Herpes-zóster no ouvido: sintomas, tratamento e síndrome de Ramsay Hunt

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Como reconhecer o herpes-zóster no ouvido?

Dor forte em um ouvido, pequenas bolhas dolorosas na orelha ou no canal auditivo e fraqueza em um lado do rosto formam uma combinação característica do herpes-zóster ótico. Quando o nervo facial é atingido, esse quadro também recebe o nome de síndrome de Ramsay Hunt. A pessoa pode notar dificuldade para sorrir ou fechar um olho. Zumbido, perda de audição e vertigem também podem aparecer.

Os sintomas nem sempre começam juntos. A dor pode preceder a fraqueza facial e as lesões por um a três dias. As bolhas surgem sobre áreas avermelhadas e, com a evolução, formam crostas. Por isso, a ausência de lesões no primeiro dia não elimina a necessidade de avaliar uma dor de ouvido acompanhada de alteração nos movimentos da face.

Ilustração de uma orelha com lesões vermelhas e modelo anatômico do ouvido observado por uma mulher

Dor no ouvido com fraqueza facial, perda auditiva ou vertigem merece avaliação médica precoce. Entre em contato com a OtoCare para avaliar o quadro e definir a conduta. Quanto mais cedo a causa for identificada, mais cedo pode ser iniciado o tratamento adequado.

Por que o vírus da catapora pode afetar a face e a audição?

O vírus varicela-zóster causa a catapora no primeiro contato e pode permanecer inativo nos nervos por muitos anos. Quando se reativa, provoca herpes-zóster. Se a reativação ocorre perto do ouvido, a inflamação pode afetar o nervo facial e o nervo vestibulococlear.

O nervo facial movimenta os músculos do rosto; o vestibulococlear participa da audição e do equilíbrio. Isso explica por que um mesmo episódio pode causar assimetria facial, zumbido, perda auditiva ou uma tontura giratória intensa, às vezes com náuseas e vômitos. O quadro merece atenção porque algumas alterações podem persistir após a fase das lesões.

Quais sinais podem aparecer e em que ordem?

  • Dor no ouvido: pode ser intensa e costuma aparecer antes dos outros sinais.
  • Fraqueza de um lado do rosto: muda o sorriso, os movimentos da face ou a capacidade de fechar a pálpebra.
  • Bolhas na orelha ou no canal auditivo: são dolorosas, aparecem em uma área avermelhada e depois formam crostas.
  • Alterações de audição e equilíbrio: podem incluir perda auditiva, zumbido e vertigem.

Nem toda dor de ouvido é herpes-zóster. O conjunto dos sintomas e o exame da orelha e da face ajudam a distinguir esse quadro de outras causas. Se houver zumbido, entenda também como esse sintoma pode se apresentar nas orientações sobre zumbido.

Como é feito o diagnóstico?

Na maioria dos casos, a avaliação dos sintomas e o exame da face, da orelha e do canal auditivo permitem estabelecer o diagnóstico. O aspecto das lesões, quando elas estão presentes, contribui muito para essa decisão.

Quando há dúvida, pode ser necessário pesquisar o vírus em uma amostra da lesão. A audiometria ajuda a medir uma perda auditiva associada. Em situações selecionadas, a ressonância magnética pode ajudar a excluir outras causas da paralisia facial. A decisão sobre exames complementares é individual e não precisa atrasar o início do cuidado quando o quadro clínico já é característico.

Como é feito o tratamento?

O tratamento costuma incluir um antiviral prescrito pelo médico, como aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir. O início precoce é importante: as primeiras 72 horas são a janela ideal. Mesmo depois desse período, a avaliação continua necessária. As doses usadas para herpes-zóster diferem das utilizadas para outras infecções por herpes; não se automedique.

Um corticoide oral também pode ser indicado para reduzir a inflamação do nervo, conforme as condições clínicas de cada pessoa. Quando a paralisia impede o fechamento completo da pálpebra, é preciso proteger e lubrificar o olho para evitar lesão da córnea. A equipe pode orientar reabilitação facial e medidas para aliviar a vertigem, quando necessárias.

O acompanhamento considera a recuperação dos movimentos da face, da audição e do equilíbrio. Se houver perda auditiva, a audiometria pode documentar o quadro e apoiar a comparação durante a recuperação.

A vacina pode prevenir o herpes-zóster?

A vacina recombinante adjuvada Shingrix® reduz o risco de herpes-zóster e de complicações, incluindo a neuralgia pós-herpética, uma dor que pode persistir depois das lesões. O esquema possui duas doses. No Brasil, ela é indicada para adultos a partir de 50 anos e para adultos a partir de 18 anos com risco aumentado para herpes-zóster. A indicação individual e o intervalo entre as doses devem ser conferidos na avaliação de saúde.

Vídeo: herpes-zóster ótico e síndrome de Ramsay Hunt

O vídeo abaixo apresenta os sintomas, o diagnóstico, os componentes do tratamento e a prevenção por vacinação.

Perguntas frequentes

A síndrome de Ramsay Hunt é o mesmo que herpes labial?

Não. A síndrome de Ramsay Hunt decorre da reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. O herpes labial costuma ser causado por outro vírus, o herpes simples. Essa diferença também influencia a escolha e a dose do antiviral.

Qual é a diferença entre síndrome de Ramsay Hunt e paralisia de Bell?

As duas podem enfraquecer um lado do rosto. Na síndrome de Ramsay Hunt, a causa é a reativação do vírus varicela-zóster, geralmente acompanhada de dor no ouvido e, muitas vezes, de bolhas. A paralisia de Bell é uma paralisia facial sem causa definida após a avaliação. A ausência de bolhas, por si só, não permite distinguir os dois quadros.

Quem já teve herpes-zóster pode conversar sobre vacinação?

Sim. Ter tido a doença não impede automaticamente a vacinação futura. A indicação depende da idade, das condições de saúde e do momento adequado após o episódio, definidos em avaliação individual.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Herpes Zoster Oticus (síndrome de Hamsay Hunt). YouTube, 27 jul. 2024. 1 vídeo (12 min 44 s). Disponível em: https://youtu.be/IxQ2-gFRSE4. Acesso em: 23 set. 2026.
  2. PAUNA, Henrique Furlan et al. Task force of the Brazilian Society of Otology: evaluation and management of peripheral facial palsy. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, v. 90, n. 3, 101374, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38377729/. Acesso em: 23 set. 2026.
  3. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Shingrix®: novo registro. Brasília: Anvisa, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/shingrix-novo-registro. Acesso em: 23 set. 2026.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Herpes (cobreiro). Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/herpes. Acesso em: 23 set. 2026.
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Guia de imunização: pneumologia 2024–2025. São Paulo: SBIm, 2024. Disponível em: https://sbim.org.br/images/files/guia-pneumologia-sbim-2024-2025.pdf. Acesso em: 23 set. 2026.

Avaliação de sintomas no ouvido na OtoCare

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