria em que o tratamento com antibiótico realmente vale a pena. A maior parte das dores de garganta, porém, é causada por vírus, e nelas o antibiótico não funciona.
Uma revisão da Cochrane de 2020 mostrou que, quando o teste rápido é usado na consulta, menos pessoas com dor de garganta saem com receita de antibiótico.
Placa de pus na garganta nem sempre é bactéria
Placas de pus levantam a suspeita de bactéria, mas vírus também podem causar placas, embora isso seja menos comum. Na mononucleose, por exemplo, a garganta fica muito inchada e cheia de placas, com cara de infecção bacteriana, e no fim das contas a causa é um vírus.
Por isso, sempre que houver suspeita de infecção bacteriana e se pensar em antibiótico, o ideal é colher o teste para confirmar. O que a aparência da garganta pode sugerir está explicado na orientação sobre garganta inflamada por vírus ou bactéria.
Sintomas da infecção por estreptococo
A infecção de garganta pelo estreptococo do grupo A pode aparecer em qualquer idade, mas é mais comum dos 5 aos 15 anos. Os sinais que fazem pensar nela são:
- dor de garganta forte, que começa de repente;
- dor ou dificuldade para engolir;
- febre de 38 °C ou mais;
- gânglios do pescoço inchados;
- amígdalas vermelhas e inchadas, às vezes com placas de pus;
- pontinhos vermelhos no céu da boca.
Nas crianças também podem aparecer dor de cabeça, dor de barriga, náusea ou vômito.
Escarlatina
O mesmo estreptococo causa a escarlatina, mais comum em crianças pequenas. Ela começa com febre, dor de garganta e gânglios inchados no pescoço. De 12 a 48 horas depois surgem bolinhas pequenas e avermelhadas, que deixam a pele áspera como uma lixa. Elas costumam começar no peito e na barriga e depois se espalham. A língua pode ficar vermelha e cheia de pontinhos, a chamada língua em morango. A escarlatina é tratada com antibiótico.
Como o estreptococo passa de uma pessoa para outra
A bactéria vive no nariz e na garganta e passa pelo ar, com a tosse e o espirro, ao tocar em objetos contaminados e depois levar a mão aos olhos, ao nariz ou à boca, e pelo compartilhamento de copos, canudos e talheres. Ela se espalha mais entre pessoas que moram juntas ou em lugares cheios. Algumas pessoas carregam a bactéria sem ter sintomas, mas quem está doente transmite mais. Os sintomas costumam começar de dois a cinco dias depois do contato.
O que o teste pesquisa
O teste rápido procura, no material colhido da garganta, partes do estreptococo do grupo A. Ele pesquisa essa bactéria específica. Não é um teste para qualquer bactéria nem identifica vírus.
Ele também não se confunde com o teste de estreptococo do grupo B. Esse outro exame é feito na gestação, por volta de 35 a 37 semanas, com coleta na parte externa da vagina e no reto, para proteger o bebê no parto. Não tem relação com a dor de garganta.
Como o teste é feito na consulta
O teste costuma ser feito em laboratório, mas também pode ser feito pelo médico no consultório. Na OtoCare ele é colhido durante a consulta, o que facilita muito a vida do paciente, porque o diagnóstico sai antes de ele ir embora.
No kit mostrado no vídeo, a sequência é esta:
- São colocadas quatro gotas de cada um dos dois reagentes num tubo, e a solução é misturada.
- Com um abaixador de língua, a garganta fica bem visível. O paciente abre bem a boca, deixa a língua relaxada, estica um pouco a cabeça e respira pela boca.
- Um swab, uma haste comprida com a ponta macia, é passado no fundo da garganta.
- O swab é agitado dez vezes na solução e fica um minuto no tubo.
- Depois ele é espremido contra as bordas do tubo, e a fita de leitura é colocada na solução.
A coleta incomoda um pouco, mas não dói. Algumas pessoas sentem um pouco de ânsia, muitas vezes por medo, sem saber o que vai acontecer. É tudo muito rápido, e a maioria dos pacientes tolera bem. Cada kit tem as suas próprias quantidades e tempos, e a instrução do fabricante é sempre a que vale.
Como ler o resultado
O líquido sobe pela fita por capilaridade. Na área de leitura aparece uma linha vermelha, a de controle, que mostra que a coleta foi adequada e que o teste pode ser avaliado. Se a bactéria estiver presente, surge também uma segunda linha vermelha, a do teste.
- Duas linhas: positivo, o estreptococo do grupo A foi detectado.
- Só a linha de controle: negativo para o estreptococo do grupo A.
- Nenhuma linha de controle: o teste não pode ser lido e precisa ser repetido.
Nas instruções de uso de um teste rápido desse tipo, o resultado sem linha de controle é considerado inválido. Em geral, isso acontece por amostra insuficiente, erro no procedimento ou kit vencido.
No teste do vídeo, depois de cinco minutos apareceu só a linha de controle, e o resultado foi negativo.
O teste rápido é confiável?
É um bom teste, mas não é perfeito. Numa revisão da Cochrane com crianças, os testes rápidos acertaram 86 de cada 100 infecções por estreptococo e descartaram corretamente 95 de cada 100 dores de garganta sem essa bactéria.
Por isso, quando o teste dá negativo, mas a suspeita de estreptococo continua forte, o médico pode pedir a cultura da garganta. Ela é mais precisa, mas demora de 24 a 48 horas.
Resultado positivo: e agora?
A infecção pelo estreptococo do grupo A é tratada com antibiótico, receitado na consulta. A penicilina e a amoxicilina continuam sendo as primeiras escolhas, e existem alternativas para quem tem alergia, como mostra a orientação sobre azitromicina na amigdalite. O antibiótico deve ser tomado até o fim, mesmo que a pessoa melhore antes.
Tratar a infecção importa porque, sem tratamento, ela pode trazer complicações como a febre reumática, que pode afetar o coração e as articulações, e a glomerulonefrite, uma doença dos rins.
Vídeo: teste rápido do estreptococo do grupo A
O vídeo abaixo explica por que a infecção de garganta deve ser confirmada antes do antibiótico e mostra o teste inteiro, da mistura dos reagentes à leitura da fita em cinco minutos.
Perguntas frequentes
O teste de estreptococo dói?
Não dói. O swab no fundo da garganta incomoda um pouco e pode dar ânsia, mas a coleta leva poucos segundos.
Quanto tempo demora o resultado do teste Strep A?
No kit mostrado no vídeo, cinco minutos. Outros testes rápidos levam alguns minutos a mais, conforme o fabricante. A cultura da garganta demora de 24 a 48 horas.
A OtoCare faz o teste de estreptococo na consulta?
Faz. Quando o exame da garganta levanta suspeita de infecção bacteriana, o teste é colhido durante a consulta com o otorrino, e o resultado sai antes do fim do atendimento.
Teste Strep A negativo descarta a infecção por estreptococo?
Na maioria das vezes, sim, mas o teste pode deixar passar alguns casos. Se a suspeita continua forte, a cultura da garganta pode ser pedida para confirmar.
Qual a diferença entre o teste rápido e a cultura da garganta?
Os dois usam material colhido com swab. O teste rápido fica pronto em minutos. A cultura é mais precisa, mas o resultado leva de 24 a 48 horas.
Estreptococo do grupo A e do grupo B são o mesmo exame?
Não. O do grupo A pesquisa a bactéria da infecção de garganta. O do grupo B é feito na gravidez, com coleta na vagina e no reto, para proteger o bebê.
Strep A é contagioso?
É. A bactéria passa pelo ar, com tosse e espirro, e pelo compartilhamento de copos e talheres, e se espalha mais entre pessoas que convivem de perto.
Escarlatina é causada pelo estreptococo?
É. A escarlatina é causada pelo estreptococo do grupo A e deixa bolinhas na pele que a tornam áspera como lixa, além de febre e dor de garganta. Ela é tratada com antibiótico.
Criança pode fazer o teste Strep A?
Pode, e é nas crianças que essa infecção é mais comum, principalmente dos 5 aos 15 anos. A coleta é a mesma e leva poucos segundos.
Toda dor de garganta precisa do teste de estreptococo?
Não. O teste é indicado quando há suspeita de infecção bacteriana e se pensa em antibiótico. A maioria das dores de garganta é causada por vírus.
Placa de pus na garganta é sempre bactéria?
Não. Alguns vírus, como o da mononucleose, também causam placas. Por isso o teste ajuda a confirmar a causa.
Se o teste der positivo, precisa de antibiótico?
Quando há sintomas de infecção de garganta, sim. A infecção pelo estreptococo do grupo A é tratada com antibiótico, receitado na consulta e tomado até o fim. Quem tem o teste positivo sem sintomas pode ser apenas portador da bactéria e, em geral, não precisa de antibiótico, e isso é avaliado na consulta.
O estreptococo pode causar complicações?
Pode, quando não é tratado. As principais são a febre reumática, que pode atingir o coração e as articulações, e a glomerulonefrite, que atinge os rins.
Referências
- VILELA, Larissa. Infecção de garganta: é vírus ou bactéria? Teste do estreptococo do grupo A (Exame Strep A)! YouTube, 19 mar. 2025. 1 vídeo (7 min 2 s). Disponível em: https://youtu.be/Y0CBuZ9SHMI. Acesso em: 26 set. 2026.
- MEDLINEPLUS. Strep A test. National Library of Medicine. Disponível em: https://medlineplus.gov/lab-tests/strep-a-test/. Acesso em: 26 set. 2026.
- COHEN, J. F. et al. Rapid antigen detection test for group A streptococcus in children with pharyngitis. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 7, CD010502, 2016. Disponível em: https://www.cochrane.org/pt/evidence/CD010502_what-performance-rapid-tests-diagnosis-strep-throat-children. Acesso em: 26 set. 2026.
- COHEN, J. F. et al. Efficacy and safety of rapid tests to guide antibiotic prescriptions for sore throat. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 6, CD012431, 2020. Disponível em: https://www.cochrane.org/pt/evidence/CD012431_use-rapid-point-care-testing-strep-throat-guide-doctors-prescribing-antibiotics-sore-throat-primary. Acesso em: 26 set. 2026.
- SHULMAN, S. T. et al. Clinical practice guideline for the diagnosis and management of group A streptococcal pharyngitis: 2012 update by the Infectious Diseases Society of America. Clinical Infectious Diseases, v. 55, n. 10, p. e86–e102, 2012. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22965026/. Acesso em: 26 set. 2026.
- NATIONAL HEALTH SERVICE (NHS). Scarlet fever. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/scarlet-fever/. Acesso em: 26 set. 2026.
- MEDLINEPLUS. Group B streptococcus: pregnancy. National Library of Medicine. Disponível em: https://medlineplus.gov/ency/patientinstructions/000511.htm. Acesso em: 26 set. 2026.
- INLAB DIAGNÓSTICA. Strep A Teste Rápido: instruções de uso (exemplo de bula de teste rápido para estreptococo do grupo A). Disponível em: https://www.inlab.ind.br/produto/strep-a-teste-rapido/docs/. Acesso em: 26 set. 2026.
Avaliação da dor de garganta em Brasília
Se você está com dor de garganta forte, febre ou placas, uma consulta com otorrino na OtoCare, no Noroeste de Brasília, examina a garganta e, quando há suspeita de bactéria, faz o teste rápido do estreptococo na hora, para decidir se o antibiótico é mesmo necessário.
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